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  Há jogadores que mudam completamente o rumo da sua carreira com um jogo, um lance de génio ou até um golo. São momentos de afirmação e na competição adequada, com a visibilidade merecedora e apropriada, é o momento que determina o futuro dum jogador. Há aqueles que ganham um lugar no estrelado devido a esses momentos, dignificando-se com um resto de carreira ao mais alto nível. Outros mostram ser apenas fogo de vista, mas isso já remete para um assunto diferente, podendo falar por exemplo de grandes campeonatos internacionais. Desta feita falo dum mero desconhecido para o futebol europeu fora da Dinamarca que depois de dois toques de génio mostrou ao mundo como se faz.

  Depois dum certo golo contra a Holanda este dinamarquês nunca mais foi o mesmo. Michael Krohn-Dehli está agora no Celta de Vigo muito devido a uma grande competição que fez: o EURO 2012. Contra os holandeses este até ao momento extremo do Brondby, muito modesto clube no panorama europeu de clubes, era desconhecido para a maior parte (para ser realista a esmagadora maioria) das pessoas que viam este "pequeno" jogador a encher os relvados e a fazer magia com a sua melhor amiga, a bola de futebol.

  Ora, a imagem é explicativa e nem necessita duma legenda por baixo a referir a pormenor do que se trata. Adiantou a bola para o seu lado esquerdo e rematou para o direito com a bola a passar por entre as pernas do guarda-redes holandês. Foi, obviamente, um momento que mudou a carreira do jogador e o colocou a jogar numa das melhores ligas de todo o mundo.

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  António Tadeia é atualmente um dos mais conceituados e conhecidos analistas portugueses, trabalhando para a RTP. Tem um vasto currículo, tendo trabalhado em outras estações televisivas como a SIC (donde, de resto, fez a cobertura via comentários dos jogos de Portugal no EURO 2004). É do meu grande agrado que vos apresento este segmentos de perguntas e respostas e, igualmente, agradeço prontamente a António Tadeia pelo tempo disponibilizado para responder a estas perguntas.



Primeiramente, tenho que lhe perguntar de que forma as redes sociais têm importância para si e, se sim, de que forma.

  As redes sociais têm muita importância para mim, tanto como emissor como sobretudo como recetor. Por um lado, tudo o que produzo é colocado na minha página, de forma a poder chegar a mais pessoas. Por outro, servem-me para testar ideias, para ver que recetividade têm, mas também para descobrir coisas, outras formas de ver a mesma realidade. Os leitores podem hoje ser também inspiradores de quem emite opinião.

Qual é a sua primeira grande recordação como jornalista?

  Se me fala da minha primeira grande recordação como jornalista, suponho que queira dizer a mais antiga. Terá de ser o meu primeiro trabalho publicado, na Capital, em finais de Outubro de 1988.

Melhor recordação que tem na sua vida profissional?

  Lembro duas coisas em particular. Primeiro, o trabalho feito no Europeu de 2000, na Holanda, em que estive a coordenar no terreno a equipa do Record que acompanhava a seleção nacional. Depois, o nascimento e consolidação da revista Record Dez, de Abril de 2004 até ao momento em que de lá saí, em Setembro de 2005. A revista mudou e acabou por fechar. 

O que dizer sobre o atual panorama do futebol inglês?

  Tanta coisa... De repente a divisão entre os clubes que gastam como se não houvesse amanhã (Manchester City, mas também o Chelsea) e aqueles que vão consolidando o estatuto de grandes (Manchester United à cabeça) à base da continuidade. Alguma simpatia pelo trabalho feito no Arsenal, que vende sempre antes de ganhar, e curiosidade pelo que pode fazer Villas-Boas no Tottenham. E ainda a espera pelo renascimento dos dois gigantes de Liverpool.

Como caracteriza, atualmente, o futebol praticado nos principais escalões do nosso futebol? Acredita que há uma grande discrepância entre os dois primeiros escalões?

