Noutra nota, e embora não seja um jogador português ou tenha jogado no campeonato nacional na temporada passada, a inclusão de Bernard na formação vitoriana até ao final da época será extremamente valiosa: depois de ter conquistado poucos minutos no campeonato espanhol, o menino que já é um senhor jogador volta ao Norte do país para uma casa que bem conhece e representou com grande sucesso, especialmente na época passada onde explodiu no principal escalão do futebol português. Um verdadeiro todo-o-terreno no miolo, terá a companhia de mais um regressado, desta feita Hernâni que, cedido pelo FC Porto, já conhece os cantos à casa. Rápido e forte na decisão, o lisboeta é uma adição extremamente bem-vinda pelos vimaranenses para o corredor ofensivo. Os bons filhos à casa voltam e, neste caso em particular, os filhos podem ser peças importantíssimas para Pedro Martins, quer para a titularidade quer para um sistema de rotação, tendo em conta a exigência da temporada que ainda agora começou.

E se o investimento do clube da cidade berço no mercado de transferências merece ser mencionado,
a aposta na formação merece igualmente ser vincada, algo que já é apanágio do emblema nortenho. Tendo
iniciado o seu percurso futebolístico no Desportivo de Ronfe, o médio
João Pedro vai rapidamente
traçando um caminho heróico no Vitória Sport Clube,
clube que representa há uma década. Com 23 anos, o
jogador natural de Guimarães representou todos os escalões de formação do clube - desde que a idade o permitisse - desde 2006, na altura com 13 anos.
Sempre profissional e paciente, João Pedro
esperou pela oportunidade que eventualmente ia chegar. Passou de júnior a
uma das figuras mais importantes e carismáticas da equipa B dos vitorianos nos 4 anos em que representou a equipa, com esporádicas oportunidades na equipa principal. A sua
grande conquista chegaria este ano, 10 depois de vestir a camisola do Vitória pela primeira vez, com
Pedro Martins a confiar no jovem médio para atuar ao lado de Rafael Miranda no miolo do xadrez vitoriano. É, depois de 270 minutos oficiais, totalista. E se
na época passada a Crónica Futebolística elegeu João Pedro como uma das possíveis revelações do campeonato nacional, esta, sim, será a época de afirmação do vimaranense.
Sem grandes alterações nos 2 maiores protagonistas na baliza vimaranense,
Douglas e João Miguel Silva continuam a ser o par convocado para os 3 confrontos oficiais da época até ao momento. Lançado na época passada, tendo feito 24 jogos pela formação da cidade berço,
o jovem guardião português ainda não teve oportunidade para se estrear esta época, mas
terá certamente oportunidade de brilhar nas taças, enquanto o brasileiro
Douglas, adorado na cidade berço e com um tremendo nível de experiência,
recuperou a titularidade que perdeu durante a época passada, tendo em conta o espetacular momento de forma de João Miguel Silva, correspondendo em muitos momentos em que foi chamado. Com 21 anos,
a sua evolução será claramente um dos aspetos a ter em conta por Pedro Martins. Trabalhar mais uma temporada com Douglas, um líder nato com tamanha experiência, será uma dádiva para o guarda-redes de Santa Eufémia de Prazins. Mantendo a sua
baliza virgem frente ao Marítimo, ainda para mais fora, é até agora o momento alta da época de Douglas no Vitória, que já representa desde 2010.
Com os
corredores laterais renovados, Pedro Martins procurou jogadores experientes no que ao futebol português diz respeito. Com 26 e 28 anos respetivamente,
Rúben Ferreira e
João Aurélio são jogadores que ainda têm
margem de evolução na cidade berço, contando ambos com uma assistência no campeonato até agora, onde atuaram como
titulares nos 3 jogos do campeonato. Ambos contratados a equipas madeirense, Rúben não conhecia outro emblema que não o Marítimo desde 2007 e João vestia a camisola do Nacional desde 2008, onde tem um ponto a favor: embora também seja
eficaz no corredor defensivo - um aspeto que tem vindo a melhorar de forma consistente -, o jogador nascido em Beja tem uma tremenda facilidade em atuar numa zona mais subida no terreno,
ele que se destacou como extremo direito numa fase mais precoce da carreira. Se algo correr mal nos corredores laterais,
Josué Sá e
Pedro Henrique serão os tapa-furos dos vitorianos, eles que até agora estiveram em bom plano pelos vitorianos apesar da derrota na jornada inaugural do campeonato. Depois de uma época de afirmação, o central brasileiro Pedro Henrique parece construir uma notável
dupla de centrais com Josué, de 24 anos, que se estreou na equipa principal do Vitória em 12/13 e
representa os vimaranenses desde 2009.
