| 0 comentários ]

  Numa altura em que o Mundial se aproxima e a Crónica Futebolística está a trabalhar arduamente para cobrir a maior competição de seleções do mundo, surgiu a oportunidade dum novo espaço que, se tudo correr dentro dos conformes, se manterá de forma regular. Desta forma pedi a opinião de Daniel Pinho, um dos mais assíduos adeptos da página e do blog e ao qual agradeço o tempo, sobre este projeto. Os próximos alvos, digamos assim, desta coluna serão contactados brevemente ainda antes do Mundial. As questões abaixo.


1. Como descobriste a Crónica Futebolística?

  Através do fórum Contra-Ataque.

2. O que achas, de forma geral, da página do facebook? 

  Está muito bem estruturada, simples e informativa. A parte gráfica também está muito boa. Na verdade, não encontro mais nenhuma página no Facebook que concilie a parte gráfica e escrita tão bem.  

2.1 O que te cativa mais na mesma? A informação prestada. 2.2 O que achas que a diferencia (se algo) das restantes páginas? Sem qualquer dúvida, a combinação da parte gráfica com a escrita. 

3. Tens alguma opinião sobre os artigos do blog?

Infelizmente já não consulto o blog há algum tempo. No entanto gostei muito do artigo sobre o Bruno Lopes. Foi muito bem conseguido. 

4. Mudarias algo na página/blog?

Neste momento não. Estão bem como estão.

5. Por fim, uma reflexão ou palavras sucintas sobre o projeto que queiras transmitir. 

Gostaria de te pedir para nunca desistires do teu blog e continuares a fazer mais artigos e entrevistas. Quem te acompanha agradecerá e de certeza que atrairá mais pessoas para a tua página e blog. Boa sorte com tudo no futuro. 

| 0 comentários ]

  Hoje perdeu-se mais uma vida, neste caso a do jovem australiano Dylan Tombides. O avançado australiano do West Ham era dado como uma jovem promessa do futebol do seu país de origem, mas infelizmente o seu valor não pôde ser confirmado na sua totalidade devido à batalha extra que teve de travar durante três anos e que acabou por lhe tirar a vida: um cruel cancro testicular. E foi com essa nova realidade que Tombides encarou a sua vida, pontapeando o cancro em 2012. Para sua e de seus amigos e familiares, não de forma definitiva. Uma verdadeira tragédia que acontece, de forma curiosa mas obviamente triste, poucos dias depois do segundo aniversário da morte de outro jogador: Piermario Morosini. Se bem que em circunstâncias diferentes a tristeza acaba por ser a mesma.

  Para Dylan Tombides, assim como para todos nós, a saúde era o que mais importava. Mas para este jovem, assim como outros futebolistas que ambicionam ser mais e melhores, tudo era futebol. Tudo o que fazia relacionava-se diretamente com o desporto rei. Travava uma batalha diária para ser melhor, mas de forma brusca teve que se ambientar a enfrentar outra dura batalha: o cancro. Aquela que diria eu ser uma notícia quase impossível¹ de entregar a alguém foi lhe entregue por um médico australiano que o contactou durante a sua estadia em Cancún, uma cidades anfitriãs do Mundial sub-17 de 2011. Foi nessa competição que mais prometeu, marcando o golo da sua carreira frente à Costa de Marfim num tento repleto de categoria. O jovem, na altura com os seus 17 anos, foi titular em todos os jogos dos Socceroos na competição até à eliminação por 4-0 aos pés do modesto Uzbequistão.

  ¹ o cancro testicular de Dylan Tombides foi diagnosticado de forma aleatório na sequência dum controlo anti-doping realizado a alguns jogadores australianos após a derrota acima referida frente ao Uzbequistão.

