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  João Ricardo Pateiro é atualmente um dos mais reconhecidos e conceituados jornalistas desportivos portugueses, independentemente do meio de comunicação que estejamos a falar. É narrador de jogos de futebol na TSF e nessa mesma rádio tem um programa chamado Entrelinhas. Ocasionalmente comenta jogos na SPORT.TV, sendo que não tem aparições muito frequentes nesta última estação. Em 2011 foi premiado com p melhor relato dum golo num jogo internacional (João Moutinho, Porto 3-0 Paços de Ferreira no dia 28 de outubro de 2011) atribuído pela ESPN Brasil e neste ano o de melhor jornalista de rádio, atribuído pela CNID. Enfim, é do melhor que há em Portugal, sem dúvidas. Na minha opinião pessoal, considero que seja um dos jornalistas mais influentes do nosso futebol.

  Agradeço naturalmente o tempo que disponibilizou para esta entrevista e, obviamente, espero que seja do agrado dos leitores. Com o aniversário do blog feito há pouco tempo, este é um presente que vem bem a calhar. Terminando as introduções, vamos ao que verdadeiramente interessa: as perguntas e respostas.

Perguntas/afirmações por Luís Barreira
Respostas de João Ricardo Pateiro
 


  1. Para introduzir as perguntas tenho de lhe pedir que faça um resumo do seu ano futebolístico.

  Olhe, fiz cerca de 80 relatos de futebol donde destacaria o campeonato da Europa, alguns jogos internacionais embora a carreira das equipas portuguesas não tenha atingido o brilhantismo de épocas anteriores, mas mesmo assim houveram alguns jogos internacionais que me deram gozo fazer. Mas o destaque vai naturalmente para o campeonato da Europa onde Portugal fez uma excelente prestação na Ucrânia e na Polónia e para os cerca de 80 jogos que relatei neste ano de 2012 e não direi que no mundo inteiro porque não sei, mas não conheço ninguém que faça tantos relatos de futebol como eu.

E certamente que todos nós gostamos de ouvir.

  Tenho noção que muita aprecia os meus relatos e que aprecia muito a forma como eu relato os jogos de futebol, mas também tenho a noção de que não agrado a toda a gente, e quando me perguntam isso digo-lhes que nem José Mourinho agrada a todos. Não tenho a pretensão de agradar a toda a gente, tenho a pretensão de agradar a maioria e penso que nesta altura mais do que agradar à maioria consigo agradar a esmagadora maioria.

  2. Falou na seleção nacional. Acredita que se naquela lotaria de grandes penalidades Portugal tivesse passado teria probabilidades de vencer "aquela" Itália em Kiev?

  Eu penso que sim. Penso que se Portugal tivesse passado contra a Espanha tinha muitas condições para vencer o campeonato na Europa. Só não concordo totalmente consigo quando diz que "as grandes penalidades são uma lotaria". Acho que existe ali, evidentemente, um factor sorte um pouco maior do que nas restantes componentes do jogo, mas acho que mesmo na marcação de grandes penalidades existe competência. Ou se é mais ou se é menos competente a marcar ou a defendê-las e eu penso que aí a Espanha foi mais forte que Portugal e passou à final do campeonato da Europa.

  Respondendo à segunda parte da pergunta, e como também já referi penso que se Portugal passasse contra a Espanha as probabilidades de Portugal ser campeão da Europa eram bastante grandes.

  Mérito para nuestros hermanos, mas a Itália mostrou-se muito debilitada naquela final...

  A Espanha também é muito forte, não é? A Espanha é nesta altura talvez a seleção mais forte do mundo ou pelo menos uma das mais fortes. É uma seleção que é campeã do mundo e da Europa, muito traquejada, muito rodada, com uma base dum clube que é o Barcelona onde os jogadores jogam praticamente de olhos fechados. Portanto, tudo muito bem alinhado e a Espanha é um adversário muito forte e isso deve ser tomado em conta. Seja como for concordo consigo, esperava um bocadinho mais de réplica da Itália, ou seja, esperava que a Espanha ganhasse e fosse campeã da Europa, mas que a Itália desse mais um pouco de luta.

  3. No início da sua carreira algum dia imaginou que chegaria à TSF e que seria um dos mais prestigiados e conhecidos relatadores de futebol do país?

