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1. Nome e clube que apoias.

André Carvalho e Leixões Sport Club.

2. Como e quando te tornaste adepto do Leixões SC?

Mal cheguei cá a Matosinhos o meu avô fez questão de me começar a levar aos jogos do Leixões e posso dizer que foi logo amor à primeira vista. Tive no entanto sorte da época em que apanhei o Leixões, porque acho que na época 2001/2002 qualquer pessoa que tivesse visto o Leixões ficava a simpatizar com o clube, eu felizmente o fiz.

3. O que preferes: os jogadores do teu clube vencerem todos os jogos ou honrarem, acima de tudo, o símbolo que lhes está no peito?

Acima de tudo que dignifiquem o símbolo que usam ao peito. O Leixões nunca foi um clube de títulos no futebol, mas sempre foi um de raça, entrega e amor à camisola e é isso que nós adeptos, exigimos todos os santos fins de semana. Esta época tal como a última têm sido um exemplo enorme disso mesmo.

4. Qual é a tua melhor recordação no Estádio do Mar?

A minha melhor recordação no Estádio do Mar tem de ser sem dúvidas o jogo frente ao Belasica. Consegui em 15 minutos chorar por duas vezes, de tristeza e de alegria. Quando os macedónios marcam o 2º chorei como nunca pensando que o Leixões estava a partir desse momento eliminado, para 15 minutos depois chorar de alegria no golo do empate marcado por Brito, foi o momento mais emocionante da minha vida.

5. Melhor época futebolística para ti.

A época da súbida e a época do famoso 6º lugar em que vencemos no Dragão e Alvalade. A época da subida porque foi repleta de vitórias e grandes momentos e pelo melhor futebol que o Leixões apresentou desde que eu tenho o prazer de o ver. E a outra porque... acho que vitória no Dragão e em Alvalade diz tudo, não?

6. Qual é o pior momento que já viveste como adepto dos leixonenses?

A descida de divisão, sem qualquer dúvida.

7. Um jogador que tenha marcado profundamente (e porquê).

Florent Olivier Sylvain Hanin. É simplesmente o meu ídolo, pela sua qualidade, humildade, entrega e raça quando entra em campo. Desejo-lhe toda a sorte do mundo indepentemente dos clubes que ele passar, nunca será esquecido por mim a época que ele cá fez e as atitudes que tomou.

8. Se tivesses que escolher um treindor do passado para regressar, quem seria? O que destacas nele?

Carlos Carvalhal. Pela final da Taça, pelas vitórias na Europa e por um futebol espectaculo apresentado nessas duas épocas. Para além de ter deixado um plantel com que o grande Abílio Novais foi capaz de nos fazer subir com 103 pontos.

9. É um sonho teu jogar futebol sénior no Leixões?

Sinceramente? Não. É muito mais um sonho meu simplesmente ser um adepto do clube porque jogadores, treinadores, presidentes, todos eles vêm e vão mas os adeptos, os verdadeiros adeptos ficam para sempre e é assim que eu quero ser recordado.

10. Lá fora, tens preferências clubísticas?

Futból Club Barcelona, Huracán, Juventus e Bayer Leverkusen, são os que mais simpatizo. Principalmente o Barcelona.

11. Qual é o teu jogador preferido fora do Leixões?

Pergunta dificil... Há dois, o Florent (como é óbvio) e o melhor do mundo e de sempre, Lionel Messi.

12. Expectativas para esta época desportiva da equipa de Matosinhos. (no clube e pessoais)

Espero uma época tranquila mas sempre com o sentimento de que os jogadores deram tudo e mais alguma coisa no final dos jogos. A prioridade aqui é fazer crescer os jogadores para no próximo ano fazer uma época à Leixões.

Quanto a mim, espero poder e vou fazer o máximo para que consiga ir ver os 42 jogos da Liga mais os jogos que fizermos na Taça de Portugal.

13. Por fim, escreve algumas palavras a falar do porquê de teres aceite esta entrevista e dá uma opinião sobre o blog.

Estás a criar um projeto muito bom mesmo e foi com imenso agrado que aceitei dar esta entrevista para dar a conhecer aos outros um bocado do que é ser leixonense. 

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  13 de fevereiro de 2012: Sá Pinto assina com o Sporting.
  8 de março de 2012: Sporting no céu, vencendo o Man. City em Lisboa. Sá Pinto é herói leonino.
  4 de outubro de 2012: Em véspera de feriado, Sporting é humilhado na Hungria e Sá Pinto é despedido.

