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Depois de uma fantástica participação no EURO 2016, o País de Gales iniciou da melhor maneira a qualificação para o FIFA World Cup 2018, disputado na Rússia. Os galeses golearam a Moldávia por 4-0 e procuram a sua primeira qualificação para um mundial desde 1958, na altura com Pelé a ditar nos quartos-de-final o afastamento dos galeses da competição. Com uma exibição vistosa e alguns momentos de encher o olho, o grande destaque da noite surgiu já depois do apito final. O cruzamento fantástico de Gareth Bale ou o par de golos do próprio craque do Real Madrid ficam atrás do tremendo gesto que protagonizou  James Collins.
     Durante uma série de remates à baliza, no período de aquecimento antes da partida, o central do West Ham foi autor de um remate que saiu bastante desviado do alvo, atingindo na cara uma criança nas bancadas. Imediatamente ciente do que tinha acontecido, o jovem Ryan Evans foi assistido pelo staff médico - onde felizmente se chegou à conclusão que o lance não tinha passado de um susto - e foi de seguida abordado pelo próprio Collins, que subiu a bancada atrás da baliza, preocupado com o adepto galês. Para compensar o pequeno, Collins ofereceu-lhe depois a camisola de Gareth Bale, o seu ídolo. Camisola essa que seria visível na foto em que Ryan posou com o central do West Ham. Com o jovem a ser recompensado pelo remate que teve demasiada pontaria, pensaria-se que seria este o final da história. Mas não para Collins...

     Para sua surpresa o pai do jovem Ryan, Darren Evans, iria receber ao princípio da tarde de hoje uma mensagem na rede social Instagram do próprio James Collins, mensagem a qual está transcrita abaixo:

     Olá Darren,

     Estou bastante feliz em saber que ele está bem, peço desculpa... foi um remate horrível! Eu próprio tenho 3 filhos portanto compreendo o quão preocupado provavelmente o fez sentir e o quão chateado deve ter ficado o Ryan... provavelmente devo dedicar-me a defender e não a rematar! Se me mandar a sua morada e o tamanho que veste e calça o Ryan irei-lhe mandar algumas peças do West Ham e da Nike como forma de me desculpar. Espero que tenha gostado do jogo ontem e, como sempre, obrigado pelo apoio.
     É seguro dizer que a classe pura de James Collins está a conquistar adeptos pelo país de Gales e, seguramente, por todo o mundo. São atitudes como estas que colocam o futebol num pedestal em termos de emotividade e faça com que jovens como Ryan Evans possam ter recordações para toda a vida. Peças como estas são importantes para destacar o lado humano dos atletas que, tal como qualquer um de nós, são meramente pessoas. E infelizmente, seja porque razão for, há quem se esqueça disso.

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     Uma nova temporada traz, quase inevitavelmente, surpresas. E essas mesmas podem surgir de diferentes maneiras: uma contratação surpresa, um campeão que desilude de forma inesperada ou uma equipa que não vai correspondendo às expectativas que lhe eram atribuídas. Sendo o início de temporada no futebol europeu um período sempre agitado - mais do que o costume - pelo facto das equipas ainda não terem os plantéis fechados, não terem todos os atletas ao seu dispor ou simplesmente por entrarem nas competições com o pé esquerdo, há, no reverso da medalha, um grupo de equipas que pode surpreender ao longo da temporada e mostrar uma consistência ou brilho que poucos achariam, deveras, possível de prever. 

     Nesta lista - cuja ordem é completamente aleatória - de 10 equipas a Crónica Futebolística reuniu dados essenciais para o estudo das equipas (desde a sua postura no defeso à sua ideologia tática) e juntou, abaixo, uma compilação das 10 equipas a nível europeu a ter em conta na época que há pouco arrancou.

     Esta peça reflete a opinião e visão de Luís Barreira, administrador do projeto.
Devido à longa extensão do artigo, cada parte terá o perfil de 2 equipas*, totalizando 5 partes.

*sendo a única portuguesa presente no artigo, esta parte será unicamente dedicada ao Vitória SC.

Esta é a segunda parte do artigo. Consulte a primeira parte, com perfil de Swansea e Twente.




VITÓRIA SC

A eliminação precoce dos vimaranenses face ao Altach na 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga Europa deu o mote para aquela que seria uma época para esquecer. Mais do que as derrotas, as exibições pobres da formação de Armando Evangelista nesse par de partidas deram indicações pouco favoráveis - com a exceção de algumas notas positivas de cariz individual - para o início do campeonato e das competições internas. As previsões estavam assim corretas, com os vitorianos a realizarem uma entrada no campeonato muito aquém do que é tradição para o emblema da cidade berço, com apenas uma vitória numa mão cheia de jogos. E se é verdade que Armando Evangelista não convenceu no comando técnico da equipa portuguesa, Sérgio Conceição não faria jus à caminhada de Rui Vitória na temporada 2014/2015. Depois de um período de integração com resultados pouco positivos, as expectativas das gentes de Guimarães foram elevadas de forma substancial, fruto do registo positivo que viu a equipa vencer por 7 ocasiões em 12 jogos, perdendo por apenas 3 vezes entre a jornada 9 e 20. Depois esse triunfo sobre o Vitória FC, nessa mesma jornada 20, os comandados de Sérgio Conceição ocupavam um lugar europeu na 5ª posição. A partir daí, uma queda vertiginosa. E se a equipa vitoriana perdeu por apenas 3 ocasiões numa caminhada de 12 jornadas, ganharia apenas uma nas últimas 14, onde somaria um péssimo registo de 7 empates e 6 derrotas, onde a única vitória surgiu no último embate caseiro, com uma goleada frente ao rival Moreirense.

