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Com 3 jogos e o dobro de golos, o segundo dia do EURO 2016 proporcionou à sua audiência um pouco de tudo, desde grandes golos a drama até ao último segundo de jogo. Com 270 minutos de futebol de excelência, estes são os pontos - positivos e negativos - a reter do primeiro sábado de competição.

     + GARETH BALE - PAÍS DE GALES Com a pressão de carregar uma nação nas suas costas, o craque do Real Madrid não desiludiu no primeiro jogo de sempre do País de Gales na fase final de um europeu. Com um grande golo na sequência de um livre direto e eficaz a comandar o ataque galês, o atacante também se mostrou pronto em ação defensiva como mostram os seus 2 cortes e outro desarme ao longo da partida. Numa grande competição desde 1958, Gales procura aquilo que não teve na geração de Ian Rush ou mesmo Ryan Giggs: sucesso no panorama internacional. E esta pode muito bem ser a competição de Gareth Bale, que desta feita não tem que se sujeitar a um plano secundário.

     + ALBÂNIA A jogar com 10 durante toda a segunda parte e final da primeira, a formação albanesa mostrou que não existem, não importa as circunstâncias, adversários acessíveis em fases finais de grandes competições. No embate que marcou o duelo dos irmãos Xhaka, a seleção de Gianni di Biasi deu uma boa réplica aos helvéticos, apesar das claras debilidades em relação aos adversários. A derrota pela margem mínima acaba por ser elucidativa da sua postura durante a partida e uma defesa milagrosa de Yann Sommer a remate do experiente Gashi já na reta final da partida evitou males maiores para os suíços, dando indicações que a Albânia não é, ainda, uma seleção a excluir nas contas para os oitavos.

     + ROY HODGSON Resultado à parte, a Inglaterra mostrou que tem todas as condições para fazer uma excelente prestação no EURO 2016, muito por culpa das alterações táticas de Roy Hodgson em relação ao jogo com Portugal. Preterindo do losango para um tradicional 4-3-3 com extremos, os britânicos cresceram imenso num plano exibicional graças à influência de Sterling e Lallana no plano ofensivo, com o apoio dos laterais (especialmente Kyle Walker, que fez valer mais uma vez a sua velocidade no corredor direito). A colocação de Rooney no meio-campo acaba por não ser uma total surpresa que, em ocasiões, acabou por ser uma mais-valia, apesar de um distanciamento periódico do jogo em alguns momentos.

     + COMPETITIVIDADE O único ponto que se repete em relação ao dia de ontem, a presente edição do EURO 2016 vai mostrando que não existem vencedores antecipados ou jogos completamente dominados por uma equipa em termos de marcador. Com as vitórias do dia por Suíça e Gales a serem ambas conquistadas pela margem mínima, a competição continua a demonstrar que não existem jogos fáceis para nenhuma formação e que os 3 pontos terão de ser disputados até ao apito final. É um ponto a favor especialmente para os adeptos neutros que se vão deliciando com partidas bastante animadas cujo resultado final está indefinido até ao soar do último apito.

     + ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO Muitos pensariam que o golo de Eric Dier tinha fechado a questão sobre o vencedor do embate entre a Inglaterra e Rússia. Pegando no ponto explorando acima, de todos os jogos serem disputados até ao final, os russos mostraram-se dispostos a lutar quando muitos achavam impossível a formação de leste chegar ao golo que dividisse os pontos no grupo B. No duelo que abriu o dia foi Gashi a estar muito perto de dar o empate à Albânia já dentro dos últimos 5 minutos da partida, com o Robson-Kanu a dar o golo da vitória ao País de Gales no minuto 81. Onde quer que esteja as transmissões do EURO'16, não desligue até ao apito final...

     + TRADIÇÃO Apesar da satisfatória exibição da Inglaterra, já mencionada e analisada acima, os britânicos continuam sem vencer em jogos de abertura do EURO. O golo de Vasili Berezutski, já nos descontos, anulou o fantástico livre de Eric Dier e originou o quinto empate dos ingleses nos seus jogos de abertura no EURO. Juntando a isso, 4 outras derrotas fazem com que ainda esteja para surgir a primeira vitória inglesa num jogo de abertura da maior competição europeia de seleções.

    Para terminar, uma curta humorística, cortesia d'O anónimo: Este EURO começou da melhor forma, com Jesus Cristo a colocar música em playback na inauguração. Mas a seleção francesa, em modo de homenagem, conseguiu a vitória com um milagre.

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     Finalizado o primeiro dia de UEFA EURO 2016, a Crónica Futebolística elaborou uma lista do melhor e pior - ou menos bom - do dia, naquela que será a nova rubrica do projeto. Bons ou maus, estes são os pontos a reter do embate entre a França e Roménia.

     + DIMITRI PAYET Por esta altura é impossível não respeitar o percurso do incrível jogador francês na última época. Com uma tremenda época de revelação naquela que é por muitos considerada a melhor liga do mundo, o antigo jogador do Marselha estabeleceu-se como uma das figuras da Premier League e da seleção gaulesa nos últimos embates de preparação antes da competição que hoje teve início. Tendo mostrado pormenores absolutamente incríveis ao longo do ano no West Ham e na seleção francesa (om todos os seus golos apontados pelos bleus a serem fora da área) fez-se justiça poética. Um golaço que colocou um país em festa e um homem em lágrimas, ovacionado no palco de Saint-Denis. 

