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Vira o disco e toca o mesmo. De forma "aborrecida" (como foi referido nalgumas ocasiões no meio da competição que no dia 1 de julho terminou) ou não, a verdade é que o único país que faz fronteira com o nosso é a melhor seleção do mundo e aquela que conseguiu fazer algo que nenhuma outra fez em 82 anos de grandes competição, desde o primeiro mundial rodeado de câmaras a preto e branco na altura. Foi no Uruguai e teve uma vitória caseira.  Venceu um número de 3 competições de seleções seguidas, algo que nenhuma outra seleção conseguiu. Um feito notável que teve início com Aragonés e prolongou-se agora para a era de Del Bosque que parece não cessar.

Certo era que haviam dúvidas em torno desta Roja, mas não pela qualidade de jogo que mostrava, mas sim pelas desavenças ou desconfianças que podiam haver entre elementos do Real Madrid e do seu grande rival e vice-campeão espanhol, o Barcelona.  Superaram os problemas que, existindo ou não, podiam ser uma condicionante nesta competição para os espanhóis. Caso para dizer que esta é a maior hegemonia duma seleção que o futebol já testemunhou, desde os primórdios no mundial de 1930 às celebrações espanholas em Kiev.

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A estatística no futebol é banal, para o jogo nada serve, mas claro que consegue criar expectativa. Lanço notas para a segunda meia-final que irá decidir o adversário de Espanha que hoje, infelizmente, eliminou Portugal. Mas isso fica para outra altura. Aqui estão:

- Já lá vão 2 jogos oficiais em fases finais entre Alemanha e Itália.

- O último confronto das equipas em jogos oficiais. foi em 2006 (0-2 para a Itália, a.p.). A Itália venceu essa competição (Mundial).
- Dez anos antes, em 1996, a Itália empatou sem golos com a Alemanha no Europeu de Inglaterra. O jogo teve lugar em Old Trafford.
- A Alemanha nunca venceu a Itália em jogos oficiais (um empate e uma derrota).
- No total as equipas já disputaram 17 jogos (15 amigáveis e 2 oficiais). A Itália venceu 10, a Alemanha 4 e houveram 3 empates.
- O primeiro jogo entre os dois países foi em 1923. A Itália venceu por 3-1.
- Em 1992 o amigável entre os dois países foi alvo de transmissão televisiva. A Itália venceu e o treinador era Arrigo Sacchi.
- No amigável em 2011 verificou-se um empate. Marcaram Klose e Rossi.
- A Itália marcou 30 golos aos alemães, sofrendo 21. O inverso regista-se na Alemanha. 

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Esperam-se cânticos de Messi para a seleção nacional na Ucrânia. Mais propriamente para Cristiano Ronaldo, como habitual. Detalha-se tudo numa questão de mentalidade. E um puto que vai para Inglaterra para um colosso, ganha uma Bola de Ouro e protagoniza a transferência mais cara da história do futebol tem que ter uma bastante forte. Caso contrário fracassava. Ronaldo sempre teve que lutar por si e pelos seus, é sabida a precária situação dele na sua meninice. É um exemplo de determinação, garra e muito, muito esforço. E isso traz um sentido de responsabilidade enorme para superar obstáculos. Não tenho nada contra o Messi - até sou fã do pequeno Leo -, antes pelo contrário. Tenho sim contra os espertos que tentam tirar a estabilidade dum dos génios do futebol mundial. Mas é o que referi: uma mentalidade forte e a concentração certa serão suficientes para ignorar os "malfeitores". Confesso, também não sou o maior fã do Cristiano, mas há que dar o crédito a quem o merece. O rapaz merece valor por tudo aquilo que já fez e por tudo aquilo que certamente ainda irá fazer. É honroso ver o jogador mais popular do mundo (taco-a-taco com o Leo) a alinhar na seleção que apoio. Ele próprio deverá estar orgulhoso de o fazer. O resto é letra. O que não nos mata torna-nos mais fortes, já dizia o outro.

