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  A verdade é que muitos sonham em ser isto e aquilo. E nesta comunidade do futebol, falando daquilo que é a globalidade, o objetivo passa todo por uma analogia teórica: ser treinador de futebol. Muitos não compreendem as implicações que isso terá em todos os níveis. José Mourinho já teve que mudar os filhos de escola umas quantas vezes, em vários países. Isso é uma implicação a nível pessoal/íntimo. Inclusive, é um emprego cansativo.  André Villas-Boas trabalhava doze horas por dia em Stamford Bridge ou na instituição de formação. Dormia numa cama japonesa, praticamente no chão. Dedicava-se duma maneira quase incondicional. O que lhe aconteceu? Foi despedido e odiado por Londres. Ingrato, hipócritas. Em todos os jogos quase meia centena de milhares de pessoas a assobiar-lhe. Eu sei que o meu futuro vai passar pelo futebol (é a minha ambição futura), mas não sei até que ponto me irei envolver neste caos.

  Talvez siga algo no exterior. Talvez vá para comentador, talvez trabalhe como analista, olheiro, part-time em estações de rádio/televisão, não faço a mínima ideia. Mas ser treinador é ingrato, se for algo mais do que ter o dinheiro na conta, no final do mês. Mas é frustrante ver comentadores como o Litos na SportTV, quando outras pessoas que têm conhecimentos sobre comunicação e futebol andam a postar em blogs na internet com um conhecimento fora do normal. Para singrar é preciso ter conhecimentos táticos duma forma demolidora para a maior parte das pessoas. Perceber psicologia, saber motivar os jogadores. Saber comunicar, várias línguas. Saber lidar com os desgostos. Ser frio como um cubo de gelo nos momentos decisivos, não se deixar ser abalado por terceiros. E ter visibilidade duma forma futebolística, obviamente. Se eu for para o curso terei que, quase obrigatoriamente, sair desta ilha. Ganhar visibilidade noutro lado. Ou liderar o clube da minha terra que está à beira de fechar portas. Eu sou ambicioso, mas tenho receio. Para não falar nos custos elevados da soma dos vários níveis dos cursos (só o IV são 3000€). Ou és bom ou ficas a fazer desenhos no quadro tático no sofá. Ficam aqui os conselhos e reflexões dum rapaz de 14 anos que não percebe nada do que é ser treinador e trabalhar no mundo de futebol. São apenas pensamentos que até podem estar incorretos.

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  É uma das sensações europeias nesta temporada. Tem conquistado o apoio de muitos adeptos portugueses (claro que não anula o facto de poder acontecer o mesmo em outros países, explicito aquilo que apenas tenho conhecimento e tenho visto) devido a alguns fatores. Um deles é a política do clube, o Athletic Club Bilbao (de resto a equipa da cidade mais populosa do País Basco). Como sabem, apenas jogadores bascos podem pertencer ao plantel. Baseando-me naquilo que é a equipa mais conhecida cá da ilha de São Miguel, era como se o CD Santa Clara apenas contasse com jogadores da ilha ou, no máximo, nascidos em qualquer ilha do arquipélago (tal não acontece porque a maioria esmagadora dos jogadores do clube são de Portugal continental ou estrangeiros, maioritariamente sérvios e brasileiros. O País Basco compreende também as regiões de Navarra e Iparralde, esta última já situada em terreno francês. Jogadores que não sejam oriundos desse conjunto de regiões não são permitidos a ingressar no clube.

  O que ainda torna mais interessante esta equipa treinada por Marcelo Bielsa é o seu atual momento, seja a nível interno ou externo. Ocupa atualmente o 8º lugar da Liga BBVA (com boas possibilidades de chegar ao 6º lugar que está em posse do Osasuna nesta altura, última posição que dá acesso às competições europeias), está na final da Taça do Rei (onde irá defrontar o finalista vencido da última edição, o Barcelona) e é um dos principais favoritos a vencer a Liga Europa. Vai defrontar outro desses potenciais candidatos naquela que é denominada como uma final antecipada com duas mãos. Falo do duplo confronto frente ao Schalke, que conta com o holandês Klaas-Jan Huntelaar em primeiro plano. Ontem foi notícia na imprensa alemã alguns problemas na possível renovação de vínculo com o clube, onde Horst Heldt (diretor desportivo da equipa alemã) disse que não iria torturar o jogador para renovar. Claro está, deverão existir muitíssimas propostas pelo jogador. Mas isso já é outra história. Uma coisa é certa: deverá estar com a confiança em alta para defrontar o Athletic, naquele que se avizinha um duelo de titãs: Llorente versus Huntelaar.

