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  Arrancou hoje a época oficial no futebol belga com o Anderlecht a conquistar a Supertaça¹ face ao Lokeren (2-1), escalão que chegou com distinção à final da Cofidis Cup 2013/2014, vencendo de forma relativamente surpreendente o Zulte Waregem, formação que prima pela organização defensiva e por um elevado rigor tático. Com essa vitória na taça a equipa fundada em 1970 teve a possibilidade de disputar o 1º troféu da temporada frente ao mais bem sucedido clube belga nos últimos anos. Esperaria-se que não fosse bem sucedido e as expectativas confirmaram-no com um auto-golo que dará que falar nos próximos dias por toda a Bélgica.

  O favoritismo teórico e estatístico pendia para o lado do Anderlecht, importante referir que o Lokeren apenas bateu a formação de Bruxelas por 2 vezes nos últimos 34 encontros disputados entre ambos. Um presságio logo à partida pouco positivo para o Lokeren, equipa comandada por Peter Maes, antigo guarda-redes que por ironia do destino jogou no Anderlecht durante 5 temporadas. Seria outro jogador que já atuou no Anderlecht a decidir a partida, mas para o lado errado. Denis Odoi foi o protagonista mais infeliz da tarde no Constant Vanden-Stock.

  Mais uma vez o Anderlecht admite preterir da posse de bola e da constante iniciativa de jogo, privilegiando então um jogo mais vertical e a chegada à área oposta com poucos toques. É exatamente numa jogada rápida que a equipa de Bruxelas chega ao primeiro tento, obra do sérvio Mitrovic que teve nos pés uma das finalizações mais acessíveis de toda a sua carreira. Na segunda parte surgiu um Lokeren mais esforçado com as alas a ter plano de destaque. Kaminski esteve seguro entre os postes, evitando o empate do Lokeren até aos 73 minutos. Foi exatamente num cruzamento que a formação de Maes chegou ao empate na etapa complementar com sensivelmente um quarto de hora para jogar. No lance mais trágico da sua carreira o defesa do Lokeren e ex-Anderlecht, Denis Odoi, fez um auto-golo que deu a vitória à sua antiga equipa. Uma enorme ironia que marcou o desfecho do 1º troféu da época na Bélgica favorável ao Anderlecht. É a 3ª Supertaça consecutiva para os homens de Besnik Hasi, treinador albanês.

  Referir que na próxima semana arranca o campeonato belga. Ontem o Genk defrontou o FC Porto e o clube belga mostrou claras fragilidades defensivas e mesmo físicas comparando com o Anderlecht, grande vencedor de hoje mesmo sem os habituais titulares Sacha Kljestan e Matias Suárez no banco. Besnik Hasi não muda a filosofia: solidez defensiva, meio-campo rápido e um ataque forte e móvel. Um campeonato a acompanhar na Crónica Futebolística.

  ¹ Anderlecht: Kaminski, Nsakala, Deschacht, Milivojevic, Praet, Nutinck, Cyriac, Acheampong, Mbemba, Tielemans e Mitrovic. Lokeren: Verhulst, Odoi, Mertens, Maric, Oyama, Overmeire, Persoons, Harbaoui, Remacle, Dutra, Vanaken.

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  Aproxima-se o jogo do tudo ou nada para as cores portuguesas no Mundial, uma competição que foi marcada pelos problemas anteriores ao seu pontapé de saída, mas que posteriormente está a ser uma prova absolutamente fantástica. Repleta de golos, surpresas e cenas improvisadas dignas de filmes com imensas reviravoltas. É nestas marés de incerteza que Portugal, equipa teoricamente destroçada após o infeliz embate com os germânicos, defronta os Estados Unidos. 

  Dado por muitos como cavalo negro para aspirar os oitavos de final, os americanos comandados por Jürgen Klinsmann apresentam uma formação coesa que prima pela organização e rigor, mas com uma força de ataque ainda desconhecida para quem não seguiu ativamente a CONCACAF, zona de apuramento dos americanos. A verdade é que um golo aos 30 segundos contra o Gana, carrasco alemão, fez Klinsmann automatizar a sua formação para baixar os blocos e precaver melhor a avalanche ofensiva africana. Portanto o seu verdadeiro poderio ofensivo continua uma incógnita, uma obra a explorar pelo técnico alemão e por jogadores como Michael Bradley, Clint Dempsey ou Fabian Johnson, lateral direito uma enorme intensidade que teve de se focar, na grande maioria de momentos, em tarefas defensivas.