  Acho que não há assim uma discrepância tão grande. As melhores equipas da II Liga bater-se-iam bem com as de meio da tabela para baixo na I Liga. Há grande discrepância, isso sim, entre os quatro grandes, que reforçam o poder com as verbas das provas europeias, e o resto das equipas. Mas até essa pode ser anulada com dias bons ou maus.

Falando de si, como caracteriza a sua personalidade futebolística? Acredita ter alguma característica particular quer a analisar, comentar e argumentar?

  Procuro ser simples e direto. Costumo dizer que sou um gajo como outro qualquer, porque é isso mesmo. A diferença é que este é o meu trabalho e por isso dedico mais tempo à criação de alguns fatores diferenciadores. Mas cada vez mais me preocupo som a leitura de jogo e menos com a história dos protagonistas: porque nos dias de hoje toda a gente tem acesso a ela, pela internet.

Aproxima-se a Copa no Brasil, passando antes pelo cheirinho que será a Taça das Confederações. Acredita no apuramento português, apesar dos obstáculos que todos nós conhecemos?

  Portugal pode estar no Mundial, e nem sou radical ao ponto de dizer que terá de ser através do play-off. É certo que o topo do grupo se afigura muito difícil, mas se ganharmos todos os nossos jogos e a Rússia perder uma vez seremos primeiros. Depois, no play-off, tudo dependerá de quem nos calhar - sendo que dificilmente teremos a sorte de enfrentar outra Bósnia.

Fora dos campeonatos referidos, há algum que siga e quiçá lhe desperte algum sentimento especial?

  Gosto muito de ver a Premier League e a Bundesliga, mas ainda não percebi se tem apenas a ver com a qualidade das transmissões, que nessas Ligas são as melhores de todas. O Brasileirão também me suscita sempre muita curiosidade, mas só no PFC - gosto muito de os ouvir.

EURO2004, Portugal. Tinha 6 anos, mas você tinha já um vasto currículo e participou no evento. Que recordações tem dessa competição que uniu Portugal e colou-os às televisões?

  Lembro-me de muita coisa. Eu estava na Dez, pelo que não fiz o acompanhamento diário da prova. Fiz também os comentários dos jogos de Portugal na SIC. Lembro-me da vitória sobre a Rússia na Luz (que fiz na SIC), do sucesso sobre a Espanha em Alvalade (que acompanhei no estádio, para o Record), dos penaltis contra a Inglaterra (que vi na redação da Dez, pois calhou em dia de fecho) e de ir a Alvalade ver o jogo com a Holanda e do mar de gente a festejar à saída do estádio, que fez com que demorasse uma eternidade a chegar ao restaurante onde fui jantar a seguir. E depois lembro-me de, em folga, ir à Luz ver a final e de, após a derrota, ter ido a pé para casa sem perceber bem como tinha sido possível perder aquele jogo.

Por fim, tem algumas palavras de apreço para quem quer de facto seguir as pisadas de jornalista?

  Para ser jornalista há uma regra de ouro - ler muito, ler sempre. Foi isso que me disse o meu primeiro chefe a sério na profissão (o João Querido Manha) na nossa primeira conversa, em 1989. O resto aprende-se andando.

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  Na nova edição desta rubrica o entrevistado é Hélder Godinho, experiente guarda-redes de 35 anos que tenta colocar invioláveis as redes da baliza do Clube Desportivo Santa Clara, clube da ilha de São Miguel nos Açores. Transferiu-se nesta época para o clube treinado por Luís Miguel proveniente dos romenos do Brasov e neste bloco de perguntas e respostas falou da sua estadia no clube até ao momento e fez também a sua retrospetiva de 2012.

  Resta-me agradecer a Hélder Godinho pela sua colaboração e a maior das sortes para o resto da sua época no clube açoriano que, de resto, tenho orgulho em chamar de "clube da terra".



