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     Uma nova temporada traz, quase inevitavelmente, surpresas. E essas mesmas podem surgir de diferentes maneiras: uma contratação surpresa, um campeão que desilude de forma inesperada ou uma equipa que não vai correspondendo às expectativas que lhe eram atribuídas. Sendo o início de temporada no futebol europeu um período sempre agitado - mais do que o costume - pelo facto das equipas ainda não terem os plantéis fechados, não terem todos os atletas ao seu dispor ou simplesmente por entrarem nas competições com o pé esquerdo, há, no reverso da medalha, um grupo de equipas que pode surpreender ao longo da temporada e mostrar uma consistência ou brilho que poucos achariam, deveras, possível de prever. 

     Nesta lista - cuja ordem é completamente aleatória - de 10 equipas a Crónica Futebolística reuniu dados essenciais para o estudo das equipas (desde a sua postura no defeso à sua ideologia tática) e juntou, abaixo, uma compilação das 10 equipas a nível europeu a ter em conta na época que há pouco arrancou.

     Esta peça reflete a opinião e visão de Luís Barreira, administrador do projeto.
Devido à longa extensão do artigo, cada parte terá o perfil de 2 equipas, totalizando 5 partes.



SWANSEA CITY

Os galeses, comandados por Francesco Guidolin desde janeiro, terminaram a época passada de forma tranquila, beneficiando dos elementos que o técnico italiano trouxe para a mesa. Com apenas 3 derrotas nas suas 11 últimas jornadas no campeonato, as perspetivas para esta temporada só podiam ser favoráveis. O período de Garry Monk no clube britânico careceu do brilhantismo que tiveram homens como Brendan Rodgers ou Michael Laudrup em determinados períodos no mesmo cargo, com a aposta num técnico com provas dadas a ser mandatária, mesmo que num campeonato diferente - o campeonato italiano, no caso de Guidolin. O lançamento dos dados foi favorável e os galeses aproveitaram da melhor forma o ímpeto conquistado no final da época passada, marcando novamente terreno na Premier League como uma força a temer e não uma instituição em vias de estagnar, como se foi verificando noutros clubes ingleses nos últimos anos. E a verdade é que, mesmo perdendo o seu maior símbolo dentro de campo, os Swans foram agressivos no mercado, colmatando os setores mais necessitados com reforços respeitáveis e, num caso em particular, chocante por várias formas. Acreditaria que, depois de Juventus e Sevilha, o basco Fernando Llorente iria alinhar pelos cisnes?

PORQUE É QUE O SWANSEA PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     A aposta na continuidade do italiano Francesco Guidolin é definitivamente o passo certo para colocar o clube na direção certa - a qual começou a encontrar na segunda metade da temporada passada - e o mercado de transferências acaba por ser uma bênção para uma equipa que, apesar de perder o seu capitão, contratou pouco, mas com critério e, por sinal, muito bom. 

     As contratações de Fernando Llorente e Borja Bastón - que se pode até revelar como a principal figura da equipa se conseguir marcas semelhantes às que alcançou nas suas últimas duas épocas - são incontestáveis melhorias em relação a Alberto Paloschi (2 golos em 10 jogos, tendo um pique de forma na primeira metade da temporada no Chievo, mas não correspondendo a Guidolin, ao qual foi aposta pessoal), Bafétimbi Gomis (7 golos em 35 jogos) ou mesmo Éder que, apesar de ter convencido no Lille a partir de janeiro, não conseguiu marcar pelos galeses em 15 partidas. Para colocar as coisas em perspetiva, Borja Bastón marcou, sozinho, mais do dobro golos na temporada passada no Eibar (19) do que Paloschi (2), Éder (0) e Gomis (7) juntos no Swansea. Tendo apontado "apenas" 16 golos nas últimas 2 épocas - tendo em conta as épocas estrondosas que fez no passado -, Fernando Llorente é um nome incontestável e apresenta elementos que farão os seus adversário tremer: a presença física, a mobilidade, a inteligência com e sem bola e a capacidade de finalização, todos eles aspetos determinantes ainda para mais no futebol inglês, onde a mobilidade e o físico acabam por ter uma maior relevância do que noutros campeonatos mais recetivos aos poachers ou, se preferir, avançados mais fixos.´