  Será um embate difícil para ambas as equipas e com os dados devidamente lançados em breves notas, a Crónica Futebolística lança igualmente 5 pontos fundamentais à partida para o embate do tudo ou nada para Portugal, onde a vitória americana apura automaticamente a formação capitaneada pelo "Deuce", rapper em tempos livres, Clint Dempsey.

  1. A CONDIÇÃO FÍSICA DE CRISTIANO RONALDO. Claro, este é um ponto absolutamente fundamental. Uma verdade adquirida. Se é inegável que Ronaldo não joga sozinho na seleção e que sozinho não pode decidir jogos, é inegável também que o melhor futebolista do mundo é uma peça chave na formação de Paulo Bento. O melhor marcador da história da seleção portuguesa tem sido - para não variar - capa de jornais em todo o mundo e a sua condição física preocupa os seus milhões de fãs. O tópico CR7 tem sido recorrente nas conferências de imprensa protagonizadas pelos seus colegas e a resposta tem sido apenas uma: de acordo com jogadores como Postiga, Beto, Meireles ou Veloso o craque português está a 100%. Há situações que dizem o contrário tal como é o exemplo do gelo à volta do joelho do extremo. O tira teimas será em campo e 10 milhões de portugueses esperam-no em condições favoráveis depois desta situação que faz lembrar, por exemplo, o cenário de Diego Costa.

  2. O PODERIO OFENSIVO DOS ESTADOS UNIDOS. Orientada por Jürgen Klinsmann, a seleção dos Estados Unidos está ainda por revelar o seu poderio ofensivo neste Mundial. Marcou aos 30 segundos contra o Gana, resguardando imediatamente depois a sua baliza, baixando as linhas e dando o corpo ao manifesto, dando a iniciativa de jogo ao Gana e investindo (mal) em contra-ataques esporádicos e sem grande eficácia muito devido à má exibição de Michael Bradley, um jogador que se pode assemelhar a João Moutinho pelas funções que ambos têm nas suas seleções. A verdade é que a inclusão de Graham Zusi no 11 inicial dos americanos, jogador que a Crónica Futebolística já referenciou por múltiplas vezes, dá a entender um jogo de transições e velocidade por parte da formação de Jürgen Klinsmann. Joga no Sporting Kansas City, campeão da MLS em 2013, e é rápido com a bola, tecnicamente acima da média e imprime uma qualidade de posse que não existe com Altidore nem com Áron Johansson. Graham Zusi é, portanto, uma peça importantíssima.

  3. O PESO DAS AUSÊNCIAS PORTUGUESAS. É elementar que as ausências na seleção nacional deverão e vão mesmo pesar quer em termos qualitativos quer em termos motivacionais. Pepe, Coentrão, Patrício e Hugo Almeida são os ausentes e todos eles são importantes de diferentes formas. Destaco Pepe, uma parede defensiva, e Fábio Coentrão que garante uma profundidade que André Almeida não é capaz de atingir. Acontece que as mudanças também têm os seus aspetos positivos. A inclusão de André Almeida, continuando no mesmo tema, pode dar maiores garantias defensivas contra um flanco que terá Fabian Johnson, rodado na Bundesliga, Bedoya e Zusi (pelas variações de flanco) a criar problemas. A presença de Hélder Postiga no 11 inicial dá mais mobilidade, algo positivo contra centrais que não primam pela velocidade.

  4. BECKERMAN, O TRINCO QUE APARECEU TARDE NA RIBALTA. Outro jogador que já foi múltiplas vezes referenciado pela Crónica Futebolística foi Kyle Beckerman, trinco de 32 anos que apareceu tarde no panorama internacional do futebol. Joga no Real Salt Lake e já foi allstar na MLS por 7 vezes. Tornou-se internacional pela 1ª vez em 2007 e é, de acordo com Luís Freitas Lobo, um comilão de bolas. Um jogador exímio que deu muitas garantias no embate frente ao Gana e que empurrou Jermaine Jones para uma posição mais adiantada no terreno (apesar da possibilidade do duplo pivot ser forte). É um monstro tático ao nível de um grande campeonato europeu. É tão conhecido pelas suas rastas como pela sua qualidade futebolística, mas Kyle Beckerman é um jogador chave pela segurança defensiva e tática que demonstra, assim como pela sua expedita construção de jogo.