  1. Para introduzir as perguntas tenho de lhe pedir que faça um resumo do seu ano futebolístico.

  No global acho que está a ser um ano positivo, marcado por algumas fase. Começando pelo início foi um começo de época muito bom com a passagem à segunda fase da taça da liga. Depois no começo do campeonato também começamos bem com uma grande vitoria, mas depois atravessamos uma fase má onde só com muito trabalho conseguimos sair e agora e depois de nos conhecermos melhor, visto que foi feita uma equipa completamente nova, estamos muito fortes e coesos. 

  2. Há muita gente que diz que os Açores são diferentes dos outros lugares. De alguma forma sentiu essa diferença quando chegou cá para jogar no Santa Clara?

  Visto já ter jogado no Operário há 12 anos atrás não senti qualquer dificuldade, também porque foi dos sítios mais bonitos que já tive a oportunidade de conhecer.

  3. Sem dúvida que você é um jogador "viajado", já que andou por diversos clubes e experimentou diferentes culturas dentro do mesmo país. Mas penso que o mais interessante foi realmente a sua "visita" à Roménia. Que diferenças encontrou relativamente a Portugal?

  Realmente foi a maior experiência da minha vida a todos os níveis, claro que há diferenças em relação ao nosso pais a nível cultural mas gostei muito da experiência e não me importava de voltar um dia.

  4. Diz-se que guarda-redes é uma posição muito ingrata porque uma exibição pode ficar estragada num lance infeliz. Concorda? Já sentiu isso na pele?

  Concordo plenamente, é a posição mais ingrata, mas também a mais aliciante e não a trocava por nada, um guarda-redes nunca ganha um jogo sozinho, mas aos olhos das pessoas pode perder o jogo sozinho e claro que já senti isso na pele. É uma coisa de que nunca nos podemos livrar, mas repito: adoro ser guarda-redes.

  5. Como antigo jogador do União de Leiria quais são os sentimentos que lhe despertam por ver o clube na situação que é visível?

  É uma situação desagradável, felizmente enquanto jogador da União de Leiria o clube cumpriu sempre com as obrigações, mas já se comentava que este podia ser o destino do clube, o que realmente aconteceu, mas sou grato ao clube e aos seus dirigentes que me deram a oportunidade de jogar na 1ª Liga. 

  6. O Santa Clara tem subido pouco a pouca na tabela classificativa. Acredito que a equipa tem possibilidades de subir de divisão com Luís Miguel no leme?

  Se estamos na situação em que estamos, a 3 pontos da subida, uma grande parte desse mérito é do mister Luis Miguel. Possibilidades de subir de divisão temos, mas há também outras 10 equipas que também têm, mas vamos devagar e tentar o máximo de pontos possíveis e no fim fazemos as contas. 

  7. O plantel é constituído por alguns açorianos jovens como Hugo Rego e Minhoca. Acredita que o clube devia apostar nestes jogadores da região, assim como na formação?

  O clube já está a apostar, quando representei o Operário lembro-me que só havia um açoriano no plantel do Santa Clara que era o Luís Soares, agora a realidade é diferente e no plantel há 7 açorianos, tudo graças ao mister Luís Miguel e à direcção do clube que estão a fazer um grande trabalho a esse nível. 

  8. Tenho ido aos jogos no estádio de São Miguel e, infelizmente, vejo muito pouca gente. Neste momento justificavam-se casas mais cheias nos jogos do Santa Clara pelos grandes resultados nas últimas semanas?

  É claro que queríamos mais gente no estádio para nos apoiar e ajudar a ganhar jogos, mas nós estamos a fazer o nosso papel que é ganhar para podermos trazer mais gente ao estádio.

  9. É um guarda-redes muito experiente, de facto. O que tem a dizer aos mais novos que queiram seguir a carreira de guarda-redes?

  Primeiro de tudo trabalhar todos os dias para tentar ser melhores e nunca pensarem que já sabem tudo, eu tenho 35 anos e todos os dias aprendo mais qualquer coisa, e quero continuar assim para poder ser melhor.

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ITURBE PODE SER EMPRESTADO AO RIVER PLATE, DE ACORDO COM O OLÉ.

