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Depois de uma fantástica participação no EURO 2016, o País de Gales iniciou da melhor maneira a qualificação para o FIFA World Cup 2018, disputado na Rússia. Os galeses golearam a Moldávia por 4-0 e procuram a sua primeira qualificação para um mundial desde 1958, na altura com Pelé a ditar nos quartos-de-final o afastamento dos galeses da competição. Com uma exibição vistosa e alguns momentos de encher o olho, o grande destaque da noite surgiu já depois do apito final. O cruzamento fantástico de Gareth Bale ou o par de golos do próprio craque do Real Madrid ficam atrás do tremendo gesto que protagonizou  James Collins.
     Durante uma série de remates à baliza, no período de aquecimento antes da partida, o central do West Ham foi autor de um remate que saiu bastante desviado do alvo, atingindo na cara uma criança nas bancadas. Imediatamente ciente do que tinha acontecido, o jovem Ryan Evans foi assistido pelo staff médico - onde felizmente se chegou à conclusão que o lance não tinha passado de um susto - e foi de seguida abordado pelo próprio Collins, que subiu a bancada atrás da baliza, preocupado com o adepto galês. Para compensar o pequeno, Collins ofereceu-lhe depois a camisola de Gareth Bale, o seu ídolo. Camisola essa que seria visível na foto em que Ryan posou com o central do West Ham. Com o jovem a ser recompensado pelo remate que teve demasiada pontaria, pensaria-se que seria este o final da história. Mas não para Collins...

     Para sua surpresa o pai do jovem Ryan, Darren Evans, iria receber ao princípio da tarde de hoje uma mensagem na rede social Instagram do próprio James Collins, mensagem a qual está transcrita abaixo:

     Olá Darren,

     Estou bastante feliz em saber que ele está bem, peço desculpa... foi um remate horrível! Eu próprio tenho 3 filhos portanto compreendo o quão preocupado provavelmente o fez sentir e o quão chateado deve ter ficado o Ryan... provavelmente devo dedicar-me a defender e não a rematar! Se me mandar a sua morada e o tamanho que veste e calça o Ryan irei-lhe mandar algumas peças do West Ham e da Nike como forma de me desculpar. Espero que tenha gostado do jogo ontem e, como sempre, obrigado pelo apoio.
     É seguro dizer que a classe pura de James Collins está a conquistar adeptos pelo país de Gales e, seguramente, por todo o mundo. São atitudes como estas que colocam o futebol num pedestal em termos de emotividade e faça com que jovens como Ryan Evans possam ter recordações para toda a vida. Peças como estas são importantes para destacar o lado humano dos atletas que, tal como qualquer um de nós, são meramente pessoas. E infelizmente, seja porque razão for, há quem se esqueça disso.

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     Uma nova temporada traz, quase inevitavelmente, surpresas. E essas mesmas podem surgir de diferentes maneiras: uma contratação surpresa, um campeão que desilude de forma inesperada ou uma equipa que não vai correspondendo às expectativas que lhe eram atribuídas. Sendo o início de temporada no futebol europeu um período sempre agitado - mais do que o costume - pelo facto das equipas ainda não terem os plantéis fechados, não terem todos os atletas ao seu dispor ou simplesmente por entrarem nas competições com o pé esquerdo, há, no reverso da medalha, um grupo de equipas que pode surpreender ao longo da temporada e mostrar uma consistência ou brilho que poucos achariam, deveras, possível de prever. 

     Nesta lista - cuja ordem é completamente aleatória - de 10 equipas a Crónica Futebolística reuniu dados essenciais para o estudo das equipas (desde a sua postura no defeso à sua ideologia tática) e juntou, abaixo, uma compilação das 10 equipas a nível europeu a ter em conta na época que há pouco arrancou.

     Esta peça reflete a opinião e visão de Luís Barreira, administrador do projeto.
Devido à longa extensão do artigo, cada parte terá o perfil de 2 equipas*, totalizando 5 partes.

*sendo a única portuguesa presente no artigo, esta parte será unicamente dedicada ao Vitória SC.

Esta é a segunda parte do artigo. Consulte a primeira parte, com perfil de Swansea e Twente.




VITÓRIA SC

A eliminação precoce dos vimaranenses face ao Altach na 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga Europa deu o mote para aquela que seria uma época para esquecer. Mais do que as derrotas, as exibições pobres da formação de Armando Evangelista nesse par de partidas deram indicações pouco favoráveis - com a exceção de algumas notas positivas de cariz individual - para o início do campeonato e das competições internas. As previsões estavam assim corretas, com os vitorianos a realizarem uma entrada no campeonato muito aquém do que é tradição para o emblema da cidade berço, com apenas uma vitória numa mão cheia de jogos. E se é verdade que Armando Evangelista não convenceu no comando técnico da equipa portuguesa, Sérgio Conceição não faria jus à caminhada de Rui Vitória na temporada 2014/2015. Depois de um período de integração com resultados pouco positivos, as expectativas das gentes de Guimarães foram elevadas de forma substancial, fruto do registo positivo que viu a equipa vencer por 7 ocasiões em 12 jogos, perdendo por apenas 3 vezes entre a jornada 9 e 20. Depois esse triunfo sobre o Vitória FC, nessa mesma jornada 20, os comandados de Sérgio Conceição ocupavam um lugar europeu na 5ª posição. A partir daí, uma queda vertiginosa. E se a equipa vitoriana perdeu por apenas 3 ocasiões numa caminhada de 12 jornadas, ganharia apenas uma nas últimas 14, onde somaria um péssimo registo de 7 empates e 6 derrotas, onde a única vitória surgiu no último embate caseiro, com uma goleada frente ao rival Moreirense.

     Esse triunfo a fechar os jogos caseiros da época o Vitória não iria iludir porém os adeptos, cuja desilusão era visível tendo em conta os maus resultados adquiridos com Armando Evangelista primeiro e, apesar de um bom período, com Sérgio Conceição. Numa equipa com tamanha tradição como o Vitória SC, era mandatário corrigir os problemas e formar uma base coesa não só para a próxima época, mas como também construir os alicerces para um projeto de sucesso para uma massa associativa que, pelo apoio constante, merecia melhor.

PORQUE É QUE O VITÓRIA SC PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     Deixando para trás uma época de más recordações, os vitorianos iniciaram da melhor forma o seu percurso ainda sem jogar, contratando Pedro Martins para o lugar de Sérgio Conceição, um técnico com uma personalidade forte mas com óbvias fragilidades em termos de fundamentalismos táticos. A aposta no técnico de Santa Maria da Feira prometia assim não só uma personalidade forte no banco de suplente, mas o acréscimo de ter muita competência dentro de campo, taticamente falando. Há poucos treinadores em Portugal nos últimos anos, excluindo alguns dos técnicos dos 3 grandes portugueses, com o currículo de Pedro Martins, à defesa da instituição que representa à garantia de resultados. Foi assim no Marítimo e no Rio Ave onde, além de levar as respetivas formações à Liga Europa, desenvolveu ou fez ressurgir o caráter das equipas dentro de campo. Cabe a ele, no Vitória, devolver vida a um espírito fortíssimo dentro e fora de campo que, nunca morrendo, ficou certamente desiludido com a época passada.

     Contratando também fora de portas, Pedro Martins provou mais uma vez o seu conhecimento e sobretudo confiança no mercado português, reforçando a equipa com jogadores ligados ao futebol nacional. João Aurélio, Rúben Ferreira, Moussa Marega (por empréstimo) e Soares, todos titulares na vitória expressiva frente ao Paços de Ferreira, alinhavam no campeonato português antes da sua mudança para a cidade berço. As grandes vantagens em relação a contratar ao estrangeiro são a dos jogadores em questão conhecerem a realidade do clube e do campeonato em que alinham, sendo também mais acessível para o técnico - neste caso Pedro Martins - conhecer mais de perto as qualidades e aspetos a melhorar dos jogadores em questão, tendo em conta que já os defrontou no passado. Embora muitas vezes seja mais tentador contratar fora de portas, seja que por razão for - e o argumento de que "o estrangeiro é melhor" já está fora de moda por esta altura -, o campeonato português conta com grandes talentos em todas as formações. Cabe aos mais atentos reconhecê-los.

     Noutra nota, e embora não seja um jogador português ou tenha jogado no campeonato nacional na temporada passada, a inclusão de Bernard na formação vitoriana até ao final da época será extremamente valiosa: depois de ter conquistado poucos minutos no campeonato espanhol, o menino que já é um senhor jogador volta ao Norte do país para uma casa que bem conhece e representou com grande sucesso, especialmente na época passada onde explodiu no principal escalão do futebol português. Um verdadeiro todo-o-terreno no miolo, terá a companhia de mais um regressado, desta feita Hernâni que, cedido pelo FC Porto, já conhece os cantos à casa. Rápido e forte na decisão, o lisboeta é uma adição extremamente bem-vinda pelos vimaranenses para o corredor ofensivo. Os bons filhos à casa voltam e, neste caso em particular, os filhos podem ser peças importantíssimas para Pedro Martins, quer para a titularidade quer para um sistema de rotação, tendo em conta a exigência da temporada que ainda agora começou.

     E se o investimento do clube da cidade berço no mercado de transferências merece ser mencionado, a aposta na formação merece igualmente ser vincada, algo que já é apanágio do emblema nortenho. Tendo iniciado o seu percurso futebolístico no Desportivo de Ronfe, o médio João Pedro vai rapidamente traçando um caminho heróico no Vitória Sport Clube, clube que representa há uma década. Com 23 anos, o jogador natural de Guimarães representou todos os escalões de formação do clube - desde que a idade o permitisse - desde 2006, na altura com 13 anos. Sempre profissional e paciente, João Pedro esperou pela oportunidade que eventualmente ia chegar. Passou de júnior a uma das figuras mais importantes e carismáticas da equipa B dos vitorianos nos 4 anos em que representou a equipa, com esporádicas oportunidades na equipa principal. A sua grande conquista chegaria este ano, 10 depois de vestir a camisola do Vitória pela primeira vez, com Pedro Martins a confiar no jovem médio para atuar ao lado de Rafael Miranda no miolo do xadrez vitoriano. É, depois de 270 minutos oficiais, totalista. E se na época passada a Crónica Futebolística elegeu João Pedro como uma das possíveis revelações do campeonato nacional, esta, sim, será a época de afirmação do vimaranense.