     Esse triunfo a fechar os jogos caseiros da época o Vitória não iria iludir porém os adeptos, cuja desilusão era visível tendo em conta os maus resultados adquiridos com Armando Evangelista primeiro e, apesar de um bom período, com Sérgio Conceição. Numa equipa com tamanha tradição como o Vitória SC, era mandatário corrigir os problemas e formar uma base coesa não só para a próxima época, mas como também construir os alicerces para um projeto de sucesso para uma massa associativa que, pelo apoio constante, merecia melhor.

PORQUE É QUE O VITÓRIA SC PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     Deixando para trás uma época de más recordações, os vitorianos iniciaram da melhor forma o seu percurso ainda sem jogar, contratando Pedro Martins para o lugar de Sérgio Conceição, um técnico com uma personalidade forte mas com óbvias fragilidades em termos de fundamentalismos táticos. A aposta no técnico de Santa Maria da Feira prometia assim não só uma personalidade forte no banco de suplente, mas o acréscimo de ter muita competência dentro de campo, taticamente falando. Há poucos treinadores em Portugal nos últimos anos, excluindo alguns dos técnicos dos 3 grandes portugueses, com o currículo de Pedro Martins, à defesa da instituição que representa à garantia de resultados. Foi assim no Marítimo e no Rio Ave onde, além de levar as respetivas formações à Liga Europa, desenvolveu ou fez ressurgir o caráter das equipas dentro de campo. Cabe a ele, no Vitória, devolver vida a um espírito fortíssimo dentro e fora de campo que, nunca morrendo, ficou certamente desiludido com a época passada.

     Contratando também fora de portas, Pedro Martins provou mais uma vez o seu conhecimento e sobretudo confiança no mercado português, reforçando a equipa com jogadores ligados ao futebol nacional. João Aurélio, Rúben Ferreira, Moussa Marega (por empréstimo) e Soares, todos titulares na vitória expressiva frente ao Paços de Ferreira, alinhavam no campeonato português antes da sua mudança para a cidade berço. As grandes vantagens em relação a contratar ao estrangeiro são a dos jogadores em questão conhecerem a realidade do clube e do campeonato em que alinham, sendo também mais acessível para o técnico - neste caso Pedro Martins - conhecer mais de perto as qualidades e aspetos a melhorar dos jogadores em questão, tendo em conta que já os defrontou no passado. Embora muitas vezes seja mais tentador contratar fora de portas, seja que por razão for - e o argumento de que "o estrangeiro é melhor" já está fora de moda por esta altura -, o campeonato português conta com grandes talentos em todas as formações. Cabe aos mais atentos reconhecê-los.

     Noutra nota, e embora não seja um jogador português ou tenha jogado no campeonato nacional na temporada passada, a inclusão de Bernard na formação vitoriana até ao final da época será extremamente valiosa: depois de ter conquistado poucos minutos no campeonato espanhol, o menino que já é um senhor jogador volta ao Norte do país para uma casa que bem conhece e representou com grande sucesso, especialmente na época passada onde explodiu no principal escalão do futebol português. Um verdadeiro todo-o-terreno no miolo, terá a companhia de mais um regressado, desta feita Hernâni que, cedido pelo FC Porto, já conhece os cantos à casa. Rápido e forte na decisão, o lisboeta é uma adição extremamente bem-vinda pelos vimaranenses para o corredor ofensivo. Os bons filhos à casa voltam e, neste caso em particular, os filhos podem ser peças importantíssimas para Pedro Martins, quer para a titularidade quer para um sistema de rotação, tendo em conta a exigência da temporada que ainda agora começou.

     E se o investimento do clube da cidade berço no mercado de transferências merece ser mencionado, a aposta na formação merece igualmente ser vincada, algo que já é apanágio do emblema nortenho. Tendo iniciado o seu percurso futebolístico no Desportivo de Ronfe, o médio João Pedro vai rapidamente traçando um caminho heróico no Vitória Sport Clube, clube que representa há uma década. Com 23 anos, o jogador natural de Guimarães representou todos os escalões de formação do clube - desde que a idade o permitisse - desde 2006, na altura com 13 anos. Sempre profissional e paciente, João Pedro esperou pela oportunidade que eventualmente ia chegar. Passou de júnior a uma das figuras mais importantes e carismáticas da equipa B dos vitorianos nos 4 anos em que representou a equipa, com esporádicas oportunidades na equipa principal. A sua grande conquista chegaria este ano, 10 depois de vestir a camisola do Vitória pela primeira vez, com Pedro Martins a confiar no jovem médio para atuar ao lado de Rafael Miranda no miolo do xadrez vitoriano. É, depois de 270 minutos oficiais, totalista. E se na época passada a Crónica Futebolística elegeu João Pedro como uma das possíveis revelações do campeonato nacional, esta, sim, será a época de afirmação do vimaranense.

