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  Ganhou notoriedade na primeira metade da época 2013/2014 e aparece agora como jogador do Valência Club de Fútbol. O defesa-central português Ruben Vezo pegou de estaca na equipa do Vitória FC na presente época e desde aí que vinha sendo seguido por outros clubes, entre os quais se destacou a formação ché que agora representa. E sobre a sua formação há pouco que se possa contar. Ruben manteve-se fiel ao Vitória, clube da cidade onde nasceu. Começou a jogar à bola com a tenra idade de 6 anos e tem como referência defensiva o brasileiro Thiago Silva. Humilde e esforçado, o setubalense sonha um dia vencer a Liga dos Campeões.

  Antes de dar início à entrevista gostaria de agradecer publicamente a Ruben Vezo que mostrou imensa disponibilidade e humildade durante todo este processo que levou à entrevista. A ele um muitíssimo obrigado. Sucesso para a sua grande carreira. Votos de Luís Barreira, fundador da Crónica Futebolística.



1. Começou a sua carreira como futebolista aos 6 anos. Sentiu que nessa altura podia alcançar o seu atual patamar?

  Comecei a jogar com 6 anos. Jogava muito à bola em casa, então a minha mãe decidiu meter-me no futebol apenas por divertimento e por distração, nunca imaginando ela que fosse essa a profissão que eu viria a seguir. Eu com 6 anos como é claro não tinha noção das coisas, apenas gostava de jogar futebol e dizia que queria ser jogador, mas era o sonho típico de um menino de 6 anos. Nunca com essa idade me passou pela cabeça chegar onde estou hoje.

2. É notório que deu nas vistas, sendo promovido com 16/17 anos ao plantel sénior do Vitória. Como encarou essa oportunidade?

  Encarei essa oportunidade com muita força e determinação, sendo uma oportunidade única tinha que a aproveitar, porque sendo promovido ao plantel sénior tive que deixar a escola porque não dava para conciliar as duas coisas. Nunca tive dúvidas de qual era a minha escolha, era sem dúvida o futebol e aproveitar esta oportunidade. Mas foi uma decisão difícil de explicar à minha mãe e de ela perceber que era uma oportunidade única para dar continuidade ao meu sonho, custou, mas com o passar do tempo ela foi aceitando a decisão.

3. Sejamos sinceros: no início da época 2013/2014, Rúben Vezo era um nome desconhecido para muitos. Alguns meses depois era o nome que estava na boca de muitos seguidores do futebol português. Como encara essa sua evolução meteórica?

  Sim, no início da época é certo que ninguém me conhecia, era um "menino" vindo dos juniores e desconhecido para a maior parte das pessoas. Mas a época felizmente começou a correr bem e fico feliz por agora estar, pela positiva, na boca de muitos seguidores do futebol português como você disse, é sinal que o trabalho que estou a desenvolver está a ser bom e agora é dar continuidade porque ainda há muito caminho a percorrer.

4. Muitas vezes o jogador português critica a falta de oportunidades que as equipas portuguesas oferecem aos seus atletas quando estão para ingressar nos plantéis principais. Tendo essa oportunidade no Vitória, quão grato se considera para com o clube?

  Muitos jogadores reclamam oportunidades e muitos treinadores se calhar têm medo de as dar, ainda para mais na minha posição de defesa central que é uma posição digamos que arriscada porque é muito mais fácil apostar num jovem avançado do que num jovem defesa, porque se o avançado falhar tem uma equipa inteira atrás dele, agora se um defesa falhar tem somente o guarda-redes atrás dele, mas felizmente não passei por essa situação, trabalhei muito para merecer a confiança do mister José Mota.
 
  Por exemplo, 20 dias antes do dia de me apresentar no Vitória para o arranque da pré-temporada comecei a treinar com um preparador físico e amigo que se chama Ventura, ele trabalhou-me fisicamente com treinos muito duros para chegar a altura da pré-época e eu estar melhor fisicamente que os outros e foi isso que aconteceu. 

  Eu abdiquei das minhas férias, coisa do qual não estou arrependido, e cheguei aos treinos de pre época e estava melhor fisicamente que os outros e sobressaia-me nos treinos, acho que essa foi a chave para o meu "sucesso" neste começo de carreira profissional.
E como é claro estou extremamente agradecido a estas pessoas que me ajudaram e pela oportunidade e depósito de confiança que o mister Mota me deu.