  Eu nunca pensei muito nisso... é claro que todos nós temos sonhos e projetos de carreira e eu não fujo à regra, sempre tive as minhas ambições de projetar a minha carreira e de seguir aquilo que eu queria, mas nunca pensei ser considerado por muitos como "o melhor" ou ter esta visibilidade e mediatismo todo à minha volta.

E já ganhou prémios...

  Sim, ganhei o prémio CNID para melhor jornalista de rádio em 2012 e um da ESPN Brasil para melhor relato do mundo dum golo. Foi um prémio que me deixou muito satisfeito, um inédito no país, nunca ninguém tinha ganho essa prémio em Portugal do melhor relato a nível mundial dum golo de futebol e isso deixou-me muito feliz. Venho dum país muito forte em termos de comunicação e em termos de relatos e isso ainda me deixa mais satisfeito. Vem duma cadeia internacional que é um monstro a nível mundial que é a ESPN e, portanto, isso deixa-me muito orgulhoso, muito contente e é muito gratificante receber tudo isso, todos esses prémios e todo o carinho por parte dos ouvintes o que no fundo é um reflexo do meu trabalho e do quanto as pessoas gostam dele.

  4. Falou em projetos, eu falo em ideias. Donde surgiu a ideia de fazer músicas para os jogadores?

  A ideia das músicas para os jogadores não é 100% minha, aliás na génese a ideia é do João Paulo Meneses que é um colega meu na TSF, jornalista também. Sabe que eu gosto de cantar e de adaptar músicas em diversas situações e propôs-me adaptar músicas aos jogadores nos momentos dos golos. Por coincidência fui à casa de banho na TSF e vim com a música do Falcao que era:

 

  Então cheguei à redação e perguntei-lhe se era mais ou menos isto e ele disse que era exatamente isso. Então, fiz essa primeira música para o Falcao que foi um sucesso estrondoso e tive de fazer músicas para vários jogadores ao ponto de nesta altura ter mais de 50 músicas para jogadores.

  5. Qual é o sentimento de ganhar os prémios como os que ganhou?

  É o que lhe disse, os prémios que ganhei são o fruto do meu trabalho, representam o quanto as pessoas gostam do meu trabalho, deixam-me muito feliz e sinceramente sinto-me muito acarinhado pelos ouvintes, pelas pessoas na rua quando me abordam, sinto muito carinho de toda a gente e isso deixa-me muito contente e seja qual for a nossa atividade profissional é muito bom sentirmos que as pessoas gostam do que fazemos e esses prémios acabaram por ser reflexo disso.

  6. Falou no golo que lhe fez vencer o prémio da ESPN, eu falo em jogos. Qual o jogo mais emocionante que já narrou?

  O jogo que me marcou mais em termos de relato foi a final de Sevilha, em 2003,  quando o Porto conquista a Taça UEFA ganhando ao Celtic essa taça. Esse foi o jogo que até hoje mais me marcou e quando me perguntam isso diretamente digo que há vários jogos que me marcaram, mas quando me perguntam como me perguntou, em termos em relato, aquele que me vem diretamente à memória é esse jogo em Sevilha.

E falo da rádio porque é muito mais emocionante que a televisão no que toca a comentários.

  Sim, a rádio é mais, eu diria. Utiliza uma linguagem simples para as pessoas perceberem melhor. A rádio é um meio mais quente, a televisão é um meio mais frio e distante das pessoas. A rádio aproxima muito, é muito intimista, tem momentos em que é quase confessionário, não é? Isso cria um laço de muita afinidade com o ouvinte, algo que a televisão não proporciona por ser um meio de comunicação diferente.

  7. Nunca pensou em fazer a transição de rádio para televisão?

  Eu gosto muito de fazer televisão, ao contrário do que as pessoas pensam. Sou apaixonado pela rádio, mas também gosto muito de fazer televisão e vou matando esse bichinho de vez em quando com alguns jogos que faço para a SPORT.TV. Faço alguns trabalhos em reportagens, não só em jogos e isso permite-me matar o bichinho da televisão.

  8. Qual foi o jogador ou personalidade ligada com o futebol que mais gostou de conhecer nas suas aventuras futebolísticas?

  Como pessoas, nem vou falar tanto em jogador mas sim por exemplo em treinadores que eu gostei de conhecer: Toni e Fernando Santos, duas pessoas que eu gostei muito de conhecer ao longo deste meu trajeto profissional que eu destacaria como dois bons profissionais, duas fantásticas pessoas. Depois, gostei muito de conhecer o Paulo Bento por exemplo, gosto muito de estar com o João Tomás, um amigo que tenho e uma ótima pessoa, gosto muito de estar com ele. E há outros jogador mais mediáticos também que fui conhecendo e com quem fui travando algumas relações de maior proximidade e de amizade.