     Apesar da total renovação no que toca à sua unidade mais atacante, há algo que não muda: a presença incontornável de Gylfi Sigurdsson, sempre com uma classe tremenda, na entrada do último terço. Depois de 2011/2012 onde atuou por meia época nos galeses, emprestado pelo Hoffenheim, e das 2 épocas satisfatórias do Tottenham, o islandês prepara-se para fazer a 3ª época completa pela formação que atua no Liberty Stadium. Além de assistir com categoria, pautar o jogo e ser incrivelmente ousado com a bola nos pés, os 20 golos nas últimas duas temporadas em todas as competições fazem dele um nome obrigatório de menção numa lista com os melhores batedores de bolas parada no futebol inglês ou numa lista que enumere as principais razões de sucesso recente por parte dos britânicos. Num sistema que privilegia a presença de um médio de características quase unicamente atacantes, Sigurdsson é um dos elementos mais importantes no xadrez de Guidolin.

     Desde 2002 no clube, Leon Britton irá assumir na totalidade a liderança da equipa dentro de campo que outrora parecia pertencer ao autoritário Ashley Williams, agora no Everton. O médio defensivo inglês de 33 anos voltou ao seu bom nível na temporada passada depois de um 2014/2015 marcado por uma longa lesão no joelho e estará agora acompanhado de Leroy Fer e Jack Cork como opções válidas para atuar ao seu lado - tendo estes 2 últimos atuado no último jogo do campeonato, via doença de Britton. A dinâmica acaba por não ser radicalmente diferente de equipas que atuam com este sistema de 4-2-3-1, atuando um médio na posição 6 e outro, mais equilibrado, na posição 8. A verdade é que, a reforçar algum setor, é elementar referir que o Swansea necessita de um elemento extra no meio-campo para colmatar eventuais ausências ou lesões.

     Tal como no centro do ataque, o centro da defesa dos Swans tem um tom espanhol, com Jordi Amat e Angel Rangel. O argentino Federico Fernandez iniciou a sua 3ª temporada com o clube, sendo um absoluto indiscutível nas suas duas primeiras épocas no País de Gales. Amat foi até ao momento totalista na Premier League e parece ser a opção mais lógica para atuar ao lado do argentino numa dupla de centrais latina, sendo eles o último obstáculo para a ofensiva até chegar a Fabianski, um homem ao qual as balizas do Liberty Stadium estão muito bem entregues. É de mencionar, apesar de tudo, a necessidade dos galeses em reforçar o plano defensivo, já que não há para já alternativas para o corredor esquerdo.

     Com o crescente aumento de competitividade entre os grandes do futebol inglês e os clubes que cada vez mais se vão afirmando como o Tottenham ou mesmo o atual campeão em título Leicester, é indecente pedir aos galeses que repitam a presença europeia conseguida por Laudrup, mas é legítimo pedir mais uma época tranquila, desta vez com mais brilho e maior consistência. E isso será, certamente, alcançável.

TWENTE

Depois de uma época extremamente inconsistente por parte dos holandeses, parece que ao Twente só resta relembrar o inacreditável início de década, onde venceram o campeonato em 2010 e a taça em 2011, vencendo inclusive as respetivas supertaças. Após um - no máximo - modesto 12º lugar na temporada passada, a formação de Enschede parece viver na conformidade, à espera da manutenção e sem grandes objetivos de relevo. Meia década depois de um dos períodos mais brilhantes da história do clube, o Twente parece viver um dos piores. Com 1 vitória em 3 jogos na Eredivisie e já com uma derrota caseira, parece difícil pensar que podem ambicionar algo mais desta temporada que ainda iniciou. Com um registo de golos sofridos que parece piorar de época para época, o Twente vive dias negros. A verdade é que, em maio, o clube pertencia ao segundo escalão do futebol holandês, depois de problemas relacionados com fundos terem feito a federação descer o clube de divisão. O apelo foi aceite e, de novo na primeira divisão - onde da qual tecnicamente nunca saiu -, a formação de Entschede procura algo que muitos não têm, seja no futebol ou em qualquer aspeto da vida: uma segunda oportunidade. E é por aí que o Twente se pode motivar para, depois da uma época terrível, tentar ser melhor. E aproveitar da melhor forma uma oportunidade rara.

PORQUE É QUE O TWENTE PODE SURPREENDER EM 2016/2017?