     Sem grandes alterações nos 2 maiores protagonistas na baliza vimaranense, Douglas e João Miguel Silva continuam a ser o par convocado para os 3 confrontos oficiais da época até ao momento. Lançado na época passada, tendo feito 24 jogos pela formação da cidade berço, o jovem guardião português ainda não teve oportunidade para se estrear esta época, mas terá certamente oportunidade de brilhar nas taças, enquanto o brasileiro Douglas, adorado na cidade berço e com um tremendo nível de experiência, recuperou a titularidade que perdeu durante a época passada, tendo em conta o espetacular momento de forma de João Miguel Silva, correspondendo em muitos momentos em que foi chamado. Com 21 anos, a sua evolução será claramente um dos aspetos a ter em conta por Pedro Martins. Trabalhar mais uma temporada com Douglas, um líder nato com tamanha experiência, será uma dádiva para o guarda-redes de Santa Eufémia de Prazins. Mantendo a sua baliza virgem frente ao Marítimo, ainda para mais fora, é até agora o momento alta da época de Douglas no Vitória, que já representa desde 2010.

     Com os corredores laterais renovados, Pedro Martins procurou jogadores experientes no que ao futebol português diz respeito. Com 26 e 28 anos respetivamente, Rúben Ferreira e João Aurélio são jogadores que ainda têm margem de evolução na cidade berço, contando ambos com uma assistência no campeonato até agora, onde atuaram como titulares nos 3 jogos do campeonato. Ambos contratados a equipas madeirense, Rúben não conhecia outro emblema que não o Marítimo desde 2007 e João vestia a camisola do Nacional desde 2008, onde tem um ponto a favor: embora também seja eficaz no corredor defensivo - um aspeto que tem vindo a melhorar de forma consistente -, o jogador nascido em Beja tem uma tremenda facilidade em atuar numa zona mais subida no terreno, ele que se destacou como extremo direito numa fase mais precoce da carreira. Se algo correr mal nos corredores laterais, Josué Sá e Pedro Henrique serão os tapa-furos dos vitorianos, eles que até agora estiveram em bom plano pelos vitorianos apesar da derrota na jornada inaugural do campeonato. Depois de uma época de afirmação, o central brasileiro Pedro Henrique parece construir uma notável dupla de centrais com Josué, de 24 anos, que se estreou na equipa principal do Vitória em 12/13 e representa os vimaranenses desde 2009.

     Sem Cafú - totalista na Ligue 1 até agora - e com a dupla de João Pedro e Rafael Miranda já mencionada acima, é de sublinhar mais uma vez que Bernard será importantíssimo para o técnico do Vitória, a titular ou a sair do banco. Tendo todo um leque de qualidades que podem decidir uma partida - a disponibilidade física, a dedicação, a qualidade de passe e inteligência com e sem bola - o ganês regressa ao berço num momento diferente no qual rumou ao Atlético de Madrid, mas não por isso um momento menos bom. E, se brilhou sobre Rui Vitória, pode fazer o mesmo esta época. Mas podendo ocupar a posição 8, o ganês pode também entrar numa posição mais avançada, a de médio ofensivo/segundo avançado, nesta altura ocupada e muito bem pelo peruano Paolo Hurtado, regressado depois de representar o clube da cidade berço na segunda metade da temporada passada. O desejo de regressar foi demasiado forte e, negociando com o Reading de Inglaterra, os vitorianos adquiriram outro atleta com fortes raízes ao futebol português. E de grande qualidade, vale a pena referir.

     Em termos de extremos, Raphinha, na esquerda, é o extremo mais puro da equipa. Desequilibrador por natureza, o brasileiro de 20 anos tem um papel diferente de Moussa Marega, mais forte do que o brasileiro nalguns aspetos de jogo, mas mais frágeis noutros. É, dadas essas mesmas fragilidades, que Marega deriva inúmeras vezes para o centro, mais perto das áreas de finalização. O jogador do Mali cedido pelo FC Porto é possante e não tem o devido crédito no que toca a qualidade técnica, mas, não bailando tanto como Raphinha, é sobretudo um jogador que usa a sua potência para ganhar metros na sua posição e abrir espaços para os adversários. As suas derivações para o centro que lhe valeram 2 golos frente ao Paços de Ferreira são facilitadas devido à facilidade de João Aurélio em aventurar-se no flanco direito, uma qualidade já mencionada no artigo.

     Já mencionado acima quando se escreveu sobre o investimento do Vitória em jogadores com provas dadas no campeonato, falou-se em Soares. O atacante de 25 anos esteve na Madeira nas últimas duas temporadas, explodindo no Nacional em 15/16 quando marcou 14 golos em 35 partidas oficiais disputadas. Emprestado pelo Veranópolis ao emblema brasileiro, o Vitória mais uma vez antecipou-se a possíveis concorrentes na aquisição do atleta, reforçando de forma preciosa o seu ataque. Além de finalizar com facilidade, Soares oferece-se muito ao jogo em termos físicos e tem uma função importante de, quando mais ninguém o consegue, reter a bola contra a defensiva adversária. Soares consegue libertar a bola para finalizar com uma velocidade estonteante, mas pode também ser muito difícil tirarem-lhe a bola dos pés.

     Havendo equipas no campeonato cuja segunda linha - ou pelo menos jogadores normalmente utilizados como suplentes - é notoriamente inferior à primeira, é de se referir que a formação vitoriana tem opções válidas para praticamente todas as posições e de forma bastante eficaz. Se na baliza há João Silva, um dos guarda-redes mais promissores do futebol português, no centro da defesa há a certeza que é João Afonso e o experiente Moreno - que também atua como médio defensivo com a mesma facilidade -, com Bruno Gaspar a fazer valer a sua qualidade para atuar em qualquer corredor lateral. Com Tozé à espreita para um lugar de unidade média mais ofensiva e Bernard a ser um reforço imenso, o leque de opções para extremos ganha outra categoria com a inclusão de Hernâni na equipa durante a próxima época, juntando-se a alternativas como Xande Silva ou Alex. Com Areias a esperar pela oportunidade de brilhar no centro do ataque vimaranense, o instinto fatal de Moussa Marega nos últimos 2 jogos do campeonato podem fazer com que Hernâni seja o utilizado no corredor direito, experimentando, porventura, Marega no centro. Não abundando soluções para todas as posições com a mesma qualidade dos jogadores mais utilizados até agora, o Vitória tem muita competência no banco.

     Um ponto a favor para Pedro Martins é o rumo e o potencial da equipa B do Vitória. A equipa de Vítor Campelos parece estar destinada a fazer um excelente campeonato na Ledman Liga Pro, com elementos de grande qualidade de defesa ao ataque. Seguindo as pisadas da equipa principal, o Vitória B já mostrou não ter problemas em assumir o jogo e tem, de facto, protagonistas com qualidade e inteligência para o fazer. Neste primeiro momento de temporada, alguns dos maiores protagonistas têm sido o defesa Ricardo Carvalho, os médios Tiago Castro e André Almeida - pelo facto de com 16 anos ter atuado em titular nos 3 jogos até agora e com muita qualidade -, o extremo neozelândes Tyler Boyd que abriu o campeonato com um golaço frente ao Santa Clara nos Açores e Bence Biró, hungaro que se mostra ser um autêntico portento físico no ataque.

     Concluindo, Pedro Martins e o Vitória, num só, têm todas as competições para fazer um grande campeonato e ambicionar uma boa campanha nas restantes taças nacionais devido à razoável profundidade do plantel, com os acima mencionados trunfos presentes na equipa B. Apoio não faltará e seria uma surpresa se o técnico de Santa Maria da Feira não repetisse o sucesso que tive na Madeira e em Vila do Conde.

Luís Barreira, Crónica Futebolística

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     Uma nova temporada traz, quase inevitavelmente, surpresas. E essas mesmas podem surgir de diferentes maneiras: uma contratação surpresa, um campeão que desilude de forma inesperada ou uma equipa que não vai correspondendo às expectativas que lhe eram atribuídas. Sendo o início de temporada no futebol europeu um período sempre agitado - mais do que o costume - pelo facto das equipas ainda não terem os plantéis fechados, não terem todos os atletas ao seu dispor ou simplesmente por entrarem nas competições com o pé esquerdo, há, no reverso da medalha, um grupo de equipas que pode surpreender ao longo da temporada e mostrar uma consistência ou brilho que poucos achariam, deveras, possível de prever. 

     Nesta lista - cuja ordem é completamente aleatória - de 10 equipas a Crónica Futebolística reuniu dados essenciais para o estudo das equipas (desde a sua postura no defeso à sua ideologia tática) e juntou, abaixo, uma compilação das 10 equipas a nível europeu a ter em conta na época que há pouco arrancou.

     Esta peça reflete a opinião e visão de Luís Barreira, administrador do projeto.
Devido à longa extensão do artigo, cada parte terá o perfil de 2 equipas, totalizando 5 partes.



SWANSEA CITY

Os galeses, comandados por Francesco Guidolin desde janeiro, terminaram a época passada de forma tranquila, beneficiando dos elementos que o técnico italiano trouxe para a mesa. Com apenas 3 derrotas nas suas 11 últimas jornadas no campeonato, as perspetivas para esta temporada só podiam ser favoráveis. O período de Garry Monk no clube britânico careceu do brilhantismo que tiveram homens como Brendan Rodgers ou Michael Laudrup em determinados períodos no mesmo cargo, com a aposta num técnico com provas dadas a ser mandatária, mesmo que num campeonato diferente - o campeonato italiano, no caso de Guidolin. O lançamento dos dados foi favorável e os galeses aproveitaram da melhor forma o ímpeto conquistado no final da época passada, marcando novamente terreno na Premier League como uma força a temer e não uma instituição em vias de estagnar, como se foi verificando noutros clubes ingleses nos últimos anos. E a verdade é que, mesmo perdendo o seu maior símbolo dentro de campo, os Swans foram agressivos no mercado, colmatando os setores mais necessitados com reforços respeitáveis e, num caso em particular, chocante por várias formas. Acreditaria que, depois de Juventus e Sevilha, o basco Fernando Llorente iria alinhar pelos cisnes?

PORQUE É QUE O SWANSEA PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     A aposta na continuidade do italiano Francesco Guidolin é definitivamente o passo certo para colocar o clube na direção certa - a qual começou a encontrar na segunda metade da temporada passada - e o mercado de transferências acaba por ser uma bênção para uma equipa que, apesar de perder o seu capitão, contratou pouco, mas com critério e, por sinal, muito bom. 