  No Sporting 1 dia vale por 1 mês, os ciclos terminam mais regularmente e isso mesmo já se tornou um processo previsível. Seja em treinadores, quer em dirigentes. José Eduardo Bettencourt que o diga. No clube leonino rapidamente se passa de besta a bestial, mas mais rapidamente se compreende o processo inverso. Depois dum período vitorioso que passou da dezena de jogos, o na altura treinador Domingos Paciência desesperou com a falta de carburação da equipa. Talvez tivesse sido o espírito festivo a causar isto, quem sabe... verdade foi que a máquina não carburou de final de novembro a meados de janeiro. Derrotas frente a Vaslui e Gil Vicente (já em fevereiro) justificam claramente a minha afirmação anterior.

  Domingos Paciência foi um herói em Braga, levando o clube a alguns dos melhores momentos da sua já longa história quase centenária. Junto com a gestão exemplar de António Salvador (para muitos o impulsionador deste Braga que começou a emergir no topo nestes últimos anos) o antigo avançado do FC Porto conseguiu algo inédito no clube: lutar pelo título. Fê-lo com 71 pontos em 30 jogos, menos 5 que o campeão SL Benfica. Fez-se a festa na Luz, enquanto que certamente desesperaram os bracarenses na Choupana. Curiosamente os 71 surpreendentes pontos que os minhotos conquistaram nesse campeonato eram suficientes para vencer o campeonato na época 2008/2009, onde o Porto foi campeão. Foi, de resto, a penúltima época de Jesualdo.

  Na época seguinte (2010/2011) só um Porto imparável impediu o Braga de conquistar o segundo troféu europeu da sua história (se contarmos com o já extinta Taça Intertoto). A vitória azul e branca em Dublin fez cair por terra as ambições dos vermelhos, mas abriu muitas portas a Domingos pela prestação incrível nos dois anos que treinou o SC Braga. Estranho se assim não fosse, de facto. O Sporting foi o clube escolhido pelo técnico, mas o mesmo tempo sabia que os tempos não eram fáceis. A paciência começava a esgotar-se, idem a tolerância para constantes despedimentos de treinadores. Paulo Bento e Carvalhal que o digam. Toda a gente depositava confiança nesta equipa do Sporting. Novo treinador, plantel renovado. A verdade é que Domingos falhou como muitos outros. Que influência pode ter dito aqui a tão criticada direção de Godinho Lopes?

  Sá Pinto foi o escolhido para a suceder Domingos. Também ele um ex-jogador com grande marca no futebol português e ídolo para muitos sportinguistas. Mas o problema estava à vista! Sá Pinto pertencia a um grupo de ex-jogadores com grande experiência, mas sem credenciais para treinador principal dum clube que aponta ao título em todos os princípios de época, apesar de tudo. A única experiência como treinador do antigo internacional português foi de ajunto do Leiria. Digam-me vocês então se a escolha de Godinho Lopes e da direção não foi absurda... porque motivar os jogadores não basta. Não vale de nada motivar sem coordenar. Não vale de nada encorajar sem explicar como fazer. É um erro comum o de algumas pessoas pensarem que um grande jogador dará um grande treinador. Mentira. Provas estão à vista de todos.
  A expectativa era, porém, grande. A massa associativa do Sporting estava receptiva a Sá Pinto e diziam eles que iria honrar a cadeira de sonho. Até o pode ter feito, mas faltaram os conhecimentos mais importantes dum treinador, os táticos. Quem viu o Sporting neste ciclo consegue perceber do que falo. Falta de fio de jogo, de organização tática e de discernimento para atuar com cabeça fria. Porque a equipa era desenhada à imagem do treinador: trabalhava de cabeça quente sem racionar corretamente. Entretanto chegou o 1º desafio, esse mesmo foi na Polónia. O Legia foi um adversário complicado, num clima e ambiente adverso. Seguia-se a demanda pelo 3º lugar e tentativa de brilharete na Europa.

  Uma vitória por 5-0 frente ao Vitória SC em Alvalade encheu os adeptos de esperança. Falsa, contudo. O talento individual de jogadores desequilibradores como Capel levou a melhor, tentando disfarçar o fraco desenho tático de Sá Pinto, coisa que se manteve até à derrota frente ao Videoton. Pouca organização, pressão deficiente olhando para os homens capazes de o fazer, falta de um 11 base definido e claramente a falta de conhecimentos do treinador foram os fatores principais para a rescisão do mesmo. Mesmo com isso, algumas vitórias foram sendo alcançadas (destaque-se a passagem do Sporting em Manchester). 

