| 0 comentários ]

  Numa altura em que o Mundial se aproxima e a Crónica Futebolística está a trabalhar arduamente para cobrir a maior competição de seleções do mundo, surgiu a oportunidade dum novo espaço que, se tudo correr dentro dos conformes, se manterá de forma regular. Desta forma pedi a opinião de Daniel Pinho, um dos mais assíduos adeptos da página e do blog e ao qual agradeço o tempo, sobre este projeto. Os próximos alvos, digamos assim, desta coluna serão contactados brevemente ainda antes do Mundial. As questões abaixo.


1. Como descobriste a Crónica Futebolística?

  Através do fórum Contra-Ataque.

2. O que achas, de forma geral, da página do facebook? 

  Está muito bem estruturada, simples e informativa. A parte gráfica também está muito boa. Na verdade, não encontro mais nenhuma página no Facebook que concilie a parte gráfica e escrita tão bem.  

2.1 O que te cativa mais na mesma? A informação prestada. 2.2 O que achas que a diferencia (se algo) das restantes páginas? Sem qualquer dúvida, a combinação da parte gráfica com a escrita. 

3. Tens alguma opinião sobre os artigos do blog?

Infelizmente já não consulto o blog há algum tempo. No entanto gostei muito do artigo sobre o Bruno Lopes. Foi muito bem conseguido. 

4. Mudarias algo na página/blog?

Neste momento não. Estão bem como estão.

5. Por fim, uma reflexão ou palavras sucintas sobre o projeto que queiras transmitir. 

Gostaria de te pedir para nunca desistires do teu blog e continuares a fazer mais artigos e entrevistas. Quem te acompanha agradecerá e de certeza que atrairá mais pessoas para a tua página e blog. Boa sorte com tudo no futuro. 

| 0 comentários ]

  Hoje perdeu-se mais uma vida, neste caso a do jovem australiano Dylan Tombides. O avançado australiano do West Ham era dado como uma jovem promessa do futebol do seu país de origem, mas infelizmente o seu valor não pôde ser confirmado na sua totalidade devido à batalha extra que teve de travar durante três anos e que acabou por lhe tirar a vida: um cruel cancro testicular. E foi com essa nova realidade que Tombides encarou a sua vida, pontapeando o cancro em 2012. Para sua e de seus amigos e familiares, não de forma definitiva. Uma verdadeira tragédia que acontece, de forma curiosa mas obviamente triste, poucos dias depois do segundo aniversário da morte de outro jogador: Piermario Morosini. Se bem que em circunstâncias diferentes a tristeza acaba por ser a mesma.

  Para Dylan Tombides, assim como para todos nós, a saúde era o que mais importava. Mas para este jovem, assim como outros futebolistas que ambicionam ser mais e melhores, tudo era futebol. Tudo o que fazia relacionava-se diretamente com o desporto rei. Travava uma batalha diária para ser melhor, mas de forma brusca teve que se ambientar a enfrentar outra dura batalha: o cancro. Aquela que diria eu ser uma notícia quase impossível¹ de entregar a alguém foi lhe entregue por um médico australiano que o contactou durante a sua estadia em Cancún, uma cidades anfitriãs do Mundial sub-17 de 2011. Foi nessa competição que mais prometeu, marcando o golo da sua carreira frente à Costa de Marfim num tento repleto de categoria. O jovem, na altura com os seus 17 anos, foi titular em todos os jogos dos Socceroos na competição até à eliminação por 4-0 aos pés do modesto Uzbequistão.

  ¹ o cancro testicular de Dylan Tombides foi diagnosticado de forma aleatório na sequência dum controlo anti-doping realizado a alguns jogadores australianos após a derrota acima referida frente ao Uzbequistão.

  Há momentos que definem carreiras e legados, palavras frequentemente utilizadas na gíria do futebol. E, por mais cruel tenham sido os últimos anos da vida do jovem Socceroo, o golo referido será sempre um aspeto positivo. Nessa altura já representava os Hammers, clube em que alinhava nos escalões de formação, segundo os registos disponíveis, desde os 15 anos. E acabaria por fechar lá a sua carreira cinco anos depois em circunstâncias obviamente indesejáveis. Há alguns aspetos a refletir.

    1. O CHOQUE: É difícil para qualquer pessoa, por muito mais frias que possam ser, receber uma má notícia. Para que não chegasse, e neste caso particular, Dylan Tombides era um jovem de 17 anos a viver um sonho. Ainda menor de idade o duelo travado com as suas emoções foi, na teoria, ainda maior. A gestão das mesmas poderia ser instável, complicado e frustrante. O contraste de realidades foi, aos olhos do próprio, avassalador. Num dia faz-se o golo duma carreira, noutro luta-se pela vida.

    2. RECUPERAÇÃO E ANSIEDADE: "Pai, isto pode matar-me?" foi uma das declarações mais marcantes do jovem reveladas pelo próprio numa entrevista após a sua recuperação, dez meses depois de derrotar o cancro testicular. O jogador referiu que, ao não ser perfeitamente instruído sobre o cancro e as implicações na sua vida, não pensou devidamente no assunto e nas consequências que isso poderia trazer. Na mesma entrevista refletiu que após a primeira sessão de tratamento pensou que depois de poucos meses iria voltar aos relvados.
  
    3. ENCARAR A REALIDADE: De forma natural o australiano acabou por aceitar e perceber o que realmente o assombrava. Oito meses após começar o tratamento, revelou o próprio, consciencializou-se do que realmente lhe acontecera. Não compreendendo a severidade do seu problema num primeiro período, foi ao frequentar o tratamento e enfrentando a sua condição que se mentalizou, de forma madura, da sua severidade. E o choque, naturalmente, foi grande. Mas o alívio de pontapear o cancro também.

    4. REGRESSO TRIUNFANTE: O maior desejo do jovem avançado era voltar à competição e isso acabou por acontecer, após vencer o cancro em 2012. Foi nesse ano que se iria estrear gloriosamente pelo West Ham, a 25 de setembro com apenas 18 anos. Em 2014 acabou por representar a Austrália no campeonato de sub-22 da AFC (federação asiática de futebol que alberga também a Austrália, como já acontece à alguns anos) no mês de janeiro, tornando-se uma mais valia para o grupo de trabalho.

   5. O JOGADOR: Versátil, criativo, móvel e forte. Eram estas algumas das principais características do futebol de Dylan Tombedis, um avançado que fazia constantes recuos no terreno e pegava na batuta quando era requerido para tal função. Noutra nota convém também referir que o jogador perdeu peso durante a sua recuperação, algo perfeitamente natural mas que o próprio tentou remediar aquando do seu regresso à competição em 2012. O seu foco principal foi recuperar os quilos de massa muscular, viabilizando o seu jogo aéreo ou força nas disputas de bola.

  Reforço a ideia de que é terrível perder mais um elemento da comunidade futebolística, ainda para mais nestas condições. O futuro aparentava ser de grande valor para este jovem australiano que ia aos poucos gravando o seu estilo no mundo de futebol. Será outro nome que ainda assim nunca será esquecido pela sua coragem e pelo seu carácter. Descansa em paz, Dylan James Tombides. 1994 - 2014.

| 0 comentários ]

  Ganhou notoriedade na primeira metade da época 2013/2014 e aparece agora como jogador do Valência Club de Fútbol. O defesa-central português Ruben Vezo pegou de estaca na equipa do Vitória FC na presente época e desde aí que vinha sendo seguido por outros clubes, entre os quais se destacou a formação ché que agora representa. E sobre a sua formação há pouco que se possa contar. Ruben manteve-se fiel ao Vitória, clube da cidade onde nasceu. Começou a jogar à bola com a tenra idade de 6 anos e tem como referência defensiva o brasileiro Thiago Silva. Humilde e esforçado, o setubalense sonha um dia vencer a Liga dos Campeões.

  Antes de dar início à entrevista gostaria de agradecer publicamente a Ruben Vezo que mostrou imensa disponibilidade e humildade durante todo este processo que levou à entrevista. A ele um muitíssimo obrigado. Sucesso para a sua grande carreira. Votos de Luís Barreira, fundador da Crónica Futebolística.



1. Começou a sua carreira como futebolista aos 6 anos. Sentiu que nessa altura podia alcançar o seu atual patamar?

  Comecei a jogar com 6 anos. Jogava muito à bola em casa, então a minha mãe decidiu meter-me no futebol apenas por divertimento e por distração, nunca imaginando ela que fosse essa a profissão que eu viria a seguir. Eu com 6 anos como é claro não tinha noção das coisas, apenas gostava de jogar futebol e dizia que queria ser jogador, mas era o sonho típico de um menino de 6 anos. Nunca com essa idade me passou pela cabeça chegar onde estou hoje.

2. É notório que deu nas vistas, sendo promovido com 16/17 anos ao plantel sénior do Vitória. Como encarou essa oportunidade?

  Encarei essa oportunidade com muita força e determinação, sendo uma oportunidade única tinha que a aproveitar, porque sendo promovido ao plantel sénior tive que deixar a escola porque não dava para conciliar as duas coisas. Nunca tive dúvidas de qual era a minha escolha, era sem dúvida o futebol e aproveitar esta oportunidade. Mas foi uma decisão difícil de explicar à minha mãe e de ela perceber que era uma oportunidade única para dar continuidade ao meu sonho, custou, mas com o passar do tempo ela foi aceitando a decisão.