  9. Falando daqueles que não conheceu, qual o seu jogador e treinador de eleição?

  O meu treinador de eleição é José Mourinho. Acho que está à frente de todos, é um treinador que sempre achei fantástico... acho que é um orgulho para Portugal ter um treinador como José Mourinho, assim como é orgulho para Portugal ter um jogador como Cristiano Ronaldo, são coisas que nos devem orgulhar. Destacaria esses 2 por serem bons, por serem extremamente bons e, claro, por serem portugueses.

  10. Quais são as suas expectativas profissionais para 2013?

  Espero continuar a fazer um trabalho que as pessoas gostem, continuar os meus relatos, tentar melhorá-los e fazer sempre melhor e basicamente é isso, não tenho muito mais a dizer sobre esse assunto. Sobre expectativas nunca se sabe o que vai acontecer no futuro, eu espero que aconteçam coisas bons a nível profissional e que a minha carreira continue a ser uma boa carreira no jornalismo.

  Talvez fazer mais um pouco de televisão, era uma coisa que me agradava. O programa que tenho agora na TSF, o Entrelinhas: cimentar cada vez mais esse programa e torná-lo uma referência no meio radiofónico em Portugal e no panorama das entrevistas desportivas em Portugal porque é um programa que apareceu há pouco, tem a minha assinatura e gostava que ele vingasse cada vez mais com a colaboração daqueles que são os protagonistas, quer os jogadores, treinadores e dirigentes do futebol português. Conto com eles para que o programa seja cada vez mais ouvido e se torna uma referência na entrevista em Portugal.

  -- Votos de um bom Natal e Ano Novo de João Ricardo Pateiro a todos os leitores do blog, agradecendo também o carinho com que sempre o têm tratado e acompanhado o seu trabalho, principalmente na TSF. Dele para vós um grande abraço.

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  1 ano de Crónica Futebolística. Com mais de 100 mensagens postadas (117 para ser mais exato) este foi um ano de formação pessoal na área futebolística partilhada com todos vós. Espero que no próximo ano esteja aqui para celebrar os 200 artigos do blog e quiçá 2 anos de existência. Desta feita tenho de agradecer a todos vós, leitores deste blog. Trazem os números de visualizações, visitas, comentários e opiniões/sugestões/críticas, uma das componentes mais importantes de qualquer espaço deste teor.

  Durante as próximas semanas e claramente aproveitando as férias serão colocados no facebook do blog (o qual certamente deverão ter conhecimento, pois é uma das grandes fontes de visualizações deste blog e de resto podem vê-lo na hiperligação) os meus destaques pessoais do ano de existência: os artigos, crónicas e opiniões que mais gostei de escrever e tiveram também melhores ou mais apreciações. Será uma forma de fazer uma retrospetiva ao que aqui se passou e, naturalmente, uma forma de dar a conhecer aos novos leitores o que se fez durante os meses passados.

  Um grande bem haja... Espero que a mensagem seja a mesmo no dia 11 de dezembro de 2013 (a data da primeira mensagem, um dia após a sua criação no dia 10).

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  No dia de ontem meti-me no fundo do baú a observar os meus escritos de há quase 2 anos. Deparei-me com uma pequena crónica que não tinha mais de 20 linhas. Era clara e objetiva, mas faltava iniciativa nas palavras, imaginação e paciência para desenvolver mais o tema abordado. Foi escrita a propósito do Barcelona x Arsenal que decorreu no dia 8 de março de 2011, onde a equipa catalã venceu por 3-1, num jogo polémico que consumou a eliminação dos ingleses da competição, assim como caminho aberto para a conquista do troféu por parte dos espanhóis.

  Nesse pequeno texto abordei essencialmente a frustração da vida de um guarda-redes e a certa ironia que nela está presente. Como exemplo prático falo de Almunia, já que o jogo em questão tinha sido 10 dias atrás (e a ideia de escrever esse texto referido já tinha vindo desde essa dezena de dias atrás) e a memória ainda estava razoavelmente fresca. Apesar das 7 defesas, sendo que algumas de teor praticamente impossível para outros, acredito que a maior parte das pessoas e espectadores desse jogo (quase) só se lembrem das aventuras de Messi, sobretudo daquele chapéu ao espanhol que deu o 1-0. De qualquer forma, por esta última frase chegamos ao ponto principal desta crónica: a ironia que compõe, de facto, a vida dum guarda-redes.