     Sem grandes alterações nos 2 maiores protagonistas na baliza vimaranense, Douglas e João Miguel Silva continuam a ser o par convocado para os 3 confrontos oficiais da época até ao momento. Lançado na época passada, tendo feito 24 jogos pela formação da cidade berço, o jovem guardião português ainda não teve oportunidade para se estrear esta época, mas terá certamente oportunidade de brilhar nas taças, enquanto o brasileiro Douglas, adorado na cidade berço e com um tremendo nível de experiência, recuperou a titularidade que perdeu durante a época passada, tendo em conta o espetacular momento de forma de João Miguel Silva, correspondendo em muitos momentos em que foi chamado. Com 21 anos, a sua evolução será claramente um dos aspetos a ter em conta por Pedro Martins. Trabalhar mais uma temporada com Douglas, um líder nato com tamanha experiência, será uma dádiva para o guarda-redes de Santa Eufémia de Prazins. Mantendo a sua baliza virgem frente ao Marítimo, ainda para mais fora, é até agora o momento alta da época de Douglas no Vitória, que já representa desde 2010.

     Com os corredores laterais renovados, Pedro Martins procurou jogadores experientes no que ao futebol português diz respeito. Com 26 e 28 anos respetivamente, Rúben Ferreira e João Aurélio são jogadores que ainda têm margem de evolução na cidade berço, contando ambos com uma assistência no campeonato até agora, onde atuaram como titulares nos 3 jogos do campeonato. Ambos contratados a equipas madeirense, Rúben não conhecia outro emblema que não o Marítimo desde 2007 e João vestia a camisola do Nacional desde 2008, onde tem um ponto a favor: embora também seja eficaz no corredor defensivo - um aspeto que tem vindo a melhorar de forma consistente -, o jogador nascido em Beja tem uma tremenda facilidade em atuar numa zona mais subida no terreno, ele que se destacou como extremo direito numa fase mais precoce da carreira. Se algo correr mal nos corredores laterais, Josué Sá e Pedro Henrique serão os tapa-furos dos vitorianos, eles que até agora estiveram em bom plano pelos vitorianos apesar da derrota na jornada inaugural do campeonato. Depois de uma época de afirmação, o central brasileiro Pedro Henrique parece construir uma notável dupla de centrais com Josué, de 24 anos, que se estreou na equipa principal do Vitória em 12/13 e representa os vimaranenses desde 2009.

     Sem Cafú - totalista na Ligue 1 até agora - e com a dupla de João Pedro e Rafael Miranda já mencionada acima, é de sublinhar mais uma vez que Bernard será importantíssimo para o técnico do Vitória, a titular ou a sair do banco. Tendo todo um leque de qualidades que podem decidir uma partida - a disponibilidade física, a dedicação, a qualidade de passe e inteligência com e sem bola - o ganês regressa ao berço num momento diferente no qual rumou ao Atlético de Madrid, mas não por isso um momento menos bom. E, se brilhou sobre Rui Vitória, pode fazer o mesmo esta época. Mas podendo ocupar a posição 8, o ganês pode também entrar numa posição mais avançada, a de médio ofensivo/segundo avançado, nesta altura ocupada e muito bem pelo peruano Paolo Hurtado, regressado depois de representar o clube da cidade berço na segunda metade da temporada passada. O desejo de regressar foi demasiado forte e, negociando com o Reading de Inglaterra, os vitorianos adquiriram outro atleta com fortes raízes ao futebol português. E de grande qualidade, vale a pena referir.

     Em termos de extremos, Raphinha, na esquerda, é o extremo mais puro da equipa. Desequilibrador por natureza, o brasileiro de 20 anos tem um papel diferente de Moussa Marega, mais forte do que o brasileiro nalguns aspetos de jogo, mas mais frágeis noutros. É, dadas essas mesmas fragilidades, que Marega deriva inúmeras vezes para o centro, mais perto das áreas de finalização. O jogador do Mali cedido pelo FC Porto é possante e não tem o devido crédito no que toca a qualidade técnica, mas, não bailando tanto como Raphinha, é sobretudo um jogador que usa a sua potência para ganhar metros na sua posição e abrir espaços para os adversários. As suas derivações para o centro que lhe valeram 2 golos frente ao Paços de Ferreira são facilitadas devido à facilidade de João Aurélio em aventurar-se no flanco direito, uma qualidade já mencionada no artigo.