3. Sejamos sinceros: no início da época 2013/2014, Rúben Vezo era um nome desconhecido para muitos. Alguns meses depois era o nome que estava na boca de muitos seguidores do futebol português. Como encara essa sua evolução meteórica?

  Sim, no início da época é certo que ninguém me conhecia, era um "menino" vindo dos juniores e desconhecido para a maior parte das pessoas. Mas a época felizmente começou a correr bem e fico feliz por agora estar, pela positiva, na boca de muitos seguidores do futebol português como você disse, é sinal que o trabalho que estou a desenvolver está a ser bom e agora é dar continuidade porque ainda há muito caminho a percorrer.

4. Muitas vezes o jogador português critica a falta de oportunidades que as equipas portuguesas oferecem aos seus atletas quando estão para ingressar nos plantéis principais. Tendo essa oportunidade no Vitória, quão grato se considera para com o clube?

  Muitos jogadores reclamam oportunidades e muitos treinadores se calhar têm medo de as dar, ainda para mais na minha posição de defesa central que é uma posição digamos que arriscada porque é muito mais fácil apostar num jovem avançado do que num jovem defesa, porque se o avançado falhar tem uma equipa inteira atrás dele, agora se um defesa falhar tem somente o guarda-redes atrás dele, mas felizmente não passei por essa situação, trabalhei muito para merecer a confiança do mister José Mota.
 
  Por exemplo, 20 dias antes do dia de me apresentar no Vitória para o arranque da pré-temporada comecei a treinar com um preparador físico e amigo que se chama Ventura, ele trabalhou-me fisicamente com treinos muito duros para chegar a altura da pré-época e eu estar melhor fisicamente que os outros e foi isso que aconteceu. 

  Eu abdiquei das minhas férias, coisa do qual não estou arrependido, e cheguei aos treinos de pre época e estava melhor fisicamente que os outros e sobressaia-me nos treinos, acho que essa foi a chave para o meu "sucesso" neste começo de carreira profissional.
E como é claro estou extremamente agradecido a estas pessoas que me ajudaram e pela oportunidade e depósito de confiança que o mister Mota me deu.

5. Não demorou muito até dar nas vistas e ser referenciado como reforço de clubes mais sonantes. Como encarou essas associações?

  É claro que ficava contente e satisfeito com essas associações, mas tentava encará-las com alguma indiferença, estava focado no Vitória e em ajudar o clube a atingir os seus objetivos e não me queria desconcentrar com outras coisas.

6. Chegou o Valência, uma nova etapa na sua vida. Considera ser um sonho tornado realidade?

  Sim, é sem dúvida um sonho tornado realidade jogar na melhor liga do mundo, num dos grandes de Espanha e num clube referência a nível mundial, jogar contra jogadores de classe mundial que antigamente só via pela televisão e hoje posso defrontá-los, é muito satisfatório.

7. Uma mudança pode ser sempre incómoda. Novas caras e novo ambiente. Sente que teve uma boa base de apoio quando chegou a Espanha?

  Quando é que uma mudança é incómoda quando estamos a concretizar o nosso sonho? Penso que nunca. Tenho uma boa base de apoio porque trouxe comigo a minha mãe e a minha irmã, elas que são a minha base e vão ser fundamentais no apoio e equilíbrio emocional quando as coisas possam estar a correr menos bem.

8. Considera que terá uma adaptação rápida e eficaz ao futebol espanhol? Os jogadores portugueses no clube ajudaram o Rúben neste novo período?

  Sim, penso que adaptação está a ser rápida e boa, os meus colegas portugueses bem como toda a equipa receberam-me muito bem, estavam constantemente a dar palavras de incentivo e deixaram-me logo à vontade, diziam para não ter medo de falar e para falar à vontade nos treinos, dar indicações e essas coisas porque era mais um que lá estava para ajudar. E estou a adaptar-me bem ao ritmo, aos novos métodos de jogo e de trabalho e de dia para dia sinto-me muito melhor.

9. Veio do Vitória para o Valência, tendo possibilidade de disputar as competições europeias além de poder ter a função de marcar diretamente jogadores como Ronaldo e Messi. Como encara essa oportunidade? Pressiona-o duma forma positiva?

  Encaro essa oportunidade com muita naturalidade, é um sonho poder jogar essas competições europeias e o facto de jogar em grandes estádios, com ambientes fantásticos, contra jogadores como Ronaldo e Messi, mas não vejo essa oportunidade como pressão e sim de grande motivação por poder jogar nestas condições que disse. 

10. Costuma-se dizer que o céu é o limite. Quais são os seus objetivos/ambições para esta e as seguintes épocas?

  Os meus objectivos para esta época e para as outras épocas passam por trabalhar muito, sempre no limite, para poder continuar a aprender, continuar a evoluir e jogar nesta equipa para dar o meu contributo ao Valência, ajudando a atingir os objectivos estipulados no inicio da época pelo clube e pela equipa.

11. Respostas relâmpago: Jogador favorito? Treinador favorito? Uma qualidade? Um defeito? Um objetivo na sua carreira?

  Thiago Silva, José Mourinho, uma qualidade: sou amigo do meu amigo e tento sempre que os meus estejam bem, um defeito: por vezes enervo-me com alguma facilidade e acabo por dizer coisas que não quero dizer às pessoas que menos devo dizer. E tenho como objectivo um dia ganhar uma Liga dos Campeões e estar no lote dos melhores defesas do mundo.

12. Por fim, se desejar, deixe uma breve mensagem aos seus fãs e aqueles que o apoiam de diversas formas.  

  Queria agradecer a todos que me ajudaram, que me acompanharam e acompanham, que torcem por mim, que deixam mensagens de apoio e incentivo, estou-vos muito agradecido e deixo aqui desde já o meu grande OBRIGADO. Beijinhos e abraços.

| 2 comentários ]

  Há golos que no futebol fazem toda a diferença. Hoje foi dia de Bruno da Silva Lopes experienciar isso mesmo. O avançado do Estoril teve, porventura, a maior fortuna da sua carreira: marcou 4 golos no estádio do Mar perante o Leixões num jogo a contar para a Taça de Portugal. O seu nome tornou-se nesse instante um dos temas mais quentes do futebol português. O brasileiro de 27 anos chegou esta temporada ao clube canarinho e pouco se sabe sobre o seu passado porque este, durante as últimas duas épocas e meia, teve como espaço físico um outro lado do globo. O desconhecido Albirex Niigata foi o clube que contratou Bruno Lopes em 2010 quando este ainda andava por clubes brasileiros. Clube japonês fundado em 1955 que tem no seu currículo como troféu mais sonante uma segunda divisão japonesa. Clube modesto, mas que habita num estádio sensacional.

  O pistoleiro de Niigata¹, como era conhecido pela afición japonesa, pegou destaque na equipa na sua primeira época. Marcou 13 golos na edição de 2011 da J-League, sensivelmente um terço dos tentos da sua formação. É um registo, obviamente, invejável. Confirmou todas as dúvidas existentes nos dirigentes japonesas se ainda as houvesse. Bruno tornou-se um jogador ainda mais completo e virou herói sul-americano em terras asiáticas devido à sua versatilidade e imprevisibilidade. É regra no futebol que um avançado, diria eu, letal, não pode ter brindes. Não pode ter espaço e margem de manobra. Pois bem, Bruno Lopes castigava quem não o fizesse. A prova disso são os golos de meia distância e, uma novidade, os seus golos de cabeça. Porque coincidência ou não a verdade é que o brasileiro desenvolveu imensamente o seu jogo aéreo devido ao facto de nem sempre ter o espaço que tinha no Brasil onde o futebol é mais aberto e propício às jogadas individuais.

  ¹ Bruno Lopes tinha uma excelente relação com os adeptos dos Albi. Um dos seus festejos mais comuns era o de pistoleiro onde fazia das mãos autênticas armas de destruição. E isso fazia dele, bem, um matador. Algo que lhe fazia jus tendo em conta o número e qualidade de golos que foi marcando. Ficou então batizado.

  Um jogador que deve muito a dois elementos que o caracterizam como futebolista: a sua capacidade decisiva de suceder no 1vs1 e, sobretudo, a sua enorme facilidade em mudar de velocidade e colocar-se numa posição favorável para marcar ou assistir. Os brasileiros souberam-no desde cedo: Bruno teve oportunidade de representar 6 clubes como sénior no Brasil. O último foi o Vila Nova e foi curiosamente nesse emblema que teve oportunidade de pôr em prática aquilo que sabia e a arte que dominava. 3 anos depois os japoneses estavam também convencidos. Eis que chegou a notícia do empréstimo ao Estoril.  

Desconhecido para o público português, em geral, Bruno Lopes chegou por empréstimo do Niigata, clube pelo qual 20 golos na principal competição japonesa de clubes, a J-League. Chegou com rótulo de goleador. Ou pelo menos deveria ter chegado. Talvez mais do que isso Bruno seja um desequilibrador. Utiliza as suas frequentes e alucinantes mudanças de velocidade para colocar as defesas adversárias em sentido, além de possuir uma visão de jogo que lhe permite ser e ter movimentos ofensivos duma inteligência acima da média, algo que nem todos se dão ao luxo de possuir.
  A primeira - ou, de resto, a mais sonante - prova da inteligência ou matreirice do pistoleiro foi o golo de calcanhar frente ao Paços de Ferreira. Uma movimentação de grande qualidade foi recompensada com um golpe acrobático que valeu ao brasileiro o crédito por marcar aquele que foi seguramente um dos melhores golos do ano em Portugal. Titular por apenas uma vez, Bruno Lopes procura ainda o seu lugar cativo no XI de Marco Silva. Não é um jogador que se destaque pela força e por isso teve que viver um choque entre a exigência física do futebol português em comparação com a experiência nipónica.