5. Não demorou muito até dar nas vistas e ser referenciado como reforço de clubes mais sonantes. Como encarou essas associações?

  É claro que ficava contente e satisfeito com essas associações, mas tentava encará-las com alguma indiferença, estava focado no Vitória e em ajudar o clube a atingir os seus objetivos e não me queria desconcentrar com outras coisas.

6. Chegou o Valência, uma nova etapa na sua vida. Considera ser um sonho tornado realidade?

  Sim, é sem dúvida um sonho tornado realidade jogar na melhor liga do mundo, num dos grandes de Espanha e num clube referência a nível mundial, jogar contra jogadores de classe mundial que antigamente só via pela televisão e hoje posso defrontá-los, é muito satisfatório.

7. Uma mudança pode ser sempre incómoda. Novas caras e novo ambiente. Sente que teve uma boa base de apoio quando chegou a Espanha?

  Quando é que uma mudança é incómoda quando estamos a concretizar o nosso sonho? Penso que nunca. Tenho uma boa base de apoio porque trouxe comigo a minha mãe e a minha irmã, elas que são a minha base e vão ser fundamentais no apoio e equilíbrio emocional quando as coisas possam estar a correr menos bem.

8. Considera que terá uma adaptação rápida e eficaz ao futebol espanhol? Os jogadores portugueses no clube ajudaram o Rúben neste novo período?

  Sim, penso que adaptação está a ser rápida e boa, os meus colegas portugueses bem como toda a equipa receberam-me muito bem, estavam constantemente a dar palavras de incentivo e deixaram-me logo à vontade, diziam para não ter medo de falar e para falar à vontade nos treinos, dar indicações e essas coisas porque era mais um que lá estava para ajudar. E estou a adaptar-me bem ao ritmo, aos novos métodos de jogo e de trabalho e de dia para dia sinto-me muito melhor.

9. Veio do Vitória para o Valência, tendo possibilidade de disputar as competições europeias além de poder ter a função de marcar diretamente jogadores como Ronaldo e Messi. Como encara essa oportunidade? Pressiona-o duma forma positiva?

  Encaro essa oportunidade com muita naturalidade, é um sonho poder jogar essas competições europeias e o facto de jogar em grandes estádios, com ambientes fantásticos, contra jogadores como Ronaldo e Messi, mas não vejo essa oportunidade como pressão e sim de grande motivação por poder jogar nestas condições que disse. 

10. Costuma-se dizer que o céu é o limite. Quais são os seus objetivos/ambições para esta e as seguintes épocas?

  Os meus objectivos para esta época e para as outras épocas passam por trabalhar muito, sempre no limite, para poder continuar a aprender, continuar a evoluir e jogar nesta equipa para dar o meu contributo ao Valência, ajudando a atingir os objectivos estipulados no inicio da época pelo clube e pela equipa.

11. Respostas relâmpago: Jogador favorito? Treinador favorito? Uma qualidade? Um defeito? Um objetivo na sua carreira?

  Thiago Silva, José Mourinho, uma qualidade: sou amigo do meu amigo e tento sempre que os meus estejam bem, um defeito: por vezes enervo-me com alguma facilidade e acabo por dizer coisas que não quero dizer às pessoas que menos devo dizer. E tenho como objectivo um dia ganhar uma Liga dos Campeões e estar no lote dos melhores defesas do mundo.

12. Por fim, se desejar, deixe uma breve mensagem aos seus fãs e aqueles que o apoiam de diversas formas.  

  Queria agradecer a todos que me ajudaram, que me acompanharam e acompanham, que torcem por mim, que deixam mensagens de apoio e incentivo, estou-vos muito agradecido e deixo aqui desde já o meu grande OBRIGADO. Beijinhos e abraços.

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  Há golos que no futebol fazem toda a diferença. Hoje foi dia de Bruno da Silva Lopes experienciar isso mesmo. O avançado do Estoril teve, porventura, a maior fortuna da sua carreira: marcou 4 golos no estádio do Mar perante o Leixões num jogo a contar para a Taça de Portugal. O seu nome tornou-se nesse instante um dos temas mais quentes do futebol português. O brasileiro de 27 anos chegou esta temporada ao clube canarinho e pouco se sabe sobre o seu passado porque este, durante as últimas duas épocas e meia, teve como espaço físico um outro lado do globo. O desconhecido Albirex Niigata foi o clube que contratou Bruno Lopes em 2010 quando este ainda andava por clubes brasileiros. Clube japonês fundado em 1955 que tem no seu currículo como troféu mais sonante uma segunda divisão japonesa. Clube modesto, mas que habita num estádio sensacional.