  Há momentos que definem carreiras e legados, palavras frequentemente utilizadas na gíria do futebol. E, por mais cruel tenham sido os últimos anos da vida do jovem Socceroo, o golo referido será sempre um aspeto positivo. Nessa altura já representava os Hammers, clube em que alinhava nos escalões de formação, segundo os registos disponíveis, desde os 15 anos. E acabaria por fechar lá a sua carreira cinco anos depois em circunstâncias obviamente indesejáveis. Há alguns aspetos a refletir.

    1. O CHOQUE: É difícil para qualquer pessoa, por muito mais frias que possam ser, receber uma má notícia. Para que não chegasse, e neste caso particular, Dylan Tombides era um jovem de 17 anos a viver um sonho. Ainda menor de idade o duelo travado com as suas emoções foi, na teoria, ainda maior. A gestão das mesmas poderia ser instável, complicado e frustrante. O contraste de realidades foi, aos olhos do próprio, avassalador. Num dia faz-se o golo duma carreira, noutro luta-se pela vida.

    2. RECUPERAÇÃO E ANSIEDADE: "Pai, isto pode matar-me?" foi uma das declarações mais marcantes do jovem reveladas pelo próprio numa entrevista após a sua recuperação, dez meses depois de derrotar o cancro testicular. O jogador referiu que, ao não ser perfeitamente instruído sobre o cancro e as implicações na sua vida, não pensou devidamente no assunto e nas consequências que isso poderia trazer. Na mesma entrevista refletiu que após a primeira sessão de tratamento pensou que depois de poucos meses iria voltar aos relvados.
  
    3. ENCARAR A REALIDADE: De forma natural o australiano acabou por aceitar e perceber o que realmente o assombrava. Oito meses após começar o tratamento, revelou o próprio, consciencializou-se do que realmente lhe acontecera. Não compreendendo a severidade do seu problema num primeiro período, foi ao frequentar o tratamento e enfrentando a sua condição que se mentalizou, de forma madura, da sua severidade. E o choque, naturalmente, foi grande. Mas o alívio de pontapear o cancro também.

    4. REGRESSO TRIUNFANTE: O maior desejo do jovem avançado era voltar à competição e isso acabou por acontecer, após vencer o cancro em 2012. Foi nesse ano que se iria estrear gloriosamente pelo West Ham, a 25 de setembro com apenas 18 anos. Em 2014 acabou por representar a Austrália no campeonato de sub-22 da AFC (federação asiática de futebol que alberga também a Austrália, como já acontece à alguns anos) no mês de janeiro, tornando-se uma mais valia para o grupo de trabalho.

   5. O JOGADOR: Versátil, criativo, móvel e forte. Eram estas algumas das principais características do futebol de Dylan Tombedis, um avançado que fazia constantes recuos no terreno e pegava na batuta quando era requerido para tal função. Noutra nota convém também referir que o jogador perdeu peso durante a sua recuperação, algo perfeitamente natural mas que o próprio tentou remediar aquando do seu regresso à competição em 2012. O seu foco principal foi recuperar os quilos de massa muscular, viabilizando o seu jogo aéreo ou força nas disputas de bola.

  Reforço a ideia de que é terrível perder mais um elemento da comunidade futebolística, ainda para mais nestas condições. O futuro aparentava ser de grande valor para este jovem australiano que ia aos poucos gravando o seu estilo no mundo de futebol. Será outro nome que ainda assim nunca será esquecido pela sua coragem e pelo seu carácter. Descansa em paz, Dylan James Tombides. 1994 - 2014.

| 0 comentários ]

  Ganhou notoriedade na primeira metade da época 2013/2014 e aparece agora como jogador do Valência Club de Fútbol. O defesa-central português Ruben Vezo pegou de estaca na equipa do Vitória FC na presente época e desde aí que vinha sendo seguido por outros clubes, entre os quais se destacou a formação ché que agora representa. E sobre a sua formação há pouco que se possa contar. Ruben manteve-se fiel ao Vitória, clube da cidade onde nasceu. Começou a jogar à bola com a tenra idade de 6 anos e tem como referência defensiva o brasileiro Thiago Silva. Humilde e esforçado, o setubalense sonha um dia vencer a Liga dos Campeões.

