| 0 comentários ]

  Situada a cerca de 30 quilómetros do centro de Londres, a cidade de Watford tem a reputação de ser relativamente tranquila. Com 90 mil habitantes, cerca de 75% da sua população total é justamente oriunda da Inglaterra. Governada por um liberal democrata, a cidade destaca-se por aspetos e estruturas tipicamente inglesas. Não há que enganar. Mas também tem um clube de futebol, o Watford Football Club que milita na Premier League. E se por essa Europa fora há um clube que deixa os símbolos, a cultura e a identidade da sua cidade completamente de lado, o Watford é um dos exemplos com menção obrigatória. Sobretudo quando se tocam nos dados demográficos.

  Numa altura em que a Premier League e o futebol inglês passam por uma fase de fortes esperanças sobre a sua nova geração, e sobre a valorização geral do seu futebolista, a equipa orientada por Quique Flores, com os seus próprios valores e ideias, vai contra tudo o que tem sido idealizado na nação britânica. Falamos de uma equipa que tem, nesta altura, mais italianos que ingleses no seu plantel (também e sobretudo por influência de Gianfranco Zola que treinou a equipa em 2012/2013). Com apenas 3 jogadores ingleses - com total de 4 originais da Grã-Bretanha - é, obviamente, a equipa da Premier League com maior presença de futebolistas estrangeiros nas suas fileiras: 88,6%. Com apenas 11,4% de ingleses no seu plantel, é normal que o Watford de Quique Flores imprima diferente ideias dentro de campo. As restantes equipas equipas promovidas, o Bournemouth e o Norwich, têm cerca de 50% de ingleses nos seus plantéis. A diferença é óbvia. E gigante.

... MAS AFINAL, HÁ QUALIDADE?

  Há. E muita. Embora não seja consensual e altamente criticada de forma pontual, a aposta no futebolista estrangeiro pode ser justificada quando há indícios de qualidade e, mais importante ainda, de um rendimento aceitável no plano desportivo. O clube recém-promovido tem protagonizado algumas das aquisições mais interessantes da época, tendo reforçado todos os setores, sem exceção, de forma eficiente. E mais do que procurar o futebolista inglês, Quique e a restante estrutura do Watford procuram eficiência... sendo ela proveniente de que parte do globo for. Se essa já era uma das características que identificava o clube nas últimas temporadas, ganhou contornos mais claros na nova temporada. Afinal de contas nunca foi fácil preencher um (bom) plantel com futebolistas nacionais. E não podemos ser todos Belenenses: a aposta no futebolista nacional é cada vez menos frequente.

  Com o plantel atual constituído por 29 jogadores, Quique tem opções válidas para todas as posições. Talvez mais importante, tem várias alternativas para cada posição. Com um plantel sólido que valeu a subida àquela que é considerada por muitos como a melhor liga do mundo, muitas adições interessantes complementam da melhor forma esta autêntica sociedade das nações que é o Watford. José Holebas, Valon Behrami ou José Manuel Jurado (na imagem) não deixam ninguém indiferentes, juntando também às inteligentes aquisições da parede que é Sebastian Prödl ou ao fantástico extremo que é Berghuis, vindo do AZ. No final de contas são uma dezena de entradas que completam um lote que necessitava obrigatoriamente de ser reforçado. Com ou sem ingleses, uma coisa é certa: qualidade (individual) há muita. O segredo agora passa por ajustar todo esse brilhantismo no processo de jogo dos Hornets.

22 NACIONALIDADES. COMO SE REPARTEM?


 14 nacionalidades pertencentes ao continente europeu, 5 ao continente americano e 3 ao africano. Numa das equipas com mais diversidade na história do futebol, o Watford tem uma incrível e quase inédita mescla no seu balneário. No primeiro embate oficial da temporada frente ao Everton, onde o Watford mostrou excelente apontamentos e 'cavou' um brilhante empate (2-2) em Goodison Park, Quique Flores lançou inicialmente 11 jogadores, sendo todos de nacionalidade diferente. No banco de suplentes estavam presentes mais 7 elementos a representar outras 5 nações. Apesar dos seus aspetos positivos, tamanhas discrepâncias nas respetivas culturas futebolísticas e em certos aspetos comunicativos podem ser as maiores e mais evidentes fragilidades desta equipa. 


A VISÃO DE QUIQUE FLORES

 Como já tive oportunidade de referir, esta ideia de diversidade é interessante e tem as suas vantagens. Pode ser muita coisa, mas não é consensual. A pessoa a quem mais interessa o sucesso deste grupo de trabalho, excluindo a própria estrutura do clube, é ao treinador espanhol Quique Flores. E para o técnico de 50 anos as críticas serão apenas poeira - que rapidamente se desvanecerá, caso os resultados sejam positivos dentro de uma base regular. Vê na diversidade uma maior facilidade no processo de novos hábitos e novas rotinas de jogo, um argumento totalmente legítimo. Ao dizê-lo, afirma que não é tão simples executar da mesma forma ao trabalhar com mais futebolistas ingleses (o que, novamente, não está errado). Dentro de um plantel que pode de certa forma parecer confuso de diversas formas, uma coisa é certa: Quique tem as suas ideias definidas e o oceano de nacionalidades parece ser mesmo o que lhe interessa menos. O importante não é sabê-las de cor, mas sim conhecer e idealizar em campo o que se faz nos treinos e se diz no balneário.

O "NÃO TÃO EXISTENTE" OBSTÁCULO DA LINGUAGEM

  Indubitavelmente uma das maiores e mais evidentes fragilidades do Watford, um número tão elevado de bandeiras no balneário pode originar alguns problemas na comunicação. Se é verdade que o inglês é a língua global e uma das mais faladas a nível mundial, é também verdade (ou deveras provável) que nem todos os jogadores a dominem plenamente. Além de dominar bem o inglês, Quique Flores é espanhol e consegue, em caso de necessidade, entender-se de forma total com os 4 atletas que partilham a sua língua. Esse é também (e um dos maiores) um grande ponto a favor. Seja como for, dentro de campo, a linguagem do futebol é soberana. E com ingleses, espanhóis, italianos, suíços ou checos, todos lutam e falam para o mesmo objetivo.

Luís Barreira

Como avalia o plantel do Watford? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo e no facebook da Crónica Futebolística.

| 1 comentários ]

  Com mais uma temporada futebolística a aproximar-se mais e mais, é perfeitamente normal e compreensível que o nível de expectativa e euforia para ver os novos reforços em duelos oficiais - em especial os mais sonantes ou cuja 'novela' teve mais tempo de antena durante a pré-temporada - seja proporcional à posterior vontade de tirar ilações dos mesmos. Acontece que, por vezes, são os mais subtis a dar nas vistas. Não vivendo o mesmo clima de pressão, não é incomum ter um jogador quase incógnito a dar nas vistas e a brilhar. Ainda noutro cenário, a prata da casa pode explodir. Seja ou não reforço, hoje a Crónica Futebolística fala-lhe de 20 potenciais revelações da Liga NOS.

  Para a lista abaixo há, claro, alguns requisitos. Jogadores com o valor e estatuto primeiramente reconhecido no futebol nacional e posteriormente internacional estão obviamente excluídos. Futebolistas cujo reconhecimento no futebol mundial é assinalável e relativamente consensual - casos de, por exemplo, Júlio César, Bryan Ruíz ou Iker Casillas - também estão fora das escolhas da Crónica Futebolística. Para este lote foram escolhidos jogadores cujo valor não seja totalmente reconhecido no futebol português (embora possam ter uma posição respeitável no seu país de origem) ora por ter atuado no estrangeiro, ora por não ter tido as oportunidades devidas no principal escalão do nosso futebol. Com mais de metade das entradas, o futebolista português é o mais representado na lista abaixo. Relembro que existem dezenas de jogadores com qualidade para estar na lista, mas, nesta publicação, só estarão 20. A difícil escolha final só mostra um positivo aumento da competitividade e qualidade do nosso futebol. Referir também, e numa nota importante, que os jogadores não estão listados por qualquer tipo de classificação. A ordem é completamente aleatória.