  Nesta quarta-feira o diário argentino Olé perguntou aos visitantes do seu website o que acham de Juan Iturbe, jogador do FC Porto que tem tido uma escassa utilização quer na equipa A quer na equipa B. Talvez menos do que o próprio esperava. Essa escassa utilização da grande promessa argentina já levou a muitos rumores e todos eles indicam que o "Messi do FC Porto" não esteja muito feliz no país de Camões.

  Aproveitando a presença de dirigentes no Porto em Buenos Aires (alegadamente para negociar a transferência de Centúrion com o Racing) os dirigentes dos milionários e recém-promovidos ao principal escalão do futebol argentino abordaram os campeões nacionais numa tentativa de ter Iturbe na equipa vermelha e branca.

  Há um sentimento de que o jovem pode confirmar o seu potencial na equipa do River que na próxima época será orientada por Ramon Diaz.

  «Por respeito ao meu atual clube não posso falar muito e muito menos dar a minha opinião. Obrigado aos adeptos do River pelas suas mensagens», escreveu Iturbe na famosa rede social do Twitter.

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  João Ricardo Pateiro é atualmente um dos mais reconhecidos e conceituados jornalistas desportivos portugueses, independentemente do meio de comunicação que estejamos a falar. É narrador de jogos de futebol na TSF e nessa mesma rádio tem um programa chamado Entrelinhas. Ocasionalmente comenta jogos na SPORT.TV, sendo que não tem aparições muito frequentes nesta última estação. Em 2011 foi premiado com p melhor relato dum golo num jogo internacional (João Moutinho, Porto 3-0 Paços de Ferreira no dia 28 de outubro de 2011) atribuído pela ESPN Brasil e neste ano o de melhor jornalista de rádio, atribuído pela CNID. Enfim, é do melhor que há em Portugal, sem dúvidas. Na minha opinião pessoal, considero que seja um dos jornalistas mais influentes do nosso futebol.

  Agradeço naturalmente o tempo que disponibilizou para esta entrevista e, obviamente, espero que seja do agrado dos leitores. Com o aniversário do blog feito há pouco tempo, este é um presente que vem bem a calhar. Terminando as introduções, vamos ao que verdadeiramente interessa: as perguntas e respostas.

Perguntas/afirmações por Luís Barreira
Respostas de João Ricardo Pateiro
 


  1. Para introduzir as perguntas tenho de lhe pedir que faça um resumo do seu ano futebolístico.

  Olhe, fiz cerca de 80 relatos de futebol donde destacaria o campeonato da Europa, alguns jogos internacionais embora a carreira das equipas portuguesas não tenha atingido o brilhantismo de épocas anteriores, mas mesmo assim houveram alguns jogos internacionais que me deram gozo fazer. Mas o destaque vai naturalmente para o campeonato da Europa onde Portugal fez uma excelente prestação na Ucrânia e na Polónia e para os cerca de 80 jogos que relatei neste ano de 2012 e não direi que no mundo inteiro porque não sei, mas não conheço ninguém que faça tantos relatos de futebol como eu.

E certamente que todos nós gostamos de ouvir.

  Tenho noção que muita aprecia os meus relatos e que aprecia muito a forma como eu relato os jogos de futebol, mas também tenho a noção de que não agrado a toda a gente, e quando me perguntam isso digo-lhes que nem José Mourinho agrada a todos. Não tenho a pretensão de agradar a toda a gente, tenho a pretensão de agradar a maioria e penso que nesta altura mais do que agradar à maioria consigo agradar a esmagadora maioria.

  2. Falou na seleção nacional. Acredita que se naquela lotaria de grandes penalidades Portugal tivesse passado teria probabilidades de vencer "aquela" Itália em Kiev?

  Eu penso que sim. Penso que se Portugal tivesse passado contra a Espanha tinha muitas condições para vencer o campeonato na Europa. Só não concordo totalmente consigo quando diz que "as grandes penalidades são uma lotaria". Acho que existe ali, evidentemente, um factor sorte um pouco maior do que nas restantes componentes do jogo, mas acho que mesmo na marcação de grandes penalidades existe competência. Ou se é mais ou se é menos competente a marcar ou a defendê-las e eu penso que aí a Espanha foi mais forte que Portugal e passou à final do campeonato da Europa.