  Antes de dar início à entrevista gostaria de agradecer publicamente a Ruben Vezo que mostrou imensa disponibilidade e humildade durante todo este processo que levou à entrevista. A ele um muitíssimo obrigado. Sucesso para a sua grande carreira. Votos de Luís Barreira, fundador da Crónica Futebolística.



1. Começou a sua carreira como futebolista aos 6 anos. Sentiu que nessa altura podia alcançar o seu atual patamar?

  Comecei a jogar com 6 anos. Jogava muito à bola em casa, então a minha mãe decidiu meter-me no futebol apenas por divertimento e por distração, nunca imaginando ela que fosse essa a profissão que eu viria a seguir. Eu com 6 anos como é claro não tinha noção das coisas, apenas gostava de jogar futebol e dizia que queria ser jogador, mas era o sonho típico de um menino de 6 anos. Nunca com essa idade me passou pela cabeça chegar onde estou hoje.

2. É notório que deu nas vistas, sendo promovido com 16/17 anos ao plantel sénior do Vitória. Como encarou essa oportunidade?

  Encarei essa oportunidade com muita força e determinação, sendo uma oportunidade única tinha que a aproveitar, porque sendo promovido ao plantel sénior tive que deixar a escola porque não dava para conciliar as duas coisas. Nunca tive dúvidas de qual era a minha escolha, era sem dúvida o futebol e aproveitar esta oportunidade. Mas foi uma decisão difícil de explicar à minha mãe e de ela perceber que era uma oportunidade única para dar continuidade ao meu sonho, custou, mas com o passar do tempo ela foi aceitando a decisão.

3. Sejamos sinceros: no início da época 2013/2014, Rúben Vezo era um nome desconhecido para muitos. Alguns meses depois era o nome que estava na boca de muitos seguidores do futebol português. Como encara essa sua evolução meteórica?

  Sim, no início da época é certo que ninguém me conhecia, era um "menino" vindo dos juniores e desconhecido para a maior parte das pessoas. Mas a época felizmente começou a correr bem e fico feliz por agora estar, pela positiva, na boca de muitos seguidores do futebol português como você disse, é sinal que o trabalho que estou a desenvolver está a ser bom e agora é dar continuidade porque ainda há muito caminho a percorrer.

4. Muitas vezes o jogador português critica a falta de oportunidades que as equipas portuguesas oferecem aos seus atletas quando estão para ingressar nos plantéis principais. Tendo essa oportunidade no Vitória, quão grato se considera para com o clube?

  Muitos jogadores reclamam oportunidades e muitos treinadores se calhar têm medo de as dar, ainda para mais na minha posição de defesa central que é uma posição digamos que arriscada porque é muito mais fácil apostar num jovem avançado do que num jovem defesa, porque se o avançado falhar tem uma equipa inteira atrás dele, agora se um defesa falhar tem somente o guarda-redes atrás dele, mas felizmente não passei por essa situação, trabalhei muito para merecer a confiança do mister José Mota.
 
  Por exemplo, 20 dias antes do dia de me apresentar no Vitória para o arranque da pré-temporada comecei a treinar com um preparador físico e amigo que se chama Ventura, ele trabalhou-me fisicamente com treinos muito duros para chegar a altura da pré-época e eu estar melhor fisicamente que os outros e foi isso que aconteceu. 

  Eu abdiquei das minhas férias, coisa do qual não estou arrependido, e cheguei aos treinos de pre época e estava melhor fisicamente que os outros e sobressaia-me nos treinos, acho que essa foi a chave para o meu "sucesso" neste começo de carreira profissional.
E como é claro estou extremamente agradecido a estas pessoas que me ajudaram e pela oportunidade e depósito de confiança que o mister Mota me deu.

5. Não demorou muito até dar nas vistas e ser referenciado como reforço de clubes mais sonantes. Como encarou essas associações?