  Fora de campo o antigo avançado do Albirex Niigata é casado e pai duma filha, sendo esses dois dos grandes amores da sua vida. Nasceu em Curitiba e vive agora em Cascais, na constante esperança de dias alegres como o de 4 de janeiro. Porque este fora, provavelmente, um dos melhores dias da sua carreira. O mesmo caracteriza-se como uma pessoa alegre, comunicativa e guerreira. Todos estes adjetivos mais ou menos visíveis em campo, sobretudo o último. E alegria por jogar na Europa, um sonho que Bruno Lopes confessou ter nas redes sociais. Poderia acrescentar que este brasileiro é extremamente modesto e simples: é religioso e uma pessoa muitíssimo grata. Teve oportunidade de referir que levava o Albirex Niigata no coração, uma equipa que mudou a sua vida dentro e fora dem campo.

  O brasileiro está, tal como outros sul-americanos que rumam ao futebol asiático, condenado ao sucesso no Japão. A sua estadia em Portugal ainda não é de todo conclusiva. A segunda metade da temporada será fundamental para a avaliação do trajeto do avançado de 27 anos. Uma coisa é certa: a Taça de Portugal acaba de lhe dar uma oportunidade para agarrar a titularidade. A partida de Luís Leal para a Arábia Saudita abre também portas que todavia ainda não teriam sido abertas. A continuidade no futebol português é incerta e improvável: Bruno ainda tem contrato com o clube japonês. Cabe agora a Marco Silva refletir sobre o momento do brasileiro pois a titularidade pode ser benéfica para ambas as partes. Sem dar por isso Bruno Lopes pode vir a tornar-se fundamental para a manobra ofensiva duma formação canarinha que ficou órfã da sua referência de ataque.

| 0 comentários ]

  Joga-se esta noite um dos encontros mais importantes do mês e da época naquela que é considerada por muitos a melhor competição doméstica de clubes, a Premier League inglesa. Joga-se pela liderança na capital de Inglaterra, o mais mais populoso do Reino Unido. Os azuis de Londres, contestados por alguns problemas e lacunas defensivas, enfrentam os vermelhos da mesma cidade que apesar de só terem menos um golo sofrido têm mostrado maior solidez defensiva. Existem muitos fatores que podem dar e dão, mesmo, o favoritismo ao Arsenal. Mas se fosse para isso não havia necessidade de ser realizado este tão aguardado encontro. O futebol não é linear e a capacidade de superação de José Mourinho pode vir ao de cima com os baby blues do Chelsea. Não seria a primeira vez e, obviamente, também não seria a última. Um derby é sempre imprevisível, seja em Portugal, na Inglaterra ou no Vietname. O conceito é o mesmo, só mudam os protagonistas.

  E se me é permitido classificar os protagonistas, estes merecem todos notas muito razoáveis. Ou a maior parte deles, claro. Uma das excepções é para José Mourinho estranhamente. Fraca consistência defensiva, uma produção ofensiva aquém das expectativas e a perda de pontos em casa são alguns dos fatores de queixa, por assim dizer. Sobretudo este último. Muito conhecido é o special one por transformar os campos das suas formações em autênticas fortalezas de materiais duros de quebrar. Porém, parece que os obreiros estiveram mal na pintura. Os blues já foram derrotados em casa, mesmo que só se tenha sucedido numa ocasião. Yakin e o Basileia foram os culpados. Empatou outra para o campeonato. Fora de casa, três derrotas. Um indício pouco brilhante para o homem que em 2011 se abriu diante os jornalistas e confessou... não ser tradutor. Pois é, nem o humor de Mourinho vai safando uma época que, apesar de satisfatória, tem tido os seus defeitos.

  Por outro lado alinham os gunners, considerados por muitos como a melhor equipa do campeonato até ao momento. Opinião aceitável, mas discutível. É aqui que Brendan Rodgers oferece o seu sorriso sarcástico, tendo em conta o grande momento dos reds. Mas adiante. Arsène Wenger desfez toda e qualquer dúvida existente sobre o possível fim de ciclo na equipa londrina. Com uma equipa consideravelmente jovem - média de idades em 23,55 exatamente - o trabalho realizado nesta época tem sido brilhante. O ressurgimento de peças como Ramsey, a estabilização de Wilshere como patrão e o aparecimento de Özil: três dos principais fatores para o sucesso da equipa do técnico francês. O miolo tem criado e determinado o sucesso da formação na presente temporada. E, apesar de aparecer no flanco direito, Jack Wilshere tem o íman que o atrai para o centro do terreno. Não foge às suas origens.

  Existem muitas dúvidas de como é que as formações se podem mesclar dentro de campo. Estas serão dissipadas no momento do pontapé de saída e, a meu ver, o vencedor do jogo será aquele que conseguir defender melhor. Pode parecer uma resposta genérica e sem sentido, sim. Mas a criação ofensiva de ambas as formações obrigam a um fenomenal trabalho defensivo. Ambos elevados se bem que diferentes. O jogo do Arsenal passa preferencialmente pelo centro, não fosse Özil o homem referência do ataque desta equipa que vai finalmente preparando um novo tiro de canhão. Wilshere também flete para o centro como podemos ver em muitos vídeos de destaques. Fazem uma dupla letal, não ignorando o galês Ramsey. Aliás, e voltando a Wilshere, todos ganham com esta movimentação e estratégia de posicionamento. Sagna é um lateral extremamente ofensivo e hoje deverá enfrentar Ashley Cole num escaldante duelo.

  A estratégia do Chelsea é mais balanceada, mas há grande dependência do espanhol Juan Mata no ataque. O espanhol pode atuar no centro (com funções semelhantes às de Özil, por vezes) ou na direita. Nesse último cenário é Willian o preterido para atuar nas costas do ponta-de-lança, Torres ou Eto'o. O brasileiro que tem encantado a Premier League com os seus dribles e passos de samba apesar dos meros 413 minutos no campeonato. Ninguém toca em Hazard, esse está fixo na esquerda. É um desses belgas da nova geração que têm dado cartas na Premier League. Mas isso não é novidade. Pode-se dizer, então, que é o homem chave da equipa de Mourinho.

  Estão lançados a maior parte dos dados. Chelsea e Arsenal darão às 20h de Portugal continental o pontapé de saída para um dos mais jogos entusiasmantes jogos da época futebolística. Assim se espera muito certamente. Dois setores de ataque extremamente criativos e eficazes prometem atormentar as defesas adversárias onde se posicionam os elos mais fracos - ou menos fortes - de ambas as equipas. E será por aí que uma das formações irá ceder, se isso acontecer.

  É elementar que na parte superior da imagem podemos ver aqueles que são, na teoria, os jogadores com maior possibilidade de decidir o jogo. Mas diria que existe uma igualmente tão grande possibilidade de ser um dos centrais da imagem a encarregar-se de decidir o vencedor da contenda de mais logo. Quando existem Özil e Hazard, dois criativos e génios nos ataques das respetivas turmas, existem também aqueles que não são tão eficazes. E o desfecho do encontro pode passar por eles.

Mertesacker e Cahill são os elos mais fracos de ambas as equipas nesta perspetiva pessoal. O alemão destaca-se pelo seu posicionamento e imponente jogo aéreo, mas carece de velocidade. Caso seja opção para Wenger terá sérias dificuldades em acompanhar homens como Hazard, Mata ou Willian. Será uma noite infernal para o europeu. Do outro lado há Cahill, um jogador inconsistente e com algumas falhas. Não se enganem, tem enorme potencial. David Luiz tem estado com alguns visíveis problemas físicos, sendo o mais recente no final de novembro, mas coloca-se a questão de ser ou não mais viável optar pelo sul-americano. São as escolhas de Mourinho. E serão elas, daqui a hora e meia, que poderão ter um decisivo papel num dos embates mais aguardados da época futebolística inglesa.

| 1 comentários ]

  A 13 de maio de 2013 Philip Cocu foi oficialmente apresentado como novo treinador do PSV, principal emblema de Eindhoven, Holanda. Diga-se que seria uma questão de tempo, tendo já exercido funções como interino e apresentando-se como adjunto desde 2010/2011. Uma espécie de sonho e fantasia para qualquer adepto, não tivesse o antigo internacional holandês sido o melhor médio que passou pelo clube na última década. Aliás, estou a ser simpático. Posso dizer também que marcou uma geração nos Boeren, mas nunca sem referir que a partilhou com peças e pilares como van Bommel, Dennis Rommedahl, Mateja Kežman e o nosso careca preferido, Arjen Robben¹. Enfim, a lista é extensa mas a ideia está presente. Então foi como um sonho para qualquer adepto do Philips Sport Vereniging. Ou pelo menos para a esmagadora maioria. Iria suceder a Advocaat² um carismático e idolatrado homem que já encantou na Philips.

¹ Importante referir que a lista é muito mais extensa. Para não ser praticamente infindável, a lista foi resumida para apenas a época de 2003/2004, primeira de Cocu após regressar ao PSV.