     Já mencionado acima quando se escreveu sobre o investimento do Vitória em jogadores com provas dadas no campeonato, falou-se em Soares. O atacante de 25 anos esteve na Madeira nas últimas duas temporadas, explodindo no Nacional em 15/16 quando marcou 14 golos em 35 partidas oficiais disputadas. Emprestado pelo Veranópolis ao emblema brasileiro, o Vitória mais uma vez antecipou-se a possíveis concorrentes na aquisição do atleta, reforçando de forma preciosa o seu ataque. Além de finalizar com facilidade, Soares oferece-se muito ao jogo em termos físicos e tem uma função importante de, quando mais ninguém o consegue, reter a bola contra a defensiva adversária. Soares consegue libertar a bola para finalizar com uma velocidade estonteante, mas pode também ser muito difícil tirarem-lhe a bola dos pés.

     Havendo equipas no campeonato cuja segunda linha - ou pelo menos jogadores normalmente utilizados como suplentes - é notoriamente inferior à primeira, é de se referir que a formação vitoriana tem opções válidas para praticamente todas as posições e de forma bastante eficaz. Se na baliza há João Silva, um dos guarda-redes mais promissores do futebol português, no centro da defesa há a certeza que é João Afonso e o experiente Moreno - que também atua como médio defensivo com a mesma facilidade -, com Bruno Gaspar a fazer valer a sua qualidade para atuar em qualquer corredor lateral. Com Tozé à espreita para um lugar de unidade média mais ofensiva e Bernard a ser um reforço imenso, o leque de opções para extremos ganha outra categoria com a inclusão de Hernâni na equipa durante a próxima época, juntando-se a alternativas como Xande Silva ou Alex. Com Areias a esperar pela oportunidade de brilhar no centro do ataque vimaranense, o instinto fatal de Moussa Marega nos últimos 2 jogos do campeonato podem fazer com que Hernâni seja o utilizado no corredor direito, experimentando, porventura, Marega no centro. Não abundando soluções para todas as posições com a mesma qualidade dos jogadores mais utilizados até agora, o Vitória tem muita competência no banco.

     Um ponto a favor para Pedro Martins é o rumo e o potencial da equipa B do Vitória. A equipa de Vítor Campelos parece estar destinada a fazer um excelente campeonato na Ledman Liga Pro, com elementos de grande qualidade de defesa ao ataque. Seguindo as pisadas da equipa principal, o Vitória B já mostrou não ter problemas em assumir o jogo e tem, de facto, protagonistas com qualidade e inteligência para o fazer. Neste primeiro momento de temporada, alguns dos maiores protagonistas têm sido o defesa Ricardo Carvalho, os médios Tiago Castro e André Almeida - pelo facto de com 16 anos ter atuado em titular nos 3 jogos até agora e com muita qualidade -, o extremo neozelândes Tyler Boyd que abriu o campeonato com um golaço frente ao Santa Clara nos Açores e Bence Biró, hungaro que se mostra ser um autêntico portento físico no ataque.

     Concluindo, Pedro Martins e o Vitória, num só, têm todas as competições para fazer um grande campeonato e ambicionar uma boa campanha nas restantes taças nacionais devido à razoável profundidade do plantel, com os acima mencionados trunfos presentes na equipa B. Apoio não faltará e seria uma surpresa se o técnico de Santa Maria da Feira não repetisse o sucesso que tive na Madeira e em Vila do Conde.

Luís Barreira, Crónica Futebolística

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     Uma nova temporada traz, quase inevitavelmente, surpresas. E essas mesmas podem surgir de diferentes maneiras: uma contratação surpresa, um campeão que desilude de forma inesperada ou uma equipa que não vai correspondendo às expectativas que lhe eram atribuídas. Sendo o início de temporada no futebol europeu um período sempre agitado - mais do que o costume - pelo facto das equipas ainda não terem os plantéis fechados, não terem todos os atletas ao seu dispor ou simplesmente por entrarem nas competições com o pé esquerdo, há, no reverso da medalha, um grupo de equipas que pode surpreender ao longo da temporada e mostrar uma consistência ou brilho que poucos achariam, deveras, possível de prever. 

     Nesta lista - cuja ordem é completamente aleatória - de 10 equipas a Crónica Futebolística reuniu dados essenciais para o estudo das equipas (desde a sua postura no defeso à sua ideologia tática) e juntou, abaixo, uma compilação das 10 equipas a nível europeu a ter em conta na época que há pouco arrancou.

     Esta peça reflete a opinião e visão de Luís Barreira, administrador do projeto.
Devido à longa extensão do artigo, cada parte terá o perfil de 2 equipas, totalizando 5 partes.



