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Golos madrugadores e suas implicações


  Coisas que põem toda a gente a pensar. Treinadores, jogadores e adeptos de bancada e sofá. Quantas vezes já não se disse que um golo num período inicial e precoce do jogo decidiu o mesmo? Seja por incompatibilidade (e, consequentemente, incapacidade) do sistema tático ou por uma simples desconcentração em qualquer setor (já que em eventuais perdas de bola numa zona avançada do terreno também geram fulminantes conduções para a baliza adversário, os tradicionais contra-ataques) uma coisa é certa: um golo madrugador é, na sequência dos 90 minutos, uma das formas mais eficazes de despedaçar o oponente. E não de uma forma só. E isso gera mudança. Mudanças que se notam, sobretudo, naquela formação que sofreu um duro golpe. Mas, pensando bem, a mudança pode e deverá ser mútua. Imaginemos um cenário de David versus Golias, que se irá encaixar naquilo que estou a tentar explicitar, enquadrando-me sempre na mesma temática.

  Continuamos então com esse cenário. Imaginem. Existe, na teoria, uma equipa bastante superior à outra. Mas, então, temos que adornar ainda mais esse mesmo conto: é uma final para a equipa teoricamente desfavorecida. Tem que ganhar a todos os custos. Trata-se de uma final: uma eliminatória numa taça ou o possível alcance de uma meta no campeonato nacional. Podemos ter em conta aquele que é o mais provável: a permanência no seu escalão. 

  A equipa entra em campo com uma ideia defensiva, uma constituição cautelosa. Mas não exagerando, ainda assim. Tal como acontece no campeonato português, dando um exemplo prático, as equipas desfavorecidas, ou com menos probabilidade de vencer, têm que apostar na velocidade e nas transições rápidas a roçar a perfeição. Excluindo as sempre perigosas bolas paradas seria uma das hipóteses mais válidas e objetivas para o underdog neste jogo; a equipa mais fraca em todos os aspetos. Aquando do início do encontro verifica-se uma pressão alta do colosso, comparando com a inferior qualidade adversário. Falamos aqui de uma equipa com ilustre história e títulos. Apenas para terem uma melhor noção a onde quero chegar. Ainda para mais a jogar em casa (para dramatizar a coisa). Numa jogada de insistência acabam por perder a bola, fruto da pressão (no meio-campo) do homem mais rápido (ora aí está, velocidade e faro de bola dos sprinters dos forasteiros) em campo, arrisco dizer. Na conclusão da sua extremamente rápida condução de bola o jogador oferece a redondinha ao avançado que, tendo também perfil de velocista, ultrapassou o último homem da linha defensiva. Golo madrugador consumado. Clima de preocupação na equipa mais forte. Tratou-se de uma condução rápida, concluído por um remate perfeito. Não pela execução técnica, mas sim pela sua instintiva construção e, também, pelo seu significado moral. Moral essa que, neste tipo de jogos, pode ser um fator quase decisivo. E 'quase' porque muitas vezes isso não chega. A qualidade alheia pode prevalecer e decidir.

  Diante do silêncio do estádio é tempo de ambos os treinadores conferenciarem com os seus adjuntos ou elementos de confiança na equipa técnica de imediato e no seu abrigo, o banco de suplentes. Sacam os quadros táticos e um bloco de notas. São dos minutos mais fundamentais na partida e, no entanto, ainda se ia na primeira dezena de minutos. As mudanças e decisões que ainda estavam em stand-by iriam, teoricamente, guiar as equipas perante o cenário inesperado (esta deverá ser a única analogia entre os pensamentos dos treinadores, dado o golo e o resultado).

  Até que surgem as mudanças táticas. Isso nota-se pela organização das equipas em campo. A equipa da casa recua a linha defensiva. Não se pode arriscar a ceder a passadeira vermelha, mais uma vez, ao adversário. De resto mantém a sua postura equilibrada que ambicionara vencer a partida, com um meio-campo criativo e homens na frente, acima de tudo, objetivos naquilo que lhes é atribuído. Os inesperados líderes no score mantiveram a sua estratégia inicial e sistema tático: cinco defesas (autocarro), três médios e dois vagabundos a tentar encontrar a bola e imprimir velocidade com ela no processo ofensivo. Mas o invés de dois deixa apenas um homem adiantado em relação à linha da bola. E a estratégia acaba por dar resultados. Uma boa coesão defensiva dá-lhes a vitória. Impressionante, não?

  Isto tudo para dizer que uma boa capacidade de explosão num momento decisivo e um trabalho quase exclusivamente defensivo no resto da partida pode decidir tudo. 'Começar o jogo com um golo de avanço' pode ser altamente benéfico para a equipa que luta para, normalmente, pontuar. É daqueles jogos em que, na equipa da casa, a bola também teima em não entrar. Um imprevisto num momento em que os jogadores nem se cansaram pode ser letal. 

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