² Convém referir que Advocaat não foi despedido. Após terminar a Eredivisie na segunda posição e, por conseguinte, perder a Taça Holanda frente ao AZ - ironicamente a equipa que treina desde outubro, voltando atrás na sua palavra - comunicou de forma oficial que se iria reformar, deixando o futebol duma forma definitiva. Mentiu ou, em termos mais leves, reconsiderou. Voltou ao Alkmaar 3 anos depois de ter abandonado o clube. Na altura foi a seleção russa que o chamou.

  As reações foram sobretudo positivas. Depois dum segundo lugar no campeonato e duma taça perdida de forma infantil estava na hora de voltar aos títulos. Porque não fazê-lo com alguém que sabe o que é isso? Alguém que sabia levantá-los, beijá-los e exibi-los às massas que deliravam e cantavam repetidamente pelo seu nome, entoando uma emocionante melodia em Barcelona, mas sobretudo em Eindhoven. O senhor que fez cento e um jogos pela laranja mecânica³ e que arrecadou dez títulos oficiais como jogador, número até escasso para o modelo de jogador que representava.

³ Apesar desse invejável registo, Philip Cocu marcou apenas 10 golos. Ao mesmo tempo isto reforçava a ideia que não era um jogador que marcasse muitos golos, mas sim que os prevenia. E, muitas vezes, também os criava. Mas raramente finalizava, apesar do seu mágico pé esquerdo.

  Os primeiros confrontos obrigaram a formação de Cocu a dar tudo e mais alguma coisa, o adversário era o temível AC Milan. Jogava-se a Liga dos Campeões e um 3-0 em San Siro estragou o esforço e invalidou o 1-1 na Philips Arena. Tudo dentro dos conformes no que toca às primeiras três jornadas do campeonato. O mesmo número de vitórias. O brilho ficou num plano secundário, valeu-lhes a eficácia e a irreverência de alguns jovens, nomeadamente Bakkali e Depay. Este primeiro é um dos mais novos de sempre a atuar pela equipa A do PSV, com 17 anos. É extremo-direito, mas atua com o mesmo conforto no centro. Nasceu em 1996. É um miúdo que veste a camisola, já calça as chuteiras e alinha num histórico do futebol europeu. Depay não é muito mais velho, tem 19. Podia continuar a lenga-lenga, mas basta referir apenas que a média de idades do clube é de 21,97. Penso que posso terminar este parágrafo desta forma porque o indicador diz tudo. Comprova a irreverência e a rebeldia. Infelizmente, carecem de experiência.

  A crise começou a ganhar nome e relevância nas três jornadas seguintes. Um empate no reduto do Heracles Almelo não é ideal, mas tolera-se. Porque um escorregão ocasional é perfeitamente normal desde que não se torne hábito. Ora, Philip Cocu e os seus jogadores deixaram isso acontecer. As soluções encontraram-se todas, sem excepção, no banco de suplentes. E a verdade é que não são apenas as exibições que deixam a desejar: são também, e principalmente, as opções do antigo médio do Barcelona. É um pensamento que partilho, não é universal. Mas tem a sua lógica. O técnico abdica da experiência e aposta na juventude, mas será essa uma solução viável a curto-prazo?

  Não! Ainda na época passada a formação de Dick Advocaat tinha um plantel com uma média de idade de 23,50. Se isso fez com que a equipa ganhasse títulos? Também não. Mas há que comparar momentos. Pela jornada 16, na época passada, o PSV liderava a Eredivisie. Esta época está em 10º com uns miseráveis 20 pontos, menos 16 do que na altura. São contas fáceis de fazer. Este PSV é mais fraco, mais débil e mais inexperiente. A culpa tem que ser empregue a Philip Cocu e porventura a eventuais políticas de dirigismo que imponha restrições na média de idade dos jogadores utilizados. Porque, apesar dessa mesma ser extremamente baixa, há jogadores capazes de guiar a equipa durante os períodos mais complicados. Schaars até tem sido titular... o mesmo não se pode dizer de Ji-Sung Park, muito menos de Ola Toivonen. O sueco normalmente é utilizado como um desbloqueador, entrando na 2ª parte (já o fez em 7 diferentes ocasiões). E, na realidade, Cocu deveria fazê-lo com Locadia, Jozefsson ou o menino Bakkali. A média de idades destes jogadores é de 19,67.

¹  Com ou sem a experiência necessária, falta organização, rigor e disciplina. Muitas vezes os miúdos podem ferver desnecessariamente. Cocu também tem uma difícil missão nesse e noutros campos que não o da bola no pé. Porque formar jogadores e homens são duas coisas completamente distintas.

  E, continuando a sequência anterior, pode-se concluir que a campanha na atual Eredivisie tem sido pior que má no que toca aos altos padrões dos Boeren. Empates na 5ª e 6ª jornada acabaram por colocar a Philips Arena em estado de calamidade como se previa. Porém, uma vitória por 4-0 sobre um dos maiores rivais, o Ajax de Amesterdão, reestabeleceu a calma e até os sorrisos de volta aos seus proprietários. Excepto Cocu que continuou apreensivo, continuava a saber que algo não estava bem. E adivinhem, Schaars, Toivonen e Park foram titulares nessa partida...

  Nem tudo foi um mar de rosas. No fim-de-semana seguiu-se uma derrota no terreno do AZ treinado por Verbeek. Mais tarde seria substituído por Dick Advocaat, já o escrevi anteriormente. E a equipa entrou num período negro depois duma vitória tangencial sobre o RKC. Essa vitória aconteceu no dia 6 de outubro. Desde esse dia, e até agora, o PSV não voltou a vencer em jogos a contar para o campeonato. Já se passaram 7 jogos e 2 meses, entre eles uma escandalosa - e, acreditem, estou a ser extremamente simpático - derrota frente ao Vitesse. Os famosos 2x6 na Philips Arena. Choveram lenços brancos e críticas ao treinador, o principal acusado de culpado. Park e Toivonen começaram esse encontro no banco. Na passada quinta-feira, frente ao Chornomorets Odessa, nenhum dos 3 elementos em estudo foram titulares. Schaars nem foi convocado. O resultado? Mais uma derrota caseira.

  Isto tudo para clarificar uma temática frequentemente discutida na comunidade holandesa futebolística. A irreverência e juventude são bem-vindas se alimentadas com calma, persistência e se não em excesso. O caso do Borussia Dortmund é, por exemplo, um sucesso. O projeto do PSV, se é que o há, está em vias de se tornar um falhanço e um verdadeiro flop de Cocu. Os próximos 2 encontros na Eredivisie serão fundamentais para a época do PSV: Cocu pode, com alguma facilidade, nem chegar a janeiro.

| 0 comentários ]

  Há projetos que com o tempo se tornam banais e fúteis, apenas mais um no currículo. E esse era o meu medo, lá atrás, em 2011. Quando ainda não tinha um programa definido, quando era um miúdo de 14 anos a querer escrever uns artigos e ali. Mais do que tudo foi preciso dedicação. Tanto que, nas suas primeiras semanas, o blog tinha lançamentos semanais. Diários, até. Não digo que foi necessário abdicar de nada em particular, bastou gerir de forma adequada o tempo disponível. Lá, em 2011, e agora, no final de 2013 e numa altura em que a página se tornou o principal foco deste projeto e desta marca, a Crónica Futebolística

  Marca essa que tenho o prazer de ter criado, desenvolvido e com ela, maturado. Um sentimento de dever cumprido, ultrapassando e aniquilando qualquer receio e qualquer medo de falhar. Isto, claro, na minha opinião. Porque na altura, e até agora, não coloquei a fasquia num patamar demasiado alto. Mantive a calma. Sei que não sou um génio, um Luís Freitas Lobo da análise ou um Rui Malheiro da observação. Mas sim um jovem de 16 anos a fazer aquilo que gosta e, mais importante, aquilo que pode. E esta data faz despertar muitos sentimentos. O mais sonante é o orgulho de ter conseguido.

  Era meu receio falhar e banalizar um projeto, apesar da baixa envergadura nos seus primeiros tempos. Ainda não lhe considero como sendo um gigante... mas que cresceu, lá isso não posso negar. Ainda me falta fazer muito: a marca cresce proporcionalmente ao meu enriquecimento e ganhar de conhecimentos. E com isso vem o respeito, a audiência, os próprios fãs. Os que perseguem o futebol como o gato persegue o rato. A massa adepta circunda e persegue o futebol, um desporto em constantemente movimento e maturação. Mas não é por isso que deixa de ser seguido por milhões.

  E com isto quero deixar impresso que estou muito orgulhoso, até vaidoso. Mas sobretudo grato. Porque sem vocês, os que estão a ler isto, o projeto não iria existir. Isto dado que não gosto de fazer monólogos - ou neste caso, escrevê-los. Portanto aqui vai o meu enorme agradecimento a todos vós. Por estes dois anos, pelas críticas, pelo feedback e pelas emoções. Muitos mais virão.

Luís Barreira,
administrador da Crónica Futebolística - onde tudo começa.

| 0 comentários ]

  Como dito na primeira parte deste artigo, o passado sábado dia 14 de setembro foi provavelmente o 1º do ano no que toca a qualidade futebolística. Beijou o céu e roçou a excelência. Mas, por vezes, mais do que um jogo particularmente bem disputado, importam os momentos. E foi precisamente disso que se fizeram alguns dos jogos de ontem, quer em Espanha quer em terras alemãs. Momentos determinantes. Um golo aos 93 depois duma arrancada dum determinado astro argentino. Um jogo com 8 golos ou uma estreia de sonho. Vale tudo nas principais ligas europeias.