  O pistoleiro de Niigata¹, como era conhecido pela afición japonesa, pegou destaque na equipa na sua primeira época. Marcou 13 golos na edição de 2011 da J-League, sensivelmente um terço dos tentos da sua formação. É um registo, obviamente, invejável. Confirmou todas as dúvidas existentes nos dirigentes japonesas se ainda as houvesse. Bruno tornou-se um jogador ainda mais completo e virou herói sul-americano em terras asiáticas devido à sua versatilidade e imprevisibilidade. É regra no futebol que um avançado, diria eu, letal, não pode ter brindes. Não pode ter espaço e margem de manobra. Pois bem, Bruno Lopes castigava quem não o fizesse. A prova disso são os golos de meia distância e, uma novidade, os seus golos de cabeça. Porque coincidência ou não a verdade é que o brasileiro desenvolveu imensamente o seu jogo aéreo devido ao facto de nem sempre ter o espaço que tinha no Brasil onde o futebol é mais aberto e propício às jogadas individuais.

  ¹ Bruno Lopes tinha uma excelente relação com os adeptos dos Albi. Um dos seus festejos mais comuns era o de pistoleiro onde fazia das mãos autênticas armas de destruição. E isso fazia dele, bem, um matador. Algo que lhe fazia jus tendo em conta o número e qualidade de golos que foi marcando. Ficou então batizado.

  Um jogador que deve muito a dois elementos que o caracterizam como futebolista: a sua capacidade decisiva de suceder no 1vs1 e, sobretudo, a sua enorme facilidade em mudar de velocidade e colocar-se numa posição favorável para marcar ou assistir. Os brasileiros souberam-no desde cedo: Bruno teve oportunidade de representar 6 clubes como sénior no Brasil. O último foi o Vila Nova e foi curiosamente nesse emblema que teve oportunidade de pôr em prática aquilo que sabia e a arte que dominava. 3 anos depois os japoneses estavam também convencidos. Eis que chegou a notícia do empréstimo ao Estoril.  

Desconhecido para o público português, em geral, Bruno Lopes chegou por empréstimo do Niigata, clube pelo qual 20 golos na principal competição japonesa de clubes, a J-League. Chegou com rótulo de goleador. Ou pelo menos deveria ter chegado. Talvez mais do que isso Bruno seja um desequilibrador. Utiliza as suas frequentes e alucinantes mudanças de velocidade para colocar as defesas adversárias em sentido, além de possuir uma visão de jogo que lhe permite ser e ter movimentos ofensivos duma inteligência acima da média, algo que nem todos se dão ao luxo de possuir.
  A primeira - ou, de resto, a mais sonante - prova da inteligência ou matreirice do pistoleiro foi o golo de calcanhar frente ao Paços de Ferreira. Uma movimentação de grande qualidade foi recompensada com um golpe acrobático que valeu ao brasileiro o crédito por marcar aquele que foi seguramente um dos melhores golos do ano em Portugal. Titular por apenas uma vez, Bruno Lopes procura ainda o seu lugar cativo no XI de Marco Silva. Não é um jogador que se destaque pela força e por isso teve que viver um choque entre a exigência física do futebol português em comparação com a experiência nipónica.

  Fora de campo o antigo avançado do Albirex Niigata é casado e pai duma filha, sendo esses dois dos grandes amores da sua vida. Nasceu em Curitiba e vive agora em Cascais, na constante esperança de dias alegres como o de 4 de janeiro. Porque este fora, provavelmente, um dos melhores dias da sua carreira. O mesmo caracteriza-se como uma pessoa alegre, comunicativa e guerreira. Todos estes adjetivos mais ou menos visíveis em campo, sobretudo o último. E alegria por jogar na Europa, um sonho que Bruno Lopes confessou ter nas redes sociais. Poderia acrescentar que este brasileiro é extremamente modesto e simples: é religioso e uma pessoa muitíssimo grata. Teve oportunidade de referir que levava o Albirex Niigata no coração, uma equipa que mudou a sua vida dentro e fora dem campo.