  Respondendo à segunda parte da pergunta, e como também já referi penso que se Portugal passasse contra a Espanha as probabilidades de Portugal ser campeão da Europa eram bastante grandes.

  Mérito para nuestros hermanos, mas a Itália mostrou-se muito debilitada naquela final...

  A Espanha também é muito forte, não é? A Espanha é nesta altura talvez a seleção mais forte do mundo ou pelo menos uma das mais fortes. É uma seleção que é campeã do mundo e da Europa, muito traquejada, muito rodada, com uma base dum clube que é o Barcelona onde os jogadores jogam praticamente de olhos fechados. Portanto, tudo muito bem alinhado e a Espanha é um adversário muito forte e isso deve ser tomado em conta. Seja como for concordo consigo, esperava um bocadinho mais de réplica da Itália, ou seja, esperava que a Espanha ganhasse e fosse campeã da Europa, mas que a Itália desse mais um pouco de luta.

  3. No início da sua carreira algum dia imaginou que chegaria à TSF e que seria um dos mais prestigiados e conhecidos relatadores de futebol do país?

  Eu nunca pensei muito nisso... é claro que todos nós temos sonhos e projetos de carreira e eu não fujo à regra, sempre tive as minhas ambições de projetar a minha carreira e de seguir aquilo que eu queria, mas nunca pensei ser considerado por muitos como "o melhor" ou ter esta visibilidade e mediatismo todo à minha volta.

E já ganhou prémios...

  Sim, ganhei o prémio CNID para melhor jornalista de rádio em 2012 e um da ESPN Brasil para melhor relato do mundo dum golo. Foi um prémio que me deixou muito satisfeito, um inédito no país, nunca ninguém tinha ganho essa prémio em Portugal do melhor relato a nível mundial dum golo de futebol e isso deixou-me muito feliz. Venho dum país muito forte em termos de comunicação e em termos de relatos e isso ainda me deixa mais satisfeito. Vem duma cadeia internacional que é um monstro a nível mundial que é a ESPN e, portanto, isso deixa-me muito orgulhoso, muito contente e é muito gratificante receber tudo isso, todos esses prémios e todo o carinho por parte dos ouvintes o que no fundo é um reflexo do meu trabalho e do quanto as pessoas gostam dele.

  4. Falou em projetos, eu falo em ideias. Donde surgiu a ideia de fazer músicas para os jogadores?

  A ideia das músicas para os jogadores não é 100% minha, aliás na génese a ideia é do João Paulo Meneses que é um colega meu na TSF, jornalista também. Sabe que eu gosto de cantar e de adaptar músicas em diversas situações e propôs-me adaptar músicas aos jogadores nos momentos dos golos. Por coincidência fui à casa de banho na TSF e vim com a música do Falcao que era:

 

  Então cheguei à redação e perguntei-lhe se era mais ou menos isto e ele disse que era exatamente isso. Então, fiz essa primeira música para o Falcao que foi um sucesso estrondoso e tive de fazer músicas para vários jogadores ao ponto de nesta altura ter mais de 50 músicas para jogadores.

  5. Qual é o sentimento de ganhar os prémios como os que ganhou?

  É o que lhe disse, os prémios que ganhei são o fruto do meu trabalho, representam o quanto as pessoas gostam do meu trabalho, deixam-me muito feliz e sinceramente sinto-me muito acarinhado pelos ouvintes, pelas pessoas na rua quando me abordam, sinto muito carinho de toda a gente e isso deixa-me muito contente e seja qual for a nossa atividade profissional é muito bom sentirmos que as pessoas gostam do que fazemos e esses prémios acabaram por ser reflexo disso.