  Falando exclusivamente da equipa do Athletic em si, existem individualmente jogadores que se destacam. Nomeadamente o experiente guarda-redes Iraizoz, Javi Martinéz, De Marcos, o gigante Llorente (ponta de lança de quase 2 metros que tem sido uma aposta regular da seleção espanhola, pelo seu bom desempenho constante no clube) e uma das revelações europeias da época, Iker Muniain. Com 19 anos já pode ser considerado um valente caso sério. Joga em diferentes posições no ataque, com maior ênfase para a extrema esquerda. É denominado como o 'Messi espanhol' pela imprensa, dado o seu estilo de jogo. Mas, de acordo com muitos, a principal arma desta equipa é o entendimento mútuo e o jogo coletivo. Talvez sejam os ares do País Basco, a união entre os jogadores ou outro fator completamente distinto, mas uma coisa é certeza: esta equipa tem uma política diferente de todas as outras e isso distingue-a. Não tem qualquer outro remédio, apenas pode apostar na formação (fora uma rara exceção, já que o Athletic quer garantir desde cedo jovens promessas e consequentemente certezas a longo-prazo, com vários ciclos etários). É algo que muitos outros clubes que 'vivem' graças a jogadores de nacionalidades estrangeiras, como a maior parte das equipas portuguesas de primeiro escalão, deviam fazer. Nada melhor do que jogadores da casa para 'educar' e formar uma equipa competitiva. 

  Diga-se também que o experiente Marcelo Bielsa ou 'El Loco' tem também a sua fatia na responsabilidade pelo sucesso da equipa, conhecido pelas suas invenções táticas com as equipas que tem ao seu dispor. No que toca ao Bilbao, quase tudo tem funcionado.

  A equipa é um hino ao futebol. É um exemplo raro no que toca ao futebol de hoje em dia (principalmente em equipas desta magnitude competitiva, onde o dinheiro é um elemento chave). Com o dinheiro a ser, justamente, um dado cada vez mais fundamental no futebol moderno o Athletic Club Bilbao continua a remar contra a corrente. A verdade é que, para bem daquilo que é a essência do futebol, estão a conseguir...

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  Como adepto de futebol justo, este jogo foi para riscar do pensamento. Mas houve algo que me ficou entalado: como é que a comissão de arbitragem deixa o senhor Bruno Paixão ser um dos árbitros de destaque do nosso futebol? Já não se trata de profissionalização dos atuais árbitros portugueses, das suas respetivas insígnias da UEFA e FIFA, mas sim de competência e respeito para com as instituições centenárias com que lidam quase semanalmente. O Sporting tem tido razões para se queixar da arbitragem, e o segundo capítulo dum insólito pode estar bem próximo. Um árbitro conhecido nas andanças de primeiro escalão pode vir a suspenso se o mesmo se recusar a arbitrar um jogo do Sporting para o campeonato, tal como aconteceu a João Ferreira (3 jogos) na primeira volta, quando foi o desconhecido da AF de Aveiro a arbitrar o jogo em que o Sporting empatou no campo do Beira-Mar. De resto foi o protagonista do jogo, sem casos que se pudessem verificar no fim da partida. O mesmo afirmou Nuno Coelho, jogador do Benfica emprestado ao Beira-Mar durante esta época desportiva. Sendo a primeira experiência desse tipo um sucesso, a hesitação por parte dos 25 árbitros principais da comissão de arbitragem não deve ser tanta.

  Ontem quem perdeu foi o Sporting e a justiça, diga-se. O Gil Vicente (além disso, com mérito pelo bom jogo que fez) foi beneficiado na partida, com uma adversidade na equipa do Sporting, que se transformaria num dia negro para todos os associados do clube. Graças a Bruno Paixão, claro. As marcas de Manchester ainda estavam presentes: jogaram num dos estádios mais difíceis da Europa na quinta-feira, num ritmo intensíssimo. De louvar é a persistência e a atitude lutadora desta equipa de Sá Pinto, que de resto começa a herdar a personalidade do antigo jogador do clube que agora é treinador. Dando um ligeiro flashback viu-se que jogar com o Gil Vicente em Barcelos pode ser frustrante. Olhando para os lugares cimeiros na classificação (pódio) apenas se salvou o Braga, que com Lima a brilhar conquistou uma vitória dificílima neste que se está a mostrar um dos campos mais difíceis para os grandes. O Benfica empatou lá na primeira jornada e o Porto saiu derrotado por 3-1, são tudo notas que valorizam este Gil Vicente.

  Barcelenses que contaram com o fator surpresa numa fase precoce do jogo. Com algum espaço livre Rodrigo Galo fez o primeiro do jogo, num remate fortíssimo a meio da rua. Isto numa altura onde o Sporting tinha começado a sentir algumas dificuldades, mérito do Gil. Brasileiro este que na próxima época deverá fazer parte do plantel principal do Braga, visto estar emprestado pelo clube de Leonardo Jardim. Mais uma adversidade para o Sporting, está claro. Como se já não fosse difícil obter um resultado positivo em Barcelos, devia pensar Sá Pinto. Que de resto teve uma postura exemplar perante tudo isto: motivador durante o jogo, exemplar a afastar os jogadores do campo para evitar conflitos com Bruno Paixão e coerente na conferência de imprensa, não acusando e culpando Bruno Paixão pelo desfecho. Postura de se lhe tirar o chapéu.