  É claro que ficava contente e satisfeito com essas associações, mas tentava encará-las com alguma indiferença, estava focado no Vitória e em ajudar o clube a atingir os seus objetivos e não me queria desconcentrar com outras coisas.

6. Chegou o Valência, uma nova etapa na sua vida. Considera ser um sonho tornado realidade?

  Sim, é sem dúvida um sonho tornado realidade jogar na melhor liga do mundo, num dos grandes de Espanha e num clube referência a nível mundial, jogar contra jogadores de classe mundial que antigamente só via pela televisão e hoje posso defrontá-los, é muito satisfatório.

7. Uma mudança pode ser sempre incómoda. Novas caras e novo ambiente. Sente que teve uma boa base de apoio quando chegou a Espanha?

  Quando é que uma mudança é incómoda quando estamos a concretizar o nosso sonho? Penso que nunca. Tenho uma boa base de apoio porque trouxe comigo a minha mãe e a minha irmã, elas que são a minha base e vão ser fundamentais no apoio e equilíbrio emocional quando as coisas possam estar a correr menos bem.

8. Considera que terá uma adaptação rápida e eficaz ao futebol espanhol? Os jogadores portugueses no clube ajudaram o Rúben neste novo período?

  Sim, penso que adaptação está a ser rápida e boa, os meus colegas portugueses bem como toda a equipa receberam-me muito bem, estavam constantemente a dar palavras de incentivo e deixaram-me logo à vontade, diziam para não ter medo de falar e para falar à vontade nos treinos, dar indicações e essas coisas porque era mais um que lá estava para ajudar. E estou a adaptar-me bem ao ritmo, aos novos métodos de jogo e de trabalho e de dia para dia sinto-me muito melhor.

9. Veio do Vitória para o Valência, tendo possibilidade de disputar as competições europeias além de poder ter a função de marcar diretamente jogadores como Ronaldo e Messi. Como encara essa oportunidade? Pressiona-o duma forma positiva?

  Encaro essa oportunidade com muita naturalidade, é um sonho poder jogar essas competições europeias e o facto de jogar em grandes estádios, com ambientes fantásticos, contra jogadores como Ronaldo e Messi, mas não vejo essa oportunidade como pressão e sim de grande motivação por poder jogar nestas condições que disse. 

10. Costuma-se dizer que o céu é o limite. Quais são os seus objetivos/ambições para esta e as seguintes épocas?

  Os meus objectivos para esta época e para as outras épocas passam por trabalhar muito, sempre no limite, para poder continuar a aprender, continuar a evoluir e jogar nesta equipa para dar o meu contributo ao Valência, ajudando a atingir os objectivos estipulados no inicio da época pelo clube e pela equipa.

11. Respostas relâmpago: Jogador favorito? Treinador favorito? Uma qualidade? Um defeito? Um objetivo na sua carreira?

  Thiago Silva, José Mourinho, uma qualidade: sou amigo do meu amigo e tento sempre que os meus estejam bem, um defeito: por vezes enervo-me com alguma facilidade e acabo por dizer coisas que não quero dizer às pessoas que menos devo dizer. E tenho como objectivo um dia ganhar uma Liga dos Campeões e estar no lote dos melhores defesas do mundo.

12. Por fim, se desejar, deixe uma breve mensagem aos seus fãs e aqueles que o apoiam de diversas formas.  

  Queria agradecer a todos que me ajudaram, que me acompanharam e acompanham, que torcem por mim, que deixam mensagens de apoio e incentivo, estou-vos muito agradecido e deixo aqui desde já o meu grande OBRIGADO. Beijinhos e abraços.

| 2 comentários ]