     + PLANO B Recheada de nomes sonantes no mundo do futebol, a França chegou ao relvado do Stade de France com quase total favoritismo, prevendo-se uma vitória relativamente acessível para os homens de Didier Deschamps. Tal não aconteceu, de forma alguma. A Roménia bateu-se com os gauleses, que jogavam em casa, com uma coragem e concentração tremendas. Num jogo onde o coletivo francês não conseguiu penetrar o coeso bloco romeno vezes suficientes para marcar mais golos, a magia individual de Dimitri Payet deu ao povo francês a garantia de que as individualidades estão presentes e podem, mais uma vez, decidir jogos.

     + SOLIDARIEDADE Olhando para o resultado final na partida que abriu o EURO 2016, é possível tirar de imediato duas conclusões: ou a França foi tremendamente ineficaz ou a Roménia complicou - e muito - a vida à equipa da casa. A primeira opção é imediatamente posta de parte, já que a França não criou oportunidades suficientes para ser "tremendamente ineficaz". Culpe-se a sua adversária, Roménia, que fez uma excelente partida. E a chave para tal foi mesmo a solidariedade que os blocos mostravam uns para os outros: fossem os laterais a subir para fazer a sobreposição ou os extremos - sobretudo Popa, extremo direito, que foi uma ajuda imensa para Sapunaru - a defender de forma eficiente, não comprometendo o equilíbrio defensivo. A entreajuda dos homens de Anghel Iornadescu foi, numa palavra, sensacional.

     + DIDIER DESCHAMPS No atual mundo do futebol, onde muitas vezes o ego e a popularidade de um jogador é suficiente para lhe oferecer um lugar cativo em determinada equipa, existem treinadores que excluem a hipótese de retirar do campo os seus melhores, mais sonantes ou "mais quentes" jogadores. Sem qualquer tipo de receio, vendo que o seu rendimento não era o esperado, Didier Deschamps substituiu em sucessão Antoine Griezmann e Paul Pogba. Já perto do final da partida, Kingsley Coman, que entrou para o lugar do goleador do Atlético de Madrid, foi um elemento chave na construção da jogada que daria o segundo golo francês.

     + COMPETITIVIDADE Embora não seja uma verdade absoluta, é normal dizer-se que o primeiro jogo de uma grande competição dá o mote para o que resta da mesma. E se todo o EURO 2016 tiver a mesma intensidade da partida que o inaugurou, o público estará muito bem servido. Com uma Roménia a surpreender, quase arrecadando um preciso ponto contra a seleção gaulesa, esta pode ser uma competição com muitas surpresas em espera.

     - VIKTOR KASSAI Com a França e Roménia a não serem as únicas equipas debaixo de olho, a equipa de arbitragem do húngaro Viktor Kassai acabou por protagonizar uma partida razoável, que de nenhuma forma foi perfeita. Com um critério por vezes demasiado largo e, em outras instâncias, hesitante em apitar de imediato, o árbitro de 40 anos e a sua equipa deixaram passar em branco alguns lances que poderiam, decerto, mudar o rumo dos acontecimentos. Um ligeiro toque de Olivier Giroud no rosto do guardião romeno deveria ter sido suficiente para anular o golo, assim como um óbvio pontapé de Koscielny num atacante romeno, na meia-lua, ficaria por assinalar.

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     Aproxima-se cada vez mais a competição que promete aquecer, ainda mais, o princípio do verão: o EURO 2016 está aí à porta. E, desta vez, com uma intrigante extensão para 24 seleções. Depois de uma temporada futebolística que nos proporcionou tantos momentos de delírio, a competição realizada em terras gaulesas será, muito provavelmente, a maneira ideal de fechar o animado livro que foi 2015/2016. Com isto, ficam algumas das previsões de Luís Barreira, fundador e administrador da Crónica Futebolística, remetendo à competição que arranca hoje:

     VENCEDOR DO TORNEIO França.

     Controvérsias à parte - algo que parece ser apanágio gaulês nos últimos anos -, a seleção francesa apresenta-se como uma das óbvias favoritas a chegar à final e mesmo vencer a competição, tendo em conta a vantagem caseira que terá em todos os encontros. Mas o teórico favoritismo gaulês vai além de jogar no seu próprio solo: um elenco absolutamente recheado de estrelas e todo um conjunto de pormenores incrivelmente promissores nos embates amigáveis anteriores à competição deixam água na boca para observar atenta a prestação dos Bleus.

     Além de um admirável entrosamento a nível coletivo, a seleção francesa apresenta-se tremendamente confortável quando as individualidades são chamadas ao resgate: nomes como Pogba, Matuidi, Griezmann ou Payet foram dos principais destaques individuais nas suas formações durante a temporada e, se conseguirem manter o ritmo competitivo que apresentaram nos últimos meses, os gauleses serão o alvo a abater durante a maior competição europeia de seleções. Ter um Giroud que promete explodir durante a competição não será, obviamente, prejudicial. 3 golos nos últimos 2 confrontos amigáveis podem dar o mote para uma excelente prestação do avançado do Arsenal.

     DESILUSÃO DO TORNEIO Bélgica.

     Jogador por jogador, os belgas têm um dos plantéis mais valiosos de toda a competição. Tendo liderando recentemente o ranking da FIFA, para surpresa de muitos, a formação de Marc Wilmots pode muito bem afigurar-se como uma das favoritas a vencer a competição. Porém, apesar da verdadeira constelação de estrelas que é a única formação do BENELUX representada no EURO'16, a notória eficácia e qualidade de jogo abaixo daquilo que é esperado deixa o sentimento de que a Bélgica necessita de mais tempo para poder, de facto, atacar uma grande competição.