  5. A ESTRUTURA TÁTICA DE JÜRGEN KLINSMANN. O técnico alemão terá feito alterações táticas e deverá apresentar-se de forma diferente para o embate contra Portugal. O quarteto defensivo mantém-se igual, as alterações só surgem no meio-campo. Beckerman e Jermaine Jones, jogador também muito intenso, deverão formar o duplo pivot defensivo. Graham Zusi e Alejandro Bedoya serão os interiores esquerdo e direito, respetivamente - onde se pede atenção às variações de flanco de ambos. Michael Bradley, o pensador tático do miolo americano, jogará no apoio a Clint Dempsey que, não se rotulando diretamente como ponta-de-lança, tem uma grande capacidade de finalização e será a unidade mais adiantada nos Estados Unidos.

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  Jorge Rodrigues é o mais recente entrevistado da Crónica Futebolística. Com sete clubes no seu currículo profissional, passando por clubes como o Tondela ou o histórico Boavista, o central de 32 anos nascido em Vila Real foi contactado pelo blog para contar tudo acerca de aspetos relevantes da sua carreira e sobre a nova realidade futebolística que alinha pelo Nömme Kalju, clube estónio para o qual se transferiu em 2011. Mais do que um breve agradecimento a esta grande pessoa, quero desejar tudo de bom para um futebolista ambicioso, esforço e extremamente acarinhado pelos adeptos estónios como tive oportunidade de descobrir nas últimas semanas. Pode ler a entrevista em baixo na íntegra.

1. Fez formação no seu clube local, o Vila Real, e daí foi subindo patamares na sua carreira até à Estónia, onde venceu o seu primeiro título oficial. Apesar desse sucesso em 2012 consegue apontar algum arrependimento na sua carreira futebolística?

  Olá a todos vocês! Sou de Vila Real, Trás-os Montes, e por essa razão as nossas oportunidades são já menores em comparação a quem vive nas grandes metrópoles... mas consegui mesmo assim, com muito trabalho, sair da minha terra e talhar a minha carreira fora de portas. 

  Claro que podia talvez ter feito outra progressão em clubes com maior visibilidade, mas todos nós temos altos e baixos: faltas de oportunidades ou erros de juventude que me fizeram perder boas oportunidades. Mas no fundo não me arrependo de nada por uma simples razão... tive as experiências necessárias  para crescer como atleta e como homem. Poder ter sido campeão e saborear como saboreei em 2012... tudo o que sou hoje devo ao que tive no passado! Para responder à tua pergunta então... não me arrependo de nada e estou muito feliz por ter representado todos os clubes que representei e trago todos um pouco no meu coração pois dei e deram-me muito para ser o que sou hoje!

2. Depois do Vila Real e Pombal chegou aos Açores para vestir a camisola do Operário. Qual foi a sua impressão geral da ilha, tendo em conta o aspeto desportivo e social?

  Antes de chegar à ilha eu fiz um  apanhado sobre os Açores... desde falar com ex-atletas que já lá tinham estado e mesmo para saber o historial do clube. Tudo foi positivo: clube muito sério, pagador e com bons jogadores para a divisão, um treinador que tinha vindo do Santa Clara e que teve uma excelente carreira como jogador. Tudo isso me entusiasmou. E à minha chegada lembro-me de sentir a  humidade que fazia mal sai do avião e de me ter impressionado! Era um clima muito diferente do que já havia experienciado e a minha impressão da ilha foi mesmo muito boa... tudo verdinho, parecia que as estradas ficavam no meio de jardins! Paisagens maravilhosas retiradas de quadros, a comida tanto carne como peixe e mariscadas! Divinal, e o ananás... nunca comi ananás tão bom como nos Açores! Povo tão hospitaleiro e amigo pronto para ajudar e as pessoas conheciam-nos penso que mesmo antes de chegar à ilha. A imprensa muito activa sobre o desporto da região... entrevistas tanto para a rádio como para a televisão mal chegamos ao aeroporto. Profissionalismo do clube acima da média para a divisão que estávamos. A exigência, ambição e qualidade do treinador, a forma como o presidente e sua família nos acolhe como se fossemos da sua família... não nos faltava nada para sermos profissionais de futebol e realizar uma excelente época, o que se veio a confirmar! [em cima: fotografia do arquivo pessoal de Jorge Rodrigues aquando da sua chegada aos Açores, 2005]

3. Foi totalista na sua segunda época como jogador do Operário. Já entrosado na ilha, tal como referiu fora da entrevista, considerou estar a viver o melhor momento da sua carreira?