  Na imagem acima está representado Edwin van der Sar, um guardião extremamente seguro e com uma carreira recheada de títulos, isto é, pelo menos um em cada clube que passou com idade sénior (não se faça exceção a sua estadia em Londres, donde venceu uma Taça Intertoto pelo Fulham). Registo impressionante para aquele que é considerado um dos melhores guarda-redes da sua geração, juntamente com outros nomes como Oliver Kahn ou até mesmo Barthez. Raramente falhavam, mas quando o faziam ninguém falava de outra coisa. As pessoas têm tendência a olhar para o mal com maior intensidade do que o bem. Ora, nesse cenário era natural que nos momentos seguintes aos jogos só se falassem dos tais erros dos guarda-redes, ignorando possíveis grandes intervenções ou lances onde foram fulcrais para manter o resultado favorável. Olhando apenas para o que falhou há claramente uma grande ironia envolta na situação... e essa consistia em descredibilizar uma boa exibição para olhar para um lance infortuno.

  Muitas vezes os principais visados nas derrotas são os guarda-redes porque: não estavam atentos ao decorrer do lance, não se atiraram a tempo, 'levou um frango' e/ou esteve mal na abordagem ao lance. Pois bem, há quem se recorde do golo e da postura do guarda-redes a abordar o finalizador, mas não faz a mínima ideia de como a bola chegou a ele. Culpam os guardiões sem de facto saberem ou recordarem-se concretamente de quem facilitou ou errou, deixando que a bola fosse parar à frente do homem das luvas. Defesas, médios ou mesmo avançados conseguem muitas vezes sair impunes nestas situações em lances em que os pobres guarda-redes são, por vezes, os que menos culpa têm. No entanto são os que pagam as favas. Quase sempre.

  O ilustre van der Sar tem, durante toda a sua carreira, erros relevantes que se podem contar com os dedos duma só mão. Por alto recordo-me de 2 que já tive oportunidade de ver em vídeo:

  - Perda de bola para José Antonio Reyes na grande área que marcou sem qualquer preocupação (Fulham 0-3 Arsenal, 11 de setembro de 2004);

  - Bola aparentemente controlada que deixa cair após cruzamento encostada de seguida por Somen Tchoiy (Manchester United 2-2 WBA, 16 de outubro de 2010)

  Tenho a certeza que esses 2 erros são mais lembrados do que algumas defesas do outro mundo que possa ter feito no mesmo ou noutros jogos pelo Fulham e Manchester United respetivamente. O mesmo se aplica a outros guarda-redes por esse mundo fora. Mais recentemente há o exemplo de Hélton que deixou a desejar no 2º golo do Paris Saint Germain no jogo de França, mas tem estado irrepreensível em todos os jogos, por exemplo, da Liga Portuguesa. Os guarda-redes são nesta vertente os mais observados, os centros das atenções. Quando a coisa não corre bem são eles a que são apontados os dedos. Pena que assim seja, muito sinceramente. A pressão está do lado deles.

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  Em conversas de café um dos temas geralmente abordados é o dos avançados e de sua respetiva mobilidade. Ora, uma das armas de contra argumentação é a altura dos jogadores em questão, o que para muitos determina se o jogador é móvel ou não. Tal mobilidade (ou falta dela) é muitas vezes uma questão de velocidade para quem discute ou aborda este assunto, mas trata-se duma questão muito mais completa. Não física, mas tática. A altura dum jogador determina, muitas vezes, opções do treinador. É uma das armas mais importantes nalgumas vertentes: jogo aéreo, atrair marcação cerrada em lances de bola parada (deixando confortavelmente outros jogadores, se estivermos a falar duma marcação individual) e, obviamente, impor sempre uma figura possante em zonas de finalização. 
  