     Com todos os setores recheados de jogadores suficientemente capazes de suceder na sua posição, o problema da Bélgica não é e não serão as individualidades, mas sim a insuficiente capacidade de adotar uma filosofia fluída que permita ser consistente durante toda a partida. É necessário salientar que, dos 4 golos apontados pelos belgas no tempo regulamentar em jogos do Mundial 2014, nenhum surgiu antes dos 70 minutos. É inadmissível para uma formação desta qualidade demonstrar uma tamanha inconsistência ao longo da partida, algo que pode eventualmente sair caro numa grande competição.

     DARK HORSE Islândia.

     E se no início da qualificação lhe tivessem dito que, num grupo com República Checa, Turquia e Holanda, a Islândia acabaria em 2º lugar, conquistando os 6 pontos em duas partidas contra a laranja mecânica? Apesar da franca desilusão que foi a Holanda na fase de qualificação é de ressaltar, de todas as maneiras possíveis, o trabalho do veterano sueco Lars Lagerbäck e Heimir Hallgrímsson, o par de treinadores da seleção islandesa. Num projeto que foi ganhando força de forma lenta (mas ainda assim, tremendamente eficaz) nos últimos anos, os insulares tornaram-se na nação mais pequena a alguma vez qualificar-se para uma grande competição de seleções.

     Com duelo agendado contra Portugal para dia 14, um dos principais pontos de atração desta fase de grupos para a Crónica Futebolística, os maiores segredos dos islandeses são princípios base do futebol: organização e solidez em todos os setores e em todos os momentos do jogo. Com o 4-4-2 a ser a formação base para os homens de Lagerbäck e Hallgrímsson, existe um admirável equilíbrio em todos os blocos da equipa que veste azul. Com individualidades que merecem ser assinaladas, como são Gylfi Sigurdsson, Birkir Bjarnason ou Kolbeinn Sightórsson, a força islandesa é apenas igual à força do seu coletivo. E a força do seu coletivo é tremenda.

     MELHOR MARCADOR Olivier Giroud.

     Nas suas temporadas no Arsenal, o ponta-de-lança Olivier Giroud tem provado ser tudo menos consensual entre a massa adepta do clube londrino. O mesmo vem acontecendo na seleção, onde o jogador nascido em Chambéry apresenta um respeitável registo de 17 golos em 49 partidas.  É de assinalar, porém, que o francês vem da 2ª temporada mais produtiva da sua carreira, com 24 golos em 54 jogos. Melhor só em 2011/2012, onde foi surpreendentemente campeão com o Montpellier e liderou a equipa com uns brilhantes 25 golos na Ligue 1.

     Além do bom período que atravessou na época de clubes que agora terminou - sem esquecer os normais sobressaltos que vêm sendo apanágio na formação londrina - e impressionantes prestações nos últimos amigáveis, o mais difícil para o gaulês será mesmo não marcar golos: à sua volta estão nomes como Paul Pogba, Blaise Matuidi, Dimitry Payet ou Antoine Griezmann, nomes sonantes que podem servir Giroud a qualquer momento, de qualquer forma. Uma fase de grupos larga em termo de números marcados para os franceses será fundamental para as aspirações do goleador de 29 anos.

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  Situada a cerca de 30 quilómetros do centro de Londres, a cidade de Watford tem a reputação de ser relativamente tranquila. Com 90 mil habitantes, cerca de 75% da sua população total é justamente oriunda da Inglaterra. Governada por um liberal democrata, a cidade destaca-se por aspetos e estruturas tipicamente inglesas. Não há que enganar. Mas também tem um clube de futebol, o Watford Football Club que milita na Premier League. E se por essa Europa fora há um clube que deixa os símbolos, a cultura e a identidade da sua cidade completamente de lado, o Watford é um dos exemplos com menção obrigatória. Sobretudo quando se tocam nos dados demográficos.

  Numa altura em que a Premier League e o futebol inglês passam por uma fase de fortes esperanças sobre a sua nova geração, e sobre a valorização geral do seu futebolista, a equipa orientada por Quique Flores, com os seus próprios valores e ideias, vai contra tudo o que tem sido idealizado na nação britânica. Falamos de uma equipa que tem, nesta altura, mais italianos que ingleses no seu plantel (também e sobretudo por influência de Gianfranco Zola que treinou a equipa em 2012/2013). Com apenas 3 jogadores ingleses - com total de 4 originais da Grã-Bretanha - é, obviamente, a equipa da Premier League com maior presença de futebolistas estrangeiros nas suas fileiras: 88,6%. Com apenas 11,4% de ingleses no seu plantel, é normal que o Watford de Quique Flores imprima diferente ideias dentro de campo. As restantes equipas equipas promovidas, o Bournemouth e o Norwich, têm cerca de 50% de ingleses nos seus plantéis. A diferença é óbvia. E gigante.

... MAS AFINAL, HÁ QUALIDADE?

  Há. E muita. Embora não seja consensual e altamente criticada de forma pontual, a aposta no futebolista estrangeiro pode ser justificada quando há indícios de qualidade e, mais importante ainda, de um rendimento aceitável no plano desportivo. O clube recém-promovido tem protagonizado algumas das aquisições mais interessantes da época, tendo reforçado todos os setores, sem exceção, de forma eficiente. E mais do que procurar o futebolista inglês, Quique e a restante estrutura do Watford procuram eficiência... sendo ela proveniente de que parte do globo for. Se essa já era uma das características que identificava o clube nas últimas temporadas, ganhou contornos mais claros na nova temporada. Afinal de contas nunca foi fácil preencher um (bom) plantel com futebolistas nacionais. E não podemos ser todos Belenenses: a aposta no futebolista nacional é cada vez menos frequente.

