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  Há projetos que com o tempo se tornam banais e fúteis, apenas mais um no currículo. E esse era o meu medo, lá atrás, em 2011. Quando ainda não tinha um programa definido, quando era um miúdo de 14 anos a querer escrever uns artigos e ali. Mais do que tudo foi preciso dedicação. Tanto que, nas suas primeiras semanas, o blog tinha lançamentos semanais. Diários, até. Não digo que foi necessário abdicar de nada em particular, bastou gerir de forma adequada o tempo disponível. Lá, em 2011, e agora, no final de 2013 e numa altura em que a página se tornou o principal foco deste projeto e desta marca, a Crónica Futebolística

  Marca essa que tenho o prazer de ter criado, desenvolvido e com ela, maturado. Um sentimento de dever cumprido, ultrapassando e aniquilando qualquer receio e qualquer medo de falhar. Isto, claro, na minha opinião. Porque na altura, e até agora, não coloquei a fasquia num patamar demasiado alto. Mantive a calma. Sei que não sou um génio, um Luís Freitas Lobo da análise ou um Rui Malheiro da observação. Mas sim um jovem de 16 anos a fazer aquilo que gosta e, mais importante, aquilo que pode. E esta data faz despertar muitos sentimentos. O mais sonante é o orgulho de ter conseguido.

  Era meu receio falhar e banalizar um projeto, apesar da baixa envergadura nos seus primeiros tempos. Ainda não lhe considero como sendo um gigante... mas que cresceu, lá isso não posso negar. Ainda me falta fazer muito: a marca cresce proporcionalmente ao meu enriquecimento e ganhar de conhecimentos. E com isso vem o respeito, a audiência, os próprios fãs. Os que perseguem o futebol como o gato persegue o rato. A massa adepta circunda e persegue o futebol, um desporto em constantemente movimento e maturação. Mas não é por isso que deixa de ser seguido por milhões.

  E com isto quero deixar impresso que estou muito orgulhoso, até vaidoso. Mas sobretudo grato. Porque sem vocês, os que estão a ler isto, o projeto não iria existir. Isto dado que não gosto de fazer monólogos - ou neste caso, escrevê-los. Portanto aqui vai o meu enorme agradecimento a todos vós. Por estes dois anos, pelas críticas, pelo feedback e pelas emoções. Muitos mais virão.

Luís Barreira,
administrador da Crónica Futebolística - onde tudo começa.

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  Como dito na primeira parte deste artigo, o passado sábado dia 14 de setembro foi provavelmente o 1º do ano no que toca a qualidade futebolística. Beijou o céu e roçou a excelência. Mas, por vezes, mais do que um jogo particularmente bem disputado, importam os momentos. E foi precisamente disso que se fizeram alguns dos jogos de ontem, quer em Espanha quer em terras alemãs. Momentos determinantes. Um golo aos 93 depois duma arrancada dum determinado astro argentino. Um jogo com 8 golos ou uma estreia de sonho. Vale tudo nas principais ligas europeias.

  Para muitos as ligas as quais irei analisar abaixo serão neste momento mais relevantes do que a Premier League em termos de qualidade. Não posso concordar, mas não posso discordar também. Existem todo o tipo de opiniões neste panorama, todas certamente com o seu fundamento e gota de razão.  Mas, numa nota relacionada, é preciso ter em conta o crescimento selvagem da Bundesliga nos últimos anos. Um campeonato com um ritmo intenso, rápido e um ambiente fantástico fora das 4 linhas. Faz lembrar a Premier League, sim, mas em terras de Merkel.

  Jürgen Klopp, mais do que ninguém, tem razões para sorrir. Aos 22 minutos da 1ª parte via-se com razões para sorrir, tendo em conta os golos de Aubameyang e Mkhitaryan. Aos 26 minutos o alemão testemunhou o 2-1, sendo que o seu sorriso dissipou-se e virou preocupação aos 49 quando Westermann empatou as contas no Westfalenstadion. Um balde de água fria para um dos mais carismáticos treinadores da história do futebol alemão e uma das equipas mais irreverentes do futebol europeu nos últimos anos. O facto foi que o Hamburgo teve imensas dificuldades em voltar a assustar a baliza de Weidenfeller. Quando o fez, a vantagem da equipa da casa já era avassaladora. Este 6-2 volta a mostrar que a equipa de Guardiola não é campeã pré-definida nesta 51ª edição da Bundesliga.