  O meu segundo ano até à altura foi sem dúvida o melhor momento da minha carreira pois já estava entrosado na ilha e no clube que me fez sentir parte da sua família e que sentia orgulho em mim como um dos seus guerreiros que estava a honrar e a defender o nome da Lagoa e claro dos Açores fora de portas, assim como fazer a melhor classificação do clube até aquela altura se não estou em erro! Isso fez-me crescer como jogador e fazer a melhor época a nível pessoal também, o que fez muitos clubes portugueses e estrangeiros colocar os olhos em mim.
                                                            
4. Mister Agatão, um homem sábio e carismático. Que palavras pode usar para caracterizar o seu treinador nos Açores?
                                                    
  O mister Agatão sem dúvidas foi um treinador que me marcou muito pela positiva. Fez-me evoluir muito como jogador e, claro, como homem. A sua forma exigente e profissional de trabalhar, a sua parte humana e sensível referente a nos próprios como homens e olhar para a equipa como um grupo e não para o individual fez com que cada um desse o seu melhor e acaba então o individual por se levantar fazendo de jogadores ate então na altura anónimos saltarem para ribalta do futebol e elevarem o nome do Operário, Lagoa e Açores. A minha admiração, respeito e amizade pelo mister Agatão que tanto deu a mim  e deu ao Operário! Um grande abraço para ele.
                                               
 5. Após essa excelente experiência, como teve oportunidade de referir, seguiu-se a Eslovénia. Curioso que no ND Gorica encontrou Hidetoshi Wakui, japonês que viria a ser seu colega 3 anos depois no Nomme Kalju. Pergunto-lhe primeiro se tinha conhecimento dessa pequena curiosidade e, segundo, como foi o entrosamento ao leste europeu.
                                                      
  Após esses 3 anos chegou o momento para abraçar novo projecto... ou então acho que nunca teria deixado os açores! Na Eslovénia conheci o Toshi, éramos ambos estrangeiros e assinamos na mesma altura e desde logo ficamos amigos, pois ele falava português com pronuncia brasileira já que ele esteve 3 anos no Brasil na sua formação. Passados 3 anos cheguei à Estónia, ao Nömme Kalju, pela sua mão... mas já lá vamos a esse tópico.
                                                           
  A minha adaptação foi um pouco difícil embora tenha tido muito sucesso a nível desportivo. Fui para o clube pela mão do treinador, mas [o clube] estava em mudança de direcção e as pessoas mais velhas do clube não olhavam com bons olhos para o treinador e claro para nós estrangeiros: por mais golos e vitórias que fizéssemos nunca era suficiente. Fiz 3 golos em 13 jogos, era um dos melhores da liga, eleito para a equipa da semana algumas vezes e ficamos em 2º lugar nesse ano. Porém, não era feliz no clube embora fizesse tantos amigos que duram até hoje. E como tinha outras propostas resolvi, como português que sou, procurar uma aventura.
                                                                                             
6. Regressado da Eslovénia rumou ao Boavista, histórico clube português. Uma época difícil ou um regresso positivo ao seu país de origem?

  O regresso ao Boavista foi um sonho que sempre tive. Sempre fui simpatizante do Boavista... desde pequenino! Primeiro pelas camisolas diferentes e depois da raça com que jogavam: jogadores que davam tudo e tinham grupos fantásticos! Claro que gostava de ter regressado ao Boavista quando estava na sua máxima força, no Boavistão que ganhou o campeonato 2000-2001, mas a proposta chegou naquele ano em 2009. Tinha outras propostas mas escolhi o Boavista com muito orgulho de vestir aquela camisola... aquele estádio... história... os fãs que vivem o clube de forma apaixonante... tudo falou mais alto!
  