  Com o plantel atual constituído por 29 jogadores, Quique tem opções válidas para todas as posições. Talvez mais importante, tem várias alternativas para cada posição. Com um plantel sólido que valeu a subida àquela que é considerada por muitos como a melhor liga do mundo, muitas adições interessantes complementam da melhor forma esta autêntica sociedade das nações que é o Watford. José Holebas, Valon Behrami ou José Manuel Jurado (na imagem) não deixam ninguém indiferentes, juntando também às inteligentes aquisições da parede que é Sebastian Prödl ou ao fantástico extremo que é Berghuis, vindo do AZ. No final de contas são uma dezena de entradas que completam um lote que necessitava obrigatoriamente de ser reforçado. Com ou sem ingleses, uma coisa é certa: qualidade (individual) há muita. O segredo agora passa por ajustar todo esse brilhantismo no processo de jogo dos Hornets.

22 NACIONALIDADES. COMO SE REPARTEM?


 14 nacionalidades pertencentes ao continente europeu, 5 ao continente americano e 3 ao africano. Numa das equipas com mais diversidade na história do futebol, o Watford tem uma incrível e quase inédita mescla no seu balneário. No primeiro embate oficial da temporada frente ao Everton, onde o Watford mostrou excelente apontamentos e 'cavou' um brilhante empate (2-2) em Goodison Park, Quique Flores lançou inicialmente 11 jogadores, sendo todos de nacionalidade diferente. No banco de suplentes estavam presentes mais 7 elementos a representar outras 5 nações. Apesar dos seus aspetos positivos, tamanhas discrepâncias nas respetivas culturas futebolísticas e em certos aspetos comunicativos podem ser as maiores e mais evidentes fragilidades desta equipa. 


A VISÃO DE QUIQUE FLORES

 Como já tive oportunidade de referir, esta ideia de diversidade é interessante e tem as suas vantagens. Pode ser muita coisa, mas não é consensual. A pessoa a quem mais interessa o sucesso deste grupo de trabalho, excluindo a própria estrutura do clube, é ao treinador espanhol Quique Flores. E para o técnico de 50 anos as críticas serão apenas poeira - que rapidamente se desvanecerá, caso os resultados sejam positivos dentro de uma base regular. Vê na diversidade uma maior facilidade no processo de novos hábitos e novas rotinas de jogo, um argumento totalmente legítimo. Ao dizê-lo, afirma que não é tão simples executar da mesma forma ao trabalhar com mais futebolistas ingleses (o que, novamente, não está errado). Dentro de um plantel que pode de certa forma parecer confuso de diversas formas, uma coisa é certa: Quique tem as suas ideias definidas e o oceano de nacionalidades parece ser mesmo o que lhe interessa menos. O importante não é sabê-las de cor, mas sim conhecer e idealizar em campo o que se faz nos treinos e se diz no balneário.

O "NÃO TÃO EXISTENTE" OBSTÁCULO DA LINGUAGEM

  Indubitavelmente uma das maiores e mais evidentes fragilidades do Watford, um número tão elevado de bandeiras no balneário pode originar alguns problemas na comunicação. Se é verdade que o inglês é a língua global e uma das mais faladas a nível mundial, é também verdade (ou deveras provável) que nem todos os jogadores a dominem plenamente. Além de dominar bem o inglês, Quique Flores é espanhol e consegue, em caso de necessidade, entender-se de forma total com os 4 atletas que partilham a sua língua. Esse é também (e um dos maiores) um grande ponto a favor. Seja como for, dentro de campo, a linguagem do futebol é soberana. E com ingleses, espanhóis, italianos, suíços ou checos, todos lutam e falam para o mesmo objetivo.

Luís Barreira

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  Com mais uma temporada futebolística a aproximar-se mais e mais, é perfeitamente normal e compreensível que o nível de expectativa e euforia para ver os novos reforços em duelos oficiais - em especial os mais sonantes ou cuja 'novela' teve mais tempo de antena durante a pré-temporada - seja proporcional à posterior vontade de tirar ilações dos mesmos. Acontece que, por vezes, são os mais subtis a dar nas vistas. Não vivendo o mesmo clima de pressão, não é incomum ter um jogador quase incógnito a dar nas vistas e a brilhar. Ainda noutro cenário, a prata da casa pode explodir. Seja ou não reforço, hoje a Crónica Futebolística fala-lhe de 20 potenciais revelações da Liga NOS.

  Para a lista abaixo há, claro, alguns requisitos. Jogadores com o valor e estatuto primeiramente reconhecido no futebol nacional e posteriormente internacional estão obviamente excluídos. Futebolistas cujo reconhecimento no futebol mundial é assinalável e relativamente consensual - casos de, por exemplo, Júlio César, Bryan Ruíz ou Iker Casillas - também estão fora das escolhas da Crónica Futebolística. Para este lote foram escolhidos jogadores cujo valor não seja totalmente reconhecido no futebol português (embora possam ter uma posição respeitável no seu país de origem) ora por ter atuado no estrangeiro, ora por não ter tido as oportunidades devidas no principal escalão do nosso futebol. Com mais de metade das entradas, o futebolista português é o mais representado na lista abaixo. Relembro que existem dezenas de jogadores com qualidade para estar na lista, mas, nesta publicação, só estarão 20. A difícil escolha final só mostra um positivo aumento da competitividade e qualidade do nosso futebol. Referir também, e numa nota importante, que os jogadores não estão listados por qualquer tipo de classificação. A ordem é completamente aleatória.