  Para muitos as ligas as quais irei analisar abaixo serão neste momento mais relevantes do que a Premier League em termos de qualidade. Não posso concordar, mas não posso discordar também. Existem todo o tipo de opiniões neste panorama, todas certamente com o seu fundamento e gota de razão.  Mas, numa nota relacionada, é preciso ter em conta o crescimento selvagem da Bundesliga nos últimos anos. Um campeonato com um ritmo intenso, rápido e um ambiente fantástico fora das 4 linhas. Faz lembrar a Premier League, sim, mas em terras de Merkel.

  Jürgen Klopp, mais do que ninguém, tem razões para sorrir. Aos 22 minutos da 1ª parte via-se com razões para sorrir, tendo em conta os golos de Aubameyang e Mkhitaryan. Aos 26 minutos o alemão testemunhou o 2-1, sendo que o seu sorriso dissipou-se e virou preocupação aos 49 quando Westermann empatou as contas no Westfalenstadion. Um balde de água fria para um dos mais carismáticos treinadores da história do futebol alemão e uma das equipas mais irreverentes do futebol europeu nos últimos anos. O facto foi que o Hamburgo teve imensas dificuldades em voltar a assustar a baliza de Weidenfeller. Quando o fez, a vantagem da equipa da casa já era avassaladora. Este 6-2 volta a mostrar que a equipa de Guardiola não é campeã pré-definida nesta 51ª edição da Bundesliga.

  Bayern esse que voltou a vencer sem grande dificuldade. Superiorizou-se com clareza a um Hannover frágil. Prevaleceu a lei do mais forte na Allianz Arena. Desta forma os bávaros continuam a perseguição ao Borussia Dortmund que se tem destacado apenas com vitórias neste início de época. Referência merecedora também ao 1º golo de Kevin-Prince Boateng na Bundesliga. Ganês oriundo do AC Milan, este talento fantástico pode vir a dar cartas na Alemanha. Não tarda nada poderá ter um defesa muito especial a marcar-lhe: o seu irmão Jérôme Boateng, central/lateral direito do Bayern.

  Mas a pérola da semana na Bundesliga, fora dos relvados, pertence obviamente a Jürgen Klopp na conferência de imprensa após os 6-2 ao HSV. O alemão referiu que «Reus merece um lugar no céu».

  É seguro dizer que ontem o astro argentino, Lionel Messi, não fez um dos melhores jogos da sua carreira. Apesar do golo da assistência esteve estranhamente apagado, sendo o Sevilha também responsável por esta falta de inspiração do melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA. Mas como referi nas primeiras linhas deste artigo, há momentos com maior importância do que uma exibição ou uma prestação coletiva. Há momentos absolutamente marcantes que captam e ficam na memória das pessoas mais facilmente. Um desses momentos aconteceu aos 93 minutos nesse fantástico Barcelona x Sevilha. Num momento "à Messi", o argentino penetrou pela defesa do Sevilha e acabou por fazer um passe precioso para Alexis já na linha de fundo. O resultado? Golo da vitória (3-2) e uma vitória arrancada a ferros. E agora prevalece a lógica que referi anteriormente: obviamente que este passe e este lance do sul-americano é mais valioso que a sua menos boa exibição. Mais marcante, mais relevante... deveras mais interessante.

  E o Villarreal, esse... parece que nunca chegou a descer de divisão. A equipa de Marcelino Toral intimidou o Real Madrid, algo que poucas formações podem dizer e não serem declarados mentirosos ou alucinados. De facto o submarino amarelo fez a vida negra à equipa de Carlo Ancelotti no El Madrigal. Cani fez o 1º golo do jogo aos 20 minutos (caso tenham dificuldade em reconhecer a identidade do mesmo, posso dizer que já ao FC Porto, no Dragão, numa meia-final europeia) e Bale respondeu aos 36. Primeiro golo do galês como jogador do Real Madrid! Terá de ser o primeiro de muitos para fazer os 91/99 milhões de euros serem um negócio proveitoso para os merengues. O Real atrasa-se assim em relação ao Barcelona e ao surpreendente rival da capital, o Atlético de Madrid.

  Pouco há a dizer sobre a equipa de Diego Simeone. Mais um jogo, mais uma vitória. Autêntico rolo compressor da equipa que tem vivido constantemente à sombra do rival da capital espanhola. O Almería esforçou-se e foi uma equipa extremamente solidária para tentar um resultado melhor. Suso acabou por ser o melhor do conjunto visitante como, de resto, tem sido costume.

  De referir ainda que Thierry Henry marcou na MLS. Os NY Red Bulls, equipa do francês, derrotaram a equipa mais fraca da MLS, os Toronto FC. O principal destaque do campeonato, neste fantástico sábado, foi a vitória valiosa dos Seattle Sounders sobre os RSL City, equipa do internacional norte-americano Kyle Beckerman. Sempre um prazer acompanhar a MLS, um campeonato que cresce a olhos vistos. E este, caros leitores, foi um sábado de excelência.

| 0 comentários ]

  Por tradição é o domingo o dia que nos traz maior espetáculo na vertente futebolística. Mais jogos, logo uma maior probabilidade disso acontecer. Tem uma lógica coerente que acaba por se justificar com maior e melhor diversidade e gostos para todos os adeptos do desporto rei. Porém, o sábado de hoje é capaz de entrar no pensamento de muitos. No meu inclusive. Espetáculo, golos e momentos de encher o olho e correr o mundo pelas redes sociais. Este, meus amigos, foi o 2º sábado de setembro. O 37º do presente ano de 2013. E provavelmente o 1º no que toca a qualidade futebolística deste ano.

  Se na vida há algo com lógica - até porque muita vezes esta perde algum do seu sentido, convenhamos - esse algo é começar pelo princípio. E por essa lógica começo por falar do agradável espetáculo que foi - e aliás, sempre tem sido - a Premier League inglesa. Sim, inglesa. Porque também há a escocesa, mas essa basicamente tem um campeão pré-definido (perdoem-me a expressão) a bater em mortos. É uma raridade na Europa, mas a verdade é que a Escócia tem já um campeão anunciado. Sempre teve, desde a descida do Rangers ao quarto escalão do país. O mesmo não acontece na Premier League, um campeonato alucinante cheio de emoção.

FELLAINI ESTREOU-SE OFICIALMENTE COMO REFORÇO DO MANCHESTER UNITED
 
  Destaque claro para um certo belga que se estreou no Manchester United. Marouane Fellaini jogou sensivelmente meia hora, substituindo Anderson à passagem da hora de jogo. Foi recebido pelo teatro dos sonhos com um grande aplauso. Terá que justificar mais desses com exibições de grande nível, fazendo lembrar os seus tempos no Everton com David Moyes. Rooney jogou, até marcou. Finalizada a época de transferências este poderá ser o golo que irá levar o inglês a ganhar novamente a confiança dos adeptos que ficaram certamente abalados após o jogador forçar, em parte, a sua saída. Um presente de reconciliação e esperança para o regresso aos velhos tempos de Rooney.

Há também que destacar a bela exibição da «equipa de rugby» (de acordo do Arsene Wenger), o Stoke City. A equipa conseguiu um excelente 0-0 frente ao Manchester City de Pellegrini que se apresente fortíssimo neste início de época, apesar do deslize frente ao Cardiff.

  O Tottenham voltou a vencer em casa, sendo que assim a equipa de André Villas-Boas coloca-se no topo da tabela classificativa junto do Arsenal. 4 jogos, 9 pontos. Caso o Liverpool de Brendan Rodgers vença no País de Gales, aí sim, teremos novo líder isolado com um pleno de vitórias. Um caso sério estes Reds de Merseyside. Depois de tanta especulação este parece ser o ano do histórico emblema inglês. 

  Há que destacar também a estreia de Özil como jogador do Arsenal nesta que foi, de resto, uma jornada de estreias. E o alemão teve um desempenho semelhante a Christian Eriksen: primeiro jogo, primeira assistências. Os novos '10' de Londres prometem dar cartas nesta edição da Premier League.

MAURO ICARDI MARCOU O GOLO DO INTER FRENTE À JUVENTUS

  Foi tarde de clássico em San Siro. O confronto futebolístico mais aguardado de Itália chegou e foi a Juventus quem teve alguma sorte no desfecho do encontro. Não que a equipa de Antonio Conte tenha tido uma exibição pouco inspirada, mas o Internazionale conseguiu tapar os buracos em que penetram jogadores fascinantes como Tevez ou Vucinic que recuperou de um problema físico a tempo do jogo. Mas foi mesmo Mauro Icardi a figura em destaque. Desbloqueado à Sampdoria por 15 milhões de euros numa cláusula de co-propriedade, foi o argentino de 20 anos a fazer os adeptos da equipa da capital saltar das cadeiras do Giuseppe Meazza. 

  A Juventus voltou a apresentar Pogba como titular, uma promessa fantástica. Se tudo correr bem será com naturalidade um dos melhores do mundo. Pogba no XI da equipa de Turim faz com que Pirlo tenha menos destaque, estando mais próximo do italiano no relvado do que, por exemplo, Claudio Marchisio. Este box2box tem funções mais ofensivas, sendo o francês mais polivalente e, por isso, um jogador diferente. Uma arma a explorar.