SWANSEA CITY

Os galeses, comandados por Francesco Guidolin desde janeiro, terminaram a época passada de forma tranquila, beneficiando dos elementos que o técnico italiano trouxe para a mesa. Com apenas 3 derrotas nas suas 11 últimas jornadas no campeonato, as perspetivas para esta temporada só podiam ser favoráveis. O período de Garry Monk no clube britânico careceu do brilhantismo que tiveram homens como Brendan Rodgers ou Michael Laudrup em determinados períodos no mesmo cargo, com a aposta num técnico com provas dadas a ser mandatária, mesmo que num campeonato diferente - o campeonato italiano, no caso de Guidolin. O lançamento dos dados foi favorável e os galeses aproveitaram da melhor forma o ímpeto conquistado no final da época passada, marcando novamente terreno na Premier League como uma força a temer e não uma instituição em vias de estagnar, como se foi verificando noutros clubes ingleses nos últimos anos. E a verdade é que, mesmo perdendo o seu maior símbolo dentro de campo, os Swans foram agressivos no mercado, colmatando os setores mais necessitados com reforços respeitáveis e, num caso em particular, chocante por várias formas. Acreditaria que, depois de Juventus e Sevilha, o basco Fernando Llorente iria alinhar pelos cisnes?

PORQUE É QUE O SWANSEA PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     A aposta na continuidade do italiano Francesco Guidolin é definitivamente o passo certo para colocar o clube na direção certa - a qual começou a encontrar na segunda metade da temporada passada - e o mercado de transferências acaba por ser uma bênção para uma equipa que, apesar de perder o seu capitão, contratou pouco, mas com critério e, por sinal, muito bom. 

     As contratações de Fernando Llorente e Borja Bastón - que se pode até revelar como a principal figura da equipa se conseguir marcas semelhantes às que alcançou nas suas últimas duas épocas - são incontestáveis melhorias em relação a Alberto Paloschi (2 golos em 10 jogos, tendo um pique de forma na primeira metade da temporada no Chievo, mas não correspondendo a Guidolin, ao qual foi aposta pessoal), Bafétimbi Gomis (7 golos em 35 jogos) ou mesmo Éder que, apesar de ter convencido no Lille a partir de janeiro, não conseguiu marcar pelos galeses em 15 partidas. Para colocar as coisas em perspetiva, Borja Bastón marcou, sozinho, mais do dobro golos na temporada passada no Eibar (19) do que Paloschi (2), Éder (0) e Gomis (7) juntos no Swansea. Tendo apontado "apenas" 16 golos nas últimas 2 épocas - tendo em conta as épocas estrondosas que fez no passado -, Fernando Llorente é um nome incontestável e apresenta elementos que farão os seus adversário tremer: a presença física, a mobilidade, a inteligência com e sem bola e a capacidade de finalização, todos eles aspetos determinantes ainda para mais no futebol inglês, onde a mobilidade e o físico acabam por ter uma maior relevância do que noutros campeonatos mais recetivos aos poachers ou, se preferir, avançados mais fixos.´

     Apesar da total renovação no que toca à sua unidade mais atacante, há algo que não muda: a presença incontornável de Gylfi Sigurdsson, sempre com uma classe tremenda, na entrada do último terço. Depois de 2011/2012 onde atuou por meia época nos galeses, emprestado pelo Hoffenheim, e das 2 épocas satisfatórias do Tottenham, o islandês prepara-se para fazer a 3ª época completa pela formação que atua no Liberty Stadium. Além de assistir com categoria, pautar o jogo e ser incrivelmente ousado com a bola nos pés, os 20 golos nas últimas duas temporadas em todas as competições fazem dele um nome obrigatório de menção numa lista com os melhores batedores de bolas parada no futebol inglês ou numa lista que enumere as principais razões de sucesso recente por parte dos britânicos. Num sistema que privilegia a presença de um médio de características quase unicamente atacantes, Sigurdsson é um dos elementos mais importantes no xadrez de Guidolin.

     Desde 2002 no clube, Leon Britton irá assumir na totalidade a liderança da equipa dentro de campo que outrora parecia pertencer ao autoritário Ashley Williams, agora no Everton. O médio defensivo inglês de 33 anos voltou ao seu bom nível na temporada passada depois de um 2014/2015 marcado por uma longa lesão no joelho e estará agora acompanhado de Leroy Fer e Jack Cork como opções válidas para atuar ao seu lado - tendo estes 2 últimos atuado no último jogo do campeonato, via doença de Britton. A dinâmica acaba por não ser radicalmente diferente de equipas que atuam com este sistema de 4-2-3-1, atuando um médio na posição 6 e outro, mais equilibrado, na posição 8. A verdade é que, a reforçar algum setor, é elementar referir que o Swansea necessita de um elemento extra no meio-campo para colmatar eventuais ausências ou lesões.

     Tal como no centro do ataque, o centro da defesa dos Swans tem um tom espanhol, com Jordi Amat e Angel Rangel. O argentino Federico Fernandez iniciou a sua 3ª temporada com o clube, sendo um absoluto indiscutível nas suas duas primeiras épocas no País de Gales. Amat foi até ao momento totalista na Premier League e parece ser a opção mais lógica para atuar ao lado do argentino numa dupla de centrais latina, sendo eles o último obstáculo para a ofensiva até chegar a Fabianski, um homem ao qual as balizas do Liberty Stadium estão muito bem entregues. É de mencionar, apesar de tudo, a necessidade dos galeses em reforçar o plano defensivo, já que não há para já alternativas para o corredor esquerdo.