1. JOÃO PEDRO Médio, Vitória SC, 22 anos.

  É um dos poucos jogadores da lista que já tive o prazer de ver ao vivo e a cores. Apelidado de 'Witsel' (não é difícil perceber porquê) em praticamente todos os estádios em que atua, João Pedro tem nesta altura todas as condições para desabrochar na equipa principal do Vitória Sport Clube. Com uns impressionantes 46 jogos disputados na passada temporada - o que mostra, desde já, uma condição física invejável -, o médio de 22 anos foi alternativa para a equipa A em 3 ocasiões. Ganhou as suas primeiras titularidades sobre o comando de Rui Vitória na passada edição da Taça da Liga. Com uma excelente qualidade técnica, onde se destaca a facilidade e à vontade com que passa a bola e constrói em qualquer zona do meio-campo, esta é a altura ideal para o jovem aparecer na ribalta. Mostrou um temível pontapé de média distância frente ao Fenerbahçe. Mais fácil fica a tarefa quando tem no banco de suplentes Armando Evangelista, o técnico que fez dele uma das caras mais importantes do Vitória B na passada temporada.

 2. PEDRINHO. Defesa, Rio Ave FC, 30 anos.

 Regressa a sorrir. Pedro Rocha é um lateral direito que passou pela Académica entre 2008 e 2011. Apesar da regularidade que lhe valeu o passaporte para o Lorient, onde foi colega de Raphael Guerreiro até este defeso, o jogador natural de Vila do Conde nunca teve o tão merecido destaque no futebol português. Mais um na longa lista de futebolistas portugueses que são quase obrigados a emigrar para melhorar e dar um passo em frente na sua carreira profissional, o lateral de 30 anos voltou a Vila do Conde (de onde é natural) para apontar à titularidade. E como mostra Pedro Rocha, não há limite de idade para poder fazer impacto. Com uma considerável experiência adquirido na Ligue 1, um dos campeonatos mais competitivos do futebol europeu, esta será uma mais valia para uma formação que procura regressar à forma que lhe deu o acesso à Liga Europa na passada temporada de 2014/2015, onde fez história.
  
 3. ALBERTO BUENO. Avançado, FC Porto, 27 anos.

  Talvez uma das escolhas mais surpreendentes da lista, Alberto Bueno ainda deixa muitos pontos de interrogação devido à sua falta de mediatismo no Rayo Vallecano. Reconhecido no futebol europeu por um poker em 15 minutos na temporada passada e pouco mais, o dianteiro que trabalha às ordens de Julen Lopetegui foi o segundo melhor marcador espanhol da Liga BBVA na temporada com 17 golos. Apesar de ser um registo impressionante, especialmente tendo em conta o facto de não jogar numa equipa com aspirações europeias, a falta de destaque a que foi alvo no futebol espanhol dificultou a percepção do adepto português em relação às suas qualidades. E é por essa mesma razão que pode surpreender tornando-se, de forma pouco ortodoxa, numa das surpresas do futebol português na temporada que aí se avizinha.

4. FÁBIO STURGEON. Extremo ou SA, Os Belenenses, 21 anos.

  Só lhe faltam mesmo os golos para se afirmar como um dos jogadores a temer, quando falamos nas defesas adversárias. Um dos jogadores com maior liberdade na sua faixa de terreno - o último terço, claro está - acabou a temporada passada com 2 golos e 4 assistências, um registo que não faz jus à época que fez. A verdade é que hoje, mais do que nunca, a magia não vale tanto sem os números atrás a justificar. É um facto pouco feliz, é certo, mas isso não deixa de tirar o mérito pelas suas boas prestações. Porém, e para atingir um maior interesse e círculo mediático à sua volta, os números precisam de aparecer rapidamente. Só assim é que Fábio poderá ter a época de explosão que tanto merece e, certamente, tanto deseja. Veloz, astuto e brilhante na condução de bola em transição rápida, uma das prioridades de Ricardo Sá Pinto será certamente conciliar tudo isso com golos para este jovem de 21 anos.

5. TYLER BOYD. Extremo ou PL, Vitória SC, 20 anos.

  Porque não? Aos 20 anos, o neo-zelandês é dos prospetos mais brilhantes do seu país e ruma ao futebol português para experiência uma cultura futebolística completamente diferente daquela que via na Austrália, no outro lado do globo. Mesmo com o final do empréstimo de Jonatan Álvez, é verdade que o jogador com raízes norte-americanas terá dura concorrência na frente de ataque vimaranense, podendo antes afirmar-se num dos flancos: Henrique Dourado, Tomané e Ricardo Valente serão os donos da posição de ponta... ou talvez nem tanto. Embora tenha de atravessar um período de adaptação a uma realidade futebolística e social completamente diferente (só a diferença no fuso horário é infernal de ultrapassar), Boyd pode ser uma mais valia numa altura em que estiver completamente estabelecido no futebol português. Mas para isso deverá, antes, passar pela equipa B do clube. Os 18 golos e 11 assistências em 67 jogos como profissional deixam água na boca.