     As contratações de Fernando Llorente e Borja Bastón - que se pode até revelar como a principal figura da equipa se conseguir marcas semelhantes às que alcançou nas suas últimas duas épocas - são incontestáveis melhorias em relação a Alberto Paloschi (2 golos em 10 jogos, tendo um pique de forma na primeira metade da temporada no Chievo, mas não correspondendo a Guidolin, ao qual foi aposta pessoal), Bafétimbi Gomis (7 golos em 35 jogos) ou mesmo Éder que, apesar de ter convencido no Lille a partir de janeiro, não conseguiu marcar pelos galeses em 15 partidas. Para colocar as coisas em perspetiva, Borja Bastón marcou, sozinho, mais do dobro golos na temporada passada no Eibar (19) do que Paloschi (2), Éder (0) e Gomis (7) juntos no Swansea. Tendo apontado "apenas" 16 golos nas últimas 2 épocas - tendo em conta as épocas estrondosas que fez no passado -, Fernando Llorente é um nome incontestável e apresenta elementos que farão os seus adversário tremer: a presença física, a mobilidade, a inteligência com e sem bola e a capacidade de finalização, todos eles aspetos determinantes ainda para mais no futebol inglês, onde a mobilidade e o físico acabam por ter uma maior relevância do que noutros campeonatos mais recetivos aos poachers ou, se preferir, avançados mais fixos.´

     Apesar da total renovação no que toca à sua unidade mais atacante, há algo que não muda: a presença incontornável de Gylfi Sigurdsson, sempre com uma classe tremenda, na entrada do último terço. Depois de 2011/2012 onde atuou por meia época nos galeses, emprestado pelo Hoffenheim, e das 2 épocas satisfatórias do Tottenham, o islandês prepara-se para fazer a 3ª época completa pela formação que atua no Liberty Stadium. Além de assistir com categoria, pautar o jogo e ser incrivelmente ousado com a bola nos pés, os 20 golos nas últimas duas temporadas em todas as competições fazem dele um nome obrigatório de menção numa lista com os melhores batedores de bolas parada no futebol inglês ou numa lista que enumere as principais razões de sucesso recente por parte dos britânicos. Num sistema que privilegia a presença de um médio de características quase unicamente atacantes, Sigurdsson é um dos elementos mais importantes no xadrez de Guidolin.

     Desde 2002 no clube, Leon Britton irá assumir na totalidade a liderança da equipa dentro de campo que outrora parecia pertencer ao autoritário Ashley Williams, agora no Everton. O médio defensivo inglês de 33 anos voltou ao seu bom nível na temporada passada depois de um 2014/2015 marcado por uma longa lesão no joelho e estará agora acompanhado de Leroy Fer e Jack Cork como opções válidas para atuar ao seu lado - tendo estes 2 últimos atuado no último jogo do campeonato, via doença de Britton. A dinâmica acaba por não ser radicalmente diferente de equipas que atuam com este sistema de 4-2-3-1, atuando um médio na posição 6 e outro, mais equilibrado, na posição 8. A verdade é que, a reforçar algum setor, é elementar referir que o Swansea necessita de um elemento extra no meio-campo para colmatar eventuais ausências ou lesões.

     Tal como no centro do ataque, o centro da defesa dos Swans tem um tom espanhol, com Jordi Amat e Angel Rangel. O argentino Federico Fernandez iniciou a sua 3ª temporada com o clube, sendo um absoluto indiscutível nas suas duas primeiras épocas no País de Gales. Amat foi até ao momento totalista na Premier League e parece ser a opção mais lógica para atuar ao lado do argentino numa dupla de centrais latina, sendo eles o último obstáculo para a ofensiva até chegar a Fabianski, um homem ao qual as balizas do Liberty Stadium estão muito bem entregues. É de mencionar, apesar de tudo, a necessidade dos galeses em reforçar o plano defensivo, já que não há para já alternativas para o corredor esquerdo.

     Com o crescente aumento de competitividade entre os grandes do futebol inglês e os clubes que cada vez mais se vão afirmando como o Tottenham ou mesmo o atual campeão em título Leicester, é indecente pedir aos galeses que repitam a presença europeia conseguida por Laudrup, mas é legítimo pedir mais uma época tranquila, desta vez com mais brilho e maior consistência. E isso será, certamente, alcançável.

TWENTE

Depois de uma época extremamente inconsistente por parte dos holandeses, parece que ao Twente só resta relembrar o inacreditável início de década, onde venceram o campeonato em 2010 e a taça em 2011, vencendo inclusive as respetivas supertaças. Após um - no máximo - modesto 12º lugar na temporada passada, a formação de Enschede parece viver na conformidade, à espera da manutenção e sem grandes objetivos de relevo. Meia década depois de um dos períodos mais brilhantes da história do clube, o Twente parece viver um dos piores. Com 1 vitória em 3 jogos na Eredivisie e já com uma derrota caseira, parece difícil pensar que podem ambicionar algo mais desta temporada que ainda iniciou. Com um registo de golos sofridos que parece piorar de época para época, o Twente vive dias negros. A verdade é que, em maio, o clube pertencia ao segundo escalão do futebol holandês, depois de problemas relacionados com fundos terem feito a federação descer o clube de divisão. O apelo foi aceite e, de novo na primeira divisão - onde da qual tecnicamente nunca saiu -, a formação de Entschede procura algo que muitos não têm, seja no futebol ou em qualquer aspeto da vida: uma segunda oportunidade. E é por aí que o Twente se pode motivar para, depois da uma época terrível, tentar ser melhor. E aproveitar da melhor forma uma oportunidade rara.

PORQUE É QUE O TWENTE PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     Como foi mencionado acima, o Twente tem uma chance quase milagrosa para brilhar nesta temporada. Sem argumentos de um clube de topo no país - embora já o tivesse sido e não há muitos anos -, a equipa de Entschede procura ser consistente, algo que no estilo ofensivo holandês acaba por ser deveras difícil. Não ajuda que as suas maiores referências acabem por se transferir eventualmente - o salto para outra realidade é totalmente compreensível - com o Twente a não ter condições desportivas ou financeiros para reter jogadores como, por exemplo, Jesús Corona. Não tendo propriamente um jogador de franchise, alguém com um contrato longo e que esteja pronto para assumir a liderança da equipa dentro de campo, tem alguém que a curto-prazo pode dar muito à formação vermelha: Enes Ünal.

     Se há um jogador que pode fazer a diferença na formação holandesa é sem dúvida o turco, com a motivação extra de impressionar Pep Guardiola num dos plantéis mais competitivos do futebol europeu. Com 19 anos feitos em maio, Ünal foi autor de um dos melhores hat-tricks que alguma vez verá, sendo o melhor em campo numa partida onde, apesar de sofrer de forma desnecessária, o Twente acabou por vencer 4-3. Os 3 golos em 16 minutos deixam água na boca dos adeptos, tal como os 9 golos apontados em 14 partidas pelo NAC Breda na segunda metade da temporada passada, onde também esteve emprestado pelo City. Uma época completa e competente no Twente pode ser fundamental para receber uma oportunidade na pré-temporada dos citizens e, quiçá, receber uma oportunidade no plantel principal.

     Com a juventude a ser uma característica recorrente na maior parte das formações holandesas do primeiro escalão, o emblema de Entschede conta com um plantel extremamente jovem, rondando uma média de 22.5 anos. De referir que, com a exceção de Chinedu Ede (29), o central Katsikas e o playmaker Klich são os jogadores mais velhos do plantel com 26 anos. O facto do plantel ter 11 jogadores com menos de 21 anos é tão notável como é preocupante: tanto pode servir o argumento de falta de experiência, como o de uma maior irreverência que se pode ir revelando ao longo da época. O maior problema do plantel em termos etários será, porventura, a falta de jogadores experientes para equilibrar a balança, tendo em conta o largo número de jogadores muito, muito jovens.

     Apostar no Twente é - e quando se mantiver a atual conjuntura, sempre será - arriscado devido à inconsistência que a equipa tem mostrado nos últimos jogos e mesmo nas últimas temporadas, sendo capaz do melhor e do pior num curto espaço de tempo. É de esperar, contudo, uma época superior à passada. Um dos pontos incontestáveis na situação do clube é a elevada dose de talento liderado por Enes Ünal, mas se o futebol nos ensinou algo é que o talento puro não é ou pode não ser tão importante como outros aspetos como a experiência ou organização tática. A Crónica Futebolística está, porém, confiante de que o Twente irá fazer uma época surpreendentemente positiva, mas com objetivos limitados nas próximas temporadas.


Luís Barreira, Crónica Futebolística
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     Com uma performance tipicamente italiana e mais golos a cair do pano, a Crónica Futebolística explora os pontos positivos e negativos do quarto dia de EURO 2016, com 5 golos em 3 partidas e momentos para mais tarde relembrar naquela que é a primeira segunda-feira de competição.

     + ANTONIO CONTE - ITÁLIA Cotada por muitos como uma das piores seleções italianas de que há memória, a squadrazzurra silenciou os críticos com uma vitória tipicamente italiana em Lyon, frente a uma Bélgica que voltou a desiludir em grandes competições. Com ausências de peso no meio-campo como Claudio Marchisio, Marco Verratti ou Riccardo Montolivo por lesão - e Andrea Pirlo por opção -, Antonio Conte construiu a equipa à volta dos 3 centrais da Juventus  e de uma estrutura sólida.

     Sem nomes especialmente sonantes no último terço, especialmente comparado com as passadas gerações, Graziano Pellè, que há muito merecia brilhar numa grande competição de seleções, deu uma machadada final numa partida onde Emanuele Giaccherini abriu o marcador depois de uma bola longa absolutamente incrível de Leonardo Bonucci, incontestavelmente uma das figuras maiores da partida. Sujeitando-se a uma relativamente eficaz pressão belga no último terço da partida, o jogo nunca pareceu fugir das mãos dos italianos que fecharam o marcador já num dos últimos pontapés do jogo. Apesar de terem abdicado do domínio do jogo, nunca deixaram de controlar o jogo que fechou o dia.

     + REPÚBLICA DA IRLANDA Com a maioria dos atletas na formação titular a atuar na Premier League, não havia dúvida de que o ritmo competitivo dos irlandeses seria extremamente elevado desde o pontapé de saída. Sem necessitar de controlar o jogo em termos de posse de bola, a seleção que veste verde não só desligou - tanto quanto possível - Zlatan Ibrahimovic do jogo, como se superiorizou aos nórdicos durante grande porção da partida. Apesar do empate, a Suécia não rematou à baliza durante todo o jogo - autogolo a dar o empate aos suecos - e isso é elucidativo da organização e concentração dos irlandeses no momento defensivo.