Sobre o que se vai passar no relvado da Donbass já é mais complicado de prever e/ou palpitar. Mas a Espanha parte como favorita se formos ver que é a atual campeã da Europa em título. Estando bem ou mal, tem o título e por isso é logo a favorita. Claro que o favoritismo dentro de campo não vale nada, pode confirmar-se continuamente, mas também se pode ir dissipando como foi o caso do Portugal x Alemanha e Portugal x Holanda, onde a equipa foi valente, humilde e corajosa. Honrou a nação. E para os que duvidaram foi uma enormíssima chapada sem mãos. Ou de luva branca, se preferirem. Na minha opinião vai se ultimar por quem defende melhor. As duas equipas têm estilos diferentes de jogo e isso é mais do que visível, mas são igualmente temíveis no que toca à manobra ofensiva. Ronaldo e Nani em contra-ataques e transições venenosas enquanto Silva, Fàbregas e sobretudo Don Andrés se ocupam de penetrações manhosas. Diz-se que este jogo é como Barcelona - Real Madrid. Para travar aquele tridente (Xavi-Iniesta-Cesc) temos uma vantagem que nos tem sido qualquer coisa de divinal. Chama-se Pepe. E tem novamente uma vantagem que é a de já conhecer a maior parte dos adversários, inclusive tem possibilidade de conviver com eles diariamente na maior parte do ano. Mas o mesmo acontece com a Espanha, acaba por ser um duelo caricato por causa disso mesmo.

Outra coisa que promete são os duelos no meio-campo. Moutinho-Iniesta será algo para ver, rever e chorar por mais. Sobre o saldo em jogos com a Espanha, é bom e mau. Em fases finais de competições oficiais é neutro. Uma vitória, uma derrota e um empate. 1984, 2004 e 2010 sendo o último. Em Europeus há um empate e uma vitória em Portugal. No total dos jogos diz-se que a Espanha é a seleção que mais vezes derrotou Portugal. Mas não nos podemos guiar pela história, duma forma ou doutra. Já se viu que é preciso sofrer para garantir o objetivo. Trata-se de saber sofrer, espírito de sacrifício. Heróis do mar, tenham-na.

11 por todos, todos por 11!

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  Às palavras de Luís Freitas Lobo "Pirlo gelou meia Itália. Meia porque a outra fechou os olhos." Ora, tamanha classe e sangue frio não podem, de forma alguma, passar despercebidos. Existem bens que podem vir por mal, ou algo assim. Penso duma forma alternativa. Digo que não seria possível testemunhar a tamanha obra de arte do médio da Juventus se não fossem os 30 longos minutos de prolongamento que de resto tiveram um óbvio decréscimo na qualidade de jogo. Algo previsível, visando as possíveis palestras de Hodgson e Prandelli no relvado do Olímpico de Kiev, não estivesse uma meia-final europeia a 4 dias. Para mais é injusto e desonrado haver uma equipa com mais 2 dias de descanso do que a outra num jogo com tanto em jogo. Além disso, uma jogou com a fortíssima Inglaterra de transições rápidas e a outra jogou contra a ofensivamente paupérrima Grécia. O que se fez hoje em Kiev, perguntam. Justiça essencialmente. Além disso viu-se um registo quase sobrenatural do regista Andrea Pirlo. Somou-se um total de 117 passes do médio que já passou pelos 3 grandes dos terrenos transalpinos, tendo um também notável aproveitamento de 80% deles. Recorre-se à calculadora e confirma-se que foram 94 passes com sucesso. Em circunstâncias normais seriam mais do que 1 por minuto, mas como o jogo precisou de ser resolvido noutros meios diz-se que foram 0,78. E não é por acaso que se diz que o 21 tem influência no jogo da Squadra Azzurri. Pode-se dizer dum ídolo a todos os que gostam de futebol. Porquê? Sabe conciliar técnica, disciplina e criativadade tática e inteligência. Esse último parâmetro sobretudo. Tem um GPS na bota e sabe utilizá-lo da melhora maneira. Teleguiando os passes para Balotelli ou Cassano.