     Como foi mencionado acima, o Twente tem uma chance quase milagrosa para brilhar nesta temporada. Sem argumentos de um clube de topo no país - embora já o tivesse sido e não há muitos anos -, a equipa de Entschede procura ser consistente, algo que no estilo ofensivo holandês acaba por ser deveras difícil. Não ajuda que as suas maiores referências acabem por se transferir eventualmente - o salto para outra realidade é totalmente compreensível - com o Twente a não ter condições desportivas ou financeiros para reter jogadores como, por exemplo, Jesús Corona. Não tendo propriamente um jogador de franchise, alguém com um contrato longo e que esteja pronto para assumir a liderança da equipa dentro de campo, tem alguém que a curto-prazo pode dar muito à formação vermelha: Enes Ünal.

     Se há um jogador que pode fazer a diferença na formação holandesa é sem dúvida o turco, com a motivação extra de impressionar Pep Guardiola num dos plantéis mais competitivos do futebol europeu. Com 19 anos feitos em maio, Ünal foi autor de um dos melhores hat-tricks que alguma vez verá, sendo o melhor em campo numa partida onde, apesar de sofrer de forma desnecessária, o Twente acabou por vencer 4-3. Os 3 golos em 16 minutos deixam água na boca dos adeptos, tal como os 9 golos apontados em 14 partidas pelo NAC Breda na segunda metade da temporada passada, onde também esteve emprestado pelo City. Uma época completa e competente no Twente pode ser fundamental para receber uma oportunidade na pré-temporada dos citizens e, quiçá, receber uma oportunidade no plantel principal.

     Com a juventude a ser uma característica recorrente na maior parte das formações holandesas do primeiro escalão, o emblema de Entschede conta com um plantel extremamente jovem, rondando uma média de 22.5 anos. De referir que, com a exceção de Chinedu Ede (29), o central Katsikas e o playmaker Klich são os jogadores mais velhos do plantel com 26 anos. O facto do plantel ter 11 jogadores com menos de 21 anos é tão notável como é preocupante: tanto pode servir o argumento de falta de experiência, como o de uma maior irreverência que se pode ir revelando ao longo da época. O maior problema do plantel em termos etários será, porventura, a falta de jogadores experientes para equilibrar a balança, tendo em conta o largo número de jogadores muito, muito jovens.

     Apostar no Twente é - e quando se mantiver a atual conjuntura, sempre será - arriscado devido à inconsistência que a equipa tem mostrado nos últimos jogos e mesmo nas últimas temporadas, sendo capaz do melhor e do pior num curto espaço de tempo. É de esperar, contudo, uma época superior à passada. Um dos pontos incontestáveis na situação do clube é a elevada dose de talento liderado por Enes Ünal, mas se o futebol nos ensinou algo é que o talento puro não é ou pode não ser tão importante como outros aspetos como a experiência ou organização tática. A Crónica Futebolística está, porém, confiante de que o Twente irá fazer uma época surpreendentemente positiva, mas com objetivos limitados nas próximas temporadas.


Luís Barreira, Crónica Futebolística
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     Com uma performance tipicamente italiana e mais golos a cair do pano, a Crónica Futebolística explora os pontos positivos e negativos do quarto dia de EURO 2016, com 5 golos em 3 partidas e momentos para mais tarde relembrar naquela que é a primeira segunda-feira de competição.

     + ANTONIO CONTE - ITÁLIA Cotada por muitos como uma das piores seleções italianas de que há memória, a squadrazzurra silenciou os críticos com uma vitória tipicamente italiana em Lyon, frente a uma Bélgica que voltou a desiludir em grandes competições. Com ausências de peso no meio-campo como Claudio Marchisio, Marco Verratti ou Riccardo Montolivo por lesão - e Andrea Pirlo por opção -, Antonio Conte construiu a equipa à volta dos 3 centrais da Juventus  e de uma estrutura sólida.

     Sem nomes especialmente sonantes no último terço, especialmente comparado com as passadas gerações, Graziano Pellè, que há muito merecia brilhar numa grande competição de seleções, deu uma machadada final numa partida onde Emanuele Giaccherini abriu o marcador depois de uma bola longa absolutamente incrível de Leonardo Bonucci, incontestavelmente uma das figuras maiores da partida. Sujeitando-se a uma relativamente eficaz pressão belga no último terço da partida, o jogo nunca pareceu fugir das mãos dos italianos que fecharam o marcador já num dos últimos pontapés do jogo. Apesar de terem abdicado do domínio do jogo, nunca deixaram de controlar o jogo que fechou o dia.

