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  É este homem que deixa saudades no Ajax. Em 2009/2010 fez mais golos do que jogos disputados, uma marca sempre temerária no panorama do futebol mundial. Transferiu-se para o Liverpool em Janeiro de 2011 e apesar de algum sucesso tem tido azar tal como o resto da equipa. E se há, em toda a Europa, uma equipa que se pode queixar de puro e duro azar essa equipa é o Liverpool. Puro porque é visível em todos os jogos sem grande exceção. E também duro porque é devastador. Seja para king Kenny, para o emblemático Gerrard ou igualmente para os adeptos dos Reds que, sem fazerem algo que não isso, contribuem para as constantes casas cheias no mítico estádio de Anfield. A ganhar ou a perder, a convencer com as exibições ou não. De resto este também é o lema  dos seguidores dos clubes ingleses: dedicação e fanatismo para com o clube. Disso ninguém da estrutura do clube de Merseyside se pode queixar. A fazer algo aos adeptos agradeçam aos Kop. Sempre fiéis, tal como deve ser.

  Mas os dados fundamentais na temática do azar estão lançados. E são, no mínimo, desanimadores. Uma bola ao poste no jogo frente ao Norwich (mais uma) elevou para 31 o total do Liverpool nesta época. E de referir que esse registo é apenas da Premier League. Assustador. Pontaria a mais, sempre. Uma época agridoce e ingrata que pode ser salva pela possível conquista da competição de clubes mais antiga do mundo. Falo obviamente da FA Cup. E nesta época a final vai opor duas equipas que estão a, generalizadamente, desiludir na principal competição doméstica que se disputa em terrenos de nossa alteza. Chelsea e Liverpool pelo orgulho pessoal e da sua cidade. Duelo pessoal para Meireles e Torres, onde as atenções também estarão viradas por Carroll que marcou o golo decisivo para o Liverpool marcar presença nesta final. Depois dos rivais terem ambos vencido os seus respetivos dérbis da cidade (Everton - Liverpool e Chelsea - Tottenham) passaram, com distinção e classe, à final de Wembley. Carroll decidiu com um golo de cabeça, onde estava de costas para a baliza. Curioso e raro. O costume: são esperados praticamente uma centena de milhar de espectadores nas bancadas do estádio mais caro do mundo para construir. Fala-se de 1,4 biliões de euros. Um balúrdio. Juntando a isso contam-se mais uns milhões a ver no sofá, nas praças públicas e num dos símbolos ingleses, os pubs.

  Há um jogador que tem sido particularmente afetado pelas radiações que giram em torno de Anfield. Aquele que no Ajax era a figura de maior relevo da Eredivise. Um goleador nato com toque de dançarino de samba. Aquele jogador que dá gosto ver, que parece divertir-se em campo. Luis Alberto Suárez Díaz. E sem ele tem havido um Liverpool diferente. Isso viu-se aquando da sua suspensão por 8 jogos por alegados insultos racistas a Evra. Viu-se uma equipa sem tanta criatividade ofensiva. Estranho se a situação fosse diferente, dada a importância do mesmo na equipa. E a mesma regra de dependência se aplica a good ol'Stevie. Uma lenda no Liverpool. Dedicado esforçado e campeão. Um exemplo e uma referência quando se pensa no clube que com Gerrard deu a volta a uma das finais europeias mais emotivas de sempre. O Milan, com Maldini e Shevchenko, ainda deve estar a pensar como perdeu esse troféu que mais tarde nessa noite seria levantado por Gerrard. Três golos em seis minutos levaram o Liverpool ao empate. Soava o intervalo e os italianos iam vencendo por 0-3. O Liverpool teve sorte nesse jogo. Mas algo mais do que isso também. Uma força e coesão que é rara numa equipa de futebol. Um verdadeiro hino ao futebol. Mas isso já é entrar num campo que, mesmo para o futebol, é lírico. Muito se pode dizer dos 45 minutos mais importantes da carreira de Benítez. Mas isso serviu para, à semelhança do que aconteceu com a Carling Cup e pode acontecer com a FA Cup, compensar a má época que o Liverpool fez internamente. Terminou em 5º lugar numa edição da Premier League que foi dominada pelo Chelsea de Mourinho, com André Villas-Boas e Rui Faria no banco. Mas deixem-me voltar ao tema Suárez.