 6. CAS PETERS. Extremo, CD Nacional, 22 anos.

  Chega para substituir Marco Matias que rumou ao Sheffield Wednesday para se juntar a Carlos Carvalhal, mas este holandês de 22 anos pode até ter mais características favoráveis para acrescentar ao jogo do que o seu antecessor. Com escola de futebol holandês, favorecendo a verticalidade e o 1vs1 até à exaustão, Peters ruma à ilha da Madeira após uma época absolutamente incrível do Emmen onde não ficou longe de subir à Eredivisie. Com uma incrível margem de progressão, esta acaba por ser uma das transferências mais interessantes do futebol português na presente temporada e os números explicam porquê. Jogando preferencialmente a extremo esquerdo, o destro frequentemente flete para o centro e os seus registos brilhantes na temporada passada ilustram mesmo isso: 40 jogos, 24 golos e 5 assistências. A sua fase mais brilhante da temporada surgiu quando, numa sequência de 4 jogos, marcou 6 golos. E no futebol português, de quando em vez descrito como pouco interessante e intenso por alguns jogos menos brilhantes, este tipo de jogadores faz falta. Se corresponder às expectativas e cimentar a sua posição goleadora, a Liga NOS terá um sério candidato a revelação da prova.

 7. JOSÉ SÁ. Guarda-redes, CS Marítimo, 22 anos.

  Se lhe dissesse, acreditaria que José Sá só tem 11 jogos disputados no principal escalão do futebol português? Até parece mentira, mas a verdade é que o guardião que se mostrou em grande plano no EURO sub-21 nunca foi o número 1 dos insulares na Liga. Tendo atuado pela equipa principal do Marítimo apenas por 4 ocasiões na temporada passada, 3 no campeonato, Sá fez a maior parte da temporada na equipa B que desceu de divisão. Tendo Salin como opção principal, Ivo Vieira terá muitas dores de cabeça. Sofrendo apenas 1 golos em 5 partidas no europeu de sub-21 - e tendo enfrentado equipas como a Inglaterra, Alemanha e Itália -, a competição foi a porta que abriu a titularidade para o guardião que fez formação no SL Benfica. 29 balizas virgens em 83 jogos profissionais pelo seu clube são um registo impressionante, ainda mais tendo em conta o que fez com a seleção no passado mês de junho. Escusado dizer que, por estas e outras tantas razões, esta é a época perfeita para brilhar.

 8. PAULO HENRIQUE. Defesa, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  O primeiro central da lista é, também, o mais novo até agora. Nascido e formado na ilha de São Miguel, nos Açores, Paulo Henrique "terminou" o seu processo de formação de forma precoce e, em julho de 2013, Carlos Condeço lançou-o na equipa principal num embate da Taça da Liga. Na altura tinha, imagine só, 16 anos. Por acompanhar a par e passo o seu desenvolvimento no clube insular, é necessário referir que o seu processo de maturação nos últimos 2 anos tem sido deveras incrível. Dando os primeiros passos como central, o jovem açoriano foi de forma bem sucedida adaptado à lateral esquerda, posição onde agora atua quase exclusivamente. Fisicamente possante e taticamente disciplinado, Jorge Simão é o treinador ideal para limar quaisquer falhas que ainda são naturais para a idade. Com Minhoca, também açoriano, a sua adaptação será certamente facilitada. Com enorme facilidade a sair a jogar e pujante no jogo aéreo, é um dos jovens a observar com muita atenção no próximo campeonato. E a equipa principal é mesmo o cenário mais provável.

 9. PEDRO NUNO. Extremo, Académica de Coimbra, 20 anos.

  É verdade que o rendimento de um jogador vai muito de acordo com aquilo que faz o treinador: a posição em que o coloca, a função que o faz desempenhar e as particularidades táticas que quer que implemente. Um treinador que entende o futebolista jovem é fundamental para fazê-lo ter sucesso e, na Académica de Coimbra, José Viterbo desempenha esse papel na perfeição. Mas a qualidade do jogador também importa. E Pedro Nuno tem muita. Foi ganhando minutos na parte final da temporada com Viterbo ao leme, a qual terminou com um grande golo frente ao Vitória SC. Rápido e vertical, algo que lhe favorece em ações de transições rápidas ou contra-ataque, tem as condições necessárias para explodir na próxima temporada. Podendo jogar em qualquer um dos corredores e no centro, a sua polivalência será outro dos aspetos a explorar por um técnico que, melhor do que ninguém, sabe manejar a formação da Briosa.

 10. RAPHAEL GUZZO. Médio, SL Benfica, 20 anos.

  Embora não seja a sua opção número 1 na pré-temporada, Rui Vitória pode preterir do 4-4-2 a qualquer momento do jogo para implementar o 4-3-3 que tanto equilíbrio lhe foi dando nos seus anos de Vitória SC. E, face à eventual necessidade de um médio na alteração do sistema tático, o atual campeão nacional pode ter Guzzo como solução. Embora "só" tenha sido opção em 33 jogos pelo Chaves na temporada passada é reconhecido como uma das caras mais importantes da campanha flaviense que quase terminou com a promoção ao principal escalão do futebol português. Numa temporada onde ganhou maturidade e uma maior intensidade competitiva - sobretudo pela intensidade física próprios da Segunda Liga -, procura agora impressionar no plantel principal. Porém, os minutos e jogos que pode ganhar esta temporada estão algo que dependentes das eventuais alterações táticas que Vitória fizer no meio-campo.

 11. IURI MEDEIROS. Extremo, Sporting CP, 21 anos.

  Num plantel que a cada dia se vai tornando mais competitivo, o segundo açoriano na lista vai certamente mostrando que é uma solução inesquecível para Jorge Jesus. E tem um dado a favor que vale mais do que qualquer outro ao contrário de, por exemplo, Raphael Guzzo: tem experiência na Liga NOS. E não foi apenas mais um no Arouca de Pedro Emanuel. Tendo atuado em 17 jogos na segunda metade da temporada, foi porventura um dos elementos mais importantes na formação dos canários. 3 golos - um deles apontado com um fantástico livre - e 5 assistências fizeram dele não só uma opção importante para a seleção de sub-21 que disputou o EURO na República Checa, mas também para Jorge Jesus na temporada que aí vem. Num lugar onde também podiam estar nomes como Gelson Martins ou Carlos Mané, que também procura a sua afirmação definitiva, é o açoriano que ocupa lugar na lista. Com uma inteligência acima da média no que toca à condução de bola, Iuri e a sua visão podem também ser enquadrados num novo contexto tático, ocupando a posição 10 ou de elemento mais criativo. No flanco - o seu local preferencial - ou no centro, a verdade é que a sua irreverência será uma mais valia para Jorge Jesus. A equipa B já é demasiado pequena para as suas aspirações.