1. JOÃO PEDRO Médio, Vitória SC, 22 anos.

  É um dos poucos jogadores da lista que já tive o prazer de ver ao vivo e a cores. Apelidado de 'Witsel' (não é difícil perceber porquê) em praticamente todos os estádios em que atua, João Pedro tem nesta altura todas as condições para desabrochar na equipa principal do Vitória Sport Clube. Com uns impressionantes 46 jogos disputados na passada temporada - o que mostra, desde já, uma condição física invejável -, o médio de 22 anos foi alternativa para a equipa A em 3 ocasiões. Ganhou as suas primeiras titularidades sobre o comando de Rui Vitória na passada edição da Taça da Liga. Com uma excelente qualidade técnica, onde se destaca a facilidade e à vontade com que passa a bola e constrói em qualquer zona do meio-campo, esta é a altura ideal para o jovem aparecer na ribalta. Mostrou um temível pontapé de média distância frente ao Fenerbahçe. Mais fácil fica a tarefa quando tem no banco de suplentes Armando Evangelista, o técnico que fez dele uma das caras mais importantes do Vitória B na passada temporada.

 2. PEDRINHO. Defesa, Rio Ave FC, 30 anos.

 Regressa a sorrir. Pedro Rocha é um lateral direito que passou pela Académica entre 2008 e 2011. Apesar da regularidade que lhe valeu o passaporte para o Lorient, onde foi colega de Raphael Guerreiro até este defeso, o jogador natural de Vila do Conde nunca teve o tão merecido destaque no futebol português. Mais um na longa lista de futebolistas portugueses que são quase obrigados a emigrar para melhorar e dar um passo em frente na sua carreira profissional, o lateral de 30 anos voltou a Vila do Conde (de onde é natural) para apontar à titularidade. E como mostra Pedro Rocha, não há limite de idade para poder fazer impacto. Com uma considerável experiência adquirido na Ligue 1, um dos campeonatos mais competitivos do futebol europeu, esta será uma mais valia para uma formação que procura regressar à forma que lhe deu o acesso à Liga Europa na passada temporada de 2014/2015, onde fez história.
  
 3. ALBERTO BUENO. Avançado, FC Porto, 27 anos.

  Talvez uma das escolhas mais surpreendentes da lista, Alberto Bueno ainda deixa muitos pontos de interrogação devido à sua falta de mediatismo no Rayo Vallecano. Reconhecido no futebol europeu por um poker em 15 minutos na temporada passada e pouco mais, o dianteiro que trabalha às ordens de Julen Lopetegui foi o segundo melhor marcador espanhol da Liga BBVA na temporada com 17 golos. Apesar de ser um registo impressionante, especialmente tendo em conta o facto de não jogar numa equipa com aspirações europeias, a falta de destaque a que foi alvo no futebol espanhol dificultou a percepção do adepto português em relação às suas qualidades. E é por essa mesma razão que pode surpreender tornando-se, de forma pouco ortodoxa, numa das surpresas do futebol português na temporada que aí se avizinha.

4. FÁBIO STURGEON. Extremo ou SA, Os Belenenses, 21 anos.

  Só lhe faltam mesmo os golos para se afirmar como um dos jogadores a temer, quando falamos nas defesas adversárias. Um dos jogadores com maior liberdade na sua faixa de terreno - o último terço, claro está - acabou a temporada passada com 2 golos e 4 assistências, um registo que não faz jus à época que fez. A verdade é que hoje, mais do que nunca, a magia não vale tanto sem os números atrás a justificar. É um facto pouco feliz, é certo, mas isso não deixa de tirar o mérito pelas suas boas prestações. Porém, e para atingir um maior interesse e círculo mediático à sua volta, os números precisam de aparecer rapidamente. Só assim é que Fábio poderá ter a época de explosão que tanto merece e, certamente, tanto deseja. Veloz, astuto e brilhante na condução de bola em transição rápida, uma das prioridades de Ricardo Sá Pinto será certamente conciliar tudo isso com golos para este jovem de 21 anos.

5. TYLER BOYD. Extremo ou PL, Vitória SC, 20 anos.

  Porque não? Aos 20 anos, o neo-zelandês é dos prospetos mais brilhantes do seu país e ruma ao futebol português para experiência uma cultura futebolística completamente diferente daquela que via na Austrália, no outro lado do globo. Mesmo com o final do empréstimo de Jonatan Álvez, é verdade que o jogador com raízes norte-americanas terá dura concorrência na frente de ataque vimaranense, podendo antes afirmar-se num dos flancos: Henrique Dourado, Tomané e Ricardo Valente serão os donos da posição de ponta... ou talvez nem tanto. Embora tenha de atravessar um período de adaptação a uma realidade futebolística e social completamente diferente (só a diferença no fuso horário é infernal de ultrapassar), Boyd pode ser uma mais valia numa altura em que estiver completamente estabelecido no futebol português. Mas para isso deverá, antes, passar pela equipa B do clube. Os 18 golos e 11 assistências em 67 jogos como profissional deixam água na boca.

 6. CAS PETERS. Extremo, CD Nacional, 22 anos.

  Chega para substituir Marco Matias que rumou ao Sheffield Wednesday para se juntar a Carlos Carvalhal, mas este holandês de 22 anos pode até ter mais características favoráveis para acrescentar ao jogo do que o seu antecessor. Com escola de futebol holandês, favorecendo a verticalidade e o 1vs1 até à exaustão, Peters ruma à ilha da Madeira após uma época absolutamente incrível do Emmen onde não ficou longe de subir à Eredivisie. Com uma incrível margem de progressão, esta acaba por ser uma das transferências mais interessantes do futebol português na presente temporada e os números explicam porquê. Jogando preferencialmente a extremo esquerdo, o destro frequentemente flete para o centro e os seus registos brilhantes na temporada passada ilustram mesmo isso: 40 jogos, 24 golos e 5 assistências. A sua fase mais brilhante da temporada surgiu quando, numa sequência de 4 jogos, marcou 6 golos. E no futebol português, de quando em vez descrito como pouco interessante e intenso por alguns jogos menos brilhantes, este tipo de jogadores faz falta. Se corresponder às expectativas e cimentar a sua posição goleadora, a Liga NOS terá um sério candidato a revelação da prova.

 7. JOSÉ SÁ. Guarda-redes, CS Marítimo, 22 anos.

  Se lhe dissesse, acreditaria que José Sá só tem 11 jogos disputados no principal escalão do futebol português? Até parece mentira, mas a verdade é que o guardião que se mostrou em grande plano no EURO sub-21 nunca foi o número 1 dos insulares na Liga. Tendo atuado pela equipa principal do Marítimo apenas por 4 ocasiões na temporada passada, 3 no campeonato, Sá fez a maior parte da temporada na equipa B que desceu de divisão. Tendo Salin como opção principal, Ivo Vieira terá muitas dores de cabeça. Sofrendo apenas 1 golos em 5 partidas no europeu de sub-21 - e tendo enfrentado equipas como a Inglaterra, Alemanha e Itália -, a competição foi a porta que abriu a titularidade para o guardião que fez formação no SL Benfica. 29 balizas virgens em 83 jogos profissionais pelo seu clube são um registo impressionante, ainda mais tendo em conta o que fez com a seleção no passado mês de junho. Escusado dizer que, por estas e outras tantas razões, esta é a época perfeita para brilhar.