     + REPÚBLICA DA IRLANDA Com a maioria dos atletas na formação titular a atuar na Premier League, não havia dúvida de que o ritmo competitivo dos irlandeses seria extremamente elevado desde o pontapé de saída. Sem necessitar de controlar o jogo em termos de posse de bola, a seleção que veste verde não só desligou - tanto quanto possível - Zlatan Ibrahimovic do jogo, como se superiorizou aos nórdicos durante grande porção da partida. Apesar do empate, a Suécia não rematou à baliza durante todo o jogo - autogolo a dar o empate aos suecos - e isso é elucidativo da organização e concentração dos irlandeses no momento defensivo.

     + ANDRÉS INIESTA Numa altura em que a Espanha necessitava obrigatoriamente de um golo para vencer a República Checa, numa partida que parecia condenada a terminar sem qualquer golo marcado, o maestro chegou-se à frente com um cruzamento fantástico que encontrou a cabeça de Gerard Piqué. Apesar de ter brilhado com a assistência, a exibição de Iniesta não poderá ficar marcada apenas pela bola para golo: 91.4% de precisão em 93 passes tentados, 5 passes chave, 100% de sucesso em tentativas de drible bem sucedidas e apenas uma perda de bola durante toda a partida fazem do médio do Barcelona a figura da partida.

     + GIANLUIGI BUFFON Ver o guarda-redes da Juventus a festejar os golos italianos é qualquer coisa de inacreditável. Numa competição onde é necessário ter um líder mentalmente forte dentro de campo Buffon é, aos 38 anos, o melhor exemplo de paixão dentro das 4 linhas. 19 anos e mais de 150 jogos depois da sua estreia pela squadrazzurra, este tipo de compromisso e paixão pelo jogo é raro, e por mesmo cada vez mais especial.

     - MARC WILMOTS Quando mexeu no xadrez belga, colocando Mertens e Origi, já era tarde demais. Além disso, ao fazê-lo, tirou de campo Radja Nainggolan, talvez o jogador belga que tivesse mostrado mais vontade de estar a atuar pela sua nação na partida até ao momento da sua substituição. Jogando com uma seleção em bloco baixo, focada primeiro em não sofrer e depois em desmantelar o adversário com bolas longas ou contra-ataques letais, a opção em Fellaini acaba por ser desmedida para uma equipa necessitava de toda a velocidade e criatividade disponível para marcar o mais cedo possível, obrigando os italianos a subir as linhas e assumir o jogo, algo que não se sentem totalmente confortáveis a fazer. A estrutura belga permitiu a Itália jogar como sabe.

     - SUÉCIA Tendo eliminado os maiores rivais no playoff, a caminho do EURO, a Suécia de Erik Hamrén é, na teoria, uma das candidatas a surpresa da competição. Numa estreia altamente antecipada, muito por culpa de Zlatan Ibrahimovic e das suas obras de arte ao longo da temporada, os nórdicos protagonizaram uma das prestações mais desapontantes da competição até ao momento. Sem conseguir ameaçar a baliza de Darren Randolph na partida - nem o golo surgiu de um remate sueco -, as indicações não são propriamente brilhantes para as próximas partidas.

     Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Tal como o milagre de Fátima que marcou o século XX, o século XXI fica marcado pelo milagre de ver adeptos do Real Madrid a festejar um golo do Piqué.
     

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     Com apenas 4 golos apontados em 3 partidas e 2 triunfos pela margem mínima, o terceiro dia do UEFA EURO 2016 é, até ao momento, o menos produtivo em termos de média de golos por jogo. Mas, e em termos de qualidade de jogo? Luís Barreira, administrador da Crónica Futebolística, aponta os pontos positivos e negativos do primeiro domingo da competição.

    + LUKA MODRIC Se o EURO nos tem ensinado nestes primeiros dias, é que as individualidades são uma ameaça constante. Assim foi no primeiro dia quando Dimitri Payet apontou o golo que levou uma nação à loucura e no dia de ontem, quando Bale fez valer o seu estatuto de principal ameaça do País de Gales quando desbloqueou o marcador com um excelente livre frente à Eslováquia. Apesar da clara superioridade em termos estatísticos, a Croácia parecia não conseguir desbloquear o marcador antes do volley absolutamente incrível de fora da grande área, rematando sem qualquer preparação depois de um corte da defensiva turca. O golo do craque do Real Madrid deu 3 pontos a uma formação croata que necessitou de um momento mágico para levar de vencida uma Turquia que não aproveitou, em termos estatísticos, a superioridade na posse de bola.