  Bayern esse que voltou a vencer sem grande dificuldade. Superiorizou-se com clareza a um Hannover frágil. Prevaleceu a lei do mais forte na Allianz Arena. Desta forma os bávaros continuam a perseguição ao Borussia Dortmund que se tem destacado apenas com vitórias neste início de época. Referência merecedora também ao 1º golo de Kevin-Prince Boateng na Bundesliga. Ganês oriundo do AC Milan, este talento fantástico pode vir a dar cartas na Alemanha. Não tarda nada poderá ter um defesa muito especial a marcar-lhe: o seu irmão Jérôme Boateng, central/lateral direito do Bayern.

  Mas a pérola da semana na Bundesliga, fora dos relvados, pertence obviamente a Jürgen Klopp na conferência de imprensa após os 6-2 ao HSV. O alemão referiu que «Reus merece um lugar no céu».

  É seguro dizer que ontem o astro argentino, Lionel Messi, não fez um dos melhores jogos da sua carreira. Apesar do golo da assistência esteve estranhamente apagado, sendo o Sevilha também responsável por esta falta de inspiração do melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA. Mas como referi nas primeiras linhas deste artigo, há momentos com maior importância do que uma exibição ou uma prestação coletiva. Há momentos absolutamente marcantes que captam e ficam na memória das pessoas mais facilmente. Um desses momentos aconteceu aos 93 minutos nesse fantástico Barcelona x Sevilha. Num momento "à Messi", o argentino penetrou pela defesa do Sevilha e acabou por fazer um passe precioso para Alexis já na linha de fundo. O resultado? Golo da vitória (3-2) e uma vitória arrancada a ferros. E agora prevalece a lógica que referi anteriormente: obviamente que este passe e este lance do sul-americano é mais valioso que a sua menos boa exibição. Mais marcante, mais relevante... deveras mais interessante.

  E o Villarreal, esse... parece que nunca chegou a descer de divisão. A equipa de Marcelino Toral intimidou o Real Madrid, algo que poucas formações podem dizer e não serem declarados mentirosos ou alucinados. De facto o submarino amarelo fez a vida negra à equipa de Carlo Ancelotti no El Madrigal. Cani fez o 1º golo do jogo aos 20 minutos (caso tenham dificuldade em reconhecer a identidade do mesmo, posso dizer que já ao FC Porto, no Dragão, numa meia-final europeia) e Bale respondeu aos 36. Primeiro golo do galês como jogador do Real Madrid! Terá de ser o primeiro de muitos para fazer os 91/99 milhões de euros serem um negócio proveitoso para os merengues. O Real atrasa-se assim em relação ao Barcelona e ao surpreendente rival da capital, o Atlético de Madrid.

  Pouco há a dizer sobre a equipa de Diego Simeone. Mais um jogo, mais uma vitória. Autêntico rolo compressor da equipa que tem vivido constantemente à sombra do rival da capital espanhola. O Almería esforçou-se e foi uma equipa extremamente solidária para tentar um resultado melhor. Suso acabou por ser o melhor do conjunto visitante como, de resto, tem sido costume.

  De referir ainda que Thierry Henry marcou na MLS. Os NY Red Bulls, equipa do francês, derrotaram a equipa mais fraca da MLS, os Toronto FC. O principal destaque do campeonato, neste fantástico sábado, foi a vitória valiosa dos Seattle Sounders sobre os RSL City, equipa do internacional norte-americano Kyle Beckerman. Sempre um prazer acompanhar a MLS, um campeonato que cresce a olhos vistos. E este, caros leitores, foi um sábado de excelência.