 8. PAULO HENRIQUE. Defesa, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  O primeiro central da lista é, também, o mais novo até agora. Nascido e formado na ilha de São Miguel, nos Açores, Paulo Henrique "terminou" o seu processo de formação de forma precoce e, em julho de 2013, Carlos Condeço lançou-o na equipa principal num embate da Taça da Liga. Na altura tinha, imagine só, 16 anos. Por acompanhar a par e passo o seu desenvolvimento no clube insular, é necessário referir que o seu processo de maturação nos últimos 2 anos tem sido deveras incrível. Dando os primeiros passos como central, o jovem açoriano foi de forma bem sucedida adaptado à lateral esquerda, posição onde agora atua quase exclusivamente. Fisicamente possante e taticamente disciplinado, Jorge Simão é o treinador ideal para limar quaisquer falhas que ainda são naturais para a idade. Com Minhoca, também açoriano, a sua adaptação será certamente facilitada. Com enorme facilidade a sair a jogar e pujante no jogo aéreo, é um dos jovens a observar com muita atenção no próximo campeonato. E a equipa principal é mesmo o cenário mais provável.

 9. PEDRO NUNO. Extremo, Académica de Coimbra, 20 anos.

  É verdade que o rendimento de um jogador vai muito de acordo com aquilo que faz o treinador: a posição em que o coloca, a função que o faz desempenhar e as particularidades táticas que quer que implemente. Um treinador que entende o futebolista jovem é fundamental para fazê-lo ter sucesso e, na Académica de Coimbra, José Viterbo desempenha esse papel na perfeição. Mas a qualidade do jogador também importa. E Pedro Nuno tem muita. Foi ganhando minutos na parte final da temporada com Viterbo ao leme, a qual terminou com um grande golo frente ao Vitória SC. Rápido e vertical, algo que lhe favorece em ações de transições rápidas ou contra-ataque, tem as condições necessárias para explodir na próxima temporada. Podendo jogar em qualquer um dos corredores e no centro, a sua polivalência será outro dos aspetos a explorar por um técnico que, melhor do que ninguém, sabe manejar a formação da Briosa.

 10. RAPHAEL GUZZO. Médio, SL Benfica, 20 anos.

  Embora não seja a sua opção número 1 na pré-temporada, Rui Vitória pode preterir do 4-4-2 a qualquer momento do jogo para implementar o 4-3-3 que tanto equilíbrio lhe foi dando nos seus anos de Vitória SC. E, face à eventual necessidade de um médio na alteração do sistema tático, o atual campeão nacional pode ter Guzzo como solução. Embora "só" tenha sido opção em 33 jogos pelo Chaves na temporada passada é reconhecido como uma das caras mais importantes da campanha flaviense que quase terminou com a promoção ao principal escalão do futebol português. Numa temporada onde ganhou maturidade e uma maior intensidade competitiva - sobretudo pela intensidade física próprios da Segunda Liga -, procura agora impressionar no plantel principal. Porém, os minutos e jogos que pode ganhar esta temporada estão algo que dependentes das eventuais alterações táticas que Vitória fizer no meio-campo.

 11. IURI MEDEIROS. Extremo, Sporting CP, 21 anos.

  Num plantel que a cada dia se vai tornando mais competitivo, o segundo açoriano na lista vai certamente mostrando que é uma solução inesquecível para Jorge Jesus. E tem um dado a favor que vale mais do que qualquer outro ao contrário de, por exemplo, Raphael Guzzo: tem experiência na Liga NOS. E não foi apenas mais um no Arouca de Pedro Emanuel. Tendo atuado em 17 jogos na segunda metade da temporada, foi porventura um dos elementos mais importantes na formação dos canários. 3 golos - um deles apontado com um fantástico livre - e 5 assistências fizeram dele não só uma opção importante para a seleção de sub-21 que disputou o EURO na República Checa, mas também para Jorge Jesus na temporada que aí vem. Num lugar onde também podiam estar nomes como Gelson Martins ou Carlos Mané, que também procura a sua afirmação definitiva, é o açoriano que ocupa lugar na lista. Com uma inteligência acima da média no que toca à condução de bola, Iuri e a sua visão podem também ser enquadrados num novo contexto tático, ocupando a posição 10 ou de elemento mais criativo. No flanco - o seu local preferencial - ou no centro, a verdade é que a sua irreverência será uma mais valia para Jorge Jesus. A equipa B já é demasiado pequena para as suas aspirações.

 12. HENRIQUE. Ponta-de-lança, Vitória SC, 25 anos.

  Sendo uma das mais fortes possibilidade a revelação do campeonato português, Henrique Dourado protagonizou também uma das transferências mais surpreendentes do presente defeso. Foi a maior figura da temporada passada no Palmeiras. O ceifador, como é conhecido no Brasil, fez 16 golos em 33 partidas pelo Verdão, afirmando-se como a razão mais forte pela qual o histórico emblema brasileiro não sentiu na pele a despromoção. Exímio no jogo aéreo e competente na proteção da bola, o seu ponto mais forte é, como seria de esperar, a finalização. É letal em qualquer parte da área e, ao contrário do que se pode pensar, não é lento. É rápido a decidir e, na maior parte das vezes, decide bem: remata à baliza. Tem a facilidade de jogar com os 2 pés e de ser expedito nos seus movimentos: se há algo que Henrique Dourado odeia, é cerimónia. Não se admire se tiver um quase sobrenatural número de remates por jogo. Naturalmente, os golos também irão surgir. Tal como em 2005/06, o Vitória pode ter aqui o seu novo matador, o seu novo Saganowski... mas com mais soluções.

 13. GEVORG GHAZARYAN. Médio, CS Marítimo, 27 anos.

  Se pela fotografia o novo jogador do Marítimo lhe parece Henrikh Mkhitaryan, fique sabendo que as comparações não acabam por aí. Moldado para a posição '10', Ghazaryan chega à ilha da Madeira como o reforço mais sonante, na teoria, para a formação insular. Com passagem pelo Olympiakos, o 1º arménio no campeonato português não será, como se pensa, o substituto de Danilo na formação insular. Embora não dê garantidas no plano defensivo, a projeção ofensiva que dará à formação de Ivo Vieira será deveras interessante e diferente do habitual no nosso futebol, fruto dos campeonatos onde passou e da experiência foi adquiriu por consequência. Traz na mala 12 títulos oficiais, um registo incrível. Oferece inteligência e verticalidade, não fazendo cerimónia quando chega a sua vez de finalizar. Podendo parecer uma transferência duvidosa, pela sua falta de experiência no futebol português e pelo consequente desconhecimento dos seus adeptos perante o jogador, é mais um estrangeiro que chega com rótulo de craque. E será deveras interessante ver como irá encaixar numa equipa que perdeu a sua principal referência no setor.

 14. ANDRÉ SILVA. Ponta-de-lança, FC Porto, 19 anos.

  Numa altura em que tem sido discutida uma eventual ida ao mercado por parte do FC Porto em busca de um ponta-de-lança, André Silva tem feito tudo para mostrar que, apesar da juventude, merece uma oportunidade no plantel principal ao comando de Julen Lopetegui. Opção nos 3 embates de pré-época que os azuis e brancos disputaram até ao momento, o jogador nascido em Baguim do Monte tornou-se uma opção regular para Luís Castro na temporada passada. Marcou 7 golos e contribuiu com outras duas assistências em 35 jogos pela equipa B do Porto, tendo já apontado 2 golos contra o Fortuna Sittard na presente pré-temporada. Longe de ser reconhecido pelos seus dribles ou pela sua qualidade técnica com a bola nos pés, André é uma inequívoca referência na grande área e contribui para o jogo com a máxima assertividade no seu momento de alvejar a baliza. Embora Julen Lopetegui opte cada vez mais pela profundidade pelo meio ou pela construção desde trás, renegando o jogo direto ou os centros e cruzamentos constantes para segundo plano, André Silva tem como o seu ponto mais forte o jogo aéreo que, nos momentos certos, lhe pode valer de muito caso seja opção para o técnico espanhol. Apesar de se destacar ao utilizar a cabeça, o jovem goleador não se vê tímido ao fuzilar o guardião adversário com o seu pé direito.