  O brasileiro está, tal como outros sul-americanos que rumam ao futebol asiático, condenado ao sucesso no Japão. A sua estadia em Portugal ainda não é de todo conclusiva. A segunda metade da temporada será fundamental para a avaliação do trajeto do avançado de 27 anos. Uma coisa é certa: a Taça de Portugal acaba de lhe dar uma oportunidade para agarrar a titularidade. A partida de Luís Leal para a Arábia Saudita abre também portas que todavia ainda não teriam sido abertas. A continuidade no futebol português é incerta e improvável: Bruno ainda tem contrato com o clube japonês. Cabe agora a Marco Silva refletir sobre o momento do brasileiro pois a titularidade pode ser benéfica para ambas as partes. Sem dar por isso Bruno Lopes pode vir a tornar-se fundamental para a manobra ofensiva duma formação canarinha que ficou órfã da sua referência de ataque.

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  Joga-se esta noite um dos encontros mais importantes do mês e da época naquela que é considerada por muitos a melhor competição doméstica de clubes, a Premier League inglesa. Joga-se pela liderança na capital de Inglaterra, o mais mais populoso do Reino Unido. Os azuis de Londres, contestados por alguns problemas e lacunas defensivas, enfrentam os vermelhos da mesma cidade que apesar de só terem menos um golo sofrido têm mostrado maior solidez defensiva. Existem muitos fatores que podem dar e dão, mesmo, o favoritismo ao Arsenal. Mas se fosse para isso não havia necessidade de ser realizado este tão aguardado encontro. O futebol não é linear e a capacidade de superação de José Mourinho pode vir ao de cima com os baby blues do Chelsea. Não seria a primeira vez e, obviamente, também não seria a última. Um derby é sempre imprevisível, seja em Portugal, na Inglaterra ou no Vietname. O conceito é o mesmo, só mudam os protagonistas.

  E se me é permitido classificar os protagonistas, estes merecem todos notas muito razoáveis. Ou a maior parte deles, claro. Uma das excepções é para José Mourinho estranhamente. Fraca consistência defensiva, uma produção ofensiva aquém das expectativas e a perda de pontos em casa são alguns dos fatores de queixa, por assim dizer. Sobretudo este último. Muito conhecido é o special one por transformar os campos das suas formações em autênticas fortalezas de materiais duros de quebrar. Porém, parece que os obreiros estiveram mal na pintura. Os blues já foram derrotados em casa, mesmo que só se tenha sucedido numa ocasião. Yakin e o Basileia foram os culpados. Empatou outra para o campeonato. Fora de casa, três derrotas. Um indício pouco brilhante para o homem que em 2011 se abriu diante os jornalistas e confessou... não ser tradutor. Pois é, nem o humor de Mourinho vai safando uma época que, apesar de satisfatória, tem tido os seus defeitos.

  Por outro lado alinham os gunners, considerados por muitos como a melhor equipa do campeonato até ao momento. Opinião aceitável, mas discutível. É aqui que Brendan Rodgers oferece o seu sorriso sarcástico, tendo em conta o grande momento dos reds. Mas adiante. Arsène Wenger desfez toda e qualquer dúvida existente sobre o possível fim de ciclo na equipa londrina. Com uma equipa consideravelmente jovem - média de idades em 23,55 exatamente - o trabalho realizado nesta época tem sido brilhante. O ressurgimento de peças como Ramsey, a estabilização de Wilshere como patrão e o aparecimento de Özil: três dos principais fatores para o sucesso da equipa do técnico francês. O miolo tem criado e determinado o sucesso da formação na presente temporada. E, apesar de aparecer no flanco direito, Jack Wilshere tem o íman que o atrai para o centro do terreno. Não foge às suas origens.

  Existem muitas dúvidas de como é que as formações se podem mesclar dentro de campo. Estas serão dissipadas no momento do pontapé de saída e, a meu ver, o vencedor do jogo será aquele que conseguir defender melhor. Pode parecer uma resposta genérica e sem sentido, sim. Mas a criação ofensiva de ambas as formações obrigam a um fenomenal trabalho defensivo. Ambos elevados se bem que diferentes. O jogo do Arsenal passa preferencialmente pelo centro, não fosse Özil o homem referência do ataque desta equipa que vai finalmente preparando um novo tiro de canhão. Wilshere também flete para o centro como podemos ver em muitos vídeos de destaques. Fazem uma dupla letal, não ignorando o galês Ramsey. Aliás, e voltando a Wilshere, todos ganham com esta movimentação e estratégia de posicionamento. Sagna é um lateral extremamente ofensivo e hoje deverá enfrentar Ashley Cole num escaldante duelo.