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  Por tradição é o domingo o dia que nos traz maior espetáculo na vertente futebolística. Mais jogos, logo uma maior probabilidade disso acontecer. Tem uma lógica coerente que acaba por se justificar com maior e melhor diversidade e gostos para todos os adeptos do desporto rei. Porém, o sábado de hoje é capaz de entrar no pensamento de muitos. No meu inclusive. Espetáculo, golos e momentos de encher o olho e correr o mundo pelas redes sociais. Este, meus amigos, foi o 2º sábado de setembro. O 37º do presente ano de 2013. E provavelmente o 1º no que toca a qualidade futebolística deste ano.

  Se na vida há algo com lógica - até porque muita vezes esta perde algum do seu sentido, convenhamos - esse algo é começar pelo princípio. E por essa lógica começo por falar do agradável espetáculo que foi - e aliás, sempre tem sido - a Premier League inglesa. Sim, inglesa. Porque também há a escocesa, mas essa basicamente tem um campeão pré-definido (perdoem-me a expressão) a bater em mortos. É uma raridade na Europa, mas a verdade é que a Escócia tem já um campeão anunciado. Sempre teve, desde a descida do Rangers ao quarto escalão do país. O mesmo não acontece na Premier League, um campeonato alucinante cheio de emoção.

FELLAINI ESTREOU-SE OFICIALMENTE COMO REFORÇO DO MANCHESTER UNITED
 
  Destaque claro para um certo belga que se estreou no Manchester United. Marouane Fellaini jogou sensivelmente meia hora, substituindo Anderson à passagem da hora de jogo. Foi recebido pelo teatro dos sonhos com um grande aplauso. Terá que justificar mais desses com exibições de grande nível, fazendo lembrar os seus tempos no Everton com David Moyes. Rooney jogou, até marcou. Finalizada a época de transferências este poderá ser o golo que irá levar o inglês a ganhar novamente a confiança dos adeptos que ficaram certamente abalados após o jogador forçar, em parte, a sua saída. Um presente de reconciliação e esperança para o regresso aos velhos tempos de Rooney.

Há também que destacar a bela exibição da «equipa de rugby» (de acordo do Arsene Wenger), o Stoke City. A equipa conseguiu um excelente 0-0 frente ao Manchester City de Pellegrini que se apresente fortíssimo neste início de época, apesar do deslize frente ao Cardiff.

  O Tottenham voltou a vencer em casa, sendo que assim a equipa de André Villas-Boas coloca-se no topo da tabela classificativa junto do Arsenal. 4 jogos, 9 pontos. Caso o Liverpool de Brendan Rodgers vença no País de Gales, aí sim, teremos novo líder isolado com um pleno de vitórias. Um caso sério estes Reds de Merseyside. Depois de tanta especulação este parece ser o ano do histórico emblema inglês. 

  Há que destacar também a estreia de Özil como jogador do Arsenal nesta que foi, de resto, uma jornada de estreias. E o alemão teve um desempenho semelhante a Christian Eriksen: primeiro jogo, primeira assistências. Os novos '10' de Londres prometem dar cartas nesta edição da Premier League.

MAURO ICARDI MARCOU O GOLO DO INTER FRENTE À JUVENTUS

  Foi tarde de clássico em San Siro. O confronto futebolístico mais aguardado de Itália chegou e foi a Juventus quem teve alguma sorte no desfecho do encontro. Não que a equipa de Antonio Conte tenha tido uma exibição pouco inspirada, mas o Internazionale conseguiu tapar os buracos em que penetram jogadores fascinantes como Tevez ou Vucinic que recuperou de um problema físico a tempo do jogo. Mas foi mesmo Mauro Icardi a figura em destaque. Desbloqueado à Sampdoria por 15 milhões de euros numa cláusula de co-propriedade, foi o argentino de 20 anos a fazer os adeptos da equipa da capital saltar das cadeiras do Giuseppe Meazza. 