  Há golos que no futebol fazem toda a diferença. Hoje foi dia de Bruno da Silva Lopes experienciar isso mesmo. O avançado do Estoril teve, porventura, a maior fortuna da sua carreira: marcou 4 golos no estádio do Mar perante o Leixões num jogo a contar para a Taça de Portugal. O seu nome tornou-se nesse instante um dos temas mais quentes do futebol português. O brasileiro de 27 anos chegou esta temporada ao clube canarinho e pouco se sabe sobre o seu passado porque este, durante as últimas duas épocas e meia, teve como espaço físico um outro lado do globo. O desconhecido Albirex Niigata foi o clube que contratou Bruno Lopes em 2010 quando este ainda andava por clubes brasileiros. Clube japonês fundado em 1955 que tem no seu currículo como troféu mais sonante uma segunda divisão japonesa. Clube modesto, mas que habita num estádio sensacional.

  O pistoleiro de Niigata¹, como era conhecido pela afición japonesa, pegou destaque na equipa na sua primeira época. Marcou 13 golos na edição de 2011 da J-League, sensivelmente um terço dos tentos da sua formação. É um registo, obviamente, invejável. Confirmou todas as dúvidas existentes nos dirigentes japonesas se ainda as houvesse. Bruno tornou-se um jogador ainda mais completo e virou herói sul-americano em terras asiáticas devido à sua versatilidade e imprevisibilidade. É regra no futebol que um avançado, diria eu, letal, não pode ter brindes. Não pode ter espaço e margem de manobra. Pois bem, Bruno Lopes castigava quem não o fizesse. A prova disso são os golos de meia distância e, uma novidade, os seus golos de cabeça. Porque coincidência ou não a verdade é que o brasileiro desenvolveu imensamente o seu jogo aéreo devido ao facto de nem sempre ter o espaço que tinha no Brasil onde o futebol é mais aberto e propício às jogadas individuais.

  ¹ Bruno Lopes tinha uma excelente relação com os adeptos dos Albi. Um dos seus festejos mais comuns era o de pistoleiro onde fazia das mãos autênticas armas de destruição. E isso fazia dele, bem, um matador. Algo que lhe fazia jus tendo em conta o número e qualidade de golos que foi marcando. Ficou então batizado.

  Um jogador que deve muito a dois elementos que o caracterizam como futebolista: a sua capacidade decisiva de suceder no 1vs1 e, sobretudo, a sua enorme facilidade em mudar de velocidade e colocar-se numa posição favorável para marcar ou assistir. Os brasileiros souberam-no desde cedo: Bruno teve oportunidade de representar 6 clubes como sénior no Brasil. O último foi o Vila Nova e foi curiosamente nesse emblema que teve oportunidade de pôr em prática aquilo que sabia e a arte que dominava. 3 anos depois os japoneses estavam também convencidos. Eis que chegou a notícia do empréstimo ao Estoril.  

Desconhecido para o público português, em geral, Bruno Lopes chegou por empréstimo do Niigata, clube pelo qual 20 golos na principal competição japonesa de clubes, a J-League. Chegou com rótulo de goleador. Ou pelo menos deveria ter chegado. Talvez mais do que isso Bruno seja um desequilibrador. Utiliza as suas frequentes e alucinantes mudanças de velocidade para colocar as defesas adversárias em sentido, além de possuir uma visão de jogo que lhe permite ser e ter movimentos ofensivos duma inteligência acima da média, algo que nem todos se dão ao luxo de possuir.
  A primeira - ou, de resto, a mais sonante - prova da inteligência ou matreirice do pistoleiro foi o golo de calcanhar frente ao Paços de Ferreira. Uma movimentação de grande qualidade foi recompensada com um golpe acrobático que valeu ao brasileiro o crédito por marcar aquele que foi seguramente um dos melhores golos do ano em Portugal. Titular por apenas uma vez, Bruno Lopes procura ainda o seu lugar cativo no XI de Marco Silva. Não é um jogador que se destaque pela força e por isso teve que viver um choque entre a exigência física do futebol português em comparação com a experiência nipónica.