  O facto de ter falhado o 3º lugar não deu a Sá Pinto grande margem de manobra e é óbvio que ninguém aprende em meses. Os defeitos do Sporting mantiveram-se durante o restante tempo. A nova época veio trazer novas esperanças para os adeptos, mas passada essa mesma... muita desilusão. Apesar de não ser novidade o clube lisboeta arrancar (muito) mal as recentes épocas, a corda rebentou. E desta vez depois dum jogo na Europa, onde se costuma entrar o Sporting a um nível alto comparado com as competições internas. Não basta motivar uma equipa para ser um grande treinador. 

Amanhã haverá um teste de jogo para Oceano, o substituto de Ricardo. Terminou um ciclo, arranca outro. Embora ainda indefinido, começará com um dos testes mais difíceis possíveis. 

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César Alves é o mais recente entrevistado do blog. Este treinador de 16 anos das escolas formação do AC Bougadense (e adjunto nos iniciados) prova que o sonho comanda a ambição. Sim, 16 anos. Não é todos os dias...



Nome, idade e clube que apoias.

César Alves, 16 anos, Futebol Clube do Porto.

Quando é que te viste adepto confesso do FC Porto?

Não consigo dizer "foi no dia X" ou na idade Y. Sei que sou do Porto desde sempre. O meu pai é portista, o meu avô materno é sócio há mais de 50 anos, e o meu bisavô idem. Sempre fui portista e sempre gostei de ver o Porto ganhar. Mas só há cerca de 4/5 anos me fui tornando o adepto doentio que sou hoje. Hoje sou mais portista do que nunca, e amanhã serei mais um bocadinho. Tem sido a minha vida, assim.

O facto de viveres no Norte ajuda a essa causa?

Não consigo dizer se vivesse em Lisboa, seria do Sporting ou do Benfica. No entanto, hoje não me imagino a apoiar outro clube que não o Porto, em Portugal. Impossível. O Porto foi tornando-se para mim, mais do que um clube, um conjunto de valores que sigo na vida. E não encontro semelhante no nosso país.

Qual é o teu maior sonho?

Profissionalmente, é ser treinador profissional, no alto rendimento. Não só por causa do jogo em si, mas tudo o que ele envolve. Fazer 50000 pessoas explodir de alegria, pelo trabalho que desenvolvemos, é mágico. Ajudar e guiar um conjunto de jogadores a atingirem os seus objetivos, é fantástico só de imaginar. Isso fascina-me. E mais ainda pelo facto da posição de treinador ter tantas "subfunções" a ela associadas. É algo que primo na minha vida. Acho que as pessoas devem saber fazer várias coisas. E o trabalho do treinador de alto rendimento não se esgota no escolher o 11 ao domingo. Treinos, executá-los e planeá-los, jogos, observar, estudar, refletir, reunir com os colaboradores. Gerir departamentos... E depois para gerir um departamento que pouco tem a ver com o futebol, como o médico, é importante pelo menos perceber algo do assunto, para poder escolher as melhores pessoas, e saber avaliar o trabalho delas. Mas, aliado ao sonho de ser treinador, tenho uma série de objetivos que quero cumprir. 

Quero, um dia, conseguir abrir uma fundação para as crianças desfavorecidas, os animais, e todos aqueles que precisam de ajuda. Quando se é famoso e se tem sucesso, consegue mover-se massas. Eu desejo o sucesso e a fama por esta razão. Como eu quero ajudar, quero muita gente a ajudar também, no futuro. Mais. Como eu tive uma oportunidade fantástica de me iniciar cedo naquilo que amo, quero ajudar outros miúdos, no futuro, a terem oportunidades destas. Seja no futebol, ou noutra área. Temos de apostar na formação das nossas crianças, porque elas são o futuro. E no fundo, quero que daqui a 100 anos, as pessoas ainda lembrem o meu trabalho e o impacto que eu espero ter na profissão que escolhi.

Perdeste respeito pelo André Villas-Boas, aquando da sua saída atribulada?