  Há um mito presente no mundo do futebol, qualquer que seja o país. Para uma vasta multidão ser alto e móvel não é fisicamente possível, mas por esses países fora há vários exemplos que mostram o contrário. Aliás, o avançado torna-se móvel se o treinador o assim quiser. Fernando Llorente, para dar um exemplo pragmático, é dono dos seus quase 2 metros de altura. Devido a supostos problemas de foro interno não está a contribuir regularmente para o sucesso da sua equipa, mas as impressões de passadas épocas estão à vista. Jogos com maior audiência portuguesa (nomeadamente os embates frente ao Sporting, em Lisboa e em Bilbao) deram a conhecer (ou aprofundar) as qualidades dum jogador que tenta transmitir uma mensagem com os pés. Uma que desfez um mito; afinal jogadores altos, com pernas longas e "desajeitados" podem camuflar-se num Vucinic, jogador há muito assumido como um segundo avançado e nunca como um matador. Aliás na Juventus há uma forte concorrência entre o montenegrino e o recém-chegado Giovinco, já que Quagliarella está de pedra e cal no onze inicial dos campeões italianos. 

  Voltando a Llorente, esse craque. É móvel, movimentando-se muito bem em zonas anteriores à grande área. É inteligente, o que ajuda muito na percepção do que se passa num raio considerável. Na teoria é difícil definir exatamente, mas Llorente consegue desafiar os mitos, banalizando-os ainda mais a cada drible, recuo no terreno e/ou ação defensiva. Claro que um bom apoio também ajuda, havendo espécies de trocas posicionais com extremos a derivar para o centro. Quando se fala nisto, é obrigatório falar em Muniain, jogador muitas vezes comparado a Messi pela sua criatividade, espontaneidade e qualidade técnica.

  Ora, foi importante referir isto porque é elementar que quem rodeia estes jogadores também é importante. Llorente tinha em Muniain uma arma preponderante para a bola chegar aos seus pés ou cabeça. Porque ninguém joga sozinho, apesar dos egos influenciarem tais atitudes. Mas isso já é outra história para análise futura.

  Tão diferentes, mas ainda assim tão iguais. Vucinic dum lado, o pequeno Giovinco noutro. 22 centímetros de diferença são mais do que suficientes para se fazerem as devidas diferenças entre estes jogadores, unidos pelo símbolo que têm ao peito. Vucinic é frequentemente atribuído a ter um grande jogo aéreo e presença na área, abstendo-se de outras funções que o fizessem recuar no terreno ou recair voluntariamente para uma ala. Ora, as aparências iludem e no futebol esse velho dito é uma verdade absoluta. É um autêntico polivalente, podendo representar qualquer lugar na zona atacante. Na Juventus de Conte (sobretudo na época passada)  foi utilizado muitas vezes a extremo-esquerdo, surpreendendo muita gente pela sua versatilidade e facilidade a atuar num lugar que não é o seu principal. É uma mais valia em qualquer caso, mas nesta época a sua estadia nas alas pode ter chegado a um término indeterminado. Com o 3x5x2 que se vê na Juventus é improvável que alguma vez volte a atuar nas alas.

  Asamoah e Lichsteiner são os jogadores mais utilizados nas alas no campeonato pela equipa campeã de Itália. Para quem segue o clube de Turim é fácil verificar que neste sistema tático referido acima tem grandes preocupações defensivas, tornando-se um 5x3x2 a defender. Vucinic não tem as características ideias para subir e descer no terreno constantemente, sendo um jogador meramente ofensivo. Daí fica tapado e disputa com uma vasta concorrência um dos dois lugares na frente de ataque, sendo que normalmente um jogador recua mais, atuando nas costas do ponta-de-lança para criar maiores desequilíbrios numa zona central e, sobretudo, apoiar a unidade mais avançada no terreno.

  Giovinco tem um apelido muito particular, derivado pelas suas duas características que o evidenciam mais: a baixa estatura física e a sua velocidade estonteante. Combinando estes dois elementos que o descrevem forma-se a "Formica Atomica". É um jogador previsivelmente (para quem o segue) desequilibrador, veloz, ágil e imprevisível. Aqui a aparência não ilude porque quem olha percebe logo do que se trata. Dum pequeno parasita que se cola às zonas onde há espaços. Se não há, inventa-os devido a movimentações rápidas, aproveitando a sua velocidade. Jogador semelhante a Vucinic, até. Em suma, é notório que no futebol as aparências iludem e, de facto, altura não é indicador de mobilidade. No futebol não há ciências exatas, além de que existem mitos que serão constantemente desafiados. Neste, jogadores como Llorente, Cardozo, Vucinic e Ibrahimovic desafiam aquilo que parece improvável para alguns.