 12. HENRIQUE. Ponta-de-lança, Vitória SC, 25 anos.

  Sendo uma das mais fortes possibilidade a revelação do campeonato português, Henrique Dourado protagonizou também uma das transferências mais surpreendentes do presente defeso. Foi a maior figura da temporada passada no Palmeiras. O ceifador, como é conhecido no Brasil, fez 16 golos em 33 partidas pelo Verdão, afirmando-se como a razão mais forte pela qual o histórico emblema brasileiro não sentiu na pele a despromoção. Exímio no jogo aéreo e competente na proteção da bola, o seu ponto mais forte é, como seria de esperar, a finalização. É letal em qualquer parte da área e, ao contrário do que se pode pensar, não é lento. É rápido a decidir e, na maior parte das vezes, decide bem: remata à baliza. Tem a facilidade de jogar com os 2 pés e de ser expedito nos seus movimentos: se há algo que Henrique Dourado odeia, é cerimónia. Não se admire se tiver um quase sobrenatural número de remates por jogo. Naturalmente, os golos também irão surgir. Tal como em 2005/06, o Vitória pode ter aqui o seu novo matador, o seu novo Saganowski... mas com mais soluções.

 13. GEVORG GHAZARYAN. Médio, CS Marítimo, 27 anos.

  Se pela fotografia o novo jogador do Marítimo lhe parece Henrikh Mkhitaryan, fique sabendo que as comparações não acabam por aí. Moldado para a posição '10', Ghazaryan chega à ilha da Madeira como o reforço mais sonante, na teoria, para a formação insular. Com passagem pelo Olympiakos, o 1º arménio no campeonato português não será, como se pensa, o substituto de Danilo na formação insular. Embora não dê garantidas no plano defensivo, a projeção ofensiva que dará à formação de Ivo Vieira será deveras interessante e diferente do habitual no nosso futebol, fruto dos campeonatos onde passou e da experiência foi adquiriu por consequência. Traz na mala 12 títulos oficiais, um registo incrível. Oferece inteligência e verticalidade, não fazendo cerimónia quando chega a sua vez de finalizar. Podendo parecer uma transferência duvidosa, pela sua falta de experiência no futebol português e pelo consequente desconhecimento dos seus adeptos perante o jogador, é mais um estrangeiro que chega com rótulo de craque. E será deveras interessante ver como irá encaixar numa equipa que perdeu a sua principal referência no setor.

 14. ANDRÉ SILVA. Ponta-de-lança, FC Porto, 19 anos.

  Numa altura em que tem sido discutida uma eventual ida ao mercado por parte do FC Porto em busca de um ponta-de-lança, André Silva tem feito tudo para mostrar que, apesar da juventude, merece uma oportunidade no plantel principal ao comando de Julen Lopetegui. Opção nos 3 embates de pré-época que os azuis e brancos disputaram até ao momento, o jogador nascido em Baguim do Monte tornou-se uma opção regular para Luís Castro na temporada passada. Marcou 7 golos e contribuiu com outras duas assistências em 35 jogos pela equipa B do Porto, tendo já apontado 2 golos contra o Fortuna Sittard na presente pré-temporada. Longe de ser reconhecido pelos seus dribles ou pela sua qualidade técnica com a bola nos pés, André é uma inequívoca referência na grande área e contribui para o jogo com a máxima assertividade no seu momento de alvejar a baliza. Embora Julen Lopetegui opte cada vez mais pela profundidade pelo meio ou pela construção desde trás, renegando o jogo direto ou os centros e cruzamentos constantes para segundo plano, André Silva tem como o seu ponto mais forte o jogo aéreo que, nos momentos certos, lhe pode valer de muito caso seja opção para o técnico espanhol. Apesar de se destacar ao utilizar a cabeça, o jovem goleador não se vê tímido ao fuzilar o guardião adversário com o seu pé direito.

 15. DIOGO JOTA. Avançado, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  Terminou a época passada a dar espetáculo e é assim que pretende iniciar a nova temporada, impressionando Jorge Simão como fez com Paulo Fonseca. Em 12 jogos pelos castores na temporada passada fez algo que poucos imaginariam, contribuindo para uns impressionantes 8 golos da formação pacense. 4 golos e outras tantas assistências despertaram o futebol português para a ascensão deste jovem talento que, para Jorge Simão, deverá ser indispensável. Com a única incógnita a ser de facto a sua posição no plantel, a presença na equipa principal é neste momento uma certeza, formação essa que ambicionará, muito certamente, o regresso a um posto europeu. Já com um golo absolutamente fantástico na bagagem frente ao Sporting da Covilhã, na presente pré-época, este internacional pela seleção sub-19 é, à imagem de Paulo Henrique, um dos prospetos mais interessantes para a próxima época no futebol português.