 15. DIOGO JOTA. Avançado, FC Paços de Ferreira, 18 anos.

  Terminou a época passada a dar espetáculo e é assim que pretende iniciar a nova temporada, impressionando Jorge Simão como fez com Paulo Fonseca. Em 12 jogos pelos castores na temporada passada fez algo que poucos imaginariam, contribuindo para uns impressionantes 8 golos da formação pacense. 4 golos e outras tantas assistências despertaram o futebol português para a ascensão deste jovem talento que, para Jorge Simão, deverá ser indispensável. Com a única incógnita a ser de facto a sua posição no plantel, a presença na equipa principal é neste momento uma certeza, formação essa que ambicionará, muito certamente, o regresso a um posto europeu. Já com um golo absolutamente fantástico na bagagem frente ao Sporting da Covilhã, na presente pré-época, este internacional pela seleção sub-19 é, à imagem de Paulo Henrique, um dos prospetos mais interessantes para a próxima época no futebol português.

 16. SANTIAGO MONTOYA. Médio, Vitória SC, 23 anos.

  Vem com estatuto de 'mago' do Vasco da Gama, um histórico emblema brasileiro que, apesar dos recentes problemas no plano desportivo, ainda conta com atletas de uma qualidade muitíssimo interessante. Emprestado até ao final da temporada, Montoya é mais um interessante caso de polivalência que Armando Evangelista pode e deve explorar, tendo em conta a saída de Bernard para o futebol espanhol. Internacional sub-21 pela Colômbia, não deve haver problema para Montoya: mostrou excelentes apontamentos na pré-época e o facto de ter uma propensão mais ofensiva, podendo mesmo jogador nos flancos, não deverá interferir na evolução de João Pedro, já que poderá - e haverá, certamente - haver espaço para ambos. Aos 23 anos terá a sua primeira experiência fora do continente de origem e isso, tal como acontece com Henrique Dourado e Tyler Boy, poderá ser o único obstáculo à sua plena afirmação no plantel dos conquistadores. As perspetivas são otimistas no caso de Montoya, já que nos últimos anos os atletas colombianos no campeonato português têm-se adaptado plenamente, tendo alguns se tornado em referências do nosso futebol.

 17. GUEDES. Ponta-de-lança, Rio Ave FC, 28 anos.

  Há um adjetivo que consegue, na perfeição, descrever a temporada de Hélder Guedes pelo Penafiel em 2014/2015: ingrata. Ao fazer uma belíssima temporada o seu trajeto ficou quase unicamente marcado por ter feito parte da pior equipa da Liga NOS e por ter, por consequência, enfrentado a despromoção. Numa equipa que teve 3 treinadores e imensos problemas no campo desportivo, Guedes foi a figura em destaque e, apesar disso, não teve o seu valor reconhecido. Marcar 10 golos em 35 jogos na temporada passada, em todas as competições, acaba por ser uma marca impressionante tendo em conta as más prestações da formação nortenha. O seu valor viria a ser reconhecido por uma extremamente organizada formação do Rio Ave que conta com o português para aquilo que este faz melhor: golos. Desde 2006 que estava ligado contratualmente à formação do Penafiel e, com exceção da época 2008/2009, nunca tinha representado outro clube. A mira está apontada para o regresso às competições europeias e esta será uma arma que, embora não tenha o nome e as credenciais de outros, irá disparar em todos os sentidos no que às balizas adversárias diz respeito.

 18. TRAQUINA. Extremo, Os Belenenses, 26 anos.

  Num plantel exclusivamente português que terá uma época excepcionalmente longa caso consiga o bilhete para a fase de grupos da UEFA Europa League, Traquina é uma das caras novas que promete fazer estragos na Liga NOS. O que não lhe falta são pontos a favor que Sá Pinto deve ter em conta. Com uns impressionantes 51 jogos disputados na temporada passada, 44 deles na Segunda Liga, é fácil verificar que o extremo de 26 anos é um jogador perfeitamente saudável sem, ao que tudo indica, propensão a problemas físicos e lesões que podem condicionar o seu desempenho. A carga física da temporada passada vem por bem, já que para uma formação que irá disputar competições europeias é fundamental ter um atleta que tenha sido rodado e testado com uma alta e intensíssima carga de trabalho como aconteceu na temporada passada. O facto de ter passado uma temporada absolutamente infernal a disputar jogos a meio da semana e de ter adquirido essas mesmas rotinas acaba por, de forma subtil, ser benéfico para o próprio atleta. Nascido em Alcobaça, João Traquina tem relativa facilidade em mudar de flanco e confundir a marcação - ele que joga preferencialmente na direita, fazendo melhor proveito do seu pé direito -, outra das armas com que Ricardo Sá Pinto pode usar e abusar.

 19. BOATENG. Avançado, Moreirense FC, 19 anos.

  Despertou interesse pela boa época que cumpriu ao serviço do Rio Ave em 2014/2015, mas sobretudo pela sua aparente manutenção de boa forma no Mundial sub-20 que decorreu na Nova Zelândia. Marcou um grande golo frente ao Panamá, despertando novamente um considerável interesse. Aos 19 anos trocou Vila do Conde por Moreira de Cónegos onde, acima de tudo, deverá estar à procura de mais minutos de jogo. A verdade é que, tendo em conta a sua tenra idade, isso será uma questão de tempo. Com aspetos a maturar, nomeadamente o posicionamento e algum rigor tático que lhe falta, fruto também da juventude, Miguel Leal é o treinador ideal para colocar o jovem numa posição em que possa considerado uma das estrelas revelação do principal escalão do futebol português. Também lhe favorece o facto de poder, tal como tantos outros jogadores nesta lista, deambular para os flancos, o que lhe dá um interessante senso de mobilidade.

 20. JHON MURILLO. Extremo, CD Tondela, 20 anos.

  Emprestado pelo SL Benfica que assegurou os serviços do jovem venezuelano no presente defeso, Murillo pode ser uma tremenda mais valia para Vítor Paneira na formação recém-promovida à Liga NOS. Embora tenha dura concorrência, quer a extremo, quer na posição de ponta-de-lança, o "Balotelli venezuelano", como tem sido apelidado, pode-se constituir como um elo importante na permanência dos tondelenses nesta que é a sua estreia no principal escalão do futebol português. Rápido e vertical, características quase mandatárias para um extremo sul-americano, Murillo quer mostrar a Rui Vitória que é uma opção válida na próxima temporada. Sem experiência no que toca à cultura do futebol europeu, o seu sucesso está também dependente da sua adaptação no nosso futebol. Será interessante observar até que ponto Vítor Paneira pode utilizar este dinâmico e irreverente jogador para seu proveito como arma secreta, como desbloqueador nas alturas de maior necessidade.

Está de acordo? Discorda de alguma das opções? Não se esqueça de dar a sua opinião no facebook da Crónica Futebolística.

| 0 comentários ]

   Tem 21 anos e fez formação no Santos e no Cruzeiro, atual campeão brasileiro. Chegou inclusive a ser sondado pelo SC Braga em 2013, mas continuou no Brasil até janeiro de 2015, data em que assinou pelo Leixões Sport Club. Com 10 jogos disputados pela formação de Matosinhos na Segunda Liga já leva 2 golos e outras tantas assistências. Tem Ronaldinho como uma das grandes referências e é o mais recente entrevistado da Crónica Futebolística: conheça o brasileiro Bruno Lamas de apenas 21, o jogador que joga com o 9 na camisola, mas que exerce funções de 10.

  A Crónica Futebolística agradece a simpatia e a disponibilidade do Bruno em todos os momentos que culminaram na entrevista.