     + ANDRÉS INIESTA Numa altura em que a Espanha necessitava obrigatoriamente de um golo para vencer a República Checa, numa partida que parecia condenada a terminar sem qualquer golo marcado, o maestro chegou-se à frente com um cruzamento fantástico que encontrou a cabeça de Gerard Piqué. Apesar de ter brilhado com a assistência, a exibição de Iniesta não poderá ficar marcada apenas pela bola para golo: 91.4% de precisão em 93 passes tentados, 5 passes chave, 100% de sucesso em tentativas de drible bem sucedidas e apenas uma perda de bola durante toda a partida fazem do médio do Barcelona a figura da partida.

     + GIANLUIGI BUFFON Ver o guarda-redes da Juventus a festejar os golos italianos é qualquer coisa de inacreditável. Numa competição onde é necessário ter um líder mentalmente forte dentro de campo Buffon é, aos 38 anos, o melhor exemplo de paixão dentro das 4 linhas. 19 anos e mais de 150 jogos depois da sua estreia pela squadrazzurra, este tipo de compromisso e paixão pelo jogo é raro, e por mesmo cada vez mais especial.

     - MARC WILMOTS Quando mexeu no xadrez belga, colocando Mertens e Origi, já era tarde demais. Além disso, ao fazê-lo, tirou de campo Radja Nainggolan, talvez o jogador belga que tivesse mostrado mais vontade de estar a atuar pela sua nação na partida até ao momento da sua substituição. Jogando com uma seleção em bloco baixo, focada primeiro em não sofrer e depois em desmantelar o adversário com bolas longas ou contra-ataques letais, a opção em Fellaini acaba por ser desmedida para uma equipa necessitava de toda a velocidade e criatividade disponível para marcar o mais cedo possível, obrigando os italianos a subir as linhas e assumir o jogo, algo que não se sentem totalmente confortáveis a fazer. A estrutura belga permitiu a Itália jogar como sabe.

     - SUÉCIA Tendo eliminado os maiores rivais no playoff, a caminho do EURO, a Suécia de Erik Hamrén é, na teoria, uma das candidatas a surpresa da competição. Numa estreia altamente antecipada, muito por culpa de Zlatan Ibrahimovic e das suas obras de arte ao longo da temporada, os nórdicos protagonizaram uma das prestações mais desapontantes da competição até ao momento. Sem conseguir ameaçar a baliza de Darren Randolph na partida - nem o golo surgiu de um remate sueco -, as indicações não são propriamente brilhantes para as próximas partidas.

     Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Tal como o milagre de Fátima que marcou o século XX, o século XXI fica marcado pelo milagre de ver adeptos do Real Madrid a festejar um golo do Piqué.
     

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     Com apenas 4 golos apontados em 3 partidas e 2 triunfos pela margem mínima, o terceiro dia do UEFA EURO 2016 é, até ao momento, o menos produtivo em termos de média de golos por jogo. Mas, e em termos de qualidade de jogo? Luís Barreira, administrador da Crónica Futebolística, aponta os pontos positivos e negativos do primeiro domingo da competição.

    + LUKA MODRIC Se o EURO nos tem ensinado nestes primeiros dias, é que as individualidades são uma ameaça constante. Assim foi no primeiro dia quando Dimitri Payet apontou o golo que levou uma nação à loucura e no dia de ontem, quando Bale fez valer o seu estatuto de principal ameaça do País de Gales quando desbloqueou o marcador com um excelente livre frente à Eslováquia. Apesar da clara superioridade em termos estatísticos, a Croácia parecia não conseguir desbloquear o marcador antes do volley absolutamente incrível de fora da grande área, rematando sem qualquer preparação depois de um corte da defensiva turca. O golo do craque do Real Madrid deu 3 pontos a uma formação croata que necessitou de um momento mágico para levar de vencida uma Turquia que não aproveitou, em termos estatísticos, a superioridade na posse de bola.

    + CROÁCIA Apesar de não ter materializado as várias oportunidades em golos, a formação de Ante Cacic mostrou-se bastante bem equilibrada durante a partida, permitindo apenas aos turcos 2 remates à baliza em 90 minutos. É de referir ainda que - e novamente, apesar de não ter materializado as oportunidades em golos - a Croácia tornou-se hoje na equipa com mais remates durante o seu primeiro jogo na competição até ao momento, tentando alvejar a baliza de Volkan Babacan por 19 vezes. Com 6 tiros ao alvo, o momento mágico de Modric, já mencionado, foi suficiente para vencer a partida.

    + TONI KROOS Deixando Sami Khedira numa posição mais defensiva, o médio do Real Madrid teve total liberdade para iniciar o primeiro momento de construção ofensiva da seleção alemã frente à Ucrânia. Com uma das melhores exibições da competição até ao momento, o antigo jogador do Bayern de Munique tentou mais de uma centena de passes - 112 para ser exato - com uma incrível precisão de 92,9%. Com 9 duelos ganhos em 15 disputados e 12 passes longos bem sucedidos em 13 tentativas, o merengue foi a âncora do sucesso alemão frente a uma Ucrânia que deu luta na parte de final, mas acabou por sucumbir à frieza do adversário. O golo de Mustafi, que abriu o marcado, provém de uma assistência do médio alemão na sequência de um lance de bola parada.

    + ARKADIUSZ MILIK Com a Polónia a não conseguir materializar o total domínio na partida frente à Irlanda do Norte, Lewandowski seria o principal favorito para desbloquear a partida e, por consequência, dar a tão merecida vitória aos polacos em Nice. Contrariando as expectativas, o goleador do Bayern de Munique até esteve muito discreto durante a partida, sendo Milik o homem do jogo pelo golo marcado e influência direta para com o desfecho da partida. O goleador do Ajax vai vivendo o melhor momento da carreira, depois de uma época em que contribuiu 36 vezes para golos dos holandeses (24 golos + 12 assistências). É exatamente o que Adam Nawalka necessitava: uma alternativa goleadora.

   + PERSISTÊNCIA A perder frente à campeã do mundo, os últimos minutos do embate entre a Alemanha e a Ucrânia foram dos mais interessantes do EURO até ao momento. Com os ucranianos a carregar até aos últimos momentos, com alguns lances de bola parada para fazer pingar o perigo na área ucraniana, apenas o golo de Schweinsteiger acalmou a formação de leste. Este ponto prova, novamente, que não existem vencedores antecipados numa competição que se tem mostrado bastante equilibrada em termos de margem de vitória.

   - IRLANDA DO NORTE Depois de uma excelente campanha de qualificação, onde só perdeu por uma ocasião em 10 jogos, a estreia da Irlanda do Norte na competição era antecipada com bastante expectativa. O primeiro jogo de sempre dos norte-irlandeses na principal competições de seleções da Europa não podia ter corrido pior: além da derrota, a equipa de Michael O'Neill não foi capaz de rematar à baliza nem por uma vez. Apesar de alguns bons pormenores defensivos, conseguindo desligar Robert Lewandowski em grande parte do jogo, o plano ofensivo da equipa irlandesa precisa de ajustes radicais. Dependendo demasiado do jogo direto, preterindo da posse de bola, a Irlanda do Norte não foi eficiente no setor ofensivo, mesmo quando se viu obrigada a marcar para, pelo menos, empatar a partida.

   - ROBERT LEWANDOWSKI Após uma época incrível com o seu clube, onde apontou nada menos, nada mais do que 42 golos, era quase mandatário um golo do goleador polaco na sua estreia no EURO 2016. Ao invés disso foi Milik a dar a vitória à Polónia naquela que será, com toda a certeza, uma das tardes menos inspiradas da carreira do avançado do Bayern pela seleção. Embora a seleção norte-irlandesa, fechada no último terço, tenha crédito para desmantelar a máquina que é Robert Lewandowski, as estatísticas do ponta-de-lança são lastimáveis: além das 8 perdas de bola registadas ao longo do encontro, o antigo jogador do Borussia Dortmund não registou um único remate à baliza ao longo da partida. Porém, é de se esperar que o goleador molhe a sopa mais cedo ou mais tarde na competição.

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Com 3 jogos e o dobro de golos, o segundo dia do EURO 2016 proporcionou à sua audiência um pouco de tudo, desde grandes golos a drama até ao último segundo de jogo. Com 270 minutos de futebol de excelência, estes são os pontos - positivos e negativos - a reter do primeiro sábado de competição.

     + GARETH BALE - PAÍS DE GALES Com a pressão de carregar uma nação nas suas costas, o craque do Real Madrid não desiludiu no primeiro jogo de sempre do País de Gales na fase final de um europeu. Com um grande golo na sequência de um livre direto e eficaz a comandar o ataque galês, o atacante também se mostrou pronto em ação defensiva como mostram os seus 2 cortes e outro desarme ao longo da partida. Numa grande competição desde 1958, Gales procura aquilo que não teve na geração de Ian Rush ou mesmo Ryan Giggs: sucesso no panorama internacional. E esta pode muito bem ser a competição de Gareth Bale, que desta feita não tem que se sujeitar a um plano secundário.

     + ALBÂNIA A jogar com 10 durante toda a segunda parte e final da primeira, a formação albanesa mostrou que não existem, não importa as circunstâncias, adversários acessíveis em fases finais de grandes competições. No embate que marcou o duelo dos irmãos Xhaka, a seleção de Gianni di Biasi deu uma boa réplica aos helvéticos, apesar das claras debilidades em relação aos adversários. A derrota pela margem mínima acaba por ser elucidativa da sua postura durante a partida e uma defesa milagrosa de Yann Sommer a remate do experiente Gashi já na reta final da partida evitou males maiores para os suíços, dando indicações que a Albânia não é, ainda, uma seleção a excluir nas contas para os oitavos.

     + ROY HODGSON Resultado à parte, a Inglaterra mostrou que tem todas as condições para fazer uma excelente prestação no EURO 2016, muito por culpa das alterações táticas de Roy Hodgson em relação ao jogo com Portugal. Preterindo do losango para um tradicional 4-3-3 com extremos, os britânicos cresceram imenso num plano exibicional graças à influência de Sterling e Lallana no plano ofensivo, com o apoio dos laterais (especialmente Kyle Walker, que fez valer mais uma vez a sua velocidade no corredor direito). A colocação de Rooney no meio-campo acaba por não ser uma total surpresa que, em ocasiões, acabou por ser uma mais-valia, apesar de um distanciamento periódico do jogo em alguns momentos.