  A Juventus voltou a apresentar Pogba como titular, uma promessa fantástica. Se tudo correr bem será com naturalidade um dos melhores do mundo. Pogba no XI da equipa de Turim faz com que Pirlo tenha menos destaque, estando mais próximo do italiano no relvado do que, por exemplo, Claudio Marchisio. Este box2box tem funções mais ofensivas, sendo o francês mais polivalente e, por isso, um jogador diferente. Uma arma a explorar.

  Balotelli volta a estar em destaque. Não porque marcou um grande golo nem protagonizou mais uma cena de capa de revista, mas sim porque mantém um registo perfeito desde o início da sua carreira como futebolista profissional. Marcou de grande penalidade no empate frente ao Torino (2-2) e conseguiu manter intacto o seu registo imaculado. Em 26 grandes penalidades convertidas ao longo da sua carreira, Super Mario converteu-as todas de forma bem sucedida. É um rácio de 100% de sucesso. Por estas e por outras o 45 do AC Milan volta a mostrar-se preponderante para a sua formação. É necessário referir que Kaka, número 22, foi titular. Jogou 70 minutos e esteve discreto, nesta agora contínua missão de tentar recuperar o seu momento de forma de há aproximadamente 4 anos. E, diga-se, será extremamente complicado.

  Na segunda parte deste artigo irei fazer a análise daquilo que foi a jornada da Liga BBVA, uma jornada da Bundesliga com muitos golos e ainda dar uma vista de olhos nos restantes campeonatos europeus, incluindo o português, assim como dar a conhecer o que se passou de tão relevante no sábado da MLS.

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  Depois dum empate sem golos no António Coimbra da Mota os canarinhos comandados pelo jovem Marco Silva iam a Israel com uma complicada missão. A viagem, o ambiente e a própria falta de maturidade nas competições europeias podiam ser crassos obstáculos para a equipa portuguesa que tentava também obter o seu 1º golo nas competições da UEFA. Um dos objetivos cumpridos na viagem a terras estranhas para a equipa da linha, convém referir e sublinhar.

  O nervosismo pode ter tomado contra dos amarelos do concelho de Cascais na 1ª mão, mas um início agressivo e pressionante em terreno forasteiro deu-lhes um grande impulso na confiança e motivação para o resto do encontro. Fiel ao 4231 a equipa estreante (tal como o seu adversário, diga-se) entrou esforçada e decidida num dos encontros mais importantes da sua história de 74 anos. A dupla de extremos formada por Carlitos e João Pedro Galvão tomou as rédeas durante todo o jogo, porém com maior intensidade numa etapa inicial da partida onde os visitantes clarificaram o seu domínio absoluto no encontro. A grande penalidade convertida com sucesso pelo '10' desta formação, Evandro, veio apenas confirmar o domínio canário. Golo para ser festejado pela equipa, todo o corpo do Estoril, adeptos e especialmente para um fiel adepto da equipa que apareceu nas bancadas do Winter Stadium em Ramat Gan. Esse também merece uma menção honrosa.

  Grande penalidade convertida, Avi Soffer expulso e a eliminatória segura para o lado português. Um brasileiro a marcar o 1º golo da história do Estoril nas competições europeias, um registo que fica obviamente na história do futebol português. A assinalar um Estoril (muito) mais atrevido do que aquilo que foi no seu próprio estádio. Preocupante, mas ao mesmo tempo bastante aliciante. A melhor forma de descobrir como uma determinada equipa reage num embate europeu fora de portas é com garantias. Marco Silva teve as que precisou e as que colocam um Estoril europeu no play-off de acesso à fase de grupos da Liga Europa.

   1. ISRAELITAS COM AÇAIME. Tal como o Estoril, o Hapoel Ramat Gan fazia em sua casa o 2º jogo da sua história nas competições europeias. Encontrou-se desde cedo a perder e, para ajudar à festa, com menos 1 unidade. Recuou um dos trincos a central, porventura o acelerar duma morte lenta em solo israelita. Dadas as circunstâncias desfavoráveis restava aos homens de Arik Gilrovich arriscar. Sim, arriscar. Sem medos, receios ou rodeios. Jogava-se por um lugar num play-off de acesso à fase de grupos duma competição europeia. O Hapoel Ramat Gan limitava-se a trocar a bola na defesa quando tinham a posse da mesma. Uma equipa inofensiva que nem cães com açaime...