1. Chegou ao futebol português no início do ano, proveninente do Cruzeiro. Se é verdade que o início foi algo turbulento, com alguns problemas internos do clube, acredita que neste momento assentou definitivamente em Matosinhos no plano emocional e exibicional?

Sim, o começo foi muito turbulento e meio assustador, acredito que agora deu uma estabilizada e acho que tudo pode ainda melhorar, eu me adaptei muito bem e estou bem agora na parte emocional e exibicional.

2. Em 2013, antes de assinar pelo Cruzeiro, a comunicação social portuguesa dava como certa a sua transferência para o Sporting de Braga. Olhando para trás, acha que tomou a decisão correta?

Sim , tive contato com o Sporting de Braga, porém nunca houve uma proposta em concreto e o Cruzeiro me mostrou uma proposta e achei melhor naquele momento ficar um pouco mais no Brasil e acho que a decisão foi correta, sim.

3. Com 20 anos estava contratualmente ligado ao campeão brasileiro, o Cruzeiro. Porquê a mudança para o futebol português? Quais foram as principais razões para vestir a camisola leixonense?

Eu tinha mais 1 ano de contrato, porém com o elenco que estava o Cruzeiro seria difícil eu, por ter 20 anos, ter minha chance, sendo que tinham nomes como Ricardo Goulart, Júlio Baptista lá, então ouvi o projeto do Leixões e já estava querendo mudar para o futebol europeu, eles mostraram um projeto que achei bom e decidi vir. Está sendo muito bom para me adaptar com o futebol europeu e graças a Deus estou me sentindo muito bem.

4. Joga com o número 9, mas em campo pode executar na perfeição as tarefas de 10. Tendo em conta as suas características acha que se consegue diferenciar da grande maioria dos 'números 10' (em termos posicionais) da Segunda Liga?

Sim, jogo com o número 9 pois passei uma época muito boa no Santos Futebol Clube onde joguei com a 9, mas as minhas características foram sempre as de um camisa 10, de assistências, batidas de falta, chutes de fora da área e gosto muito de fazer golos também.

5. Durante os seus anos no Santos, uma figura do futebol mundial começou a destacar-se: Neymar. Acompanhou de perto a sua evolução? Como pode descrever o craque do Barcelona, quer como pessoa e jogador?

Sim, acompanhei. Era uma pessoa muito humilde que dava atenção a todos e que sempre dava o seu melhor a cada treino. Dava para ver que ele queria melhorar a cada dia e que ia ser um dos melhores do mundo como é hoje.

6. Anteriormente falei de números 10 que frequentemente se diz ser uma posição quase extinta no futebol. Dentro dessa posição há algum jogador em particular que o inspire? E porquê?

Sim. Totti, Zidane e Ronaldinho Gaúcho são 3 jogadores que fico sempre observando as coisas que fazem e faziam pelo jeito de jogar a classe, os dribles e batidas na bola.

7. Em 10 jogos, 2 golos e 2 assistências pelo Leixões. Com esta época quase a terminar, já pensou nas metas para a próxima temporada em termos de golos e assistências? Ou prefere pensar jogo-a-jogo?

Estou muito contente pelo que venho apresentando, mas prefiro pensar a cada jogo, focar no próximo jogo e fazer o meu melhor e la na frente a gente vê o que acontece.

8. Tinha 8 anos quando o Brasil venceu o Mundial na Coreia/Japão. Quais são as suas melhores memórias deste torneio e desta geração do escrete?

Uma falta que Ronaldinho bate da lateral e faz um golaço, jogadas e golos de Rivaldo e Ronaldo, para mim os melhores do Mundial.

9. Para estar bem dentro do campo é preciso estar bem fora dele. Nestes primeiros 3 meses qual é a sua impressão geral sobre Portugal?

É um país muito tranquilo comparado com o Brasil, não tem tantos assaltos, as pessoas saem mais tranquilas nas ruas, bons lugares para se conhecer e passear e bons restaurantes!

10. Aos poucos o Leixões vai apresentando maior consistência e melhores resultados. Acredita que a equipa poderá ambicionar com a subida na época 2015/2016?

Sim, acho que esse final da época foi melhorando os resultados, entrosando melhor o grupo e acredito que se tudo estiver certinho no clube temos grandes chances de brigar pela subida.

11. Fora do campo, como é o Bruno Lamas? Fale um pouco do que gosta de fazer e o relaxa fora do futebol.

Sou muito tranquilo, procuro conversar bastante com amigos, gosto de sair para comer com minha noiva, ir ao cinema, mas sou de ficar bastante em casa assistindo jogos e novelas também.

12. Deixe uma mensagem aos leitores da Crónica Futebolística que leram esta entrevista.

Quero agradecer a todos que leram esta minha entrevista foi um prazer falar com a Crónica Futebolística, e agradecer a todos que me apoiam e vamos para cima jogo a jogo procurar melhorar, um abraço a todos.

PERGUNTAS RÁPIDAS

Jogador favorito: Ronaldinho Gaúcho
Treinador favorito: Pep Guardiola
Golo favorito: Ronaldinho Gauçho contra o Real Madrid
Melhor que golo que marcou: No santos em 2010
Melhor exibição da carreira: Atualmente contra o Porto B
Jogo mais importante da carreira: Contra o Porto B
Colega de equipa mais influente: Roberto Souza
Melhor qualidade como futebolista: Pé esquerdo, chute de fora da área, assistências e batidas de falta e escanteio.

| 0 comentários ]

Como homenagem à grande campanha de Leonardo Jardim na sua época de estreia pelos franceses do Mónaco, a Crónica Futebolística elaborou um wallpaper - com representação portuguesa, como pode ver - que tem como protagonistas João Moutinho, Bernardo Silva, Aymen Abdennour e Anthony Martial. Pode dar a sua opinião sobre a peça nos comentários abaixo ou no facebook da Crónica Futebolística.

| 0 comentários ]


  Issey Nakajima-Farran is a 30 year old soccer player, artist and citizen of the world. He has played in 4 continents in his 12 professional years, After he parted ways with Impact Montreal, he's focusing in his art and shared with Crónica Futebolística his amazing life story. I would like to personally thank Issey for his sympathy and avaliability.
  
  Before reading this interview, you can follow Issey in his social media:
  1. Instagram
  2. Twitter
  3. http://isseyart.com/ - He's avaliable to sign a message for who's interested in his prints.

  Issey Nakajima-Farran é um futebolista, artista e cidadão do mundo de 30 anos. Já jogou em 4 continentes durante os seus 12 anos como profissional. Após rescindir com o Impact Monteal, foca-se agora na sua arte e partilhou com a Crónica Futebolística a sua magnífica história de vida. Gostaria de agradecer ao Issey pela simpatia e disponibilidade.

  Antes de ler a entrevista, pode seguir Issey nas redes sociais:

  1. Instagram
  2. Twitter
  3. www.isseyart.com/ - Está disponível para assinar uma mensagem a quem estiver interessado nas suas pinturas.



1. In 2014 the newspaper Nikkei Voice wrote an article about your career, describing it as a wild ride. You're 30 and you've played in 10 different teams so far in 4 different continents. If you were asked to describe and soccer career in two words, what would those be? The same two that Nikkei Voice used or you have a different vision of your career? Tell us a little about the ride.

1. Em 2014 o jornal Nikkei Voice escreveu um artigo sobre a tua carreira, descrevendo-a como uma viagem espetacular. Tens 30 anos e durante a tua carreira jogaste em 10 clubes direrentes, em 4 continentes. Se te pedissem para descrever a tua carreira em duas palavras, quais seriam? As mesmas que o Nikkei Voice usou ou tens uma visão diferente da tua carreira? Fala-nos um pouco sobre esta viagem.

EN: Exciting adventure.  It's been a great ride so far in my 12 years of professional football. 

PT: Aventura excitante. Tem sido uma grande viagem até agora nos meus 12 anos como futebolista profissional.