  A estratégia do Chelsea é mais balanceada, mas há grande dependência do espanhol Juan Mata no ataque. O espanhol pode atuar no centro (com funções semelhantes às de Özil, por vezes) ou na direita. Nesse último cenário é Willian o preterido para atuar nas costas do ponta-de-lança, Torres ou Eto'o. O brasileiro que tem encantado a Premier League com os seus dribles e passos de samba apesar dos meros 413 minutos no campeonato. Ninguém toca em Hazard, esse está fixo na esquerda. É um desses belgas da nova geração que têm dado cartas na Premier League. Mas isso não é novidade. Pode-se dizer, então, que é o homem chave da equipa de Mourinho.

  Estão lançados a maior parte dos dados. Chelsea e Arsenal darão às 20h de Portugal continental o pontapé de saída para um dos mais jogos entusiasmantes jogos da época futebolística. Assim se espera muito certamente. Dois setores de ataque extremamente criativos e eficazes prometem atormentar as defesas adversárias onde se posicionam os elos mais fracos - ou menos fortes - de ambas as equipas. E será por aí que uma das formações irá ceder, se isso acontecer.

  É elementar que na parte superior da imagem podemos ver aqueles que são, na teoria, os jogadores com maior possibilidade de decidir o jogo. Mas diria que existe uma igualmente tão grande possibilidade de ser um dos centrais da imagem a encarregar-se de decidir o vencedor da contenda de mais logo. Quando existem Özil e Hazard, dois criativos e génios nos ataques das respetivas turmas, existem também aqueles que não são tão eficazes. E o desfecho do encontro pode passar por eles.

Mertesacker e Cahill são os elos mais fracos de ambas as equipas nesta perspetiva pessoal. O alemão destaca-se pelo seu posicionamento e imponente jogo aéreo, mas carece de velocidade. Caso seja opção para Wenger terá sérias dificuldades em acompanhar homens como Hazard, Mata ou Willian. Será uma noite infernal para o europeu. Do outro lado há Cahill, um jogador inconsistente e com algumas falhas. Não se enganem, tem enorme potencial. David Luiz tem estado com alguns visíveis problemas físicos, sendo o mais recente no final de novembro, mas coloca-se a questão de ser ou não mais viável optar pelo sul-americano. São as escolhas de Mourinho. E serão elas, daqui a hora e meia, que poderão ter um decisivo papel num dos embates mais aguardados da época futebolística inglesa.

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  A 13 de maio de 2013 Philip Cocu foi oficialmente apresentado como novo treinador do PSV, principal emblema de Eindhoven, Holanda. Diga-se que seria uma questão de tempo, tendo já exercido funções como interino e apresentando-se como adjunto desde 2010/2011. Uma espécie de sonho e fantasia para qualquer adepto, não tivesse o antigo internacional holandês sido o melhor médio que passou pelo clube na última década. Aliás, estou a ser simpático. Posso dizer também que marcou uma geração nos Boeren, mas nunca sem referir que a partilhou com peças e pilares como van Bommel, Dennis Rommedahl, Mateja Kežman e o nosso careca preferido, Arjen Robben¹. Enfim, a lista é extensa mas a ideia está presente. Então foi como um sonho para qualquer adepto do Philips Sport Vereniging. Ou pelo menos para a esmagadora maioria. Iria suceder a Advocaat² um carismático e idolatrado homem que já encantou na Philips.

¹ Importante referir que a lista é muito mais extensa. Para não ser praticamente infindável, a lista foi resumida para apenas a época de 2003/2004, primeira de Cocu após regressar ao PSV.

² Convém referir que Advocaat não foi despedido. Após terminar a Eredivisie na segunda posição e, por conseguinte, perder a Taça Holanda frente ao AZ - ironicamente a equipa que treina desde outubro, voltando atrás na sua palavra - comunicou de forma oficial que se iria reformar, deixando o futebol duma forma definitiva. Mentiu ou, em termos mais leves, reconsiderou. Voltou ao Alkmaar 3 anos depois de ter abandonado o clube. Na altura foi a seleção russa que o chamou.