  Balotelli volta a estar em destaque. Não porque marcou um grande golo nem protagonizou mais uma cena de capa de revista, mas sim porque mantém um registo perfeito desde o início da sua carreira como futebolista profissional. Marcou de grande penalidade no empate frente ao Torino (2-2) e conseguiu manter intacto o seu registo imaculado. Em 26 grandes penalidades convertidas ao longo da sua carreira, Super Mario converteu-as todas de forma bem sucedida. É um rácio de 100% de sucesso. Por estas e por outras o 45 do AC Milan volta a mostrar-se preponderante para a sua formação. É necessário referir que Kaka, número 22, foi titular. Jogou 70 minutos e esteve discreto, nesta agora contínua missão de tentar recuperar o seu momento de forma de há aproximadamente 4 anos. E, diga-se, será extremamente complicado.

  Na segunda parte deste artigo irei fazer a análise daquilo que foi a jornada da Liga BBVA, uma jornada da Bundesliga com muitos golos e ainda dar uma vista de olhos nos restantes campeonatos europeus, incluindo o português, assim como dar a conhecer o que se passou de tão relevante no sábado da MLS.

| 0 comentários ]

  Depois dum empate sem golos no António Coimbra da Mota os canarinhos comandados pelo jovem Marco Silva iam a Israel com uma complicada missão. A viagem, o ambiente e a própria falta de maturidade nas competições europeias podiam ser crassos obstáculos para a equipa portuguesa que tentava também obter o seu 1º golo nas competições da UEFA. Um dos objetivos cumpridos na viagem a terras estranhas para a equipa da linha, convém referir e sublinhar.

  O nervosismo pode ter tomado contra dos amarelos do concelho de Cascais na 1ª mão, mas um início agressivo e pressionante em terreno forasteiro deu-lhes um grande impulso na confiança e motivação para o resto do encontro. Fiel ao 4231 a equipa estreante (tal como o seu adversário, diga-se) entrou esforçada e decidida num dos encontros mais importantes da sua história de 74 anos. A dupla de extremos formada por Carlitos e João Pedro Galvão tomou as rédeas durante todo o jogo, porém com maior intensidade numa etapa inicial da partida onde os visitantes clarificaram o seu domínio absoluto no encontro. A grande penalidade convertida com sucesso pelo '10' desta formação, Evandro, veio apenas confirmar o domínio canário. Golo para ser festejado pela equipa, todo o corpo do Estoril, adeptos e especialmente para um fiel adepto da equipa que apareceu nas bancadas do Winter Stadium em Ramat Gan. Esse também merece uma menção honrosa.

  Grande penalidade convertida, Avi Soffer expulso e a eliminatória segura para o lado português. Um brasileiro a marcar o 1º golo da história do Estoril nas competições europeias, um registo que fica obviamente na história do futebol português. A assinalar um Estoril (muito) mais atrevido do que aquilo que foi no seu próprio estádio. Preocupante, mas ao mesmo tempo bastante aliciante. A melhor forma de descobrir como uma determinada equipa reage num embate europeu fora de portas é com garantias. Marco Silva teve as que precisou e as que colocam um Estoril europeu no play-off de acesso à fase de grupos da Liga Europa.

   1. ISRAELITAS COM AÇAIME. Tal como o Estoril, o Hapoel Ramat Gan fazia em sua casa o 2º jogo da sua história nas competições europeias. Encontrou-se desde cedo a perder e, para ajudar à festa, com menos 1 unidade. Recuou um dos trincos a central, porventura o acelerar duma morte lenta em solo israelita. Dadas as circunstâncias desfavoráveis restava aos homens de Arik Gilrovich arriscar. Sim, arriscar. Sem medos, receios ou rodeios. Jogava-se por um lugar num play-off de acesso à fase de grupos duma competição europeia. O Hapoel Ramat Gan limitava-se a trocar a bola na defesa quando tinham a posse da mesma. Uma equipa inofensiva que nem cães com açaime...

  2. A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA. O quão importante é, numa equipa como o Estoril, ter um elemento relativamente experiente no que toca a competições europeias? Deve ser um alívio, diria. Carlitos pegou na batuta e fez-se valente, afirmando-se como o líder desta equipa em campo. Não jogou a partida completa, sendo que Gerso entrou para o seu lugar aos 66. Mesmo estando fresco notou-se a falta do português dentro das 4 linhas. Não fazendo toda a diferença Carlitos foi, porém, extremamente relevante no jogo da equipa de Marco Silva. Uma autêntica bênção para o Estoril.

  3. INEFICÁCIA. Apesar de ter sido superior em ambos os jogos desta eliminatória o Estoril apenas conseguiu um único golo e de grande penalidade. Nas competições europeias há vários erros imperdoáveis numa equipa, sendo um deles a ineficácia. Um aspeto a tratar numa equipa que, mesmo assim, fez por vencer.

  4. PREVALECEU A IMATURIDADE. A perder, com menos um elemento em campo e com menos armas que o adversário. O que fazer? Arriscar! Arik Gilrovich foi imaturo e pouco ambicioso na forma que abordou o jogo. Não fez o Estoril passar por mais do que alguns ligeiros sustos, pouco dignos até de aparecer nos vídeos de repetições. O vencedor da passada Taça de Israel aprendeu de forma justa o que é brincar com gente grande no futebol europeu. Fim da linha para os estreantes de este.

| 0 comentários ]

  Foi novamente um Porto bilateral que se apresentou em Londres para defrontar o Nápoles, vice-campeão italiano da época transata. A partida de hoje trouxe, porém, uma particularidade para os azuis e brancos: tiveram sucesso. Pela primeira vez no Emirates, é preciso referir. Quebrou-se o aparente enguiço que persistia em assombrar a equipa portuguesa nas suas visitas a Londres. Pela primeira vez em 8 anos os campeões nacionais venceram no imponente estádio do Arsenal, uma marca a assinalar e a recordar por uma questão de orgulho e prestígio.

  O adversário era também ele imponente. Oriundo duma região litoral e socialmente bastante discreta, conhecida pelas suas praias e pelo seu obedecer aos costumes tradicionais do comércio (não tivessem eles um dos maiores mercados de toda a Itália), conclui-se que o clube contradiz-se à cidade. A identidade do clube é presente e contínua: criativa e irreverente. Ferida pela perda do seu elemento mais sonante, Cavani, a equipa italiana reforçou-se com outros elementos criativos e efectivos na linha atacante: Mertens, Callejón e Higuaín que será agora a principal referência dos azzurri.

  Ora, se ontem o Porto entrou melhor frente ao Galatasaray, hoje decidiu entrar em campo o cenário oposto. Se a entrada no jogo de ontem foi boa, agressiva e expressiva, hoje faltou clarividência no último terço - algo que de resto acontecia muito com Vítor Pereira. Uma boa posse de bola e circulação da mesma foram alguns dos aspetos positivos, mas não suficientes. O Nápoles aproveitou essa falta de discernimento, causada por fatores como a fadiga, e foi gradualmente crescendo na 1ª parte. Não que tivesse o controlo do jogo (porque nunca o teve de forma efetiva e clara), mas era a equipa mais eficiente em termos ofensivos. Chegou ao golo de grande penalidade, sendo que ambos os golos sofridos pelo FC Porto nesta competição foram da marca dos 11 metros. Algumas dúvidas na existência ou não do mesmo, mas no final Pandev converteu sem qualquer problema ou consciência pesada. Sangue frio como se pede a um profissional.

  Na etapa complementar os papéis inverteram-se completamente. Um Porto mais pressionante e sufocante. O Nápoles quebrou por uma razão muito simples: tirou Radosevic do jogo, o médio que melhor equilibrou as tarefas defensivas/ofensivas da equipa italiana. Entrou Hamsik e Benítez fez um favor involuntário ao Porto: quebrou o jogo a favor da equipa portuguesa. Esta viu-se mais à vontade para realizar transições rápidas e pôr a defesa napolitana em sentido. Varela voltou a estar em bom plano hoje, mas no flanco direito. Josué, o "menino" de Paulo Fonseca, atuou na esquerda. Teve saudades da sua posição de 10 ao longo do jogo, fletindo muitas vezes para o interior. Devido à falta de profundidade pode-se dizer que isso não resultou na perfeição...

  Nota bastante positiva para a equipa de Paulo Fonseca, generalizando. A falta de pressão no miolo e profundidade nas laterais veio-se revelar apenas uma miragem com a 2ª parte de luxo da equipa portuguesa, quebrando então o enguiço de Londres. Pela 1ª vez o Porto vence no Emirates com uma 2ª parte coesa, capaz e espetacular. A falta de rotinas numa formação tática alternativa pode também ter saído caro ao Nápoles, sendo que Benítez não aposta no 352. Uma pena, diga-se. O Porto volta agora para Portugal com Aveiro e o 1º troféu da época na mira. Ilações positivas duma pré-época com mais sinais positivos do que qualquer outra coisa.
 
  1. VIRA O DISCO, TOCA O MESMO. Verdade se diga, o Porto esteve fenomenal na 2ª parte do encontro. Cometeu poucos erros e foi objetivo e eficiente, merecendo a vitória de forma indiscutível. Mas, sobretudo na 1ª parte, houve aspetos a melhorar. Aliado a uma boa posse de bola é necessária a subida dos laterais, garantindo profundidade aos flancos e ao setor atacante. Pode-se dizer que a garantia neste encontro, novamente, não foi total. Fucile mais interventivo que Alex Sandro, brasileiro que hoje até esteve superior a ontem. Fucile não mostra a consistência pedida. Ricardo, denominado agora como 4º lateral desta equipa, é rápido e é capaz de ser o lateral que mais metros sobe quando está em campo. Infelizmente para o Porto, isso não garante segurança defensiva.