  2. A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA. O quão importante é, numa equipa como o Estoril, ter um elemento relativamente experiente no que toca a competições europeias? Deve ser um alívio, diria. Carlitos pegou na batuta e fez-se valente, afirmando-se como o líder desta equipa em campo. Não jogou a partida completa, sendo que Gerso entrou para o seu lugar aos 66. Mesmo estando fresco notou-se a falta do português dentro das 4 linhas. Não fazendo toda a diferença Carlitos foi, porém, extremamente relevante no jogo da equipa de Marco Silva. Uma autêntica bênção para o Estoril.

  3. INEFICÁCIA. Apesar de ter sido superior em ambos os jogos desta eliminatória o Estoril apenas conseguiu um único golo e de grande penalidade. Nas competições europeias há vários erros imperdoáveis numa equipa, sendo um deles a ineficácia. Um aspeto a tratar numa equipa que, mesmo assim, fez por vencer.

  4. PREVALECEU A IMATURIDADE. A perder, com menos um elemento em campo e com menos armas que o adversário. O que fazer? Arriscar! Arik Gilrovich foi imaturo e pouco ambicioso na forma que abordou o jogo. Não fez o Estoril passar por mais do que alguns ligeiros sustos, pouco dignos até de aparecer nos vídeos de repetições. O vencedor da passada Taça de Israel aprendeu de forma justa o que é brincar com gente grande no futebol europeu. Fim da linha para os estreantes de este.

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  Foi novamente um Porto bilateral que se apresentou em Londres para defrontar o Nápoles, vice-campeão italiano da época transata. A partida de hoje trouxe, porém, uma particularidade para os azuis e brancos: tiveram sucesso. Pela primeira vez no Emirates, é preciso referir. Quebrou-se o aparente enguiço que persistia em assombrar a equipa portuguesa nas suas visitas a Londres. Pela primeira vez em 8 anos os campeões nacionais venceram no imponente estádio do Arsenal, uma marca a assinalar e a recordar por uma questão de orgulho e prestígio.

  O adversário era também ele imponente. Oriundo duma região litoral e socialmente bastante discreta, conhecida pelas suas praias e pelo seu obedecer aos costumes tradicionais do comércio (não tivessem eles um dos maiores mercados de toda a Itália), conclui-se que o clube contradiz-se à cidade. A identidade do clube é presente e contínua: criativa e irreverente. Ferida pela perda do seu elemento mais sonante, Cavani, a equipa italiana reforçou-se com outros elementos criativos e efectivos na linha atacante: Mertens, Callejón e Higuaín que será agora a principal referência dos azzurri.

  Ora, se ontem o Porto entrou melhor frente ao Galatasaray, hoje decidiu entrar em campo o cenário oposto. Se a entrada no jogo de ontem foi boa, agressiva e expressiva, hoje faltou clarividência no último terço - algo que de resto acontecia muito com Vítor Pereira. Uma boa posse de bola e circulação da mesma foram alguns dos aspetos positivos, mas não suficientes. O Nápoles aproveitou essa falta de discernimento, causada por fatores como a fadiga, e foi gradualmente crescendo na 1ª parte. Não que tivesse o controlo do jogo (porque nunca o teve de forma efetiva e clara), mas era a equipa mais eficiente em termos ofensivos. Chegou ao golo de grande penalidade, sendo que ambos os golos sofridos pelo FC Porto nesta competição foram da marca dos 11 metros. Algumas dúvidas na existência ou não do mesmo, mas no final Pandev converteu sem qualquer problema ou consciência pesada. Sangue frio como se pede a um profissional.