     + COMPETITIVIDADE O único ponto que se repete em relação ao dia de ontem, a presente edição do EURO 2016 vai mostrando que não existem vencedores antecipados ou jogos completamente dominados por uma equipa em termos de marcador. Com as vitórias do dia por Suíça e Gales a serem ambas conquistadas pela margem mínima, a competição continua a demonstrar que não existem jogos fáceis para nenhuma formação e que os 3 pontos terão de ser disputados até ao apito final. É um ponto a favor especialmente para os adeptos neutros que se vão deliciando com partidas bastante animadas cujo resultado final está indefinido até ao soar do último apito.

     + ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO Muitos pensariam que o golo de Eric Dier tinha fechado a questão sobre o vencedor do embate entre a Inglaterra e Rússia. Pegando no ponto explorando acima, de todos os jogos serem disputados até ao final, os russos mostraram-se dispostos a lutar quando muitos achavam impossível a formação de leste chegar ao golo que dividisse os pontos no grupo B. No duelo que abriu o dia foi Gashi a estar muito perto de dar o empate à Albânia já dentro dos últimos 5 minutos da partida, com o Robson-Kanu a dar o golo da vitória ao País de Gales no minuto 81. Onde quer que esteja as transmissões do EURO'16, não desligue até ao apito final...

     + TRADIÇÃO Apesar da satisfatória exibição da Inglaterra, já mencionada e analisada acima, os britânicos continuam sem vencer em jogos de abertura do EURO. O golo de Vasili Berezutski, já nos descontos, anulou o fantástico livre de Eric Dier e originou o quinto empate dos ingleses nos seus jogos de abertura no EURO. Juntando a isso, 4 outras derrotas fazem com que ainda esteja para surgir a primeira vitória inglesa num jogo de abertura da maior competição europeia de seleções.

    Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Este EURO começou da melhor forma, com Jesus Cristo a colocar música em playback na inauguração. Mas a seleção francesa, em modo de homenagem, conseguiu a vitória com um milagre.

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     Finalizado o primeiro dia de UEFA EURO 2016, a Crónica Futebolística elaborou uma lista do melhor e pior - ou menos bom - do dia, naquela que será a nova rubrica do projeto. Bons ou maus, estes são os pontos a reter do embate entre a França e Roménia.

     + DIMITRI PAYET Por esta altura é impossível não respeitar o percurso do incrível jogador francês na última época. Com uma tremenda época de revelação naquela que é por muitos considerada a melhor liga do mundo, o antigo jogador do Marselha estabeleceu-se como uma das figuras da Premier League e da seleção gaulesa nos últimos embates de preparação antes da competição que hoje teve início. Tendo mostrado pormenores absolutamente incríveis ao longo do ano no West Ham e na seleção francesa (om todos os seus golos apontados pelos bleus a serem fora da área) fez-se justiça poética. Um golaço que colocou um país em festa e um homem em lágrimas, ovacionado no palco de Saint-Denis. 

     + PLANO B Recheada de nomes sonantes no mundo do futebol, a França chegou ao relvado do Stade de France com quase total favoritismo, prevendo-se uma vitória relativamente acessível para os homens de Didier Deschamps. Tal não aconteceu, de forma alguma. A Roménia bateu-se com os gauleses, que jogavam em casa, com uma coragem e concentração tremendas. Num jogo onde o coletivo francês não conseguiu penetrar o coeso bloco romeno vezes suficientes para marcar mais golos, a magia individual de Dimitri Payet deu ao povo francês a garantia de que as individualidades estão presentes e podem, mais uma vez, decidir jogos.

     + SOLIDARIEDADE Olhando para o resultado final na partida que abriu o EURO 2016, é possível tirar de imediato duas conclusões: ou a França foi tremendamente ineficaz ou a Roménia complicou - e muito - a vida à equipa da casa. A primeira opção é imediatamente posta de parte, já que a França não criou oportunidades suficientes para ser "tremendamente ineficaz". Culpe-se a sua adversária, Roménia, que fez uma excelente partida. E a chave para tal foi mesmo a solidariedade que os blocos mostravam uns para os outros: fossem os laterais a subir para fazer a sobreposição ou os extremos - sobretudo Popa, extremo direito, que foi uma ajuda imensa para Sapunaru - a defender de forma eficiente, não comprometendo o equilíbrio defensivo. A entreajuda dos homens de Anghel Iornadescu foi, numa palavra, sensacional.

     + DIDIER DESCHAMPS No atual mundo do futebol, onde muitas vezes o ego e a popularidade de um jogador é suficiente para lhe oferecer um lugar cativo em determinada equipa, existem treinadores que excluem a hipótese de retirar do campo os seus melhores, mais sonantes ou "mais quentes" jogadores. Sem qualquer tipo de receio, vendo que o seu rendimento não era o esperado, Didier Deschamps substituiu em sucessão Antoine Griezmann e Paul Pogba. Já perto do final da partida, Kingsley Coman, que entrou para o lugar do goleador do Atlético de Madrid, foi um elemento chave na construção da jogada que daria o segundo golo francês.

     + COMPETITIVIDADE Embora não seja uma verdade absoluta, é normal dizer-se que o primeiro jogo de uma grande competição dá o mote para o que resta da mesma. E se todo o EURO 2016 tiver a mesma intensidade da partida que o inaugurou, o público estará muito bem servido. Com uma Roménia a surpreender, quase arrecadando um preciso ponto contra a seleção gaulesa, esta pode ser uma competição com muitas surpresas em espera.

     - VIKTOR KASSAI Com a França e Roménia a não serem as únicas equipas debaixo de olho, a equipa de arbitragem do húngaro Viktor Kassai acabou por protagonizar uma partida razoável, que de nenhuma forma foi perfeita. Com um critério por vezes demasiado largo e, em outras instâncias, hesitante em apitar de imediato, o árbitro de 40 anos e a sua equipa deixaram passar em branco alguns lances que poderiam, decerto, mudar o rumo dos acontecimentos. Um ligeiro toque de Olivier Giroud no rosto do guardião romeno deveria ter sido suficiente para anular o golo, assim como um óbvio pontapé de Koscielny num atacante romeno, na meia-lua, ficaria por assinalar.

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     Aproxima-se cada vez mais a competição que promete aquecer, ainda mais, o princípio do verão: o EURO 2016 está aí à porta. E, desta vez, com uma intrigante extensão para 24 seleções. Depois de uma temporada futebolística que nos proporcionou tantos momentos de delírio, a competição realizada em terras gaulesas será, muito provavelmente, a maneira ideal de fechar o animado livro que foi 2015/2016. Com isto, ficam algumas das previsões de Luís Barreira, fundador e administrador da Crónica Futebolística, remetendo à competição que arranca hoje:

     VENCEDOR DO TORNEIO França.

     Controvérsias à parte - algo que parece ser apanágio gaulês nos últimos anos -, a seleção francesa apresenta-se como uma das óbvias favoritas a chegar à final e mesmo vencer a competição, tendo em conta a vantagem caseira que terá em todos os encontros. Mas o teórico favoritismo gaulês vai além de jogar no seu próprio solo: um elenco absolutamente recheado de estrelas e todo um conjunto de pormenores incrivelmente promissores nos embates amigáveis anteriores à competição deixam água na boca para observar atenta a prestação dos Bleus.

     Além de um admirável entrosamento a nível coletivo, a seleção francesa apresenta-se tremendamente confortável quando as individualidades são chamadas ao resgate: nomes como Pogba, Matuidi, Griezmann ou Payet foram dos principais destaques individuais nas suas formações durante a temporada e, se conseguirem manter o ritmo competitivo que apresentaram nos últimos meses, os gauleses serão o alvo a abater durante a maior competição europeia de seleções. Ter um Giroud que promete explodir durante a competição não será, obviamente, prejudicial. 3 golos nos últimos 2 confrontos amigáveis podem dar o mote para uma excelente prestação do avançado do Arsenal.

     DESILUSÃO DO TORNEIO Bélgica.

     Jogador por jogador, os belgas têm um dos plantéis mais valiosos de toda a competição. Tendo liderando recentemente o ranking da FIFA, para surpresa de muitos, a formação de Marc Wilmots pode muito bem afigurar-se como uma das favoritas a vencer a competição. Porém, apesar da verdadeira constelação de estrelas que é a única formação do BENELUX representada no EURO'16, a notória eficácia e qualidade de jogo abaixo daquilo que é esperado deixa o sentimento de que a Bélgica necessita de mais tempo para poder, de facto, atacar uma grande competição.

     Com todos os setores recheados de jogadores suficientemente capazes de suceder na sua posição, o problema da Bélgica não é e não serão as individualidades, mas sim a insuficiente capacidade de adotar uma filosofia fluída que permita ser consistente durante toda a partida. É necessário salientar que, dos 4 golos apontados pelos belgas no tempo regulamentar em jogos do Mundial 2014, nenhum surgiu antes dos 70 minutos. É inadmissível para uma formação desta qualidade demonstrar uma tamanha inconsistência ao longo da partida, algo que pode eventualmente sair caro numa grande competição.

     DARK HORSE Islândia.

     E se no início da qualificação lhe tivessem dito que, num grupo com República Checa, Turquia e Holanda, a Islândia acabaria em 2º lugar, conquistando os 6 pontos em duas partidas contra a laranja mecânica? Apesar da franca desilusão que foi a Holanda na fase de qualificação é de ressaltar, de todas as maneiras possíveis, o trabalho do veterano sueco Lars Lagerbäck e Heimir Hallgrímsson, o par de treinadores da seleção islandesa. Num projeto que foi ganhando força de forma lenta (mas ainda assim, tremendamente eficaz) nos últimos anos, os insulares tornaram-se na nação mais pequena a alguma vez qualificar-se para uma grande competição de seleções.

     Com duelo agendado contra Portugal para dia 14, um dos principais pontos de atração desta fase de grupos para a Crónica Futebolística, os maiores segredos dos islandeses são princípios base do futebol: organização e solidez em todos os setores e em todos os momentos do jogo. Com o 4-4-2 a ser a formação base para os homens de Lagerbäck e Hallgrímsson, existe um admirável equilíbrio em todos os blocos da equipa que veste azul. Com individualidades que merecem ser assinaladas, como são Gylfi Sigurdsson, Birkir Bjarnason ou Kolbeinn Sightórsson, a força islandesa é apenas igual à força do seu coletivo. E a força do seu coletivo é tremenda.