     Com o crescente aumento de competitividade entre os grandes do futebol inglês e os clubes que cada vez mais se vão afirmando como o Tottenham ou mesmo o atual campeão em título Leicester, é indecente pedir aos galeses que repitam a presença europeia conseguida por Laudrup, mas é legítimo pedir mais uma época tranquila, desta vez com mais brilho e maior consistência. E isso será, certamente, alcançável.

TWENTE

Depois de uma época extremamente inconsistente por parte dos holandeses, parece que ao Twente só resta relembrar o inacreditável início de década, onde venceram o campeonato em 2010 e a taça em 2011, vencendo inclusive as respetivas supertaças. Após um - no máximo - modesto 12º lugar na temporada passada, a formação de Enschede parece viver na conformidade, à espera da manutenção e sem grandes objetivos de relevo. Meia década depois de um dos períodos mais brilhantes da história do clube, o Twente parece viver um dos piores. Com 1 vitória em 3 jogos na Eredivisie e já com uma derrota caseira, parece difícil pensar que podem ambicionar algo mais desta temporada que ainda iniciou. Com um registo de golos sofridos que parece piorar de época para época, o Twente vive dias negros. A verdade é que, em maio, o clube pertencia ao segundo escalão do futebol holandês, depois de problemas relacionados com fundos terem feito a federação descer o clube de divisão. O apelo foi aceite e, de novo na primeira divisão - onde da qual tecnicamente nunca saiu -, a formação de Entschede procura algo que muitos não têm, seja no futebol ou em qualquer aspeto da vida: uma segunda oportunidade. E é por aí que o Twente se pode motivar para, depois da uma época terrível, tentar ser melhor. E aproveitar da melhor forma uma oportunidade rara.

PORQUE É QUE O TWENTE PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     Como foi mencionado acima, o Twente tem uma chance quase milagrosa para brilhar nesta temporada. Sem argumentos de um clube de topo no país - embora já o tivesse sido e não há muitos anos -, a equipa de Entschede procura ser consistente, algo que no estilo ofensivo holandês acaba por ser deveras difícil. Não ajuda que as suas maiores referências acabem por se transferir eventualmente - o salto para outra realidade é totalmente compreensível - com o Twente a não ter condições desportivas ou financeiros para reter jogadores como, por exemplo, Jesús Corona. Não tendo propriamente um jogador de franchise, alguém com um contrato longo e que esteja pronto para assumir a liderança da equipa dentro de campo, tem alguém que a curto-prazo pode dar muito à formação vermelha: Enes Ünal.

     Se há um jogador que pode fazer a diferença na formação holandesa é sem dúvida o turco, com a motivação extra de impressionar Pep Guardiola num dos plantéis mais competitivos do futebol europeu. Com 19 anos feitos em maio, Ünal foi autor de um dos melhores hat-tricks que alguma vez verá, sendo o melhor em campo numa partida onde, apesar de sofrer de forma desnecessária, o Twente acabou por vencer 4-3. Os 3 golos em 16 minutos deixam água na boca dos adeptos, tal como os 9 golos apontados em 14 partidas pelo NAC Breda na segunda metade da temporada passada, onde também esteve emprestado pelo City. Uma época completa e competente no Twente pode ser fundamental para receber uma oportunidade na pré-temporada dos citizens e, quiçá, receber uma oportunidade no plantel principal.

     Com a juventude a ser uma característica recorrente na maior parte das formações holandesas do primeiro escalão, o emblema de Entschede conta com um plantel extremamente jovem, rondando uma média de 22.5 anos. De referir que, com a exceção de Chinedu Ede (29), o central Katsikas e o playmaker Klich são os jogadores mais velhos do plantel com 26 anos. O facto do plantel ter 11 jogadores com menos de 21 anos é tão notável como é preocupante: tanto pode servir o argumento de falta de experiência, como o de uma maior irreverência que se pode ir revelando ao longo da época. O maior problema do plantel em termos etários será, porventura, a falta de jogadores experientes para equilibrar a balança, tendo em conta o largo número de jogadores muito, muito jovens.

     Apostar no Twente é - e quando se mantiver a atual conjuntura, sempre será - arriscado devido à inconsistência que a equipa tem mostrado nos últimos jogos e mesmo nas últimas temporadas, sendo capaz do melhor e do pior num curto espaço de tempo. É de esperar, contudo, uma época superior à passada. Um dos pontos incontestáveis na situação do clube é a elevada dose de talento liderado por Enes Ünal, mas se o futebol nos ensinou algo é que o talento puro não é ou pode não ser tão importante como outros aspetos como a experiência ou organização tática. A Crónica Futebolística está, porém, confiante de que o Twente irá fazer uma época surpreendentemente positiva, mas com objetivos limitados nas próximas temporadas.


Luís Barreira, Crónica Futebolística
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     Com uma performance tipicamente italiana e mais golos a cair do pano, a Crónica Futebolística explora os pontos positivos e negativos do quarto dia de EURO 2016, com 5 golos em 3 partidas e momentos para mais tarde relembrar naquela que é a primeira segunda-feira de competição.