  Mas sim uma época difícil pois no final tive uma lesão que me tirou 4 meses dos relvados devido às dificuldades financeiras que o clube atravessava, embora todos termos a esperança de algo pudesse mudar, a dita justiça para o Boavista! Mas só chegou agora, 4 anos depois de deixar o clube. Fizemos uma campanha sofrida mas conseguimos o objetivo que era a manutenção. No seu todo penso que nas dificuldades é de onde retiramos as melhores experiências e foi orgulho vestir a camisola desse histórico português, e fico feliz pela justiça ter sido feita para se erguerem com a dignidade merecida!
                                                                                              
 7. Depois de duas épocas em Portugal chegou aquele que considero ser uma das decisões mais marcantes da sua carreira. Rumou à Estónia para vestir a camisola do Nömme Kalju, um emblema desconhecido para os portugueses em geral. Que tal a adaptação a uma cultura que teoricamente seria desconhecida para si?
                                                                    
  Após o Boavista tive uma aliciante proposta do CD Tondela com objectivo de subida e como queria algo mais que só a 2ªB a ideia de jogar na 2ª Liga fez-me abraçar este projecto... excelente qualidade no grupo de trabalho, estrutura directiva ambiciosa e  equilibrada onde também nada me faltou, e claro as pessoas da cidade foram muito acolhedoras e mais uma vez fiz muitos amigos. Mas apesar de termos feito uma campanha muito boa quase até o final, não conseguimos a subida e essa desilusão, além de ter as portas fechadas em Portugal, para outros voos, fez com que tivesse que me direccionar para o estrangeiro onde as portas sempre tiveram abertas, pois fora do nosso país as nossas qualidades são mais apreciadas.
                                                                          
  Entre as opções que tinha, optei pelo Nömme Kalju da Estónia. E a razão foi simples: tinha o meu ex-colega da Eslovénia Wakui Hideatoshi [já referenciado nesta entrevista] a jogar no NK já há meio ano. Não conhecia nada do país e do futebol, até cheguei a perguntar "mas isso aí não é sempre neve?" e eles têm futebol para se ver qual era a minha ignorância sobre o país. Mas claro ele iluminou-me e claro, aventureiro que sou, não tinha nada a perder e vim. Cheguei no final de julho, pleno verão, e estavam 33 graus o que me espantou (afinal não é só neve) e fui logo bem recebido pelos colegas. O presidente Kuno Tehva que é  um dos pilares responsáveis pelo grande sucesso do clube, o treinador adjunto brasileiro que já tinha jogado em Portugal (Getúlio Fredo) ajudou-me bastante na integração. Todos estes factores foram os que me fizeram aceitar  e ficar por cá. O clube queria 2 anos, mas eu quis a  principio assinar por 4 meses só para ver se me adaptava. E foram 4 fantásticos meses... acabamos por conseguir o 2º lugar que seria até essa altura a melhor classificação de sempre. Fui muito bem aceite no país e apreciado pelas minhas qualidade no futebol e fora dele o que me fez renovar para a época a seguir. 
                                                      
  8. Foi campeão da Estónia em 2012, justificando assim de certa forma a sua permanência no clube. No dia 23 de julho foi opção e entrou no jogo frente ao Helsínquia a contar para a 2ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões. É uma pressão acrescida jogar para uma competição tão prestigiada?
                                 
  Nesse ano a seguir fiz 2 em 1... fui campeão Estónio e a qualificação para a 2ª eliminatória da Liga dos Campeões na época a seguir pois convém referir que o nosso campeonato começa em março e acaba em novembro, então se conseguimos um lugar europeu só o jogamos na época a seguir e nunca na presente época. Foi o momento mais alto da minha carreira ate então ser campeão pela primeira vez para a minha historia e na historia do clube. Claro foi razão mais que suficiente para assinar por mais duas épocas e criar tão fortes raízes com o clube. Mas convém dizer que nesse ano também joguei as eliminatórias da Liga Europa . e perdemos contra o Kazar de Lankaran do Azerbaijão num jogo a duas mãos: empatamos 2-2 e perdemos em casa 0-2.
                        