  Fora de campo o antigo avançado do Albirex Niigata é casado e pai duma filha, sendo esses dois dos grandes amores da sua vida. Nasceu em Curitiba e vive agora em Cascais, na constante esperança de dias alegres como o de 4 de janeiro. Porque este fora, provavelmente, um dos melhores dias da sua carreira. O mesmo caracteriza-se como uma pessoa alegre, comunicativa e guerreira. Todos estes adjetivos mais ou menos visíveis em campo, sobretudo o último. E alegria por jogar na Europa, um sonho que Bruno Lopes confessou ter nas redes sociais. Poderia acrescentar que este brasileiro é extremamente modesto e simples: é religioso e uma pessoa muitíssimo grata. Teve oportunidade de referir que levava o Albirex Niigata no coração, uma equipa que mudou a sua vida dentro e fora dem campo.

  O brasileiro está, tal como outros sul-americanos que rumam ao futebol asiático, condenado ao sucesso no Japão. A sua estadia em Portugal ainda não é de todo conclusiva. A segunda metade da temporada será fundamental para a avaliação do trajeto do avançado de 27 anos. Uma coisa é certa: a Taça de Portugal acaba de lhe dar uma oportunidade para agarrar a titularidade. A partida de Luís Leal para a Arábia Saudita abre também portas que todavia ainda não teriam sido abertas. A continuidade no futebol português é incerta e improvável: Bruno ainda tem contrato com o clube japonês. Cabe agora a Marco Silva refletir sobre o momento do brasileiro pois a titularidade pode ser benéfica para ambas as partes. Sem dar por isso Bruno Lopes pode vir a tornar-se fundamental para a manobra ofensiva duma formação canarinha que ficou órfã da sua referência de ataque.

| 0 comentários ]

  Joga-se esta noite um dos encontros mais importantes do mês e da época naquela que é considerada por muitos a melhor competição doméstica de clubes, a Premier League inglesa. Joga-se pela liderança na capital de Inglaterra, o mais mais populoso do Reino Unido. Os azuis de Londres, contestados por alguns problemas e lacunas defensivas, enfrentam os vermelhos da mesma cidade que apesar de só terem menos um golo sofrido têm mostrado maior solidez defensiva. Existem muitos fatores que podem dar e dão, mesmo, o favoritismo ao Arsenal. Mas se fosse para isso não havia necessidade de ser realizado este tão aguardado encontro. O futebol não é linear e a capacidade de superação de José Mourinho pode vir ao de cima com os baby blues do Chelsea. Não seria a primeira vez e, obviamente, também não seria a última. Um derby é sempre imprevisível, seja em Portugal, na Inglaterra ou no Vietname. O conceito é o mesmo, só mudam os protagonistas.

  E se me é permitido classificar os protagonistas, estes merecem todos notas muito razoáveis. Ou a maior parte deles, claro. Uma das excepções é para José Mourinho estranhamente. Fraca consistência defensiva, uma produção ofensiva aquém das expectativas e a perda de pontos em casa são alguns dos fatores de queixa, por assim dizer. Sobretudo este último. Muito conhecido é o special one por transformar os campos das suas formações em autênticas fortalezas de materiais duros de quebrar. Porém, parece que os obreiros estiveram mal na pintura. Os blues já foram derrotados em casa, mesmo que só se tenha sucedido numa ocasião. Yakin e o Basileia foram os culpados. Empatou outra para o campeonato. Fora de casa, três derrotas. Um indício pouco brilhante para o homem que em 2011 se abriu diante os jornalistas e confessou... não ser tradutor. Pois é, nem o humor de Mourinho vai safando uma época que, apesar de satisfatória, tem tido os seus defeitos.