  As reações foram sobretudo positivas. Depois dum segundo lugar no campeonato e duma taça perdida de forma infantil estava na hora de voltar aos títulos. Porque não fazê-lo com alguém que sabe o que é isso? Alguém que sabia levantá-los, beijá-los e exibi-los às massas que deliravam e cantavam repetidamente pelo seu nome, entoando uma emocionante melodia em Barcelona, mas sobretudo em Eindhoven. O senhor que fez cento e um jogos pela laranja mecânica³ e que arrecadou dez títulos oficiais como jogador, número até escasso para o modelo de jogador que representava.

³ Apesar desse invejável registo, Philip Cocu marcou apenas 10 golos. Ao mesmo tempo isto reforçava a ideia que não era um jogador que marcasse muitos golos, mas sim que os prevenia. E, muitas vezes, também os criava. Mas raramente finalizava, apesar do seu mágico pé esquerdo.

  Os primeiros confrontos obrigaram a formação de Cocu a dar tudo e mais alguma coisa, o adversário era o temível AC Milan. Jogava-se a Liga dos Campeões e um 3-0 em San Siro estragou o esforço e invalidou o 1-1 na Philips Arena. Tudo dentro dos conformes no que toca às primeiras três jornadas do campeonato. O mesmo número de vitórias. O brilho ficou num plano secundário, valeu-lhes a eficácia e a irreverência de alguns jovens, nomeadamente Bakkali e Depay. Este primeiro é um dos mais novos de sempre a atuar pela equipa A do PSV, com 17 anos. É extremo-direito, mas atua com o mesmo conforto no centro. Nasceu em 1996. É um miúdo que veste a camisola, já calça as chuteiras e alinha num histórico do futebol europeu. Depay não é muito mais velho, tem 19. Podia continuar a lenga-lenga, mas basta referir apenas que a média de idades do clube é de 21,97. Penso que posso terminar este parágrafo desta forma porque o indicador diz tudo. Comprova a irreverência e a rebeldia. Infelizmente, carecem de experiência.

  A crise começou a ganhar nome e relevância nas três jornadas seguintes. Um empate no reduto do Heracles Almelo não é ideal, mas tolera-se. Porque um escorregão ocasional é perfeitamente normal desde que não se torne hábito. Ora, Philip Cocu e os seus jogadores deixaram isso acontecer. As soluções encontraram-se todas, sem excepção, no banco de suplentes. E a verdade é que não são apenas as exibições que deixam a desejar: são também, e principalmente, as opções do antigo médio do Barcelona. É um pensamento que partilho, não é universal. Mas tem a sua lógica. O técnico abdica da experiência e aposta na juventude, mas será essa uma solução viável a curto-prazo?

  Não! Ainda na época passada a formação de Dick Advocaat tinha um plantel com uma média de idade de 23,50. Se isso fez com que a equipa ganhasse títulos? Também não. Mas há que comparar momentos. Pela jornada 16, na época passada, o PSV liderava a Eredivisie. Esta época está em 10º com uns miseráveis 20 pontos, menos 16 do que na altura. São contas fáceis de fazer. Este PSV é mais fraco, mais débil e mais inexperiente. A culpa tem que ser empregue a Philip Cocu e porventura a eventuais políticas de dirigismo que imponha restrições na média de idade dos jogadores utilizados. Porque, apesar dessa mesma ser extremamente baixa, há jogadores capazes de guiar a equipa durante os períodos mais complicados. Schaars até tem sido titular... o mesmo não se pode dizer de Ji-Sung Park, muito menos de Ola Toivonen. O sueco normalmente é utilizado como um desbloqueador, entrando na 2ª parte (já o fez em 7 diferentes ocasiões). E, na realidade, Cocu deveria fazê-lo com Locadia, Jozefsson ou o menino Bakkali. A média de idades destes jogadores é de 19,67.

¹  Com ou sem a experiência necessária, falta organização, rigor e disciplina. Muitas vezes os miúdos podem ferver desnecessariamente. Cocu também tem uma difícil missão nesse e noutros campos que não o da bola no pé. Porque formar jogadores e homens são duas coisas completamente distintas.