  Fez um fantástico hat-trick na última jornada do campeonato. Feito no campo do Norwich. O seu primeiro nesta equipa. Melhor só se fosse em Anfield. O terceiro e último golo fez lembrar o chapéu do meio-campo marcado por Beckham nos seus tempos de menino do United. Um dos momentos mais marcantes dum dos vencedores da Copa América do passado ano. E de resto seria um dos protagonistas dessas mesma conquista. Encarnou aquele ainda mais temido jogador que era no Ajax de Amesterdão. E por falar no clube holandês digo que está a um ponto de se tornar campeão da Eredivise. Um possível acordar dum histórico holandês.

  A pergunta que se faz nesta altura: o que falta a este Liverpool? E tento responder: sorte e eficácia defensiva. Aspetos a trabalhar na próxima época, com ou sem Dalglish.

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  Já há campeão num dos campeonatos menos bem disputados nos últimos anos na ocidental praia lusitana. Junta-se assim ao Dortmund de Klopp como o segundo campeão daquelas que são consideradas as melhores ligas da Europa. Mas isso já é entrar no campo da relatividade, já que alguns episódios no nosso futebol têm manchado o mesmo. Vejam a situação do União de Leiria e percebem do que estou a falar. Mas é o Porto merece destaque no dia de hoje. Foi campeão no sofá, algo que acabou por ser agridoce para alguns adeptos, já que um dos 'sonhos' azuis e brancos era vencer o título no Dragão. E frente ao Sporting, claro.  Título este que é o 26º da história do segundo clube português com mais títulos nacionais. Mais um para Pinto da Costa, o dirigente do mundo com mais títulos. Já são 19 títulos de campeão nacional do sempre jovem dirigente de 74 anos. Mais um feito notável.

  Mas nem tudo foi um mar de rosas. Acho que toda a gente sabe do que falo. Uma época atribulada e para muitos (ironizando) sem treinador. Realmente o trabalho de Vítor Pereira está aquém das expectativas. Também porque há um peso acrescido, o de suceder a Villas-Boas, um dos grandes responsáveis por uma das melhores épocas do Porto. Responsáveis pelo títulos são muitos, mas o treinador não deve estar incluído nessa lista.

  E um voto de parabéns a alguns dos melhores adeptos em Portugal, sejam dos Super Dragões ou não. Apesar de algumas casas deploráveis registadas no Dragão, houveram adeptos impensáveis. E o futebol é feito disso.

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  Hora de olhar o Euro 2012 nos olhos. Falta pouco mais de 1 mês para a competição que vai (novamente) parar a Europa. Depois da surpresa grega e da hegemonia espanhola é tempo de ver quem domina a competição de seleções mais importante do continente outrora dominado por um controle sobrenatural do Brasil nas competições da FIFA. São 16 seleções, 31 jogos. Fixem: 8 de junho a 1 de julho. Olhos centrados na televisão com transmissões televisivas sem pausa do leste na Europa. Consideremos essa parte da Europa situada entra a República Checa e a parte europeia da Rússia. Nenhuma das seleções presentes é favorita, mas  o sangue frio pode fazer sempre a diferença. Isso ainda tem mais importância aquando de uma grande competição como esta. 

 O que se pode esperar na ideologia de uma determinada seleção? Quem irá surpreender na lista de convocados? Nos próximos posts serão debatidos assuntos relacionados com a competição.

Qualquer sugestão sobre um tema a ser abordado é, está claro, bem-vinda. Podem fazê-lo comentando este post ou contactando-me através do endereço que nessa página estará clicável. 

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  Roberto Di Matteo surpreendeu a Europa, não só pelos resultados positivos com o Chelsea - e isto comparando com os outros menos bons de André Villas-Boas -, mas também pela estratégia extremamente particular que tem vindo a montar. Particular porque, sem qualquer dúvida, é estranho uma equipa da dimensão dos Pensioners a adotar uma estratégia tão defensivas. Seja como for isso pode ver-se de muitas formas.