  2. SOLIDARIEDADE. Callejón é um jogador verdadeiramente fascinante. É um extremo com uma boa qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio, mas destaco a sua capacidade de ser solidário com os laterais da sua equipa. Aliás, pode ter sido essa a razão da aparente falta de profundidade nos flancos do Porto. Dá que pensar. O espanhol adquirido ao Real Madrid poderá pegar de estaca na equipa de Benítez, tendo em conta a importância que se dá a extremos que saibam defender na Serie A.

  3. VENI, VIDI... VICI? Quintero mostrou que tem capacidades para ser titular na equipa portista. O médio criativo veio, viu e tem todas as capacidades para vencer e triunfar em Portugal. Além de mostrar uma capacidade técnica e posicional acima da média abrilhantou ainda mais a sua estreia como titular com uma assistência para Ghilas. James era um 10 de origem que raramente teve oportunidade de ocupar essa posição no Porto, sendo que Quintero deverá agora procurar essas chances com Paulo Fonseca.

  4. SAUDADE, SAUDADE... Cesária Évora e o seu tema mais conhecido devem ter entoado inúmeras vezes na cabeça de Josué durante a sua estadia em campo frente ao Nápoles. O jogador que tomou destaque no Paços de Ferreira com Paulo Fonseca atuou hoje no flanco esquerdo, posição na qual o médio não se sentiu completamente estranho. Porém, a verdade é que talvez algum tipo de forma magnética empurrava o jovem português para o centro do terreno. Talvez até a sua intuição. Josué colocava-se constantemente no centro, a sua posição de origem. Por alguma razão eram raros os ataque que surgiam pela esquerda do ataque azul e branco.

| 0 comentários ]

  Foi um FC Porto de duas faces que se apresentou em Londres, na contenda frente aos turcos do Galatasaray. Disputava-se o 1º jogo da edição 2013 da Emirates Cup onde a equipa de Paulo Fonseca queria deixar boa impressão. Falava-se num "desafio à Champions" contra uma equipa turca extremamente bem orientada por Fatih Terim. Teste de pré-época mais exigente para os azuis e brancos até ao momento, grande foco sobre esta partida num campo onde o Porto definitivamente não se dá bem.

  A equipa portuguesa que alinhou com o equipamento alternativo neste encontro promoveu algumas mudanças no seu 11 inicial, tendo em conta a última parte contra o Celta de Vigo. Nomes como Quintero e Herrera foram deixados de fora da convocatória, supostamente para poupá-los e deixá-los frescos para o encontro face ao Nápoles. Por outro lado, o Galatasaray não poupou jogadores. Os nomes mais sonantes como Didier Drogba, Wesley Sneijder e até Emmanuel Eboué (que recebeu uma enorme ovação do Emirates, pois já representou o Arsenal com algum sucesso) foram utilizados de início por Terim e revelaram-se uma valente dor de cabeça para a defesa portista, sobretudo na etapa completamente onde os ares de Londres tiveram um efeito negativo sobre a equipa de Fonseca.

  Início agressivo da equipa portuguesa que teve em Defour uma grande importância na sua manobra ofensiva. O médio belga - que fora dos relvados continua a surpreender com o seu já fluente português, como se viu na entrevista pós-jogo - fez os papéis outrora levados a cabo por João Moutinho e foi o médio mais interventivo que servia de forma mais regular Jackson e os extremos, fletindo para o centro. O belga foi então o principal e melhor jogador do FC Porto na 1ª parte. Na cabeça de Jackson reinou a inconformidade graças à grande penalidade desperdiçada.

  Numa segunda parte completamente transfigura foi o Galatasaray que tomou conta do jogo e assustou por algumas vezes a baliza de Fabiano Freitas. De forma irónica o golo turco surgiu de grande penalidade, antes de Lucho González desperdiçar mais uma a favor do FC Porto. Repetiu-se a maldição das grandes penalidades que ganhou forma no final da época passada, um problema para Paulo Fonseca refletir e tentar prontamente resolver. 

  1. ENTÃO, NÃO SOBES? Como referi, um início agressivo do Porto. Linhas subidas, circulação de bola segura e um ritmo adequado na 1ª parte. Mas faltou algo bastante importante... profundidade. Nesta altura de pré-época os índices físicos ainda não são perfeitos, sim, há que compreender. Danilo e sobretudo Alex Sandro estiveram abaixo do expectável a aceitável. Depois dos 3 golos na Colômbia espera-se muito de Danilo, isso é certo. Alex Sandro esteve ainda mais discreto. Deverá ser, ainda assim, uma questão de tempo até à forma física dos jogadores em questão voltar à normalidade. Ou pelo menos a um patamar aceitável e consistente.

  2. BIPOLARIDADE. Inverteram-se completamente os papéis na etapa complementar deste encontro. Enquanto o Porto acusou algum desgaste da pré-época e dos altos índices de trabalhos, o Galatasaray voltou rejuvenescido dos balneários aproveitando também o pressionar do travão dos dragões. Viu-se um Porto mais recuado e mais cansado, um Galatasaray mais criativo e pressionante. Vá, tendo em conta que estamos apenas na pré-época. 

  3. UM AVISO, UMA PREPARAÇÃO. O Porto não é equipa que nos jogos se encontre a perder muitas vezes. Hoje esteve a perder a partir dos 70 minutos contra uma equipa de nível de Liga dos Campeões. Apesar duma derrota nunca ser positiva esta acaba por ser uma boa preparação para os azuis e brancos: é sempre positivo saber como atuar e reagir aquando do golo sofrido.

  4. OS ARES DE LONDRES. Não é necessário ter um doutoramento para saber que a equipa portuguesa não se dá bem no Emirates Stadium. Para se te der uma ideia: nos últimos 8 anos o Porto jogou 4 vezes no Emirates, todas elas contra o Arsenal. Nunca venceu, perdeu em todas as ocasiões. Sofreu 13 golos, marcou apenas 1. Jogar em Londres torna-se automaticamente num mau presságio para a equipa portuguesa. Terá, ainda assim, hipótese de redenção perante o Nápoles no dia de amanhã.

| 0 comentários ]

  Desconhecido para alguns, Sergey Kundik irá ser um nome fácil de lembrar nos próximos anos. Com apenas 17 anos o jovem nascido na Rússia já passou por Portugal, pela Rússia e pela Escócia. Veio para Portugal com apenas 9 anos, altura onde foi recrutado pelo FC Porto.

  Depois de sair do clube azul e branco Sergey continuou em Portugal, jogando nos escalões de formação do Leixões e do Boavista. Estreou-se pelos seniores do Fão aos 16 anos, despertando depois interesse do Real Madrid. Depois duma passagem pela equipa B do Spartak de Moscovo o jovem rumou à Escócia, onde foi contratado pelo Rangers. Jogou pela equipa de reservas da equipa escocesa, sendo que acaba contrato em julho. Na próxima época irá representar o Braga B.

  Antes de avançar para a leitura da entrevista, queria agradecer publicamente ao Sergey pela disponibilidade e aos restantes queria pedir que qualquer dúvida fosse endereçada  para o facebook do blog cuja atividade é diária. Pode ainda fazer as suas perguntas a cronicafutebolistica@gmail.com.




1. Considera a sua formação em Portugal positiva, desde o Porto até ao Fão?

  Tive altos e baixos na minha formação, passei por momentos difíceis. Tive uma lesão grave em que parti o perónio e fiquei 1 época sem jogar.

2. Do Fão ao Spartak. O que mudou na sua vida, nessa altura?

  O meu grande salto foi quando fui do Fão para o Spartak. Assinei lá o meu 1º contrato profissional. Depois do Spartak, e com grande jogos pela seleção [sub-17] estive perto de ir para o Real Madrid, mas o meu empresário não chegou a acordo com eles.

3. Sente que o facto de rumar à Rússia abriu-lhe portas que não poderiam ser abertas em Portugal?

  Depois do Spartak fui contratado pelo Rangers. Fiz a maior parte do campeonato na equipa de reservas que é como se fosse a equipa B em Portugal. Cheguei também a fazer alguns jogos pela equipa sub-19, os juniores. Tinha contrato com a equipa principal, mas não fui opção. São escolhas.

4. E depois do Rangers, o que se segue?

  O meu contrato com o Rangers termina em julho. Tenho pré-contrato com o Braga, deverei ser utilizado na equipa B e na equipa de juniores. Isso depende muito de mim e de como estiver fisicamente preparado.

Sempre a trabalhar, nunca a desistir. É esta a mensagem de Sergey Kundik.

| 0 comentários ]

  Foi com o nome do título que Luís Freitas Lobo chamou o Parc des Princes, estádio que acolheu um grande jogo entre Paris Saint-Germain e Barcelona. E, realmente, alguns dos reis do futebol europeu estiveram lá presentes. Entre eles destacava-se em particular o duelo entre Zlatan Ibrahimovic e Lionel Messi, que ficou por metade da sua duração devido a uma lesão do argentino que o fez sair ao intervalo. Digno de Liga dos Campeões, este jogo ficou marcado por um grande espetáculo, duas lesões de jogadores do Barcelona, um golo irregular e ainda pelo desaire de Valdés.