  Foi a minha primeira experiência nas competições europeias, mas ter jogado os dois jogos  deu-me outra experiência para me enriquecer como jogador. No ano a seguir, 2013, dedicamos maior parte da atenção ás pré-eliminatórias da Champions e por isso ficamos em 2º no nosso campeonato, mas lá  vencemos aqui aos nossos vizinhos dos bálticos do HJK, campeão finlandês ao qual fui opção e pude realizar o sonho de jogar na Liga dos Campeões, como o realizar de mais um sonho e consagração pessoal. Perdendo na 3ª eliminatória contra o Plzen, caímos para o play-off da Liga Europa para jogar com o Dnipro da Ucrânia, recheado de estrelas e jogadores com contractos milionários e onde milita o nosso português Bruno Gama e o conhecido Matheus [ex-Sporting de Braga que marcou um golo fantástico ao Arsenal no AXA]. Perdemos o 1º jogo por 3-1 de forma injusta pois só o nosso golo foi legal, mas em casa deles perdemos 2-0 muito bem pois jogaram melhor e mereceram a vitoria. Joguei ambos os jogos 90 minutos a um excelente nível o que me orgulha vendo o meu percurso passado em medias divisões e mesmo assim poder estar a este nível nestas competições, o que me faz pensar que no meu caso podem estar muitos outros que não são apreciados no nosso país enquanto damos oportunidades a valores de outros países.
                                   
9. Como é de forma muito geral a sua relação com os seus colegas no Nomme Kalju? Apesar de ter jogadores brasileiros no plantel acredita que a barreira da linguagem traz ou pode eventualmente trazer obstáculos?
                                               
  A minha relação com os meus colegas é espectacular, temos um grupo muito bom. No inicio não foi bem assim pois o povo estónio é muito fechado enquanto eu sou muito falador e aberto, e isso poderia ter sido uma barreira se eu desistisse logo à primeira. Com o tempo eles começaram a aceitar-me como sou e apreciar a minha forma de ser e imitar nas brincadeiras e palavrões... a língua estónia é muito difícil, mas no país atrevo-me a dizer que quase toda gente fala inglês, então é fácil a comunicação. Eu falo francês, espanhol, italiano e ingles, então digamos que posso ser o elo de ligação entre todos... pois temos jogadores italianos e franceses. Por isso a língua não é obstáculo.
                            
10. O Jorge é uma pessoa bastante ativa nas redes sociais, nomeadamente no Facebook. Considera que esse tipo de sítios na internet têm uma importância acrescida na promoção do futebol?
                                    
Sim é verdade, sou muito activo no facebook, mais propriamente na minha página pessoal pois ao tempo que estou cá a jogar ao alto nível tenho dado bastantes entrevistas para os diversos meios comunicativos tanto em Portugal como na Estónia, reclames televisivos ou mesmo sessões fotográficas. Tenho tido sucesso e é a forma de poder dar essa visibilidade a todos os apoiantes e interessados em acompanhar. E claro, uma  forma também de poder apresentar à nossa comunidade portuguesa o futebol estónio e de certa forma a Estónia pelos meus olhos. Servindo de certa forma como um português embaixador pela Estónia, e com o tempo tentar colocar o meu clube e o país no mapa de muitos portugueses.
                                             
11. Como é o Jorge fora dos relvados e fora do futebol?
                                     
Fora dos relvados sou quase o mesmo... procuro ser sempre uma pessoa sociável e disponível para ajudar, sou aberto e bastante amigo. Adoro visitar as escolas de formação do Kalju, ajudando na motivação e treino para a sua evolução. Gosto muito de cinema e de cozinhar a nossa comidinha portuguesa e claro sou sempre  muito ligado à família, em especial à minha querida mãe que se não é por Skype é por telemóvel e estamos sempre em contacto. Só procuro a minha vida pessoal ser mais privada, como o meu canto de recarregar baterias.
                                                        
12. Por fim tenho de lhe fazer uma pergunta quase inevitável. Em março de 2014 o seu colega Hidetoshi Wakui tornou-se quase mundialmente famoso após a badalada celebração a imitar um jogo de bowling. Qual foi a sua primeira reação ao ver o gesto criativo do seu colega?
                                             