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Arrisco dizer que, apesar das bocas que deverei ser alvo, neste momento um dos cancros do Sporting é a precipitação dos adeptos. Para um clube com estatuto de grande é normal que as expectativas sejam altas, ainda para mais com as eternas promessas de treinadores e dirigentes que vão entrando e saindo como quem vem de visita guiada prolongada. O Sporting está mal e apressar as coisas não ajuda, é um facto que tem tudo de real. Há vários factores/teorias que o explicam, desde a indiferença dos jogadores perante o símbolo que transportam dentro de campo à negligência de presidentes incapazes.

E se (continuarmos) a pensar por uma lógica coerente a tendência é piorar. Quanto maior é o desespero maior é a revolta, a angústia e a energia negativa que sai cá para fora. É preciso ter calma, o problema já vem de trás. Enquanto uns falam de Godinho Lopes recusam-se a falar dos jogadores que mal ficam com uma pinga de suor a cair-lhes pela face abaixo. Temos de ir por partes e tentar descobrir o que está mal, claro está.

- A equipa esforça-se pouco e passa indiferente ao jogo em muitos períodos. As causas são simples, porém complexas de explicar/solucionar. Se bem que um profissional que ganha milhares de euros por mês está sujeito a uma pressão elevada é preciso perceber que estão lá dentro pessoas a representar o clube e, como é óbvio, assobiar e mandar vir a toda a hora não ajuda. A intolerância tem os seus limites, é como tudo na vida.

- Diga-se de passagem que os dois recentes treinadores são fraquíssimos. Sá Pinto tinha de compreendo que um "vamos (censurado)" não é suficiente para pôr uma equipa a jogar à bola e, mais importante de tudo, exercer coerentes e eficazes rotinas coletivas que permitissem ganhar jogos. Sem fio de jogo, modelo e/ou ideologia definida era difícil dar uma para a caixa. Oceano não era solução, mau era se alguém achasse o contrário.

- Presidente/dirigentes com declarações/bocas que apenas enfureceram ainda mais os adeptos que, por sua vez, descarregam dentro do retângulo de jogo. Pressão acrescida e desnecessária para os jogadores.

Por um lado a vinda de Franky Vercauteren é bem pensada. De acordo com o Record (não que seja totalmente credível, mas isso até o freguês da esquina já sabe) o belga é daqueles ossos duros de roer. Foi descrito como duro e exigente, podendo ter uma influência maior no balneário. Não que Sá Pinto, por exemplo, não o fosse, mas o factor principal é a experiência do belga. Sá Pinto não a tinha, não a podendo conciliar com outros elementos que fazem um treinador. A teoria mais simples é começar dum ponto (que já bateu no fundo) em que ou vai ou racha. Simples mas arriscada. E, já se sabe, que pela mínima comichão vão rolar cabeças. Sejam pacientes a partir daqui, senão ninguém vai a lado nenhum, sportinguistas.

O Borussia começou do 0 e está onde está, mas nós estamos em Portugal onde as mentalidades são diferentes e incomportáveis. Não me passa pela cabeça um clube como o Sporting ter coragem para largar tudo e percorrer um novo caminho. Não consigo racionalizar isso na minha cabeça, embora seja uma solução viável a longo prazo. Mas mais uma vez há uma seta a apontar para o principal neste texto: intolerância.

Felizmente tive o privilégio de ir ver o Sporting B jogar, um molho de miúdos com formigas nos pés. As suas trocas de bola eram fenomenais para um Santa Clara esbarrado à parede. O futuro passa por eles, pelos jogadores que mostraram uma garra muito superior aos jogadores da equipa principal. Pena os clubes rejeitarem dar mais oportunidades a estes jogadores. Vercauteren já treinou com 6 jovens e, mais cedo ou mais tarde, estarão eles a jogar na equipa principal, digo eu. José Dominguéz montou uma equipa com uma naturalidade tática ao nível dos melhores. Nota-se uma cultura extremamente evoluída com trocas de bola à Barcelona, com a maior tranquilidade e serenidade possível. Escuso de me pôr com individualidades quando o coletivo é o que mais interessa nesta equipa.

Tenham paciência, apesar da situação estar francamente má. Este é o conselho que posso dar aos verdes neste preciso momento. Dizendo que provavelmente Vercauteren não fará toda a diferença, pode ser a luz ao fundo do túnel que ao passar dos tempos vá aumentando de intensidade. A culpa não é dum elemento só, é de todo o hiperónimo, cada um com a sua quota. E todas as partes tem que cooperar para bom funcionamento duma instituição que tem de ter dias melhores, para bem do futebol nacional.