     MELHOR MARCADOR Olivier Giroud.

     Nas suas temporadas no Arsenal, o ponta-de-lança Olivier Giroud tem provado ser tudo menos consensual entre a massa adepta do clube londrino. O mesmo vem acontecendo na seleção, onde o jogador nascido em Chambéry apresenta um respeitável registo de 17 golos em 49 partidas.  É de assinalar, porém, que o francês vem da 2ª temporada mais produtiva da sua carreira, com 24 golos em 54 jogos. Melhor só em 2011/2012, onde foi surpreendentemente campeão com o Montpellier e liderou a equipa com uns brilhantes 25 golos na Ligue 1.

     Além do bom período que atravessou na época de clubes que agora terminou - sem esquecer os normais sobressaltos que vêm sendo apanágio na formação londrina - e impressionantes prestações nos últimos amigáveis, o mais difícil para o gaulês será mesmo não marcar golos: à sua volta estão nomes como Paul Pogba, Blaise Matuidi, Dimitry Payet ou Antoine Griezmann, nomes sonantes que podem servir Giroud a qualquer momento, de qualquer forma. Uma fase de grupos larga em termo de números marcados para os franceses será fundamental para as aspirações do goleador de 29 anos.

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  Situada a cerca de 30 quilómetros do centro de Londres, a cidade de Watford tem a reputação de ser relativamente tranquila. Com 90 mil habitantes, cerca de 75% da sua população total é justamente oriunda da Inglaterra. Governada por um liberal democrata, a cidade destaca-se por aspetos e estruturas tipicamente inglesas. Não há que enganar. Mas também tem um clube de futebol, o Watford Football Club que milita na Premier League. E se por essa Europa fora há um clube que deixa os símbolos, a cultura e a identidade da sua cidade completamente de lado, o Watford é um dos exemplos com menção obrigatória. Sobretudo quando se tocam nos dados demográficos.

  Numa altura em que a Premier League e o futebol inglês passam por uma fase de fortes esperanças sobre a sua nova geração, e sobre a valorização geral do seu futebolista, a equipa orientada por Quique Flores, com os seus próprios valores e ideias, vai contra tudo o que tem sido idealizado na nação britânica. Falamos de uma equipa que tem, nesta altura, mais italianos que ingleses no seu plantel (também e sobretudo por influência de Gianfranco Zola que treinou a equipa em 2012/2013). Com apenas 3 jogadores ingleses - com total de 4 originais da Grã-Bretanha - é, obviamente, a equipa da Premier League com maior presença de futebolistas estrangeiros nas suas fileiras: 88,6%. Com apenas 11,4% de ingleses no seu plantel, é normal que o Watford de Quique Flores imprima diferente ideias dentro de campo. As restantes equipas equipas promovidas, o Bournemouth e o Norwich, têm cerca de 50% de ingleses nos seus plantéis. A diferença é óbvia. E gigante.

... MAS AFINAL, HÁ QUALIDADE?

  Há. E muita. Embora não seja consensual e altamente criticada de forma pontual, a aposta no futebolista estrangeiro pode ser justificada quando há indícios de qualidade e, mais importante ainda, de um rendimento aceitável no plano desportivo. O clube recém-promovido tem protagonizado algumas das aquisições mais interessantes da época, tendo reforçado todos os setores, sem exceção, de forma eficiente. E mais do que procurar o futebolista inglês, Quique e a restante estrutura do Watford procuram eficiência... sendo ela proveniente de que parte do globo for. Se essa já era uma das características que identificava o clube nas últimas temporadas, ganhou contornos mais claros na nova temporada. Afinal de contas nunca foi fácil preencher um (bom) plantel com futebolistas nacionais. E não podemos ser todos Belenenses: a aposta no futebolista nacional é cada vez menos frequente.

  Com o plantel atual constituído por 29 jogadores, Quique tem opções válidas para todas as posições. Talvez mais importante, tem várias alternativas para cada posição. Com um plantel sólido que valeu a subida àquela que é considerada por muitos como a melhor liga do mundo, muitas adições interessantes complementam da melhor forma esta autêntica sociedade das nações que é o Watford. José Holebas, Valon Behrami ou José Manuel Jurado (na imagem) não deixam ninguém indiferentes, juntando também às inteligentes aquisições da parede que é Sebastian Prödl ou ao fantástico extremo que é Berghuis, vindo do AZ. No final de contas são uma dezena de entradas que completam um lote que necessitava obrigatoriamente de ser reforçado. Com ou sem ingleses, uma coisa é certa: qualidade (individual) há muita. O segredo agora passa por ajustar todo esse brilhantismo no processo de jogo dos Hornets.

22 NACIONALIDADES. COMO SE REPARTEM?


 14 nacionalidades pertencentes ao continente europeu, 5 ao continente americano e 3 ao africano. Numa das equipas com mais diversidade na história do futebol, o Watford tem uma incrível e quase inédita mescla no seu balneário. No primeiro embate oficial da temporada frente ao Everton, onde o Watford mostrou excelente apontamentos e 'cavou' um brilhante empate (2-2) em Goodison Park, Quique Flores lançou inicialmente 11 jogadores, sendo todos de nacionalidade diferente. No banco de suplentes estavam presentes mais 7 elementos a representar outras 5 nações. Apesar dos seus aspetos positivos, tamanhas discrepâncias nas respetivas culturas futebolísticas e em certos aspetos comunicativos podem ser as maiores e mais evidentes fragilidades desta equipa. 


A VISÃO DE QUIQUE FLORES

 Como já tive oportunidade de referir, esta ideia de diversidade é interessante e tem as suas vantagens. Pode ser muita coisa, mas não é consensual. A pessoa a quem mais interessa o sucesso deste grupo de trabalho, excluindo a própria estrutura do clube, é ao treinador espanhol Quique Flores. E para o técnico de 50 anos as críticas serão apenas poeira - que rapidamente se desvanecerá, caso os resultados sejam positivos dentro de uma base regular. Vê na diversidade uma maior facilidade no processo de novos hábitos e novas rotinas de jogo, um argumento totalmente legítimo. Ao dizê-lo, afirma que não é tão simples executar da mesma forma ao trabalhar com mais futebolistas ingleses (o que, novamente, não está errado). Dentro de um plantel que pode de certa forma parecer confuso de diversas formas, uma coisa é certa: Quique tem as suas ideias definidas e o oceano de nacionalidades parece ser mesmo o que lhe interessa menos. O importante não é sabê-las de cor, mas sim conhecer e idealizar em campo o que se faz nos treinos e se diz no balneário.

O "NÃO TÃO EXISTENTE" OBSTÁCULO DA LINGUAGEM

  Indubitavelmente uma das maiores e mais evidentes fragilidades do Watford, um número tão elevado de bandeiras no balneário pode originar alguns problemas na comunicação. Se é verdade que o inglês é a língua global e uma das mais faladas a nível mundial, é também verdade (ou deveras provável) que nem todos os jogadores a dominem plenamente. Além de dominar bem o inglês, Quique Flores é espanhol e consegue, em caso de necessidade, entender-se de forma total com os 4 atletas que partilham a sua língua. Esse é também (e um dos maiores) um grande ponto a favor. Seja como for, dentro de campo, a linguagem do futebol é soberana. E com ingleses, espanhóis, italianos, suíços ou checos, todos lutam e falam para o mesmo objetivo.

Luís Barreira

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  Com mais uma temporada futebolística a aproximar-se mais e mais, é perfeitamente normal e compreensível que o nível de expectativa e euforia para ver os novos reforços em duelos oficiais - em especial os mais sonantes ou cuja 'novela' teve mais tempo de antena durante a pré-temporada - seja proporcional à posterior vontade de tirar ilações dos mesmos. Acontece que, por vezes, são os mais subtis a dar nas vistas. Não vivendo o mesmo clima de pressão, não é incomum ter um jogador quase incógnito a dar nas vistas e a brilhar. Ainda noutro cenário, a prata da casa pode explodir. Seja ou não reforço, hoje a Crónica Futebolística fala-lhe de 20 potenciais revelações da Liga NOS.

  Para a lista abaixo há, claro, alguns requisitos. Jogadores com o valor e estatuto primeiramente reconhecido no futebol nacional e posteriormente internacional estão obviamente excluídos. Futebolistas cujo reconhecimento no futebol mundial é assinalável e relativamente consensual - casos de, por exemplo, Júlio César, Bryan Ruíz ou Iker Casillas - também estão fora das escolhas da Crónica Futebolística. Para este lote foram escolhidos jogadores cujo valor não seja totalmente reconhecido no futebol português (embora possam ter uma posição respeitável no seu país de origem) ora por ter atuado no estrangeiro, ora por não ter tido as oportunidades devidas no principal escalão do nosso futebol. Com mais de metade das entradas, o futebolista português é o mais representado na lista abaixo. Relembro que existem dezenas de jogadores com qualidade para estar na lista, mas, nesta publicação, só estarão 20. A difícil escolha final só mostra um positivo aumento da competitividade e qualidade do nosso futebol. Referir também, e numa nota importante, que os jogadores não estão listados por qualquer tipo de classificação. A ordem é completamente aleatória.

1. JOÃO PEDRO Médio, Vitória SC, 22 anos.

  É um dos poucos jogadores da lista que já tive o prazer de ver ao vivo e a cores. Apelidado de 'Witsel' (não é difícil perceber porquê) em praticamente todos os estádios em que atua, João Pedro tem nesta altura todas as condições para desabrochar na equipa principal do Vitória Sport Clube. Com uns impressionantes 46 jogos disputados na passada temporada - o que mostra, desde já, uma condição física invejável -, o médio de 22 anos foi alternativa para a equipa A em 3 ocasiões. Ganhou as suas primeiras titularidades sobre o comando de Rui Vitória na passada edição da Taça da Liga. Com uma excelente qualidade técnica, onde se destaca a facilidade e à vontade com que passa a bola e constrói em qualquer zona do meio-campo, esta é a altura ideal para o jovem aparecer na ribalta. Mostrou um temível pontapé de média distância frente ao Fenerbahçe. Mais fácil fica a tarefa quando tem no banco de suplentes Armando Evangelista, o técnico que fez dele uma das caras mais importantes do Vitória B na passada temporada.