  E, continuando a sequência anterior, pode-se concluir que a campanha na atual Eredivisie tem sido pior que má no que toca aos altos padrões dos Boeren. Empates na 5ª e 6ª jornada acabaram por colocar a Philips Arena em estado de calamidade como se previa. Porém, uma vitória por 4-0 sobre um dos maiores rivais, o Ajax de Amesterdão, reestabeleceu a calma e até os sorrisos de volta aos seus proprietários. Excepto Cocu que continuou apreensivo, continuava a saber que algo não estava bem. E adivinhem, Schaars, Toivonen e Park foram titulares nessa partida...

  Nem tudo foi um mar de rosas. No fim-de-semana seguiu-se uma derrota no terreno do AZ treinado por Verbeek. Mais tarde seria substituído por Dick Advocaat, já o escrevi anteriormente. E a equipa entrou num período negro depois duma vitória tangencial sobre o RKC. Essa vitória aconteceu no dia 6 de outubro. Desde esse dia, e até agora, o PSV não voltou a vencer em jogos a contar para o campeonato. Já se passaram 7 jogos e 2 meses, entre eles uma escandalosa - e, acreditem, estou a ser extremamente simpático - derrota frente ao Vitesse. Os famosos 2x6 na Philips Arena. Choveram lenços brancos e críticas ao treinador, o principal acusado de culpado. Park e Toivonen começaram esse encontro no banco. Na passada quinta-feira, frente ao Chornomorets Odessa, nenhum dos 3 elementos em estudo foram titulares. Schaars nem foi convocado. O resultado? Mais uma derrota caseira.

  Isto tudo para clarificar uma temática frequentemente discutida na comunidade holandesa futebolística. A irreverência e juventude são bem-vindas se alimentadas com calma, persistência e se não em excesso. O caso do Borussia Dortmund é, por exemplo, um sucesso. O projeto do PSV, se é que o há, está em vias de se tornar um falhanço e um verdadeiro flop de Cocu. Os próximos 2 encontros na Eredivisie serão fundamentais para a época do PSV: Cocu pode, com alguma facilidade, nem chegar a janeiro.

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  Há projetos que com o tempo se tornam banais e fúteis, apenas mais um no currículo. E esse era o meu medo, lá atrás, em 2011. Quando ainda não tinha um programa definido, quando era um miúdo de 14 anos a querer escrever uns artigos e ali. Mais do que tudo foi preciso dedicação. Tanto que, nas suas primeiras semanas, o blog tinha lançamentos semanais. Diários, até. Não digo que foi necessário abdicar de nada em particular, bastou gerir de forma adequada o tempo disponível. Lá, em 2011, e agora, no final de 2013 e numa altura em que a página se tornou o principal foco deste projeto e desta marca, a Crónica Futebolística

  Marca essa que tenho o prazer de ter criado, desenvolvido e com ela, maturado. Um sentimento de dever cumprido, ultrapassando e aniquilando qualquer receio e qualquer medo de falhar. Isto, claro, na minha opinião. Porque na altura, e até agora, não coloquei a fasquia num patamar demasiado alto. Mantive a calma. Sei que não sou um génio, um Luís Freitas Lobo da análise ou um Rui Malheiro da observação. Mas sim um jovem de 16 anos a fazer aquilo que gosta e, mais importante, aquilo que pode. E esta data faz despertar muitos sentimentos. O mais sonante é o orgulho de ter conseguido.

  Era meu receio falhar e banalizar um projeto, apesar da baixa envergadura nos seus primeiros tempos. Ainda não lhe considero como sendo um gigante... mas que cresceu, lá isso não posso negar. Ainda me falta fazer muito: a marca cresce proporcionalmente ao meu enriquecimento e ganhar de conhecimentos. E com isso vem o respeito, a audiência, os próprios fãs. Os que perseguem o futebol como o gato persegue o rato. A massa adepta circunda e persegue o futebol, um desporto em constantemente movimento e maturação. Mas não é por isso que deixa de ser seguido por milhões.

  E com isto quero deixar impresso que estou muito orgulhoso, até vaidoso. Mas sobretudo grato. Porque sem vocês, os que estão a ler isto, o projeto não iria existir. Isto dado que não gosto de fazer monólogos - ou neste caso, escrevê-los. Portanto aqui vai o meu enorme agradecimento a todos vós. Por estes dois anos, pelas críticas, pelo feedback e pelas emoções. Muitos mais virão.

Luís Barreira,
administrador da Crónica Futebolística - onde tudo começa.