  Fiquei muito feliz pelo golo e claro pela celebração visto que eu e o presidente Kuno Tehva termos sido os mentores desta ideia de fazer uma celebração para entreter os nossos fãs e cativar novos adeptos para visitarem os nossos jogos pois é uma das grandes lutas cativar os estónios a um estádio de futebol, eles preferem ver em casa na TV! Então após ter falado com o meu presidente juntei o grupo, falei e incentivei  todos e começaram a lançar ideias e o bowling humano foi o escolhido. E claro o Toshi, dos meus melhores amigos, não me deixou ficar mal! Depois desse já fizemos o samurai que também ficou excelente com making of dentro do balneario, vídeo que coloquei na minha pagina pessoal. E, claro, novas ideias estão para vir!
                                             
Perguntas rápidas:
                                 
Jogador favorito:
Ronaldo, Figo, João Vieira Pinto e Quaresma.
Treinador favorito:
José Mourinho.
Melhor jogador que já enfrentou:
Konoplyanka.
Melhor recordação no futebol: Jogar a Liga dos Campeões e ser campeão estónio.
Melhor exibição da sua carreira: Jogo contra Dnipro, playoff da Liga Europa.
Uma qualidade:
Positivo.
Um defeito: Cada vez mais refilão (diz a minha mãe).
Vencedor do Mundial: Portugal, estou contigo até ao fim!

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  Numa altura em que o Mundial se aproxima e a Crónica Futebolística está a trabalhar arduamente para cobrir a maior competição de seleções do mundo, surgiu a oportunidade dum novo espaço que, se tudo correr dentro dos conformes, se manterá de forma regular. Desta forma pedi a opinião de Daniel Pinho, um dos mais assíduos adeptos da página e do blog e ao qual agradeço o tempo, sobre este projeto. Os próximos alvos, digamos assim, desta coluna serão contactados brevemente ainda antes do Mundial. As questões abaixo.


1. Como descobriste a Crónica Futebolística?

  Através do fórum Contra-Ataque.

2. O que achas, de forma geral, da página do facebook? 

  Está muito bem estruturada, simples e informativa. A parte gráfica também está muito boa. Na verdade, não encontro mais nenhuma página no Facebook que concilie a parte gráfica e escrita tão bem.  

2.1 O que te cativa mais na mesma? A informação prestada. 2.2 O que achas que a diferencia (se algo) das restantes páginas? Sem qualquer dúvida, a combinação da parte gráfica com a escrita. 

3. Tens alguma opinião sobre os artigos do blog?

Infelizmente já não consulto o blog há algum tempo. No entanto gostei muito do artigo sobre o Bruno Lopes. Foi muito bem conseguido. 

4. Mudarias algo na página/blog?

Neste momento não. Estão bem como estão.

5. Por fim, uma reflexão ou palavras sucintas sobre o projeto que queiras transmitir. 

Gostaria de te pedir para nunca desistires do teu blog e continuares a fazer mais artigos e entrevistas. Quem te acompanha agradecerá e de certeza que atrairá mais pessoas para a tua página e blog. Boa sorte com tudo no futuro. 

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  Hoje perdeu-se mais uma vida, neste caso a do jovem australiano Dylan Tombides. O avançado australiano do West Ham era dado como uma jovem promessa do futebol do seu país de origem, mas infelizmente o seu valor não pôde ser confirmado na sua totalidade devido à batalha extra que teve de travar durante três anos e que acabou por lhe tirar a vida: um cruel cancro testicular. E foi com essa nova realidade que Tombides encarou a sua vida, pontapeando o cancro em 2012. Para sua e de seus amigos e familiares, não de forma definitiva. Uma verdadeira tragédia que acontece, de forma curiosa mas obviamente triste, poucos dias depois do segundo aniversário da morte de outro jogador: Piermario Morosini. Se bem que em circunstâncias diferentes a tristeza acaba por ser a mesma.