  6. Falou no golo que lhe fez vencer o prémio da ESPN, eu falo em jogos. Qual o jogo mais emocionante que já narrou?

  O jogo que me marcou mais em termos de relato foi a final de Sevilha, em 2003,  quando o Porto conquista a Taça UEFA ganhando ao Celtic essa taça. Esse foi o jogo que até hoje mais me marcou e quando me perguntam isso diretamente digo que há vários jogos que me marcaram, mas quando me perguntam como me perguntou, em termos em relato, aquele que me vem diretamente à memória é esse jogo em Sevilha.

E falo da rádio porque é muito mais emocionante que a televisão no que toca a comentários.

  Sim, a rádio é mais, eu diria. Utiliza uma linguagem simples para as pessoas perceberem melhor. A rádio é um meio mais quente, a televisão é um meio mais frio e distante das pessoas. A rádio aproxima muito, é muito intimista, tem momentos em que é quase confessionário, não é? Isso cria um laço de muita afinidade com o ouvinte, algo que a televisão não proporciona por ser um meio de comunicação diferente.

  7. Nunca pensou em fazer a transição de rádio para televisão?

  Eu gosto muito de fazer televisão, ao contrário do que as pessoas pensam. Sou apaixonado pela rádio, mas também gosto muito de fazer televisão e vou matando esse bichinho de vez em quando com alguns jogos que faço para a SPORT.TV. Faço alguns trabalhos em reportagens, não só em jogos e isso permite-me matar o bichinho da televisão.

  8. Qual foi o jogador ou personalidade ligada com o futebol que mais gostou de conhecer nas suas aventuras futebolísticas?

  Como pessoas, nem vou falar tanto em jogador mas sim por exemplo em treinadores que eu gostei de conhecer: Toni e Fernando Santos, duas pessoas que eu gostei muito de conhecer ao longo deste meu trajeto profissional que eu destacaria como dois bons profissionais, duas fantásticas pessoas. Depois, gostei muito de conhecer o Paulo Bento por exemplo, gosto muito de estar com o João Tomás, um amigo que tenho e uma ótima pessoa, gosto muito de estar com ele. E há outros jogador mais mediáticos também que fui conhecendo e com quem fui travando algumas relações de maior proximidade e de amizade.

  9. Falando daqueles que não conheceu, qual o seu jogador e treinador de eleição?

  O meu treinador de eleição é José Mourinho. Acho que está à frente de todos, é um treinador que sempre achei fantástico... acho que é um orgulho para Portugal ter um treinador como José Mourinho, assim como é orgulho para Portugal ter um jogador como Cristiano Ronaldo, são coisas que nos devem orgulhar. Destacaria esses 2 por serem bons, por serem extremamente bons e, claro, por serem portugueses.

  10. Quais são as suas expectativas profissionais para 2013?

  Espero continuar a fazer um trabalho que as pessoas gostem, continuar os meus relatos, tentar melhorá-los e fazer sempre melhor e basicamente é isso, não tenho muito mais a dizer sobre esse assunto. Sobre expectativas nunca se sabe o que vai acontecer no futuro, eu espero que aconteçam coisas bons a nível profissional e que a minha carreira continue a ser uma boa carreira no jornalismo.

  Talvez fazer mais um pouco de televisão, era uma coisa que me agradava. O programa que tenho agora na TSF, o Entrelinhas: cimentar cada vez mais esse programa e torná-lo uma referência no meio radiofónico em Portugal e no panorama das entrevistas desportivas em Portugal porque é um programa que apareceu há pouco, tem a minha assinatura e gostava que ele vingasse cada vez mais com a colaboração daqueles que são os protagonistas, quer os jogadores, treinadores e dirigentes do futebol português. Conto com eles para que o programa seja cada vez mais ouvido e se torna uma referência na entrevista em Portugal.

  -- Votos de um bom Natal e Ano Novo de João Ricardo Pateiro a todos os leitores do blog, agradecendo também o carinho com que sempre o têm tratado e acompanhado o seu trabalho, principalmente na TSF. Dele para vós um grande abraço.