Não penso que tenha perdido o respeito. Doeu-me muito a saída do André, até porque ele foi uma das grandes personagens que me levaram a ser treinador. Toda aquela envolvência do "miúdo" que tinha o sonho de treinar o Porto, a postura dele, a sua maneira de ser, eram tudo situações nas quais eu me revia. No entanto, é óbvio que perante a decisão dele, uma decisão que eu não tomaria, fiquei magoado. Na altura, foi uma revolta enorme. Mas com o tempo, a admiração falou mais alto e hoje é ainda uma das pessoas que quero muito conhecer.

Mourinho ou Villas-Boas?

Diferentes, impossível escolher um. Repara que o Mourinho tem uma bagagem enorme, quer como treinador-adjunto, quero como treinador principal. E isso já lhe confere uma vantagem relativamente ao André que, embora também tenha um histórico interessante, é menos rico que o do Mourinho. Além disso, têm maneiras de estar no futebol muito diferentes. O André gosta de ganhar a jogar bem. A inspiração no Barcelona, o 1x4x3x3, a posse. Têm de estar lá na equipa do Villas-Boas. O Mourinho quer ganhar. Ponto final. Se joga com 3 na frente, com 2, com 4. Ele quer ganhar, não importa como joga. É óbvio que as suas equipas jogam muito futebol, o seu Real Madrid foi um portento na época passada e o Porto campeão europeu jogava muito futebol. Mas o Mourinho é um génio, um génio que lê o contexto em que se encontra, e se adequa a ele da melhor forma possível, para, lá está, o objetivo: ganhar. 

O André é um treinador de filosofia e penso que por vezes pode tentar mudar o contexto, o que, não sendo impossível, leva tempo. E tempo é muitas vezes aquilo que nós treinadores não temos. E ao nível do alto rendimento muito menos. 

Resume a tua experiência como treinador até ao momento.

Começou de forma caricata. Eu cheguei à conversa com o presidente do AC Bougadense, onde me encontro, e, depois de falar também com o coordenador da formação, fui inserido na equipa técnica dos Iniciados sub-15. Estavam a lutar pela subida de divisão e acabamos por terminar em 2º lugar, perdendo no último jogo. Fazendo uma retrospetiva, foi muito interessante a evolução. Quando comecei, era tudo novo para mim. 

Tinha, na altura, ainda 15 anos. E andava a "apalpar" os cantos àquele mundo, como se costuma dizer. Falava pouco. A minha vida no clube baseava-se muito no observar, observar, refletir. Foi muito isso o meu início. Mas tive sempre um excelente apoio, e senti sempre que nunca estava sozinho. Isso foi bom. O tempo foi passando e eu fui ganhando alguma importância. Passei a experienciar novas coisas, a dar treinos, a orientar até jogos amigáveis, e comecei a ganhar confiança. Penso que se baseou muito nisso, a confiança. Precisei do "balãozinho" de oxigénio que me deram para dar um pequeno grande salto. Hoje já me sinto muito mais à vontade, muito mais ativo, porque cresci como treinador. Não sou um "treinador" oficial, "no papel", mas eu sinto-me treinador, e quem trabalha comigo e quem me ensina quer isso. Que eu me sinta treinador. É importante o apoio que temos por trás, e as sensações são inacreditáveis.

O que sentes quando estás no banco?

É mágico. É o passar "à ação" do que vemos na televisão. É ter de ler o jogo com a "pressão" de aquilo depender de nós. Quando estamos no sofá, dizemos "ah e tal, eu mexia assim e assim, jogava desta maneira ou de outra". Mas no banco não há repetições, não há segundas oportunidades. Tens de agir na hora, no momento, e é preciso estar atento ao detalhe. Os primeiros jogos que orientei sozinho foram experiências riquíssimas, do ponto de vista do conhecimento e da experiência. Deram-me uma grande bagagem, e já chegava a casa a pensar "se calhar teria agido desta maneira ou daquela". No banco, a par do treino, é quando me sinto mais treinador.

Lá fora, tens preferências?

Tenho, como qualquer aficionado pelo futebol. Sou um amante do bom futebol, gosto do Barcelona, gosto do Arsenal. No entanto, o Real Madrid de Mourinho é uma máquina. E há outras boas equipas, com bons treinadores, que é algo que gosto sempre de saber. Sempre que uma equipa me agrada do ponto de vista do estilo de jogo, procuro saber quem é o treinador e perceber se as suas equipas jogam sempre assim ou se é contextual. Culturalmente, também é bom.