  Por mais agridoce e irritante até que seja para a legião de adeptos de bom futebol (e aqui não falo exclusivamente de adeptos dos azuis da capital de Inglaterra) o italiano tem, neste momento, a permanência assegurada e (quase total, diria) confiança de todas as pessoas as pessoas que integram a estrutura do Chelsea, lideradas por Abramovich. E isso é essencial, já que é conhecido por despedir treinador por razões pouco plausíveis. Olhem Mourinho, por exemplo. Di Matteo está a ter uma excelente prestação num clube onde André Villas-Boas, em suma, falhou redondamente (também devido a adversidade que o atual treinador e ex-adjunto do português não está a dar, e neste andar parece que assim irá continuar). Esta equipa veio demonstrar aquilo que é o futebol moderno: mais preocupações. E elas são defensivas, sobretudo. Cada vez se defende melhor. Focando-se também naquela que, tal como a massiva quantidade de homens a defender nesta equipa, tem sido a arma principal da equipa outrora liderada pelo arrogante que se acha especial. Mas com razões para tal. Falo daquele que para muitos é o melhor treinador do mundo, José Mourinho. E com isso lanço uma curiosidade já divulgada perfeitamente aleatória, mas não menos interessante. Trata-se das eras pós-lusitanos. Avram Grant e Di Matteo foram os sucessores dos portugueses a treinar o Chelsea no novo milénio. E agora vem a parte realmente interessante e curiosa, mas trágica para os portugueses: ambos esses treinadores conseguiram o feito de chegar à final da Liga dos Campeões. As únicas duas finais europeias deste Chelsea para o obsessivo Abramovich, bilionário que tem investido loucamente no clube, justamente por uma obsessão que deverá desaparecer aquando da conquista da Champions. Será difícil, ainda assim.

Foco-me agora a escrever sobre a estratégia adotada pelo Chelsea na Europa, desde a goleada aplicada ao Nápoles até ao empate que silenciou Camp Nou. Mas esse silêncio também sucedeu-se porque Torres marcou um golo, coisa que tem vindo a ser rara. Este foi o seu primeiro golo depois do bis ao Genk na fase de grupos. Um golo que, apesar do seu impacto, não alterou o desfecho desta eliminatória, que com o resultado que se verificava antes do sprint de Torres era ainda favorável ao Chelsea. Apesar disso o tento do espanhol não deixou de ser surpreendente, até por aquilo que simbolizou. Mais propriamente a machadada final, o golpe de misericórdia que acabaria por ser injusto. Este golo, pelo que muitos dizem, podem ter revivido aquele jogador que no Liverpool era admirdo por todos os adeptos dos Reds. Mas isso tem sido depois de cada golo de Torres, o azarado. Mais uma vez é esperar para ver.

  O espanhol tem ficado no banco em algumas ocasiões porque, basicamente, não tem sido eficaz. E isso é uma característica fundamental na squadra de Di Matteo. As poucas oportunidades que a equipa tem tido nos jogos não se podem desperdiçar. E poucas dado o molho de jogadores que defendem no sistema do careca que lidera os azuis de Londres. Até os avançados, na maior parte das vezes, ajudam no processo defensivo e momentos de aperto, tentando introduzir depois transições rápidas letais. O golo de Meireles contra o Benfica foi o exemplo perfeito daquilo que está a ser esta equipa. E agora coloco a questão presente no título: inteligência na sua estratégia que se mostra eficaz ou incapacidade de uma ideia de jogo atrativa e digna de uma equipa com grande nome na Europa como o Chelsea? Tenho uma opinião dividida, num momento em que a ideia extremamente defensiva levou o Chelsea à final da Liga dos Campeões (com alguma sorte e muito oportunismo, aproveitando aquela estrelinha que os adversários não tiveram, diga-se).

  Esta situação deverá, independentemente da circunstância, ser analisada perante dois pontos de vista distintos. Por um lado que se dê o crédito a mais um antigo jogador que está agora noutro lado do jogo. Os adeptos do Chelsea devem, quase exclusivamente, ver as coisas neste panorama. Mas depois há adeptos de futebol como eu (não apoio o Chelsea, atenção). Adeptos esses escolhem, acima de tudo, o futebol bem jogado. E esta formação tem falhado muito nisso.

  Seja sorte ou não, o Chelsea está no topo do futebol europeu e vai disputar o trono em Munique no dia 19 de Maio.