 2. PEDRINHO. Defesa, Rio Ave FC, 30 anos.

 Regressa a sorrir. Pedro Rocha é um lateral direito que passou pela Académica entre 2008 e 2011. Apesar da regularidade que lhe valeu o passaporte para o Lorient, onde foi colega de Raphael Guerreiro até este defeso, o jogador natural de Vila do Conde nunca teve o tão merecido destaque no futebol português. Mais um na longa lista de futebolistas portugueses que são quase obrigados a emigrar para melhorar e dar um passo em frente na sua carreira profissional, o lateral de 30 anos voltou a Vila do Conde (de onde é natural) para apontar à titularidade. E como mostra Pedro Rocha, não há limite de idade para poder fazer impacto. Com uma considerável experiência adquirido na Ligue 1, um dos campeonatos mais competitivos do futebol europeu, esta será uma mais valia para uma formação que procura regressar à forma que lhe deu o acesso à Liga Europa na passada temporada de 2014/2015, onde fez história.
  
 3. ALBERTO BUENO. Avançado, FC Porto, 27 anos.

  Talvez uma das escolhas mais surpreendentes da lista, Alberto Bueno ainda deixa muitos pontos de interrogação devido à sua falta de mediatismo no Rayo Vallecano. Reconhecido no futebol europeu por um poker em 15 minutos na temporada passada e pouco mais, o dianteiro que trabalha às ordens de Julen Lopetegui foi o segundo melhor marcador espanhol da Liga BBVA na temporada com 17 golos. Apesar de ser um registo impressionante, especialmente tendo em conta o facto de não jogar numa equipa com aspirações europeias, a falta de destaque a que foi alvo no futebol espanhol dificultou a percepção do adepto português em relação às suas qualidades. E é por essa mesma razão que pode surpreender tornando-se, de forma pouco ortodoxa, numa das surpresas do futebol português na temporada que aí se avizinha.

4. FÁBIO STURGEON. Extremo ou SA, Os Belenenses, 21 anos.

  Só lhe faltam mesmo os golos para se afirmar como um dos jogadores a temer, quando falamos nas defesas adversárias. Um dos jogadores com maior liberdade na sua faixa de terreno - o último terço, claro está - acabou a temporada passada com 2 golos e 4 assistências, um registo que não faz jus à época que fez. A verdade é que hoje, mais do que nunca, a magia não vale tanto sem os números atrás a justificar. É um facto pouco feliz, é certo, mas isso não deixa de tirar o mérito pelas suas boas prestações. Porém, e para atingir um maior interesse e círculo mediático à sua volta, os números precisam de aparecer rapidamente. Só assim é que Fábio poderá ter a época de explosão que tanto merece e, certamente, tanto deseja. Veloz, astuto e brilhante na condução de bola em transição rápida, uma das prioridades de Ricardo Sá Pinto será certamente conciliar tudo isso com golos para este jovem de 21 anos.

5. TYLER BOYD. Extremo ou PL, Vitória SC, 20 anos.

  Porque não? Aos 20 anos, o neo-zelandês é dos prospetos mais brilhantes do seu país e ruma ao futebol português para experiência uma cultura futebolística completamente diferente daquela que via na Austrália, no outro lado do globo. Mesmo com o final do empréstimo de Jonatan Álvez, é verdade que o jogador com raízes norte-americanas terá dura concorrência na frente de ataque vimaranense, podendo antes afirmar-se num dos flancos: Henrique Dourado, Tomané e Ricardo Valente serão os donos da posição de ponta... ou talvez nem tanto. Embora tenha de atravessar um período de adaptação a uma realidade futebolística e social completamente diferente (só a diferença no fuso horário é infernal de ultrapassar), Boyd pode ser uma mais valia numa altura em que estiver completamente estabelecido no futebol português. Mas para isso deverá, antes, passar pela equipa B do clube. Os 18 golos e 11 assistências em 67 jogos como profissional deixam água na boca.

 6. CAS PETERS. Extremo, CD Nacional, 22 anos.

  Chega para substituir Marco Matias que rumou ao Sheffield Wednesday para se juntar a Carlos Carvalhal, mas este holandês de 22 anos pode até ter mais características favoráveis para acrescentar ao jogo do que o seu antecessor. Com escola de futebol holandês, favorecendo a verticalidade e o 1vs1 até à exaustão, Peters ruma à ilha da Madeira após uma época absolutamente incrível do Emmen onde não ficou longe de subir à Eredivisie. Com uma incrível margem de progressão, esta acaba por ser uma das transferências mais interessantes do futebol português na presente temporada e os números explicam porquê. Jogando preferencialmente a extremo esquerdo, o destro frequentemente flete para o centro e os seus registos brilhantes na temporada passada ilustram mesmo isso: 40 jogos, 24 golos e 5 assistências. A sua fase mais brilhante da temporada surgiu quando, numa sequência de 4 jogos, marcou 6 golos. E no futebol português, de quando em vez descrito como pouco interessante e intenso por alguns jogos menos brilhantes, este tipo de jogadores faz falta. Se corresponder às expectativas e cimentar a sua posição goleadora, a Liga NOS terá um sério candidato a revelação da prova.

 7. JOSÉ SÁ. Guarda-redes, CS Marítimo, 22 anos.

  Se lhe dissesse, acreditaria que José Sá só tem 11 jogos disputados no principal escalão do futebol português? Até parece mentira, mas a verdade é que o guardião que se mostrou em grande plano no EURO sub-21 nunca foi o número 1 dos insulares na Liga. Tendo atuado pela equipa principal do Marítimo apenas por 4 ocasiões na temporada passada, 3 no campeonato, Sá fez a maior parte da temporada na equipa B que desceu de divisão. Tendo Salin como opção principal, Ivo Vieira terá muitas dores de cabeça. Sofrendo apenas 1 golos em 5 partidas no europeu de sub-21 - e tendo enfrentado equipas como a Inglaterra, Alemanha e Itália -, a competição foi a porta que abriu a titularidade para o guardião que fez formação no SL Benfica. 29 balizas virgens em 83 jogos profissionais pelo seu clube são um registo impressionante, ainda mais tendo em conta o que fez com a seleção no passado mês de junho. Escusado dizer que, por estas e outras tantas razões, esta é a época perfeita para brilhar.

 8. PAULO HENRIQUE. Defesa, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  O primeiro central da lista é, também, o mais novo até agora. Nascido e formado na ilha de São Miguel, nos Açores, Paulo Henrique "terminou" o seu processo de formação de forma precoce e, em julho de 2013, Carlos Condeço lançou-o na equipa principal num embate da Taça da Liga. Na altura tinha, imagine só, 16 anos. Por acompanhar a par e passo o seu desenvolvimento no clube insular, é necessário referir que o seu processo de maturação nos últimos 2 anos tem sido deveras incrível. Dando os primeiros passos como central, o jovem açoriano foi de forma bem sucedida adaptado à lateral esquerda, posição onde agora atua quase exclusivamente. Fisicamente possante e taticamente disciplinado, Jorge Simão é o treinador ideal para limar quaisquer falhas que ainda são naturais para a idade. Com Minhoca, também açoriano, a sua adaptação será certamente facilitada. Com enorme facilidade a sair a jogar e pujante no jogo aéreo, é um dos jovens a observar com muita atenção no próximo campeonato. E a equipa principal é mesmo o cenário mais provável.

 9. PEDRO NUNO. Extremo, Académica de Coimbra, 20 anos.

  É verdade que o rendimento de um jogador vai muito de acordo com aquilo que faz o treinador: a posição em que o coloca, a função que o faz desempenhar e as particularidades táticas que quer que implemente. Um treinador que entende o futebolista jovem é fundamental para fazê-lo ter sucesso e, na Académica de Coimbra, José Viterbo desempenha esse papel na perfeição. Mas a qualidade do jogador também importa. E Pedro Nuno tem muita. Foi ganhando minutos na parte final da temporada com Viterbo ao leme, a qual terminou com um grande golo frente ao Vitória SC. Rápido e vertical, algo que lhe favorece em ações de transições rápidas ou contra-ataque, tem as condições necessárias para explodir na próxima temporada. Podendo jogar em qualquer um dos corredores e no centro, a sua polivalência será outro dos aspetos a explorar por um técnico que, melhor do que ninguém, sabe manejar a formação da Briosa.

 10. RAPHAEL GUZZO. Médio, SL Benfica, 20 anos.

  Embora não seja a sua opção número 1 na pré-temporada, Rui Vitória pode preterir do 4-4-2 a qualquer momento do jogo para implementar o 4-3-3 que tanto equilíbrio lhe foi dando nos seus anos de Vitória SC. E, face à eventual necessidade de um médio na alteração do sistema tático, o atual campeão nacional pode ter Guzzo como solução. Embora "só" tenha sido opção em 33 jogos pelo Chaves na temporada passada é reconhecido como uma das caras mais importantes da campanha flaviense que quase terminou com a promoção ao principal escalão do futebol português. Numa temporada onde ganhou maturidade e uma maior intensidade competitiva - sobretudo pela intensidade física próprios da Segunda Liga -, procura agora impressionar no plantel principal. Porém, os minutos e jogos que pode ganhar esta temporada estão algo que dependentes das eventuais alterações táticas que Vitória fizer no meio-campo.

 11. IURI MEDEIROS. Extremo, Sporting CP, 21 anos.

  Num plantel que a cada dia se vai tornando mais competitivo, o segundo açoriano na lista vai certamente mostrando que é uma solução inesquecível para Jorge Jesus. E tem um dado a favor que vale mais do que qualquer outro ao contrário de, por exemplo, Raphael Guzzo: tem experiência na Liga NOS. E não foi apenas mais um no Arouca de Pedro Emanuel. Tendo atuado em 17 jogos na segunda metade da temporada, foi porventura um dos elementos mais importantes na formação dos canários. 3 golos - um deles apontado com um fantástico livre - e 5 assistências fizeram dele não só uma opção importante para a seleção de sub-21 que disputou o EURO na República Checa, mas também para Jorge Jesus na temporada que aí vem. Num lugar onde também podiam estar nomes como Gelson Martins ou Carlos Mané, que também procura a sua afirmação definitiva, é o açoriano que ocupa lugar na lista. Com uma inteligência acima da média no que toca à condução de bola, Iuri e a sua visão podem também ser enquadrados num novo contexto tático, ocupando a posição 10 ou de elemento mais criativo. No flanco - o seu local preferencial - ou no centro, a verdade é que a sua irreverência será uma mais valia para Jorge Jesus. A equipa B já é demasiado pequena para as suas aspirações.