  Para Dylan Tombides, assim como para todos nós, a saúde era o que mais importava. Mas para este jovem, assim como outros futebolistas que ambicionam ser mais e melhores, tudo era futebol. Tudo o que fazia relacionava-se diretamente com o desporto rei. Travava uma batalha diária para ser melhor, mas de forma brusca teve que se ambientar a enfrentar outra dura batalha: o cancro. Aquela que diria eu ser uma notícia quase impossível¹ de entregar a alguém foi lhe entregue por um médico australiano que o contactou durante a sua estadia em Cancún, uma cidades anfitriãs do Mundial sub-17 de 2011. Foi nessa competição que mais prometeu, marcando o golo da sua carreira frente à Costa de Marfim num tento repleto de categoria. O jovem, na altura com os seus 17 anos, foi titular em todos os jogos dos Socceroos na competição até à eliminação por 4-0 aos pés do modesto Uzbequistão.

  ¹ o cancro testicular de Dylan Tombides foi diagnosticado de forma aleatório na sequência dum controlo anti-doping realizado a alguns jogadores australianos após a derrota acima referida frente ao Uzbequistão.

  Há momentos que definem carreiras e legados, palavras frequentemente utilizadas na gíria do futebol. E, por mais cruel tenham sido os últimos anos da vida do jovem Socceroo, o golo referido será sempre um aspeto positivo. Nessa altura já representava os Hammers, clube em que alinhava nos escalões de formação, segundo os registos disponíveis, desde os 15 anos. E acabaria por fechar lá a sua carreira cinco anos depois em circunstâncias obviamente indesejáveis. Há alguns aspetos a refletir.

    1. O CHOQUE: É difícil para qualquer pessoa, por muito mais frias que possam ser, receber uma má notícia. Para que não chegasse, e neste caso particular, Dylan Tombides era um jovem de 17 anos a viver um sonho. Ainda menor de idade o duelo travado com as suas emoções foi, na teoria, ainda maior. A gestão das mesmas poderia ser instável, complicado e frustrante. O contraste de realidades foi, aos olhos do próprio, avassalador. Num dia faz-se o golo duma carreira, noutro luta-se pela vida.

    2. RECUPERAÇÃO E ANSIEDADE: "Pai, isto pode matar-me?" foi uma das declarações mais marcantes do jovem reveladas pelo próprio numa entrevista após a sua recuperação, dez meses depois de derrotar o cancro testicular. O jogador referiu que, ao não ser perfeitamente instruído sobre o cancro e as implicações na sua vida, não pensou devidamente no assunto e nas consequências que isso poderia trazer. Na mesma entrevista refletiu que após a primeira sessão de tratamento pensou que depois de poucos meses iria voltar aos relvados.
  
    3. ENCARAR A REALIDADE: De forma natural o australiano acabou por aceitar e perceber o que realmente o assombrava. Oito meses após começar o tratamento, revelou o próprio, consciencializou-se do que realmente lhe acontecera. Não compreendendo a severidade do seu problema num primeiro período, foi ao frequentar o tratamento e enfrentando a sua condição que se mentalizou, de forma madura, da sua severidade. E o choque, naturalmente, foi grande. Mas o alívio de pontapear o cancro também.

    4. REGRESSO TRIUNFANTE: O maior desejo do jovem avançado era voltar à competição e isso acabou por acontecer, após vencer o cancro em 2012. Foi nesse ano que se iria estrear gloriosamente pelo West Ham, a 25 de setembro com apenas 18 anos. Em 2014 acabou por representar a Austrália no campeonato de sub-22 da AFC (federação asiática de futebol que alberga também a Austrália, como já acontece à alguns anos) no mês de janeiro, tornando-se uma mais valia para o grupo de trabalho.

   5. O JOGADOR: Versátil, criativo, móvel e forte. Eram estas algumas das principais características do futebol de Dylan Tombedis, um avançado que fazia constantes recuos no terreno e pegava na batuta quando era requerido para tal função. Noutra nota convém também referir que o jogador perdeu peso durante a sua recuperação, algo perfeitamente natural mas que o próprio tentou remediar aquando do seu regresso à competição em 2012. O seu foco principal foi recuperar os quilos de massa muscular, viabilizando o seu jogo aéreo ou força nas disputas de bola.

  Reforço a ideia de que é terrível perder mais um elemento da comunidade futebolística, ainda para mais nestas condições. O futuro aparentava ser de grande valor para este jovem australiano que ia aos poucos gravando o seu estilo no mundo de futebol. Será outro nome que ainda assim nunca será esquecido pela sua coragem e pelo seu carácter. Descansa em paz, Dylan James Tombides. 1994 - 2014.