    + CROÁCIA Apesar de não ter materializado as várias oportunidades em golos, a formação de Ante Cacic mostrou-se bastante bem equilibrada durante a partida, permitindo apenas aos turcos 2 remates à baliza em 90 minutos. É de referir ainda que - e novamente, apesar de não ter materializado as oportunidades em golos - a Croácia tornou-se hoje na equipa com mais remates durante o seu primeiro jogo na competição até ao momento, tentando alvejar a baliza de Volkan Babacan por 19 vezes. Com 6 tiros ao alvo, o momento mágico de Modric, já mencionado, foi suficiente para vencer a partida.

    + TONI KROOS Deixando Sami Khedira numa posição mais defensiva, o médio do Real Madrid teve total liberdade para iniciar o primeiro momento de construção ofensiva da seleção alemã frente à Ucrânia. Com uma das melhores exibições da competição até ao momento, o antigo jogador do Bayern de Munique tentou mais de uma centena de passes - 112 para ser exato - com uma incrível precisão de 92,9%. Com 9 duelos ganhos em 15 disputados e 12 passes longos bem sucedidos em 13 tentativas, o merengue foi a âncora do sucesso alemão frente a uma Ucrânia que deu luta na parte de final, mas acabou por sucumbir à frieza do adversário. O golo de Mustafi, que abriu o marcado, provém de uma assistência do médio alemão na sequência de um lance de bola parada.

    + ARKADIUSZ MILIK Com a Polónia a não conseguir materializar o total domínio na partida frente à Irlanda do Norte, Lewandowski seria o principal favorito para desbloquear a partida e, por consequência, dar a tão merecida vitória aos polacos em Nice. Contrariando as expectativas, o goleador do Bayern de Munique até esteve muito discreto durante a partida, sendo Milik o homem do jogo pelo golo marcado e influência direta para com o desfecho da partida. O goleador do Ajax vai vivendo o melhor momento da carreira, depois de uma época em que contribuiu 36 vezes para golos dos holandeses (24 golos + 12 assistências). É exatamente o que Adam Nawalka necessitava: uma alternativa goleadora.

   + PERSISTÊNCIA A perder frente à campeã do mundo, os últimos minutos do embate entre a Alemanha e a Ucrânia foram dos mais interessantes do EURO até ao momento. Com os ucranianos a carregar até aos últimos momentos, com alguns lances de bola parada para fazer pingar o perigo na área ucraniana, apenas o golo de Schweinsteiger acalmou a formação de leste. Este ponto prova, novamente, que não existem vencedores antecipados numa competição que se tem mostrado bastante equilibrada em termos de margem de vitória.

   - IRLANDA DO NORTE Depois de uma excelente campanha de qualificação, onde só perdeu por uma ocasião em 10 jogos, a estreia da Irlanda do Norte na competição era antecipada com bastante expectativa. O primeiro jogo de sempre dos norte-irlandeses na principal competições de seleções da Europa não podia ter corrido pior: além da derrota, a equipa de Michael O'Neill não foi capaz de rematar à baliza nem por uma vez. Apesar de alguns bons pormenores defensivos, conseguindo desligar Robert Lewandowski em grande parte do jogo, o plano ofensivo da equipa irlandesa precisa de ajustes radicais. Dependendo demasiado do jogo direto, preterindo da posse de bola, a Irlanda do Norte não foi eficiente no setor ofensivo, mesmo quando se viu obrigada a marcar para, pelo menos, empatar a partida.

   - ROBERT LEWANDOWSKI Após uma época incrível com o seu clube, onde apontou nada menos, nada mais do que 42 golos, era quase mandatário um golo do goleador polaco na sua estreia no EURO 2016. Ao invés disso foi Milik a dar a vitória à Polónia naquela que será, com toda a certeza, uma das tardes menos inspiradas da carreira do avançado do Bayern pela seleção. Embora a seleção norte-irlandesa, fechada no último terço, tenha crédito para desmantelar a máquina que é Robert Lewandowski, as estatísticas do ponta-de-lança são lastimáveis: além das 8 perdas de bola registadas ao longo do encontro, o antigo jogador do Borussia Dortmund não registou um único remate à baliza ao longo da partida. Porém, é de se esperar que o goleador molhe a sopa mais cedo ou mais tarde na competição.