2. Your mom is japanese and your dad is british-canadian, that's a mix we don't see often in football. You were born in Calgary and moved to Japan with 3 years old. Then at 16, six years after going to England, you returned to Asia and to Tokyo Verdy. You previously said that your coaches in Japan didn't quite welcome you well to the team (and I'm stating this according to what I read on NV). Like Mike Havenaar, who has dutch parentage, do you believe you suffered some kind of xenophobia or some kind of hatred due to the fact that you have different origins or were born in a different country?


2. A tua mãe é japonesa e o teu pai é inglês-canadiano, é uma combinação que não se vê frequentemente no futebol. Nasceste em Calgary e mudaste-te para o Japão com 3 anos de idade. Aos 16, passados 6 anos da tua ida para a Inglaterra, regressaste à Ásia para jogar no Tokyo Verdy. Disseste anteriormente, citando o Nikkei Voice, que os teus treinadores no Japão não te faziam sentir bem-vindo. Tal como Mike Havenaar, japonês que tem ascendência holandesa, acreditas que sofreste algum tipo de xenofobia ou algum tipo de ódio devido ao facto de teres diferentes origens ou teres nascido num país diferente?

EN: Well there are old fashioned minded people everywhere and that have a little racism. Every country has its views of the forigners and with me being a foreigner at every country I have been in where I am basically a well adaptable outsider. There were still comments thrown at me when Iwas 16, yelling "go back to your home country gaijin (foreigner)” by the coach after I miss controlled the ball. This is also the japanese harsh coaching environment I was in with its old fashioned coach we had at the time. Who would only beat down on the player and never praise. Was definitely something Ihad to adapt to coming from England. But how I was treated back in my youth days did make me stronger and motivated me to reach heights the coaches didn’t see etc. Something that kept me going through the hard times.

PT: Bem, há pessoas com o pensamento antiquado em todo o lado que têm um pouco de racismo em si. Cada país tem as suas visões de estrangeiros, comigo a ser um estrangeiro em qualquer país em que estive, em qual sou basicamente um estrangeiro que se integra bem. Quando tinha 16 anos ainda havia comentadores dirigidos a mim, com o meu treinador a gritar "volta ao teu país, gaijin (estrangeiro)" após eu ter falhado um controlo de bola. Isto também era o ambiente duro e antiquado que envolvia os treinadores japoneses na altura. Que só criticavam e nunca elogiavam. Foi certamente algo a que tive de me adaptar vindo da Inglaterra. Mas a forma como era tratado nos meus dias de formação fez-me mais forte e motivado para chegar a patamares onde os meus treinadores não me viam. Foi algo que me continuar nos tempos difíceis.

3. Including your Crystal Palace years in the youth teams,  you've played in 7 different countries in 4 different continents. That's something just a few group of players can say and be proud of. Looking back at those experiences, what countries can you say - not only soccer wise - you really loved and want to go back one day? And why?

3. Incluindo os teus anos no Crystal Palace, nas equipas jovens, jogaste em 7 países diferentes em 4 continentes. Isso é algo que um pequeno grupo de jogadores pode estar orgulho de dizer. Olhando para trás, para essas experiências, quais os países que podes realmente dizer - não só em termos de futebol - que realmente adoraste e um dia queiras voltar? E porquê?

EN: Yeah it's been quite a journey. I loved every moment of it. From the urban city jungle of Singapore and Tokyo to the nature of Australia and Cyprus. I can’t say where's my favourite as I will visit when I’m done playing. Even Copenhagen is one of my favourite cities. For me it's just the perfect size and during the summer its one of the greatest places to be. Toronto and Montreal are fantastic cities where I can say I lived a short time there and enjoyed its vibe. 

PT: Sim, tem sido uma grande aventura. Adorei todos os momentos da mesma. Desde a selva urbana na Singapura e em Tokyo à natureza da Austrália e do Chipre. Não consigo dizer qual é a minha favorita que irei visitar quando acabar a carreira. Até Copenhaga é uma das minhas cidades favoritas. Para mim tem o tamannho perfeito e durante o verão é um dos melhores sítios para ir. Toronto e Montreal são cidades fantásticas onde posso dizer que vivi durante um curto espaço de tempo e gostei da sua vibração.

4. Denmark is known as one of the most culturally advanced countries in the world. On your 6 year spell with the nordic nation, you represented 3 different clubes. Before that, you were playing in Singapure. If considering Asia your home, that was your first professional experience outside of the continent. How were things in Europe? What were the main differences you felt, in general?

4. A Dinamarca é conhecida como um dos países mais culturalmente desenvolvidos do mundo. Na tua jornada de 6 anos no país nórdico, representaste 3 clubes diferentes. Antes disso, jogavas na Singapura. Considerando o continente asiático como a tua casa, foi a tua 1ª experiência fora de casa. Como foram as coisas na Europa? No geral, quais foram as principais diferenças que sentiste?

EN: It was a transition for me after my first 3 years playing pro in Japan and then 2 years in Singapore, and then to move to a european cultured football. I think a lot of japanese youngsters, or youngsters in general going through the early stages of pro football struggle due to language barrier and generally "athlete healthy smart”. So many players don’t treat their bodies correctly and their time in the top flight becomes narrowed due to injuries etc. Seen so many come and go as its always a challenge to leave your home country to play abroad. And also find that place mentally where you are comfortable and settled as a player to perform to your full potential. But europe is the home of football. Its a religion and you feel it from the fans and players. What they go through to be where they are. Which was different to the MLS players i met who used soccer as a method to achieve education through scholarship. Europe, for me, with the guys I met and played with had no plan Bs. It was do or die approach. It was evident in the way they train. 

PT: Foi uma transição para mim após os meus primeiros 3 anos de futebol profissional no Japão e depois 2 anos na Singapura, mudando-me depois para um país com cultura futebolística europeia. Acho que muitos jovens japoneses, ou jovens no geral que tentam ultrapassar as primeiras etapas do futebol profissional, têm dificuldades devido à barreira linguísticas e geralmente "athlete healthy smart" (termo utilizado para relacionar a inteligência do atleta na gestão da sua saúde e aspeto físico). Portanto muitos jogadores não tratam os seus corpos da forma correta e o seu tempo no topo torna-se mais curto devido a lesões e outras razões. Vendo tantos jogadores a irem e a voltarem, é sempre desafiante abandonar o teu país e ir jogar no estrangeiro. Assim como encontrar aquele estado mental onde te sintas confortável e bem ambientado como jogador para atuares com todo o teu potencial. Mas a Europa é a casa do futebol. É uma religião e sentes isso com os fãs e jogadores. O que eles ultrapassaram para chegar onde estão. O que é diferente dos jogadores da MLS que conheci porque usam o futebol como forma de conseguir bolsas num plano educativo. Os jogadores que conheci na Europa não tinham planos B. Era fazer ou morrer. E isso era evidente pela forma como treinavam.

5. After the cold Denmark came the land of the kangoroos. Although in a smaller rate than MLS, australian soccer is growing. If my information is right, you played 23 A-League games and scored 4 goals, helping Brisbane Roar win their second championship title. Putting the title aside for a moment, how did you adapt do the country itself? How was it different than Japan, Singapure or Denmark?

5. Depois da fria Dinamarca chegou a terra dos cangurus. Ainda que num ritmo mais reduzido que a MLS, o futebol australiano está a crescer. Se os meus registos coincidem com a verdade, fizeste 23 partidas na A-League e marcaste 4 golos, ajudando o Brisbane Roar a vencer o seu 2º título de campeão. Colocando o título de lado durante um momento, como te adaptaste ao país em si? Em que sentidos se diferenciava do Japão, Singapura ou Dinamarca?

EN: I think Austrlian football is similar to MLS but the contracts are more european football orientated. But similar level and the fans are big sports fans who support their city's games. Whether its rugby union or Auzzie rules or cricket. A full house every game with its great atmosphere. It was great playing in the A-league and winning the title. 