  Se houver encontro entre portugueses e italianos na final desta competição será difícil prever o desfecho do encontro. A Itália joga de forma diferenciada. Prandelli sabe e consegue planear jogos. Contra a Espanha e Croácia optou por um sistema tático muito utilizado no país (destacando-se a Juventus na segunda metade da época  e o Parma do antigo mister italiano, Roberto Donadoni e da formiga atómica, Giovinco), o que fez com que a estratégia passasse não tanto por assumir o jogo (especialmente no primeiro jogo em Gdansk face à Roja de Del Bosque), mas sim por tentar resguardar-se e aproveitar o adiantamento das linhas, aproveitando o seu meio-campo guiado e liderado pelo mesmo Pirlo.

  Hoje houveram algumas mudanças no sistema tático de Prandelli e, quando menos se esperava, a Itália assumiu e dominou o jogo. Trocou o 3-5-2 utilizado nas duas primeiras jornadas da fase de grupos por um 4-4-2 losango, ou algo semelhante. Pirlo mais recuado a construir constantemente o jogo, Marchisio e De Rossi numa linha intermédia e Montolivo a 10, o trequardista do futebol italiano, apesar de ter características eminentemente diferentes de Dino Baggio, Totti e Del Piero. Outra das alterações entre sistemas foi a substituição de laterais. De duas formas. Existe, nesta Itália, uma diferença entre defesas e laterais. No primeiro sistema utilizado os eleitos foram Maggio e Giaccherini, jogadores de características mais ofensivas (inclusive Maggio jogou toda a época no característica 3-4-3 de Mazzarri) enquanto neste último os dois primeiros foram substituídos por Balzaretti na esquerda e Ignazio Abate na direita. Dão maior segurança defensiva, apesar de também serem bastante ofensivas nos momentos para tal. Com o raçudo Cassano e o imprevisível Balotelli no eixo de ataque não há quem se salve. Além disso o "mad" Mario tem pecado em muitos aspetos, sobretudo na lentidão das decisões. E quando o faz, regra geral, faz mal. Apenas uma última observação: cuidado Merkel.

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  A SIC e TVI têm cá fama, sobretudo entre as mulheres, devido às suas tão intrigantes novelas em horário nobre. Portugueses ou brasileiras, o enredo é (quase) sempre o mesmo. Arroz e mais arroz. Por mais que hajam pontos de viragens o mistério é sempre o mesmo, sofrendo alterações de uma forma ou doutra. E há sempre o alvo, aqueles a que todos apontam. E que tentam manipular. Ora, a situação de Hulk não é muito diferente do conjunto de episódios transmitidos diariamente em canais generalistas. Como a duração é mais curta, chamemos-lhe de filme. Mais curto e, mesmo assim, mais objetivo. Mas não com menos peripécias.

  Um dia diz-se que sim, outro diz-se que não. Cheiro a samba brasileira. É autenticamente uma dança. Imprevisível. E ao que tudo indica entre dois clubes com uma história bastante acesa. Como meios de ligação existem várias. Uns mais rentáveis do que outros. Ricardo Carvalho, Bosingwa, Paulo Ferreira e o que causou polémica na seleção nacional, Bosingwa. Mas mais marcante na história de ambos os clubes relembram-se as vendas de Mourinho e Villas-Boas aos Blues. Claro, fala-se agora do regresso desses episódios, através da possível aquisição de Hulk nos londrinos. Os dados estão em cima da mesa e, como diz Pinto da Costa, há um número de conta bancária. A cláusula de 100 milhões não é exagerada, mas sim uma forma de intimidar os predadores europeus com euros ou libras de esfregar os olhos. É um pouco óbvio que, por mais rápido e forte que possa ser, o incrível não sairá por essa quantia tão elevada. Diga-se: seria a transferência mais cara de sempre dum jogador de futebol. Improvável. Falam-se em várias quantias, mas nenhuma rondou uma proposta oficial. Para tentar contradizer as quentes expectativas da imprensa, Hulk recorre ao empresário. Ele apenas diz que ele sabe o que é melhor para ele. Errado. Já não seria a primeira vez em que um empresário seria o calcanhar de Aquiles dum jogador. Lembre-se da dança entre Guarín e o seu. Apesar disso tudo ficou sobre rodas, já que demonstrou a sua satisfação a jogar no Internazionale. Pouco fez nesta época que será fechada com o EURO.