 12. HENRIQUE. Ponta-de-lança, Vitória SC, 25 anos.

  Sendo uma das mais fortes possibilidade a revelação do campeonato português, Henrique Dourado protagonizou também uma das transferências mais surpreendentes do presente defeso. Foi a maior figura da temporada passada no Palmeiras. O ceifador, como é conhecido no Brasil, fez 16 golos em 33 partidas pelo Verdão, afirmando-se como a razão mais forte pela qual o histórico emblema brasileiro não sentiu na pele a despromoção. Exímio no jogo aéreo e competente na proteção da bola, o seu ponto mais forte é, como seria de esperar, a finalização. É letal em qualquer parte da área e, ao contrário do que se pode pensar, não é lento. É rápido a decidir e, na maior parte das vezes, decide bem: remata à baliza. Tem a facilidade de jogar com os 2 pés e de ser expedito nos seus movimentos: se há algo que Henrique Dourado odeia, é cerimónia. Não se admire se tiver um quase sobrenatural número de remates por jogo. Naturalmente, os golos também irão surgir. Tal como em 2005/06, o Vitória pode ter aqui o seu novo matador, o seu novo Saganowski... mas com mais soluções.

 13. GEVORG GHAZARYAN. Médio, CS Marítimo, 27 anos.

  Se pela fotografia o novo jogador do Marítimo lhe parece Henrikh Mkhitaryan, fique sabendo que as comparações não acabam por aí. Moldado para a posição '10', Ghazaryan chega à ilha da Madeira como o reforço mais sonante, na teoria, para a formação insular. Com passagem pelo Olympiakos, o 1º arménio no campeonato português não será, como se pensa, o substituto de Danilo na formação insular. Embora não dê garantidas no plano defensivo, a projeção ofensiva que dará à formação de Ivo Vieira será deveras interessante e diferente do habitual no nosso futebol, fruto dos campeonatos onde passou e da experiência foi adquiriu por consequência. Traz na mala 12 títulos oficiais, um registo incrível. Oferece inteligência e verticalidade, não fazendo cerimónia quando chega a sua vez de finalizar. Podendo parecer uma transferência duvidosa, pela sua falta de experiência no futebol português e pelo consequente desconhecimento dos seus adeptos perante o jogador, é mais um estrangeiro que chega com rótulo de craque. E será deveras interessante ver como irá encaixar numa equipa que perdeu a sua principal referência no setor.

 14. ANDRÉ SILVA. Ponta-de-lança, FC Porto, 19 anos.

  Numa altura em que tem sido discutida uma eventual ida ao mercado por parte do FC Porto em busca de um ponta-de-lança, André Silva tem feito tudo para mostrar que, apesar da juventude, merece uma oportunidade no plantel principal ao comando de Julen Lopetegui. Opção nos 3 embates de pré-época que os azuis e brancos disputaram até ao momento, o jogador nascido em Baguim do Monte tornou-se uma opção regular para Luís Castro na temporada passada. Marcou 7 golos e contribuiu com outras duas assistências em 35 jogos pela equipa B do Porto, tendo já apontado 2 golos contra o Fortuna Sittard na presente pré-temporada. Longe de ser reconhecido pelos seus dribles ou pela sua qualidade técnica com a bola nos pés, André é uma inequívoca referência na grande área e contribui para o jogo com a máxima assertividade no seu momento de alvejar a baliza. Embora Julen Lopetegui opte cada vez mais pela profundidade pelo meio ou pela construção desde trás, renegando o jogo direto ou os centros e cruzamentos constantes para segundo plano, André Silva tem como o seu ponto mais forte o jogo aéreo que, nos momentos certos, lhe pode valer de muito caso seja opção para o técnico espanhol. Apesar de se destacar ao utilizar a cabeça, o jovem goleador não se vê tímido ao fuzilar o guardião adversário com o seu pé direito.

 15. DIOGO JOTA. Avançado, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  Terminou a época passada a dar espetáculo e é assim que pretende iniciar a nova temporada, impressionando Jorge Simão como fez com Paulo Fonseca. Em 12 jogos pelos castores na temporada passada fez algo que poucos imaginariam, contribuindo para uns impressionantes 8 golos da formação pacense. 4 golos e outras tantas assistências despertaram o futebol português para a ascensão deste jovem talento que, para Jorge Simão, deverá ser indispensável. Com a única incógnita a ser de facto a sua posição no plantel, a presença na equipa principal é neste momento uma certeza, formação essa que ambicionará, muito certamente, o regresso a um posto europeu. Já com um golo absolutamente fantástico na bagagem frente ao Sporting da Covilhã, na presente pré-época, este internacional pela seleção sub-19 é, à imagem de Paulo Henrique, um dos prospetos mais interessantes para a próxima época no futebol português.

 16. SANTIAGO MONTOYA. Médio, Vitória SC, 23 anos.

  Vem com estatuto de 'mago' do Vasco da Gama, um histórico emblema brasileiro que, apesar dos recentes problemas no plano desportivo, ainda conta com atletas de uma qualidade muitíssimo interessante. Emprestado até ao final da temporada, Montoya é mais um interessante caso de polivalência que Armando Evangelista pode e deve explorar, tendo em conta a saída de Bernard para o futebol espanhol. Internacional sub-21 pela Colômbia, não deve haver problema para Montoya: mostrou excelentes apontamentos na pré-época e o facto de ter uma propensão mais ofensiva, podendo mesmo jogador nos flancos, não deverá interferir na evolução de João Pedro, já que poderá - e haverá, certamente - haver espaço para ambos. Aos 23 anos terá a sua primeira experiência fora do continente de origem e isso, tal como acontece com Henrique Dourado e Tyler Boy, poderá ser o único obstáculo à sua plena afirmação no plantel dos conquistadores. As perspetivas são otimistas no caso de Montoya, já que nos últimos anos os atletas colombianos no campeonato português têm-se adaptado plenamente, tendo alguns se tornado em referências do nosso futebol.

 17. GUEDES. Ponta-de-lança, Rio Ave FC, 28 anos.

  Há um adjetivo que consegue, na perfeição, descrever a temporada de Hélder Guedes pelo Penafiel em 2014/2015: ingrata. Ao fazer uma belíssima temporada o seu trajeto ficou quase unicamente marcado por ter feito parte da pior equipa da Liga NOS e por ter, por consequência, enfrentado a despromoção. Numa equipa que teve 3 treinadores e imensos problemas no campo desportivo, Guedes foi a figura em destaque e, apesar disso, não teve o seu valor reconhecido. Marcar 10 golos em 35 jogos na temporada passada, em todas as competições, acaba por ser uma marca impressionante tendo em conta as más prestações da formação nortenha. O seu valor viria a ser reconhecido por uma extremamente organizada formação do Rio Ave que conta com o português para aquilo que este faz melhor: golos. Desde 2006 que estava ligado contratualmente à formação do Penafiel e, com exceção da época 2008/2009, nunca tinha representado outro clube. A mira está apontada para o regresso às competições europeias e esta será uma arma que, embora não tenha o nome e as credenciais de outros, irá disparar em todos os sentidos no que às balizas adversárias diz respeito.

 18. TRAQUINA. Extremo, Os Belenenses, 26 anos.

  Num plantel exclusivamente português que terá uma época excepcionalmente longa caso consiga o bilhete para a fase de grupos da UEFA Europa League, Traquina é uma das caras novas que promete fazer estragos na Liga NOS. O que não lhe falta são pontos a favor que Sá Pinto deve ter em conta. Com uns impressionantes 51 jogos disputados na temporada passada, 44 deles na Segunda Liga, é fácil verificar que o extremo de 26 anos é um jogador perfeitamente saudável sem, ao que tudo indica, propensão a problemas físicos e lesões que podem condicionar o seu desempenho. A carga física da temporada passada vem por bem, já que para uma formação que irá disputar competições europeias é fundamental ter um atleta que tenha sido rodado e testado com uma alta e intensíssima carga de trabalho como aconteceu na temporada passada. O facto de ter passado uma temporada absolutamente infernal a disputar jogos a meio da semana e de ter adquirido essas mesmas rotinas acaba por, de forma subtil, ser benéfico para o próprio atleta. Nascido em Alcobaça, João Traquina tem relativa facilidade em mudar de flanco e confundir a marcação - ele que joga preferencialmente na direita, fazendo melhor proveito do seu pé direito -, outra das armas com que Ricardo Sá Pinto pode usar e abusar.

 19. BOATENG. Avançado, Moreirense FC, 19 anos.

  Despertou interesse pela boa época que cumpriu ao serviço do Rio Ave em 2014/2015, mas sobretudo pela sua aparente manutenção de boa forma no Mundial sub-20 que decorreu na Nova Zelândia. Marcou um grande golo frente ao Panamá, despertando novamente um considerável interesse. Aos 19 anos trocou Vila do Conde por Moreira de Cónegos onde, acima de tudo, deverá estar à procura de mais minutos de jogo. A verdade é que, tendo em conta a sua tenra idade, isso será uma questão de tempo. Com aspetos a maturar, nomeadamente o posicionamento e algum rigor tático que lhe falta, fruto também da juventude, Miguel Leal é o treinador ideal para colocar o jovem numa posição em que possa considerado uma das estrelas revelação do principal escalão do futebol português. Também lhe favorece o facto de poder, tal como tantos outros jogadores nesta lista, deambular para os flancos, o que lhe dá um interessante senso de mobilidade.

 20. JHON MURILLO. Extremo, CD Tondela, 20 anos.

  Emprestado pelo SL Benfica que assegurou os serviços do jovem venezuelano no presente defeso, Murillo pode ser uma tremenda mais valia para Vítor Paneira na formação recém-promovida à Liga NOS. Embora tenha dura concorrência, quer a extremo, quer na posição de ponta-de-lança, o "Balotelli venezuelano", como tem sido apelidado, pode-se constituir como um elo importante na permanência dos tondelenses nesta que é a sua estreia no principal escalão do futebol português. Rápido e vertical, características quase mandatárias para um extremo sul-americano, Murillo quer mostrar a Rui Vitória que é uma opção válida na próxima temporada. Sem experiência no que toca à cultura do futebol europeu, o seu sucesso está também dependente da sua adaptação no nosso futebol. Será interessante observar até que ponto Vítor Paneira pode utilizar este dinâmico e irreverente jogador para seu proveito como arma secreta, como desbloqueador nas alturas de maior necessidade.

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