  À partida para a terça-feira de Liga dos Campeões o jogo mais apelativo era, teoricamente, o de Munique onde os líderes dos campeonatos de Alemanha e Itália se iriam enfrentar. Eu também pensei dessa forma, mas um golo madrugador de Alaba fez com que a equipa de Conte desanimasse e, consequentemente, ficasse desorientada. Na capital de Paris reinava a incerteza: o PSG iria motivado para um dos jogos mais importantes da sua existência, enquanto que o Barcelona, apesar de eficaz, continua a não mostrar o brilhantismo doutras épocas. A equipa espanhola manteve o seu jogo de posse de bola, sem qualquer surpresa. Messi começou no flanco direito, Alexis variou para a esquerda e Villa voltou ao seu habitat natural, a frente de ataque. O PSG surpreendeu, no que toca à estratégia desenhada para este embate milionário.

  De resto, também é apropriado dizer que a dimensão das equipas nas competições europeias é totalmente diferente. O Barcelona venceu 3 das últimas 7 edições da Liga dos Campeões (excluindo esta presente edição) e os franceses, excluindo esta edição, não jogavam na Liga dos Campeões desde o dia 7 de dezembro de 2004. Praticamente 8 anos depois a equipa voltou aos grandes palcos e, diga-se, proporcionou um regalo aos olhos de quem seguiu a partida.

  Não escondo o facto de não ser grande apreciador das políticas de compra de clubes como o PSG, Manchester City e até o Málaga em 2011/2012, quando se reforçou muito bem... gastando muitos milhões. São projetos arriscados (talvez até demais) e podem seriamente tornar-se um problema para a equipa, com batalhas e choques de egos como já se viu anteriormente. Porém, neste jogo em particular, os milhões acabaram por compensar num espetáculo de grande categoria. Quando se tem segurança na defesa, força e visão no miolo, grande velocidade e discernimento nos flancos e, por fim, sangue frio na frente de ataque torna-se tudo mais fácil.

  A posse de bola do Barcelona pode ser uma comichão e tanto para as equipas adversários, mas isso já todos sabemos. A equipa que nesta edição da liga milionária bateu o recorde de posse de bola (89% do Barcelona em Glasgow, num jogo onde curiosamente foi derrotado pelo Celtic) acabou por ter 63% neste duro teste em Paris, um valor que acaba por ser curto tendo em conta números mais avantajados que já teve na presente época. A solução acabou por estar na solidariedade e rigor defensivo do PSG, que tapou os espaços e linha de passe ao portador da bola, especialmente quando se tratavam dos homens mais perigosos com Xavi ou Iniesta, os motores do clube culé. Pode-se dizer que neste jogo opuseram-se dois estilos de futebol completamente diferentes, sendo que o PSG apostou na velocidade e na força dos seus elementos chave, como Matuidi e Lucas Moura.

  Era previsível que o Barcelona assumisse o jogo, como sempre o faz. A equipa francesa frequentemente colocava 9/10 homens atrás da linha da bola, pressionando desde uma zona recuada do terreno de jogo. Homens como Matuidi, Lucas e Pastore usavam a sua velocidade para efetuar transições rápidas e tentar chegar ao golo, que iria acabar por surgir (1-1) de forma irregular. Um erro gravíssimo da equipa de arbitragem que acabou por legalizar um golo "sujo" a Zlatan Ibrahimovic, que festehou efusivamente contra o seu antigo clube.

  Uma das grandes armas do Barcelona neste jogo foram os defesas laterais. Aliás, o brasileiro Daniel Aves foi mesmo eleito como o melhor em campo pela UEFA. O único defeito da equipa do PSG foi, na minha opinião, deixar exatamente os laterais do Barcelona com tanta liberdade. Lucas e Pastore desciam para pressionar quer Alexis e Messi, quer os homens no miolo. Isto significava que os laterais não tinha marcação direta e podiam progredir no campo sem grandes preocupações. A sua velocidade e espaço disponível foram fundamentais para a estratégia ofensiva do clube espanhol. Sobretudo o brasileiro Maxwell passou por muitas dificuldades na partida, tentando travar as investidas de Daniel Alves no lado direito: Pastore era praticamente o 3º homem no meio-campo parisiense quando a equipa não tinha a bola, pressionando no meio e deixando Alves com maior liberdade para exercer funções de ataque. Já o espanhol Jordi Alba teve dificuldades em progredir constantemente pela esquerda, já que o "Messi brasileiro" não vacilava, quer em funções defensivas quer em ofensivas. Falo, obviamente, em Lucas. O melhor em campo do PSG, junto com o tanque em Matuidi.

  Ancelotti montou uma equipa forte, coesa e (muito) solidária. Haja pulmão em Camp Nou para a equipa francesa repetir a gigante exibição que fez no Parc des Princes. O Barcelona foi previsível com a sua filosofia de posse de bola e paciência na construção de jogo. Como não sou grande adepto do futebol francês, as minhas observações vão quase todas para o espetacular Paris Saint-Germain que mostrou ao mundo que, mais do que um conjunto de grandes jogadores, é uma grande equipa. Daqui a uma semana o mundo parará para ver a conclusão desta eliminatória.

| 0 comentários ]

  É sabido que o FC Porto não tem sido muito feliz quando vai jogar a Alvalade. A estatística de pouco serve - e de resto não é esta que vai para dentro do campo daqui a menos de uma hora. Em Lisboa encontram-se duas equipas com objetivos completamente distintos, sendo que uma delas olha para o topo e outra tem que, atipicamente, olhar para o fundo. O mau momento do Sporting tem-se prolongado por já um número considerável de épocas, enquanto o Porto solidificou o seu estatuto de melhor clube português no século até à presente data. São dois grandes portugueses com duas ambições e realidades completamente inversas; joga-se um clássico de duas faces na capital do país.

  O "graúdo" Jesualdo reencontra a equipa pela qual foi feliz, vencendo 3 campeonato em apenas 4 anos. O ano em que não levantou a taça da liga portuguesa deveu-se a um Benfica endiabrado e, diga-se, a um Braga que surpreendeu muita gente. Agora no outro lado da barricada e com uns 66 anos marcados por uma experiência incrível como treinador, Jesualdo tem a função de tentar contribuir para a fuga do Sporting do (quase) fundo do poço em que se encontra. Já o "miúdo", Vítor Pereira, tem a ambição de se tornar novamente campeão pelo Porto, o segundo do técnico e o terceiro consecutivo numa onda vitoriosa iniciada por Villas-Boas numa das melhores épocas da história do clube azul e branco. Desta feita, com 44 anos, a missão para o antigo treinador do Santa Clara e Sp. Espinho é complicadíssima: ganhar em Alvalade sempre foi um problema para os portistas, num jogo que irá ser marcado por reencontros: Miguel Lopes, Varela, Izmailov, Liedson e o próprio Jesualdo Ferreira. Moutinho deverá ver o jogo na bancada devido a lesão.

  Extremamente complicado para o Porto pontuar no estádio de Alvalade em jogos a contar para o campeonato. Se formos virar a enciclopédia do princípio ao fim registam-se 78 jogos, ao todo, entre estas equipas no estádio de Alvalade. Dado o momento atual da equipa da casa neste jogo é surpreendente dizer que tem mais do que o dobro das vitórias do Porto, mas a verdade é que a equipa verde e branca tem desde sempre feito a vida negra aos dragões. 42 vitórias para o Sporting, 17 empates e apenas 19 vitórias para o Porto é o registo geral de encontros entre estes 2 colossos do futebol português em portas dos leões. Para sorte dos dragões a estatística não passa apenas disso.

  Tem sido de facto duro ser adepto do Sporting nesta época, imagino. Desilusão atrás de desilusão tem manchado mais uma época da equipa leonina que, como habitual, prometia. Mas tal como a estatística... não passa apenas disso. Um arranque duvidoso e muitas confusões marcaram o 2012 do leão e como era esperado a crise passou para o novo ano. O facto da equipa já ter tido 4 treinadores nesta época explica muita coisa. O Porto, por sua vez, apresenta uma realidade completamente diretiva. O projeto desenvolvido passa pela continuidade e, consequentemente, pela tranquilidade. Tendo ficado 4 anos no FC Porto, Jesualdo Ferreira tornou-se num treinador muito bem sucedido pelos lados do Norte. Claro que nesses dois pares de anos o agora treinador do Sporting também teve momentos maus, mas é certo que não foi despedido aquando dos seus desaires. Já Vercauteren...

  Outro aspeto que tenho de referir são as constantes mudanças no futebol do Sporting. Com 4 treinadores diferentes só nesta época (contando também com Oceano que curiosamente defrontou o Porto na 1ª volta) a forma de jogar nesta equipa está a ser constantemente desregulada e modificada: desde a pouca disciplina tática de Ricardo Sá Pinto aos métodos cuidadosos e inteligentes de Jesualdo que tenta agora imprimir irreverência na equipa com a inclusão dos elementos mais carismáticos e dotados da equipa B.

  Tem sido regra para o FC Porto mudar pouco de época para época ao contrário do que acontece com o adversário desta noite dos azuis e brancos. A época começou com apenas uma novidade no 11 base do técnico Vítor Pereira: Jackson Martínez. Uma aposta ganha que, não fazendo esquecer Falcao na sua totalidade, está a dar uma réplica deveras impressionante. Se 22 golos em 20 jogos no campeonato não é impressionante, então poucos registos o são. O colombiano veio, viu e venceu.

  Duas realidades diferentes, uma equipa no topo do futebol nacional e outra, de forma não muito surpreendente tendo em conta épocas anteriores, a lutar para não se afogar no fundo.