A lot of players ask how was australia as they would loved to play in a country like that. And for me it's an amazing country with great people and incredible wild life. The cities pigeons look like small cross between an pelican and a flamingo who have no fear in eating crums off the floor, by peoples feet. The parrots around the stadium sound like wild monkeys. You thought it was rats scrimmaging through the garbage and its really a tarantula. You think it's a person standing in the middle of the road on the outskirts closer to the beach high ways until they start hoping away. The cat sized fruit bats that fly across the brisbane city at 5 pm every day is unreal. You can also spot dolphins, whales and sharks… but all these things are normal to australians, and for me it was a totally different world aside from the game.

PT: Acho que o futebol australiano é semelhante à MLS, mas os contratos são mais orientados pelo estilo europeu. Mas têm um nível similiar e os adeptos são grandes fãs de desporto que apoiam os jogos nas suas cidades. Independentemente de ser rugby union ou Aussie Rules, ou até cricket. Uma casa cheia em todos os jogos é sempre uma grande atmosfera. Foi fantástico ter jogador na A-League e ter vencido o título.

Muitos jogadores perguntam-me como é a Austrália porque eles adoravam ter jogado num país como esse. E para mim é um país fantástico com grandes pessoas e uma vida selvagem incrível. Os pombos das cidades parecem um pequeno cruzamento entre pelicanos e flamengos que não têm medo de comer miolos do chão, mesmo perto dos pés das pessoas. Os papagaios perto do estádio soam como macacos selvagens. Pensas que são ratos nos caixotes de lixo, mas na realidade são tarantulas. Pensas que são pessoas no meio da estrada na periferia das cidades, perto da praia, até começaram a fugir. Os morcegos da fruta do tamanho de gatos que voam por Brisbane às 5 da tarde todos os dias são surreais. Também consegues avistar golfinhos, baleias e tubarões... mas isso tudo é normal para os australianos, e para mim foi um mundo completamente diferente fora do futebol.

6. No doubt that 2014 was a huge year for your career. For the first time you were playing in your home in a match that was not for the national team. How did you feel playing in Toronto, knowing that you had a huge support system behind you, like your family and MNT players?

6. Sem dúvida que 2014 foi um grande ano na tua carreira. Pela primeira vez, excluindo os jogos de seleção, jogaste em casa. Como te sentiste a jogar em Toronto, sabendo que tinhas um grande sistema de apoio atrás de ti, como a tua família e os jogadores da seleção nacional?

EN: Playing in Canada was great,  but learned more about my own nation and its football. As I didn’t grow up playing the game in Canada so I had no idea how it lacked so many aspects to the game. Playing abroad seeing how national team players are treated and how clubs treat their national team players. For the clubs abroad they had pride in their players actually representing the country. In Denmark, Japan, Cyprus, Australia the announcements of the players selected were handled differently. Clubs home page to the meeting before training by the coach to congratulate the internationals. With this sort of mentality its only natural to have pride and honour to be built representing your country. And what I thought was normal was very different in Canada. I made a point in other interviews that MLS is only exploiting the canadian cities as canadian international players are not supported at all by the 3 canadian clubs. So with what I've seen in a year says a lot about canadian football. And there's more respect being a player for Canada outside Canada than in Canada. Argument goes both ways but with so many players with big CV and experience playing for canada but not good enough for MLS clubs. At the end of the day, its a business. And canadian clubs prefer the marketing over foreign imports rather than home grown canadians. Again arguments can go both ways, but in my time I've only seen it one way. 

For my short time though, I loved playing in Canada. And have always loved and honored playing and representing the country. Especially with the guys we have involved at the moment with the staff there's a sense of excitement and a great family feel to the national team. You can always change clubs and where you live but you can't change the national team once you commit. And for me, we have a great bunch of guys and talent. And I have great faith in the future talent also.

PT: Jogar no Canadá foi excelente, mas aprendi mais sobre o meu próprio país e o seu futebol. Não cresci a jogar futebol no Canadá portanto não tinha ideia de como tinha carência de tantos aspetos no que toca ao jogo. Jogar no estrangeiro e perceber como os internacionais pelas seleções eram tratados e como os clubes tratavam os seus internacionais. Os clubes internacionais têm orgulho nos seus internacionais. Na Dinamarca, Japão, Chipre e Austrália os anúncios das convocatórias eram tratados de forma diferente. A página do clube e os treinadores congratulavam os internacionais na palestra antes do treino. Com esta mentalidade é normal ter orgulho e um sentido de honra em representar o teu país. E o que eu pensava que era normal era muito diferente no Canadá. Estabeleci um ponto numa outra entrevista que a MLS só está a explorar as cidades canadianos, sendo que os internacionais pelo Canadá não são em nada apoiados pelos 3 clubes canadianos. Portanto o que eu vi num ano diz muito sobre o  futebol canadiano. E há mais respeito por um jogador que jogue pelo Canadá no estrangeiro do que há por um jogador que jogue pelo Canadá... no próprio Canadá. Os argumentos vão para os 2 lados, mas há tantos jogadores com grandes currículos e experiência pelo Canadá, mas que não são bons o suficiente para a MLS. No fim do dia, é um negócio. E os clubes canadianos preferem o marketing proveniente de jogadores estrangeiros ao invés de apostar em jogadores da casa. Novamente, o argumento pode dar para os 2 lados. Mas no meu tempo, só vi 1.

Apesar disso, adorei jogar no Canadá no meu curto período de tempo. E sempre adorei e fiquei honrado por jogar ou representar o meu país. Especialmente com o grupo envolvido e com a staff há um grande sentido de entusiasmo e um grande sentimento de família na seleção nacional. Podes sempre mudar de clube e residência, mas não podes mudar de seleção nacional assim que fazes um compromisso. E para mim, temos um grande grupo de homens e taento. E tenho grande fé no futuro da seleção, também.

7. After parting ways with Impact Montreal, do you feel confident in finding a club or new country that can make you comfortable not only playing soccer but also doing the others things you love?

7. Depois de rescindires com o Impact Montreal, sentes-te confiante em encontrar um novo clube ou país que te faça confortável, não só a jogar futebol mas também como a fazer outras coisas que gostes?

EN: Confidence has never beenn an issue, but as I get older it's definitely getting harder to have the interest from clubs etc. It's just how the market is for players. Even though I feel great and feel in great shape at the age of 30, and feel I have a good 4-6 years left in me. You never know.

Art is always been my remedy or a stress relief in playing the game. A way to take my mind off the game and refresh my creativity. Then I can come back to training with fresh mind and body. 

PT: A confiança nunca foi um problema para mim, mas à medida que vou envelhecendo fica definitivamente mais difícil ter o interesse de clubes. É como o mercado funciona. Isto apesar de ainda me sentir muito bem e em muito boa aos 30 anos. Sinto-me que ainda tenho uns bons 4 a 6 anos em mim. Nunca se sabe.

A arte sempre foi um remédio ou um alívio de stress a jogar futebol. É uma forma de tirar a minha cabeça do jogo e refrescar a minha criatividade. Depois volto aos treinos com a cabeça e mente frescas.

8. Talking about things you love, you're a man of 2 passions. Let's talk about your art for a bit. How and when did it start? When did you stop for a second and said to yourself "I'm actually very good at this"? Tell us a little bit about your methods and inspirations while doing your art.

8. Por falar em coisas que adores, és um homem de duas paixões. Falemos sobre a tua arte durante um pouco. Como e quando começou? Quando é que paraste durante um segundo e pensaste "sou realmente bom nisto"? Fala-nos um pouco sobre os teus métodos e inspirações quando fazes a tua arte.