Como treinador é óbvio que percebes da coisa. Estás satisfeito com o modelo tatico de Vítor Pereira?

Primeiro é importante definir "modelo tático". Para ser mais específico, falemos de modelo de jogo e sistema tático. O sistema tático não é estanque, é (e deve ser) variável e é um complemento vital do modelo de jogo. Há muitos anos que o 4x3x3 vem sendo parte da filosofia do clube, e muito dificilmente veremos alguém a mudá-lo num futuro próximo. Temos jogadores para o sistema, e o 4x3x3 é dos mais fáceis de assimilar, e aquele que ocupa mais racionalmente todos os espaços do campo. É o meu sistema de eleição, por norma.

Em relação ao modelo de jogo, é um conjunto de comportamentos definidos pelo treinador, depois de analisar a equipa, a estrutura e o contexto em que se encontra, que quer ver evidenciados pelos jogadores ao longo da época. Neste modelo de jogo, está a filosofia da equipa, o tal sistema tático, principal e alternativos, nuances estratégicas, esquemas táticos, por aí fora... Falo, claro, do conhecimento que tenho. Falando então da forma como o Porto joga, com o Vítor Pereira tem variado um pouco, sobretudo em termos de atitude. Está lá a posse, o querer controlar o jogo, o 4x3x3, o avançado que vem buscar jogo  (nunca como com Falcao), por aí. 

Mas o que mais varia, e me entristece, é a atitude da equipa no jogo. Temos partidas em que há imensa posse de bola sem objetivo, lá atrás, e a equipa joga lenta, sem imprimir  velocidade e sem alegria, no fundo. Depois temos jogos fantásticos, como com o Paris St Germain, com intensidade, agressividade e o tal "jogar à Porto". Nesses jogos, espetacular. É preciso é saber gerir e manter. É impossível ser assim em 50 jogos numa época, eu sei. Mas a atitude da equipa não pode ser tão variável de jogo para jogo. É uma das poucas críticas que tenho ao trabalho do Vítor, que, a meu ver, em relação à época passada, melhorou muito, sobretudo em termos de comunicação. E sou um admirador dele.

Estás contente com as recentes decisões da direção, envolvendo o basquetebol e a venda do Incrível?

Em relação ao basquetebol, não sabendo (e nunca saberei) as verdadeiras razões que levaram à decisão, é óbvio que me entristece ver uma modalidade sénior terminar. Mas acredito que no prazo de 3/4 anos teremos a equipa de volta, e que se aposte agora sobretudo na formação. Assunto Hulk, pouco há a dizer. Se ele quis ir, a melhor decisão foi deixá-lo sair. Todos sabíamos que nunca seria por 100M€, e 60M€ foi uma boa quantia. Em termos da sua carreira, se foi o melhor pra ele ou não, já tenho dúvidas. Quanto ao Porto, as pessoas passam, e o clube fica. Só não me tirem o Pinto da Costa (risos).

Uma opinião sobre o blog.

Para já, não dava a entrevista se a opinião não fosse positiva. Gosto, conheço e sei o valor da pessoa e o trabalho de quem está por trás do Blog, e esta entrevista, mais que uma abertura ao mundo da minha opinião, é uma forma de expressar apoio para que se aposte, mais uma vez, na juventude. Força!

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Já que se dá tanta importância à Liga dos Campeões e à Liga Europa (nestes dias de jornada europeia), porque não diversificar? Novo espaço do blog falando de assuntos, bem... menos mediáticos. 


 
   O Torino derrotou hoje uma equipa local e, de certa forma, rival por 10-0. A equipa adversária tem de nome Leinì, município localizado a 13 quilómetros da cidade em que se situa a equipa vencedora do dia. Depois de acusar de problemas físicos na passada terça-feira, o destaque do jogo de hoje foi Gillet (guarda-redes) que se mostrou apto novamente. Os problemas físicos têm sido uma dor de cabeça constante para o jogador, convém dizer-se.

  Noutro incidente há que dizer que o jogo foi interrompido por uns pares de minutos, prestando respeito a um adepto de clube não identificado que teve de ser assistido pela ambulância presente no recinto. Inclusive um ventilador foi chamado à situação. Meggiorini, Cerci, Sansone, D'Ambrosio, Bianchi, Santana e Diop também foram felizes ao ponto de introduzir a bola dentro da baliza, convém referir.