     + ANTONIO CONTE - ITÁLIA Cotada por muitos como uma das piores seleções italianas de que há memória, a squadrazzurra silenciou os críticos com uma vitória tipicamente italiana em Lyon, frente a uma Bélgica que voltou a desiludir em grandes competições. Com ausências de peso no meio-campo como Claudio Marchisio, Marco Verratti ou Riccardo Montolivo por lesão - e Andrea Pirlo por opção -, Antonio Conte construiu a equipa à volta dos 3 centrais da Juventus  e de uma estrutura sólida.

     Sem nomes especialmente sonantes no último terço, especialmente comparado com as passadas gerações, Graziano Pellè, que há muito merecia brilhar numa grande competição de seleções, deu uma machadada final numa partida onde Emanuele Giaccherini abriu o marcador depois de uma bola longa absolutamente incrível de Leonardo Bonucci, incontestavelmente uma das figuras maiores da partida. Sujeitando-se a uma relativamente eficaz pressão belga no último terço da partida, o jogo nunca pareceu fugir das mãos dos italianos que fecharam o marcador já num dos últimos pontapés do jogo. Apesar de terem abdicado do domínio do jogo, nunca deixaram de controlar o jogo que fechou o dia.

     + REPÚBLICA DA IRLANDA Com a maioria dos atletas na formação titular a atuar na Premier League, não havia dúvida de que o ritmo competitivo dos irlandeses seria extremamente elevado desde o pontapé de saída. Sem necessitar de controlar o jogo em termos de posse de bola, a seleção que veste verde não só desligou - tanto quanto possível - Zlatan Ibrahimovic do jogo, como se superiorizou aos nórdicos durante grande porção da partida. Apesar do empate, a Suécia não rematou à baliza durante todo o jogo - autogolo a dar o empate aos suecos - e isso é elucidativo da organização e concentração dos irlandeses no momento defensivo.

     + ANDRÉS INIESTA Numa altura em que a Espanha necessitava obrigatoriamente de um golo para vencer a República Checa, numa partida que parecia condenada a terminar sem qualquer golo marcado, o maestro chegou-se à frente com um cruzamento fantástico que encontrou a cabeça de Gerard Piqué. Apesar de ter brilhado com a assistência, a exibição de Iniesta não poderá ficar marcada apenas pela bola para golo: 91.4% de precisão em 93 passes tentados, 5 passes chave, 100% de sucesso em tentativas de drible bem sucedidas e apenas uma perda de bola durante toda a partida fazem do médio do Barcelona a figura da partida.

     + GIANLUIGI BUFFON Ver o guarda-redes da Juventus a festejar os golos italianos é qualquer coisa de inacreditável. Numa competição onde é necessário ter um líder mentalmente forte dentro de campo Buffon é, aos 38 anos, o melhor exemplo de paixão dentro das 4 linhas. 19 anos e mais de 150 jogos depois da sua estreia pela squadrazzurra, este tipo de compromisso e paixão pelo jogo é raro, e por mesmo cada vez mais especial.

     - MARC WILMOTS Quando mexeu no xadrez belga, colocando Mertens e Origi, já era tarde demais. Além disso, ao fazê-lo, tirou de campo Radja Nainggolan, talvez o jogador belga que tivesse mostrado mais vontade de estar a atuar pela sua nação na partida até ao momento da sua substituição. Jogando com uma seleção em bloco baixo, focada primeiro em não sofrer e depois em desmantelar o adversário com bolas longas ou contra-ataques letais, a opção em Fellaini acaba por ser desmedida para uma equipa necessitava de toda a velocidade e criatividade disponível para marcar o mais cedo possível, obrigando os italianos a subir as linhas e assumir o jogo, algo que não se sentem totalmente confortáveis a fazer. A estrutura belga permitiu a Itália jogar como sabe.

     - SUÉCIA Tendo eliminado os maiores rivais no playoff, a caminho do EURO, a Suécia de Erik Hamrén é, na teoria, uma das candidatas a surpresa da competição. Numa estreia altamente antecipada, muito por culpa de Zlatan Ibrahimovic e das suas obras de arte ao longo da temporada, os nórdicos protagonizaram uma das prestações mais desapontantes da competição até ao momento. Sem conseguir ameaçar a baliza de Darren Randolph na partida - nem o golo surgiu de um remate sueco -, as indicações não são propriamente brilhantes para as próximas partidas.

     Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Tal como o milagre de Fátima que marcou o século XX, o século XXI fica marcado pelo milagre de ver adeptos do Real Madrid a festejar um golo do Piqué.
     

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     Com apenas 4 golos apontados em 3 partidas e 2 triunfos pela margem mínima, o terceiro dia do UEFA EURO 2016 é, até ao momento, o menos produtivo em termos de média de golos por jogo. Mas, e em termos de qualidade de jogo? Luís Barreira, administrador da Crónica Futebolística, aponta os pontos positivos e negativos do primeiro domingo da competição.