Mas afinal, tecnicamente e taticamente, o que faz Hulk para atrair o Chelsea ou outro clube qualquer? Um pouco de tudo. Mas peca por ser pouco disponível. Isso viu-se, aliás. Marca e desaparece do jogo. Talvez porque na sua mente tem o sentimento de dever cumprido ou porque se torna uma (ainda) maior preocupação nas marcações individuais dos adversários. Mas isso ainda não se sabia tão bem aquando da sua venda ao Porto...vindo do Japão. Descobriu-se relativamente cedo que Hulk é uma força da natureza. Uma dor de cabeça. Um fora de série para aquilo que é o panorama de extremos do nosso campeonato, onde não predomina uma grande força física dentro do lote. Mas Hulk é excepção, claro. Apesar de não ter feito uma época de um nível de 2010/2011 cumpriu e bem, fazendo-se excepção aquela altura onde esteve num momento de forma menos bom. Mau até. Esteve menos disponível nesta época, inclusive. Recebia a bola e a magia não era a mesma, numa grande fatia das vezes. Mas num bom lance, remate ou passe fatal fazia a diferença. E isto é o que é tão bom em relação a este jogador. Às vezes nem dá tanta pena que desapareça no jogo, já se sabe que fez o que lhe era pedido.

  Tecnicamente é um jogador com dotes muito acima da média. Destaca-se essencialmente pelo remate ou pela força do mesmo. Isso viu-se no primeiro jogo do brasileiro no campeonato português. Datava-se: 24 de Agosto de 2008. Dragão. Hulk começou no banco, rendeu Cristian Rodriguéz e marcou. Marcou uma bomba. Melhor seria difícil. Causou uma boa impressão, nada melhor para um novato. Mostrou ao longo dos tempos no Porto que não era o típico 9 que alguns esperavam, mas sim um extremo. Um rápido, forte e ágil, apesar da invejável constituição física. Um fora de série, diziam. 

DOIS ANOS, DOIS JOGADORES DIFERENTES

  Dizem que é extremamente difícil um treinador mudar o jogador, seja para melhor ou pior. Falso. Hulk surgiu completamente transfigurado devido ao sistema diferente adotado por Vítor Pereira. Há mais do que uma explicação para tal, mas primeiro falo daquilo que era o jogador de Villas-Boas.

  Podendo não ter uma liberdade ofensiva e criativa de tamanho considerável Hulk era prestável nos serviços portistas. Era também um protagonista na filosofia de posse de bola tornada realidade por André Villas-Boas que mais tarde iria falhar no Chelsea. Dizia-se que Villas-Boas sabia motivar tão bem quanto treinar e que era autoritário, também. E disciplinava a equipa que parecia ter anos e anos de rotinas coletivas. Hulk era, muito resumidamente, mais disponível. Jogava para a equipa em detrimento de tentar lances bonitos e terminar uma jogada promissora. Nesta época verificaram-se muitos problemas no balneário do Porto, sendo o mais recente o de Álvaro Pereira (que também deve estar de saída). Hulk não mostrou nenhum desses comportamentos e não protagonizou um desses problemas, mas...pareceu mostrá-los em campo. Além de ter um período menos bom no campeonato desaparecia do jogo muito facilmente. Claro que tinha sempre lances de verificar, mas regra geral não era um jogador de encher o olho. Optava pelas jogadas individuais, compensando de certa forma o que não fez na época passada. Diz-se que o fez devido à falta de liderança e autoridade de Vítor Pereira, que de resto se verificou em algumas alturas do campeonato.

 Taticamente, pouco ou nada mudou. Hulk continuava o típico extremo a seu estilo. Rápido, forte e muito esforçado naquilo que fazia, correndo-lhe bem ou não. Analisando aquilo que o caracteriza melhor, o Chelsea seria o melhor destino para ele, seja a ponta de lança ou a extremo, visto que o futebol inglês é muitíssimo móvel. Os jogadores não param, estão constantemente em movimento. A velocidade também é um fator preponderante. Por isso digo que seria o campeonato ideal para ele, excluindo imediatamente o italiano (a que também tem sido referenciado para a Juve de Conte que renovou há pouco tempo). 

  Prestes a fechar um ciclo, Hulk vai ser lembrado pela sua força física, velocidade e faro de golo. Um fora de série que durante muitos anos vai ser lembrado neste campeonato.