  Na etapa complementar os papéis inverteram-se completamente. Um Porto mais pressionante e sufocante. O Nápoles quebrou por uma razão muito simples: tirou Radosevic do jogo, o médio que melhor equilibrou as tarefas defensivas/ofensivas da equipa italiana. Entrou Hamsik e Benítez fez um favor involuntário ao Porto: quebrou o jogo a favor da equipa portuguesa. Esta viu-se mais à vontade para realizar transições rápidas e pôr a defesa napolitana em sentido. Varela voltou a estar em bom plano hoje, mas no flanco direito. Josué, o "menino" de Paulo Fonseca, atuou na esquerda. Teve saudades da sua posição de 10 ao longo do jogo, fletindo muitas vezes para o interior. Devido à falta de profundidade pode-se dizer que isso não resultou na perfeição...

  Nota bastante positiva para a equipa de Paulo Fonseca, generalizando. A falta de pressão no miolo e profundidade nas laterais veio-se revelar apenas uma miragem com a 2ª parte de luxo da equipa portuguesa, quebrando então o enguiço de Londres. Pela 1ª vez o Porto vence no Emirates com uma 2ª parte coesa, capaz e espetacular. A falta de rotinas numa formação tática alternativa pode também ter saído caro ao Nápoles, sendo que Benítez não aposta no 352. Uma pena, diga-se. O Porto volta agora para Portugal com Aveiro e o 1º troféu da época na mira. Ilações positivas duma pré-época com mais sinais positivos do que qualquer outra coisa.
 
  1. VIRA O DISCO, TOCA O MESMO. Verdade se diga, o Porto esteve fenomenal na 2ª parte do encontro. Cometeu poucos erros e foi objetivo e eficiente, merecendo a vitória de forma indiscutível. Mas, sobretudo na 1ª parte, houve aspetos a melhorar. Aliado a uma boa posse de bola é necessária a subida dos laterais, garantindo profundidade aos flancos e ao setor atacante. Pode-se dizer que a garantia neste encontro, novamente, não foi total. Fucile mais interventivo que Alex Sandro, brasileiro que hoje até esteve superior a ontem. Fucile não mostra a consistência pedida. Ricardo, denominado agora como 4º lateral desta equipa, é rápido e é capaz de ser o lateral que mais metros sobe quando está em campo. Infelizmente para o Porto, isso não garante segurança defensiva.

  2. SOLIDARIEDADE. Callejón é um jogador verdadeiramente fascinante. É um extremo com uma boa qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio, mas destaco a sua capacidade de ser solidário com os laterais da sua equipa. Aliás, pode ter sido essa a razão da aparente falta de profundidade nos flancos do Porto. Dá que pensar. O espanhol adquirido ao Real Madrid poderá pegar de estaca na equipa de Benítez, tendo em conta a importância que se dá a extremos que saibam defender na Serie A.

  3. VENI, VIDI... VICI? Quintero mostrou que tem capacidades para ser titular na equipa portista. O médio criativo veio, viu e tem todas as capacidades para vencer e triunfar em Portugal. Além de mostrar uma capacidade técnica e posicional acima da média abrilhantou ainda mais a sua estreia como titular com uma assistência para Ghilas. James era um 10 de origem que raramente teve oportunidade de ocupar essa posição no Porto, sendo que Quintero deverá agora procurar essas chances com Paulo Fonseca.

  4. SAUDADE, SAUDADE... Cesária Évora e o seu tema mais conhecido devem ter entoado inúmeras vezes na cabeça de Josué durante a sua estadia em campo frente ao Nápoles. O jogador que tomou destaque no Paços de Ferreira com Paulo Fonseca atuou hoje no flanco esquerdo, posição na qual o médio não se sentiu completamente estranho. Porém, a verdade é que talvez algum tipo de forma magnética empurrava o jovem português para o centro do terreno. Talvez até a sua intuição. Josué colocava-se constantemente no centro, a sua posição de origem. Por alguma razão eram raros os ataque que surgiam pela esquerda do ataque azul e branco.