    + LUKA MODRIC Se o EURO nos tem ensinado nestes primeiros dias, é que as individualidades são uma ameaça constante. Assim foi no primeiro dia quando Dimitri Payet apontou o golo que levou uma nação à loucura e no dia de ontem, quando Bale fez valer o seu estatuto de principal ameaça do País de Gales quando desbloqueou o marcador com um excelente livre frente à Eslováquia. Apesar da clara superioridade em termos estatísticos, a Croácia parecia não conseguir desbloquear o marcador antes do volley absolutamente incrível de fora da grande área, rematando sem qualquer preparação depois de um corte da defensiva turca. O golo do craque do Real Madrid deu 3 pontos a uma formação croata que necessitou de um momento mágico para levar de vencida uma Turquia que não aproveitou, em termos estatísticos, a superioridade na posse de bola.

    + CROÁCIA Apesar de não ter materializado as várias oportunidades em golos, a formação de Ante Cacic mostrou-se bastante bem equilibrada durante a partida, permitindo apenas aos turcos 2 remates à baliza em 90 minutos. É de referir ainda que - e novamente, apesar de não ter materializado as oportunidades em golos - a Croácia tornou-se hoje na equipa com mais remates durante o seu primeiro jogo na competição até ao momento, tentando alvejar a baliza de Volkan Babacan por 19 vezes. Com 6 tiros ao alvo, o momento mágico de Modric, já mencionado, foi suficiente para vencer a partida.

    + TONI KROOS Deixando Sami Khedira numa posição mais defensiva, o médio do Real Madrid teve total liberdade para iniciar o primeiro momento de construção ofensiva da seleção alemã frente à Ucrânia. Com uma das melhores exibições da competição até ao momento, o antigo jogador do Bayern de Munique tentou mais de uma centena de passes - 112 para ser exato - com uma incrível precisão de 92,9%. Com 9 duelos ganhos em 15 disputados e 12 passes longos bem sucedidos em 13 tentativas, o merengue foi a âncora do sucesso alemão frente a uma Ucrânia que deu luta na parte de final, mas acabou por sucumbir à frieza do adversário. O golo de Mustafi, que abriu o marcado, provém de uma assistência do médio alemão na sequência de um lance de bola parada.

    + ARKADIUSZ MILIK Com a Polónia a não conseguir materializar o total domínio na partida frente à Irlanda do Norte, Lewandowski seria o principal favorito para desbloquear a partida e, por consequência, dar a tão merecida vitória aos polacos em Nice. Contrariando as expectativas, o goleador do Bayern de Munique até esteve muito discreto durante a partida, sendo Milik o homem do jogo pelo golo marcado e influência direta para com o desfecho da partida. O goleador do Ajax vai vivendo o melhor momento da carreira, depois de uma época em que contribuiu 36 vezes para golos dos holandeses (24 golos + 12 assistências). É exatamente o que Adam Nawalka necessitava: uma alternativa goleadora.

   + PERSISTÊNCIA A perder frente à campeã do mundo, os últimos minutos do embate entre a Alemanha e a Ucrânia foram dos mais interessantes do EURO até ao momento. Com os ucranianos a carregar até aos últimos momentos, com alguns lances de bola parada para fazer pingar o perigo na área ucraniana, apenas o golo de Schweinsteiger acalmou a formação de leste. Este ponto prova, novamente, que não existem vencedores antecipados numa competição que se tem mostrado bastante equilibrada em termos de margem de vitória.

   - IRLANDA DO NORTE Depois de uma excelente campanha de qualificação, onde só perdeu por uma ocasião em 10 jogos, a estreia da Irlanda do Norte na competição era antecipada com bastante expectativa. O primeiro jogo de sempre dos norte-irlandeses na principal competições de seleções da Europa não podia ter corrido pior: além da derrota, a equipa de Michael O'Neill não foi capaz de rematar à baliza nem por uma vez. Apesar de alguns bons pormenores defensivos, conseguindo desligar Robert Lewandowski em grande parte do jogo, o plano ofensivo da equipa irlandesa precisa de ajustes radicais. Dependendo demasiado do jogo direto, preterindo da posse de bola, a Irlanda do Norte não foi eficiente no setor ofensivo, mesmo quando se viu obrigada a marcar para, pelo menos, empatar a partida.

   - ROBERT LEWANDOWSKI Após uma época incrível com o seu clube, onde apontou nada menos, nada mais do que 42 golos, era quase mandatário um golo do goleador polaco na sua estreia no EURO 2016. Ao invés disso foi Milik a dar a vitória à Polónia naquela que será, com toda a certeza, uma das tardes menos inspiradas da carreira do avançado do Bayern pela seleção. Embora a seleção norte-irlandesa, fechada no último terço, tenha crédito para desmantelar a máquina que é Robert Lewandowski, as estatísticas do ponta-de-lança são lastimáveis: além das 8 perdas de bola registadas ao longo do encontro, o antigo jogador do Borussia Dortmund não registou um único remate à baliza ao longo da partida. Porém, é de se esperar que o goleador molhe a sopa mais cedo ou mais tarde na competição.