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  Coisas que põem toda a gente a pensar. Treinadores, jogadores e adeptos de bancada e sofá. Quantas vezes já não se disse que um golo num período inicial e precoce do jogo decidiu o mesmo? Seja por incompatibilidade (e, consequentemente, incapacidade) do sistema tático ou por uma simples desconcentração em qualquer setor (já que em eventuais perdas de bola numa zona avançada do terreno também geram fulminantes conduções para a baliza adversário, os tradicionais contra-ataques) uma coisa é certa: um golo madrugador é, na sequência dos 90 minutos, uma das formas mais eficazes de despedaçar o oponente. E não de uma forma só. E isso gera mudança. Mudanças que se notam, sobretudo, naquela formação que sofreu um duro golpe. Mas, pensando bem, a mudança pode e deverá ser mútua. Imaginemos um cenário de David versus Golias, que se irá encaixar naquilo que estou a tentar explicitar, enquadrando-me sempre na mesma temática.

  Continuamos então com esse cenário. Imaginem. Existe, na teoria, uma equipa bastante superior à outra. Mas, então, temos que adornar ainda mais esse mesmo conto: é uma final para a equipa teoricamente desfavorecida. Tem que ganhar a todos os custos. Trata-se de uma final: uma eliminatória numa taça ou o possível alcance de uma meta no campeonato nacional. Podemos ter em conta aquele que é o mais provável: a permanência no seu escalão. 

  A equipa entra em campo com uma ideia defensiva, uma constituição cautelosa. Mas não exagerando, ainda assim. Tal como acontece no campeonato português, dando um exemplo prático, as equipas desfavorecidas, ou com menos probabilidade de vencer, têm que apostar na velocidade e nas transições rápidas a roçar a perfeição. Excluindo as sempre perigosas bolas paradas seria uma das hipóteses mais válidas e objetivas para o underdog neste jogo; a equipa mais fraca em todos os aspetos. Aquando do início do encontro verifica-se uma pressão alta do colosso, comparando com a inferior qualidade adversário. Falamos aqui de uma equipa com ilustre história e títulos. Apenas para terem uma melhor noção a onde quero chegar. Ainda para mais a jogar em casa (para dramatizar a coisa). Numa jogada de insistência acabam por perder a bola, fruto da pressão (no meio-campo) do homem mais rápido (ora aí está, velocidade e faro de bola dos sprinters dos forasteiros) em campo, arrisco dizer. Na conclusão da sua extremamente rápida condução de bola o jogador oferece a redondinha ao avançado que, tendo também perfil de velocista, ultrapassou o último homem da linha defensiva. Golo madrugador consumado. Clima de preocupação na equipa mais forte. Tratou-se de uma condução rápida, concluído por um remate perfeito. Não pela execução técnica, mas sim pela sua instintiva construção e, também, pelo seu significado moral. Moral essa que, neste tipo de jogos, pode ser um fator quase decisivo. E 'quase' porque muitas vezes isso não chega. A qualidade alheia pode prevalecer e decidir.

  Diante do silêncio do estádio é tempo de ambos os treinadores conferenciarem com os seus adjuntos ou elementos de confiança na equipa técnica de imediato e no seu abrigo, o banco de suplentes. Sacam os quadros táticos e um bloco de notas. São dos minutos mais fundamentais na partida e, no entanto, ainda se ia na primeira dezena de minutos. As mudanças e decisões que ainda estavam em stand-by iriam, teoricamente, guiar as equipas perante o cenário inesperado (esta deverá ser a única analogia entre os pensamentos dos treinadores, dado o golo e o resultado).

  Até que surgem as mudanças táticas. Isso nota-se pela organização das equipas em campo. A equipa da casa recua a linha defensiva. Não se pode arriscar a ceder a passadeira vermelha, mais uma vez, ao adversário. De resto mantém a sua postura equilibrada que ambicionara vencer a partida, com um meio-campo criativo e homens na frente, acima de tudo, objetivos naquilo que lhes é atribuído. Os inesperados líderes no score mantiveram a sua estratégia inicial e sistema tático: cinco defesas (autocarro), três médios e dois vagabundos a tentar encontrar a bola e imprimir velocidade com ela no processo ofensivo. Mas o invés de dois deixa apenas um homem adiantado em relação à linha da bola. E a estratégia acaba por dar resultados. Uma boa coesão defensiva dá-lhes a vitória. Impressionante, não?

  Isto tudo para dizer que uma boa capacidade de explosão num momento decisivo e um trabalho quase exclusivamente defensivo no resto da partida pode decidir tudo. 'Começar o jogo com um golo de avanço' pode ser altamente benéfico para a equipa que luta para, normalmente, pontuar. É daqueles jogos em que, na equipa da casa, a bola também teima em não entrar. Um imprevisto num momento em que os jogadores nem se cansaram pode ser letal.