  No que toca ao jogo em si, foi óbvia a gestão do Torino, de acordo com várias fontes italianas. Jogo folgado por parte dos primodivisionários, em que o capitão exemplificou o caminho para o triunfo, marcando um da dezena de tentos da equipa comandada por Giampiero Ventura. O destaque vai para Sgrigna, o veterano de 32 anos apontou um hat-trick.

  Depois deste teste "de rotina" os pupilos de Ventura começaram a pensar na receção ao Cagliari, dia 7 deste mês.

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  Na passada terça-feira o Porto derrotou o Dínamo de Zagreb, hepta campeão croata. O osso mais duro de roer para as equipas restantes equipas do país de leste, porém um adversário razoavelmente acessível para a elite europeia como clubes como Porto e Benfica que possuem este estandarte (apetecendo-me debruçar para esta segunda equipa, será um tema debatido noutra altura... deixar a coisa correr primeiro). 

  Penso que é óbvio que nunca é fácil fazer deslocações a países mais estranhos, e não digo estranhos de cultura ou qualquer aspeto nacional, mas sim pela falta de conhecimento das nossas equipas (neste caso o Porto) em relação à Croácia, mais propriamente estes eternos campeões. Pois bem, numa deslocação dita como difícil e matreira o Porto venceu uma muito frágil equipa da casa (na maior parte do jogo, salvando-se um período de aperto para os campeões portugueses na etapa complementar) com Lucho a marcar um golo que o levou a um estado emocional diferente de todos os outros presentes no relvado. Uma homenagem enorme àquele que certamente fora um dos seus mentores e... seu pai. 

  Lucho González marcou, de luto, o golo inaugural da equipa de Vítor Pereira no Maksimir, aquele que certamente será o mais difícil estádio croata para se jogar. No seu esquema tático habitual (e sem uma peça importante em Fernando, diga-se) de 4x3x3 Vítor Pereira lançou Defour como esperado, tendo em conta a ausência do "polvo". Para a construção de jogo da equipa era, no plano teórico, uma baixa bastante importante. Felizmente para os forasteiros não se notou tal coisa. Antes do golo viu-se como se deve saber um sinal mais a emergir para os lados portugueses, com o Porto a dominar a bola a seu belo prazer. Contra os croatas que pouca chama mostravam (e quando o tentavam fazer era imediatamente apagada por uma defesa sólida e, como habitual, um meio-campo muito trabalhador) o golo acabou por surgir com alguma tranquilidade e previsibilidade. Lucho marcou horas depois de ser lhe anunciada a morte do pai. Emocionante vê-lo a festejar o golo neste caso, presumo.

  O ponto negativo da exibição foi mesmo a pouca clarividência no último terço. Apesar das oportunidades surgirem em grande número (veja-se por exemplo que no total foram 22 remates dos dragões) faltou algo... velocidade, talvez. Força também ajudaria no caso, sendo Atsu a opção para clarificar o sector ofensivo, isto numa altura em que os croatas estavam mais atrevidos e por pouco não marcaram numa ocasião em que Hélton valeu aos azuis e brancos.

  Como esperado, Hulk fez falta na tal clarividência que falei anteriormente. Formou-se então um jogo de paciência, fundamental para esta vitória portuguesa na liga milionária. Sem a presença do jogador mais forte, possante e rápido da equipa a opção recaiu por um estilo de jogo semelhante, mas sem tanta capacidade de alterar o ritmo com uma rapidez tão grande. Um teste de fogo superado... 1 de 6 portanto. No registo estatístico verifica-se um claro domínio do Porto de Vítor Pereira, assim como uma vitória tranquila numa margem que até pode-se classificar com escassa. Notas individuais há algumas, desde o falhanço inacreditável de Jackson à exibição cheia de glamour de Alex Sandro. Numa segunda parte menos descansada o segundo golo acabaria por selar definitivamente as contas no ambiente infernal que os azuis de Portugal tiveram que suportar. 

  Muito resumidamente, 4x3x3 sem Fernando que deu igualmente resultados na prática. A falta de Hulk fez-se sentir pela falta de criatividade no sector mais ofensivo, num jogo em que os croatas apenas deram de si no seu melhor período que iria surgir no meio da segunda parte, onde poderiam inclusive ter marcado. Venceu a melhor equipa, a que se superiorizou taticamente, sobretudo. Não houve argumentos da equipa que jogava no seu país, que deverá lutar pelo 3º lugar deste grupo.