Sem Cafú - totalista na Ligue 1 até agora - e com a dupla de
João Pedro e
Rafael Miranda já mencionada acima, é de sublinhar mais uma vez que
Bernard será importantíssimo para o técnico do Vitória, a titular ou a sair do banco. Tendo todo um
leque de qualidades que podem decidir uma partida - a disponibilidade física, a dedicação, a qualidade de passe e inteligência com e sem bola - o ganês regressa ao berço num momento diferente no qual rumou ao Atlético de Madrid, mas não por isso um momento menos bom. E, se
brilhou sobre Rui Vitória, pode fazer o mesmo esta época. Mas podendo ocupar a posição 8, o ganês pode também entrar numa posição mais avançada, a de médio ofensivo/segundo avançado,
nesta altura ocupada e muito bem pelo peruano Paolo Hurtado, regressado depois de representar o clube da cidade berço na segunda metade da temporada passada. O
desejo de regressar foi demasiado forte e, negociando com o Reading de Inglaterra, os vitorianos adquiriram outro atleta com
fortes raízes ao futebol português. E de grande qualidade, vale a pena referir.
Em termos de extremos,
Raphinha, na esquerda, é o extremo mais puro da equipa. Desequilibrador por natureza, o
brasileiro de 20 anos tem um papel diferente de
Moussa Marega, mais forte do que o brasileiro nalguns aspetos de jogo, mas mais frágeis noutros. É, dadas essas mesmas fragilidades, que Marega deriva inúmeras vezes para o centro,
mais perto das áreas de finalização. O jogador do Mali cedido pelo FC Porto é
possante e não tem o
devido crédito no que toca a qualidade técnica, mas, não bailando tanto como Raphinha, é sobretudo um jogador que usa a sua potência para ganhar metros na sua posição e
abrir espaços para os adversários. As suas derivações para o centro que lhe valeram 2 golos frente ao Paços de Ferreira são
facilitadas devido à facilidade de João Aurélio em aventurar-se no flanco direito, uma qualidade já mencionada no artigo.
Já mencionado acima quando se escreveu sobre o
investimento do Vitória em jogadores com provas dadas no campeonato, falou-se em
Soares. O atacante de 25 anos esteve na Madeira nas últimas duas temporadas,
explodindo no Nacional em 15/16 quando marcou
14 golos em 35 partidas oficiais disputadas. Emprestado pelo Veranópolis ao emblema brasileiro, o Vitória mais uma vez antecipou-se a possíveis concorrentes na aquisição do atleta, reforçando de forma preciosa o seu ataque. Além de
finalizar com facilidade, Soares
oferece-se muito ao jogo em termos físicos e tem uma função importante de, quando mais ninguém o consegue,
reter a bola contra a defensiva adversária. Soares consegue libertar a bola para finalizar com uma velocidade estonteante, mas pode também ser muito difícil tirarem-lhe a bola dos pés.
Havendo equipas no campeonato cuja segunda linha - ou pelo menos jogadores normalmente utilizados como suplentes - é notoriamente inferior à primeira, é
de se referir que a formação vitoriana tem opções válidas para praticamente todas as posições e de forma bastante eficaz. Se na baliza há
João Silva, um dos guarda-redes mais promissores do futebol português, no centro da defesa há a certeza que é
João Afonso e o experiente
Moreno - que também atua como médio defensivo com a mesma facilidade -, com
Bruno Gaspar a fazer valer a sua qualidade para atuar em qualquer corredor lateral. Com
Tozé à espreita para um lugar de unidade média mais ofensiva e Bernard a ser um reforço imenso, o
leque de opções para extremos ganha outra categoria com a inclusão de
Hernâni na equipa durante a próxima época, juntando-se a alternativas como
Xande Silva ou
Alex. Com
Areias a esperar pela oportunidade de brilhar no centro do ataque vimaranense, o instinto fatal de
Moussa Marega nos últimos 2 jogos do campeonato podem fazer com que Hernâni seja o utilizado no corredor direito, experimentando, porventura, Marega no centro. Não abundando soluções para todas as posições com a mesma qualidade dos jogadores mais utilizados até agora,
o Vitória tem muita competência no banco.
Um
ponto a favor para Pedro Martins é o rumo e o potencial da
equipa B do Vitória. A equipa de Vítor Campelos
parece estar destinada a fazer um excelente campeonato na Ledman Liga Pro, com elementos de grande qualidade de defesa ao ataque. Seguindo as pisadas da equipa principal, o
Vitória B já mostrou não ter problemas em assumir o jogo e tem, de facto, protagonistas com qualidade e inteligência para o fazer. Neste primeiro momento de temporada, alguns dos maiores protagonistas têm sido o defesa
Ricardo Carvalho, os médios
Tiago Castro e
André Almeida - pelo facto de com
16 anos ter atuado em titular nos 3 jogos até agora e com muita qualidade -, o extremo neozelândes
Tyler Boyd que abriu o campeonato com um
golaço frente ao Santa Clara nos Açores e
Bence Biró, hungaro que se mostra ser um autêntico
portento físico no ataque.
Concluindo, Pedro Martins e o Vitória, num só, têm
todas as competições para fazer um grande campeonato e ambicionar uma
boa campanha nas restantes taças nacionais devido à razoável profundidade do plantel, com os acima mencionados
trunfos presentes na equipa B. Apoio não faltará e seria uma
surpresa se o técnico de Santa Maria da Feira não repetisse o sucesso que tive na Madeira e em Vila do Conde.
Luís Barreira, Crónica Futebolística