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Com 3 jogos e o dobro de golos, o segundo dia do EURO 2016 proporcionou à sua audiência um pouco de tudo, desde grandes golos a drama até ao último segundo de jogo. Com 270 minutos de futebol de excelência, estes são os pontos - positivos e negativos - a reter do primeiro sábado de competição.

     + GARETH BALE - PAÍS DE GALES Com a pressão de carregar uma nação nas suas costas, o craque do Real Madrid não desiludiu no primeiro jogo de sempre do País de Gales na fase final de um europeu. Com um grande golo na sequência de um livre direto e eficaz a comandar o ataque galês, o atacante também se mostrou pronto em ação defensiva como mostram os seus 2 cortes e outro desarme ao longo da partida. Numa grande competição desde 1958, Gales procura aquilo que não teve na geração de Ian Rush ou mesmo Ryan Giggs: sucesso no panorama internacional. E esta pode muito bem ser a competição de Gareth Bale, que desta feita não tem que se sujeitar a um plano secundário.

     + ALBÂNIA A jogar com 10 durante toda a segunda parte e final da primeira, a formação albanesa mostrou que não existem, não importa as circunstâncias, adversários acessíveis em fases finais de grandes competições. No embate que marcou o duelo dos irmãos Xhaka, a seleção de Gianni di Biasi deu uma boa réplica aos helvéticos, apesar das claras debilidades em relação aos adversários. A derrota pela margem mínima acaba por ser elucidativa da sua postura durante a partida e uma defesa milagrosa de Yann Sommer a remate do experiente Gashi já na reta final da partida evitou males maiores para os suíços, dando indicações que a Albânia não é, ainda, uma seleção a excluir nas contas para os oitavos.

     + ROY HODGSON Resultado à parte, a Inglaterra mostrou que tem todas as condições para fazer uma excelente prestação no EURO 2016, muito por culpa das alterações táticas de Roy Hodgson em relação ao jogo com Portugal. Preterindo do losango para um tradicional 4-3-3 com extremos, os britânicos cresceram imenso num plano exibicional graças à influência de Sterling e Lallana no plano ofensivo, com o apoio dos laterais (especialmente Kyle Walker, que fez valer mais uma vez a sua velocidade no corredor direito). A colocação de Rooney no meio-campo acaba por não ser uma total surpresa que, em ocasiões, acabou por ser uma mais-valia, apesar de um distanciamento periódico do jogo em alguns momentos.

     + COMPETITIVIDADE O único ponto que se repete em relação ao dia de ontem, a presente edição do EURO 2016 vai mostrando que não existem vencedores antecipados ou jogos completamente dominados por uma equipa em termos de marcador. Com as vitórias do dia por Suíça e Gales a serem ambas conquistadas pela margem mínima, a competição continua a demonstrar que não existem jogos fáceis para nenhuma formação e que os 3 pontos terão de ser disputados até ao apito final. É um ponto a favor especialmente para os adeptos neutros que se vão deliciando com partidas bastante animadas cujo resultado final está indefinido até ao soar do último apito.

     + ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO Muitos pensariam que o golo de Eric Dier tinha fechado a questão sobre o vencedor do embate entre a Inglaterra e Rússia. Pegando no ponto explorando acima, de todos os jogos serem disputados até ao final, os russos mostraram-se dispostos a lutar quando muitos achavam impossível a formação de leste chegar ao golo que dividisse os pontos no grupo B. No duelo que abriu o dia foi Gashi a estar muito perto de dar o empate à Albânia já dentro dos últimos 5 minutos da partida, com o Robson-Kanu a dar o golo da vitória ao País de Gales no minuto 81. Onde quer que esteja as transmissões do EURO'16, não desligue até ao apito final...

     + TRADIÇÃO Apesar da satisfatória exibição da Inglaterra, já mencionada e analisada acima, os britânicos continuam sem vencer em jogos de abertura do EURO. O golo de Vasili Berezutski, já nos descontos, anulou o fantástico livre de Eric Dier e originou o quinto empate dos ingleses nos seus jogos de abertura no EURO. Juntando a isso, 4 outras derrotas fazem com que ainda esteja para surgir a primeira vitória inglesa num jogo de abertura da maior competição europeia de seleções.

    Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Este EURO começou da melhor forma, com Jesus Cristo a colocar música em playback na inauguração. Mas a seleção francesa, em modo de homenagem, conseguiu a vitória com um milagre.

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     Finalizado o primeiro dia de UEFA EURO 2016, a Crónica Futebolística elaborou uma lista do melhor e pior - ou menos bom - do dia, naquela que será a nova rubrica do projeto. Bons ou maus, estes são os pontos a reter do embate entre a França e Roménia.

     + DIMITRI PAYET Por esta altura é impossível não respeitar o percurso do incrível jogador francês na última época. Com uma tremenda época de revelação naquela que é por muitos considerada a melhor liga do mundo, o antigo jogador do Marselha estabeleceu-se como uma das figuras da Premier League e da seleção gaulesa nos últimos embates de preparação antes da competição que hoje teve início. Tendo mostrado pormenores absolutamente incríveis ao longo do ano no West Ham e na seleção francesa (om todos os seus golos apontados pelos bleus a serem fora da área) fez-se justiça poética. Um golaço que colocou um país em festa e um homem em lágrimas, ovacionado no palco de Saint-Denis. 

     + PLANO B Recheada de nomes sonantes no mundo do futebol, a França chegou ao relvado do Stade de France com quase total favoritismo, prevendo-se uma vitória relativamente acessível para os homens de Didier Deschamps. Tal não aconteceu, de forma alguma. A Roménia bateu-se com os gauleses, que jogavam em casa, com uma coragem e concentração tremendas. Num jogo onde o coletivo francês não conseguiu penetrar o coeso bloco romeno vezes suficientes para marcar mais golos, a magia individual de Dimitri Payet deu ao povo francês a garantia de que as individualidades estão presentes e podem, mais uma vez, decidir jogos.

     + SOLIDARIEDADE Olhando para o resultado final na partida que abriu o EURO 2016, é possível tirar de imediato duas conclusões: ou a França foi tremendamente ineficaz ou a Roménia complicou - e muito - a vida à equipa da casa. A primeira opção é imediatamente posta de parte, já que a França não criou oportunidades suficientes para ser "tremendamente ineficaz". Culpe-se a sua adversária, Roménia, que fez uma excelente partida. E a chave para tal foi mesmo a solidariedade que os blocos mostravam uns para os outros: fossem os laterais a subir para fazer a sobreposição ou os extremos - sobretudo Popa, extremo direito, que foi uma ajuda imensa para Sapunaru - a defender de forma eficiente, não comprometendo o equilíbrio defensivo. A entreajuda dos homens de Anghel Iornadescu foi, numa palavra, sensacional.

     + DIDIER DESCHAMPS No atual mundo do futebol, onde muitas vezes o ego e a popularidade de um jogador é suficiente para lhe oferecer um lugar cativo em determinada equipa, existem treinadores que excluem a hipótese de retirar do campo os seus melhores, mais sonantes ou "mais quentes" jogadores. Sem qualquer tipo de receio, vendo que o seu rendimento não era o esperado, Didier Deschamps substituiu em sucessão Antoine Griezmann e Paul Pogba. Já perto do final da partida, Kingsley Coman, que entrou para o lugar do goleador do Atlético de Madrid, foi um elemento chave na construção da jogada que daria o segundo golo francês.

     + COMPETITIVIDADE Embora não seja uma verdade absoluta, é normal dizer-se que o primeiro jogo de uma grande competição dá o mote para o que resta da mesma. E se todo o EURO 2016 tiver a mesma intensidade da partida que o inaugurou, o público estará muito bem servido. Com uma Roménia a surpreender, quase arrecadando um preciso ponto contra a seleção gaulesa, esta pode ser uma competição com muitas surpresas em espera.

     - VIKTOR KASSAI Com a França e Roménia a não serem as únicas equipas debaixo de olho, a equipa de arbitragem do húngaro Viktor Kassai acabou por protagonizar uma partida razoável, que de nenhuma forma foi perfeita. Com um critério por vezes demasiado largo e, em outras instâncias, hesitante em apitar de imediato, o árbitro de 40 anos e a sua equipa deixaram passar em branco alguns lances que poderiam, decerto, mudar o rumo dos acontecimentos. Um ligeiro toque de Olivier Giroud no rosto do guardião romeno deveria ter sido suficiente para anular o golo, assim como um óbvio pontapé de Koscielny num atacante romeno, na meia-lua, ficaria por assinalar.