  Por outro lado alinham os gunners, considerados por muitos como a melhor equipa do campeonato até ao momento. Opinião aceitável, mas discutível. É aqui que Brendan Rodgers oferece o seu sorriso sarcástico, tendo em conta o grande momento dos reds. Mas adiante. Arsène Wenger desfez toda e qualquer dúvida existente sobre o possível fim de ciclo na equipa londrina. Com uma equipa consideravelmente jovem - média de idades em 23,55 exatamente - o trabalho realizado nesta época tem sido brilhante. O ressurgimento de peças como Ramsey, a estabilização de Wilshere como patrão e o aparecimento de Özil: três dos principais fatores para o sucesso da equipa do técnico francês. O miolo tem criado e determinado o sucesso da formação na presente temporada. E, apesar de aparecer no flanco direito, Jack Wilshere tem o íman que o atrai para o centro do terreno. Não foge às suas origens.

  Existem muitas dúvidas de como é que as formações se podem mesclar dentro de campo. Estas serão dissipadas no momento do pontapé de saída e, a meu ver, o vencedor do jogo será aquele que conseguir defender melhor. Pode parecer uma resposta genérica e sem sentido, sim. Mas a criação ofensiva de ambas as formações obrigam a um fenomenal trabalho defensivo. Ambos elevados se bem que diferentes. O jogo do Arsenal passa preferencialmente pelo centro, não fosse Özil o homem referência do ataque desta equipa que vai finalmente preparando um novo tiro de canhão. Wilshere também flete para o centro como podemos ver em muitos vídeos de destaques. Fazem uma dupla letal, não ignorando o galês Ramsey. Aliás, e voltando a Wilshere, todos ganham com esta movimentação e estratégia de posicionamento. Sagna é um lateral extremamente ofensivo e hoje deverá enfrentar Ashley Cole num escaldante duelo.

  A estratégia do Chelsea é mais balanceada, mas há grande dependência do espanhol Juan Mata no ataque. O espanhol pode atuar no centro (com funções semelhantes às de Özil, por vezes) ou na direita. Nesse último cenário é Willian o preterido para atuar nas costas do ponta-de-lança, Torres ou Eto'o. O brasileiro que tem encantado a Premier League com os seus dribles e passos de samba apesar dos meros 413 minutos no campeonato. Ninguém toca em Hazard, esse está fixo na esquerda. É um desses belgas da nova geração que têm dado cartas na Premier League. Mas isso não é novidade. Pode-se dizer, então, que é o homem chave da equipa de Mourinho.

  Estão lançados a maior parte dos dados. Chelsea e Arsenal darão às 20h de Portugal continental o pontapé de saída para um dos mais jogos entusiasmantes jogos da época futebolística. Assim se espera muito certamente. Dois setores de ataque extremamente criativos e eficazes prometem atormentar as defesas adversárias onde se posicionam os elos mais fracos - ou menos fortes - de ambas as equipas. E será por aí que uma das formações irá ceder, se isso acontecer.

  É elementar que na parte superior da imagem podemos ver aqueles que são, na teoria, os jogadores com maior possibilidade de decidir o jogo. Mas diria que existe uma igualmente tão grande possibilidade de ser um dos centrais da imagem a encarregar-se de decidir o vencedor da contenda de mais logo. Quando existem Özil e Hazard, dois criativos e génios nos ataques das respetivas turmas, existem também aqueles que não são tão eficazes. E o desfecho do encontro pode passar por eles.

Mertesacker e Cahill são os elos mais fracos de ambas as equipas nesta perspetiva pessoal. O alemão destaca-se pelo seu posicionamento e imponente jogo aéreo, mas carece de velocidade. Caso seja opção para Wenger terá sérias dificuldades em acompanhar homens como Hazard, Mata ou Willian. Será uma noite infernal para o europeu. Do outro lado há Cahill, um jogador inconsistente e com algumas falhas. Não se enganem, tem enorme potencial. David Luiz tem estado com alguns visíveis problemas físicos, sendo o mais recente no final de novembro, mas coloca-se a questão de ser ou não mais viável optar pelo sul-americano. São as escolhas de Mourinho. E serão elas, daqui a hora e meia, que poderão ter um decisivo papel num dos embates mais aguardados da época futebolística inglesa.