EN: I started painting around 13, when I broke my ankle before the summer holidays where I had lots of footballing camps and tournaments to go to but that was taken away from me. I sat at home with my cast and that's when my dad pulled out a paint brush and a green pepper or something. And I was like... "Really...? Come on dad... This is lame." But somehow that progressed to using spatulas and doing pieces for my Danish team mates. Doing requests. As it brought out motivation in football with some of the pieces I had in my living space. The first one was Mick Jagger for my captains wife who's father passed away and it was his favourite picture of his favourite rock star. When I finished the piece I was nervous to how they would react. But when they broke down crying in memory of her father with sadness but also joy of how her father reacted to this very picture. They loved it and I stood there amazed of how I could move people in a positive way with a canvas with my crap. That's when it all started with request. I sold over 30 pieces with mainly portraying custom pieces for my team mates and fans.

My inspirations is really the cultures that I experienced but I've been wanting to do more football orientated paintings. Or players that I look up to. Like the painting that I did of Messi.

Please check out my stuff at www.isseyart.com.

PT: Comecei a pintar por volta dos meus 13 anos, quando parti o tornozelo antes das férias de verão, onde tinha imensos campos [de verão] de futebol e torneios para ir. Mas isso foi-me retirado. Sentei-me em casa com o gesso e isso foi quando o meu pai sacou um pincel e um pimentão ou algo assim. E a minha reação foi algo como "A sério? Anda lá pai... isto é piroso." Mas de alguma forma isto progrediu a usar espátulas (tipo de pincel) e fazer quadros para os colegas dinamarqueses que faziam pedidos. Isso trouxe motivação no futebol, com algumas obras que tinha na sala de estar. O primeiro foi do Mick Jagger, para a esposa do meu capitão cujo pai tinha morrido e era a sua estrela de rock favorita. Quando terminei fiquei nervoso para com a sua reação. Mas quando começaram a chorar em hora do seu pai com tristeza, mas também com alegria de como o seu pai reagiria a esta pintura. Eles adoraram e fiquei ali fascinado de como podia mover as pessoas de forma positiva com uma tela em branco e as minhas porcarias. Foi quando comecei a aceitar pedidos. Já vendi mais de 30 peças, maioritariamente pedidos para os meus colegas de equipa e fãs.

As minhas inspirações são realmente as culturas que experienciei, mas ando a querer fazer mais pinturas sobre futebol. Ou de jogadores que admiro como a que fiz do Messi. 

Por favor visitem o meu trabalho em www.isseyart.com.

9. Another thing I would like to ask you. Worldwide, excluding few countries, the common soccer player doesn't graduate and only does one thing for a living: play soccer, of course. But that's not the case with you, Issey. Education obviously means a lot to you, proof is that you graduated in Yokohama International School. You did not only graduate, as you have your own art business selling your pieces in your website. In any way, do you think of yourself as someone revolutionary in someway? 

9. Outra coisa que gostaria de te perguntar. Mundialmente, excluindo alguns países, o futebolista comum não tira um curso superior e apenas faz uma coisa: joga futebol, claro. Mas com o Issey é diferente. A educação obviamente significa muito para ti e a prova disso é que te formaste na Yokohama International School. Além disso, também tens o teu próprio negócio artístico onde vendes quadros no teu website. De alguma forma, pensas em ti como alguém revolucionário?

EN: Not at all. Without my parents advice and support I would of never had the opportunity to leave home at the age of 16 to pursue full time youth pro level and full high school education. That was the Japanese system back then compared to the schools of excellence programme in England where couple subjects were studied at the club. Training every day and getting paid around 200 pounds a week which for a 16 year old was fantastic. I had few older friends that went through that system and ended up being builders as they didn't make the cut at 18. With no education and football not turning out as dreamed there's not a lot of options for youngsters with the programme that was laid out infront of me. My parents sold their house to put me through international school in Tokyo and covered my education. My parents are both entrepreneurs which have some influence in my interests outside football. 

PT: Não, de todo. Sem os conselhos e apoio dos meus pais nunca teria a oportunidade de sair de casa aos 16 anos para perseguir jogar a tempo inteiro nos escalões jovens e formar-me no secundário. Isso era o sistema japonês comparado com as escolas de excelência na Inglaterra onde poucas matérias eram estudadas no clube. Treinar todos os dias e receber 200 libras por semanas (à volta de 270 euros) era excelente para alguém de 16 anos. Tinha alguns amigos mais velhos que seguiram esse sistema e acabaram por trabalhar nas construções quando não entraram nas equipas principais aos 18 anos. Sem educação e com o futebol a não se tornar no sonho esperado, não havia grandes opções com o programa que me foi colocado. Os meus pais venderam a nossa casa para me colocarem na Internacional School em Tokyo e pagar a minha educação. Os meus pais são ambos empreendedores, tendo alguma influência nos meus interesses fora do futebol.

10. Continuing on the art, what you do is impressive. Even more while playing soccer at the same time. Do you believe you are an example on how to share the message that "there's time for everything" and that "it's possible to conciliate everything?

10. Continuando na tua arte, o que fazes é impressionante. Ainda para mais jogando futebol ao mesmo tempo. Acreditas que és um exemplo no que toca a partilhar de que "há tempo para tudo" e que "é possível conciliar tudo"?

EN: Well it's all thanks to my parents really. Who guided me that education was just as important as pursuing your dream like I mentioned before. There's a lot of guys I played with who train in the mornings with our clubs and then head home around lunch time and play call of duty for the rest of the day. I was never brought up with the game consoles even though every guy on the team wants to challenge me in Fifa as being Japanese they think I have 7 fingers per hand... Well at least that's the banter that goes on until they see that I totally suck and play Fifa like the mortal combat arcade games where you basically just push every button quickly as possible. I guess that tactic doesn't work so well for Fifa and my banter that I would rinse these guys ends before 2nd half. My point is, I was never brought up playing on the play station. Do something that would better you as a human being and do something that you love. I've based my life on that, and I'm lucky to have my health and still have much more to give in the game and on canvas.

PT: Bem, isso é tudo graças aos meus pais que me orientaram que a educação é tão importante como perseguir o sonho que mencionei antes. Há muita gente com quem joguei que treina de manhã no clube e que vão para casa por volta do almoço e jogam Call of Duty durante o resto do dia. Nunca fui muito dado a consolas, se bem que qualquer colegas na minha equipa me desafia para a jogar FIFA, sendo que pensam que tenho 7 dedos por mão por ser japonês... Pelo menos é essa a brincadeira que existirá até descobrirem que sou muito mau a jogar FIFA, como os jogos de arcade de Mortal Kombat em que basicamente apertas todos os botões o mais rápido possível. Desconfio que essa tática não me favoreça na FIFA e à brincadeira que ia acabar com eles antes da 2ª parte. O meu ponto é que nunca fui dado a jogar na PlayStation. Faz algo que te faça um melhor ser humano e algo que adores. Baseei a minha vida nisso, e tenho a sorte de ser saudável e ainda ter muito mais para dar no futebol e na tela.


11. Last but not least, what does the future hold for Issey Nakajima-Farran after you hang up the boots? Will you dedicate 100% to your art, estabilishing yourself as a full-time artist?

11. Por último, mas não menos importante, o que reserva o futuro para Issey Nakajima-Farran após pendurar as botas? Irás dedicar-te a 100% na tua arte, estabelecendo-te a ti próprio como artista a tempo inteiro?

EN: Not sure at all. But I will probably still do both. Stay in the game one way or another as an assistant coach or something. While having a lounge bar full of art and helping some young aspiring artists while splattering my crap on the walls too.

PT: Não tenho a certeza. Mas provavelmente farei ambos. Continuarei no futebol de uma forma ou de outra, como adjunto ou algo assim. Assim como ter um bar cheio de pinturas e ajudar alguns jovens artistas aspirantes, ao mesmo tempo que continuarei a espalhar as tintas pelas paredes.

Entrevista de Luís Barreira a Issey-Nakajima Farran em exclusivo para a Crónica Futebolística.