 16. SANTIAGO MONTOYA. Médio, Vitória SC, 23 anos.

  Vem com estatuto de 'mago' do Vasco da Gama, um histórico emblema brasileiro que, apesar dos recentes problemas no plano desportivo, ainda conta com atletas de uma qualidade muitíssimo interessante. Emprestado até ao final da temporada, Montoya é mais um interessante caso de polivalência que Armando Evangelista pode e deve explorar, tendo em conta a saída de Bernard para o futebol espanhol. Internacional sub-21 pela Colômbia, não deve haver problema para Montoya: mostrou excelentes apontamentos na pré-época e o facto de ter uma propensão mais ofensiva, podendo mesmo jogador nos flancos, não deverá interferir na evolução de João Pedro, já que poderá - e haverá, certamente - haver espaço para ambos. Aos 23 anos terá a sua primeira experiência fora do continente de origem e isso, tal como acontece com Henrique Dourado e Tyler Boy, poderá ser o único obstáculo à sua plena afirmação no plantel dos conquistadores. As perspetivas são otimistas no caso de Montoya, já que nos últimos anos os atletas colombianos no campeonato português têm-se adaptado plenamente, tendo alguns se tornado em referências do nosso futebol.

 17. GUEDES. Ponta-de-lança, Rio Ave FC, 28 anos.

  Há um adjetivo que consegue, na perfeição, descrever a temporada de Hélder Guedes pelo Penafiel em 2014/2015: ingrata. Ao fazer uma belíssima temporada o seu trajeto ficou quase unicamente marcado por ter feito parte da pior equipa da Liga NOS e por ter, por consequência, enfrentado a despromoção. Numa equipa que teve 3 treinadores e imensos problemas no campo desportivo, Guedes foi a figura em destaque e, apesar disso, não teve o seu valor reconhecido. Marcar 10 golos em 35 jogos na temporada passada, em todas as competições, acaba por ser uma marca impressionante tendo em conta as más prestações da formação nortenha. O seu valor viria a ser reconhecido por uma extremamente organizada formação do Rio Ave que conta com o português para aquilo que este faz melhor: golos. Desde 2006 que estava ligado contratualmente à formação do Penafiel e, com exceção da época 2008/2009, nunca tinha representado outro clube. A mira está apontada para o regresso às competições europeias e esta será uma arma que, embora não tenha o nome e as credenciais de outros, irá disparar em todos os sentidos no que às balizas adversárias diz respeito.

 18. TRAQUINA. Extremo, Os Belenenses, 26 anos.

  Num plantel exclusivamente português que terá uma época excepcionalmente longa caso consiga o bilhete para a fase de grupos da UEFA Europa League, Traquina é uma das caras novas que promete fazer estragos na Liga NOS. O que não lhe falta são pontos a favor que Sá Pinto deve ter em conta. Com uns impressionantes 51 jogos disputados na temporada passada, 44 deles na Segunda Liga, é fácil verificar que o extremo de 26 anos é um jogador perfeitamente saudável sem, ao que tudo indica, propensão a problemas físicos e lesões que podem condicionar o seu desempenho. A carga física da temporada passada vem por bem, já que para uma formação que irá disputar competições europeias é fundamental ter um atleta que tenha sido rodado e testado com uma alta e intensíssima carga de trabalho como aconteceu na temporada passada. O facto de ter passado uma temporada absolutamente infernal a disputar jogos a meio da semana e de ter adquirido essas mesmas rotinas acaba por, de forma subtil, ser benéfico para o próprio atleta. Nascido em Alcobaça, João Traquina tem relativa facilidade em mudar de flanco e confundir a marcação - ele que joga preferencialmente na direita, fazendo melhor proveito do seu pé direito -, outra das armas com que Ricardo Sá Pinto pode usar e abusar.

 19. BOATENG. Avançado, Moreirense FC, 19 anos.

  Despertou interesse pela boa época que cumpriu ao serviço do Rio Ave em 2014/2015, mas sobretudo pela sua aparente manutenção de boa forma no Mundial sub-20 que decorreu na Nova Zelândia. Marcou um grande golo frente ao Panamá, despertando novamente um considerável interesse. Aos 19 anos trocou Vila do Conde por Moreira de Cónegos onde, acima de tudo, deverá estar à procura de mais minutos de jogo. A verdade é que, tendo em conta a sua tenra idade, isso será uma questão de tempo. Com aspetos a maturar, nomeadamente o posicionamento e algum rigor tático que lhe falta, fruto também da juventude, Miguel Leal é o treinador ideal para colocar o jovem numa posição em que possa considerado uma das estrelas revelação do principal escalão do futebol português. Também lhe favorece o facto de poder, tal como tantos outros jogadores nesta lista, deambular para os flancos, o que lhe dá um interessante senso de mobilidade.

 20. JHON MURILLO. Extremo, CD Tondela, 20 anos.

  Emprestado pelo SL Benfica que assegurou os serviços do jovem venezuelano no presente defeso, Murillo pode ser uma tremenda mais valia para Vítor Paneira na formação recém-promovida à Liga NOS. Embora tenha dura concorrência, quer a extremo, quer na posição de ponta-de-lança, o "Balotelli venezuelano", como tem sido apelidado, pode-se constituir como um elo importante na permanência dos tondelenses nesta que é a sua estreia no principal escalão do futebol português. Rápido e vertical, características quase mandatárias para um extremo sul-americano, Murillo quer mostrar a Rui Vitória que é uma opção válida na próxima temporada. Sem experiência no que toca à cultura do futebol europeu, o seu sucesso está também dependente da sua adaptação no nosso futebol. Será interessante observar até que ponto Vítor Paneira pode utilizar este dinâmico e irreverente jogador para seu proveito como arma secreta, como desbloqueador nas alturas de maior necessidade.

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