  Se me permitirem, gostava de classificar a primeira grande penalidade como fantochada. A decisão não é contestada por Schaars tocar a bola com o braço, mas sim por não ser dentro da grande área. Neste lance a culpa é tanto de Bruno Paixão como do assistente, que estava em linha com tudo isto. Grande penalidade assinalada e defendida por Rui Patrício para manter um bocado de justiça naquilo que começa a ser um jogo estragado pela arbitragem. Segundos depois da primeira grande penalidade surgiu a segunda, por mão de João Pereira (esta indiscutível). Mas pela ordem de acontecimentos, uma grande penalidade não existiria sem a outra. A verdade é que Cláudio concretizou à segunda tentativa, fazendo o seu oitavo golo no campeonato (o que é surpreendente sendo ele um defesa central). Diga-se que Schaars foi bem expulso, dada a mão na bola e uma entrada nada calculista na segunda parte. Mas o Sporting nunca deixou de acreditar, isso é um dado que pode servir de consolo, se se pode chamar assim.

  O futebol é um jogo simples e atrativo, estragado por um homem de apito neste caso. Não houve qualquer intenção de Bruno Paixão a prejudicar o Sporting (ou assim o aparenta), é apenas incompetência. É preciso chamar novamente Fernando Martins para dar uma lição de arbitragem? Críticas ao árbitro de Setúbal com razão. Fazia bem o Sporting em requisitar novamente os serviços do imparcial aveirense.

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Brilhante, isto é Portugal. Grande atitude, primeira parte capaz de vencer qualquer equipa desta competição, talvez com 1/2 exceções. Atitude de guerreiros, muito bem taticamente o Sporting. As substituições foram cedo demais e prejudicaram um pouco o caule ofensivo da equipa. Golos inteiramente merecidos pela forma que este grande Sporting abordou a eliminatória em geral, não este ou o jogo em Alvalade em particular. Equipa coesa, desta vez parece-me a estabilização definitiva daquela que me parece ser uma grande equipa. Resumidamente, apenas digo isto: espírito de sacrifício. Não sucumbiram à enorme pressão na segunda parte, admiro a equipa por isso. Grande apoio verde e branco em Inglaterra, crédito também por isso. Sinto-me feliz por ter duas equipas portugueses neste nível, nas competições europeias.

Adversários a escapar são o Atlético de Madrid, Schalke e Bilbao. Mas qualquer um destes é adversário ao nível deste Sporting. Verdade que foram controlados na segunda parte, mas souberam bem gerir a vantagem (quando a tiveram), e mesmo quando ficaram em desvantagem no jogo. Ao contrário do Porto, neste caso (que aquando do segundo golo em Inglaterra desorganizou-se completamente). Coração de leão para todos os associados do Sporting. Jogo emotivo, onde a melhor equipa nos dois golos saiu vitoriosa na eliminatória. Estou curioso para ver como vai ser a chegada dos jogadores no aeroporto, e claro, para ver se este ciclo majestoso irá ter continuação.

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  A mudança de treinador no Sporting não foi (embora o tenha aparentado numa fase inicial) prematura ou irracional. Aos poucos a equipa vai modelando um novo estilo de jogo e, consequentemente, inovando o seu próprio. No tempo de Domingos Paciência houveram algumas mudanças posicionais (sobretudo no decorrer dos jogos, trocas posicionais no meio-campo, com Schaars a ser talvez o homem mais polivalente naquela área), porém, numa fase, sem grande sucesso, numa altura em que nada corria bem, para que conste. Com a vida do homem que deu ênfase ao lema "coração de leão", houve um jogador que se destacou numa posição não a sua de raiz. Falo do homem da imagem, como já devem ter percebido. Daniel Carriço tem sido um jogador determinante na construção do jogo e equilíbrio entre sectores. Como número 6, ou trinco (como preferirem), o jogador ganhou um ritmo que não tinha à algum tempo. Criticado como central por alguns está neste momento a ganhar um novo dinamismo, uma polivalência que lhe pode ser essencial. 

  No reverso da medalha temos André Santos. O 6 que quer ser um 8, como disse Luís Freitas Lobo. O problema do jogador é ter, essencialmente, funções para um número 6. Construção de jogo e balanceamento do mesmo, como qualquer típico jogador a exercer essa posição no terreno de jogo. Talvez essa fosse a principal razão do seu descontentamento aquando a época extremamente negativa do Sporting no começo de 2012, aliando ao facto de não ter sido opção regular. O facto de potencialmente não render com essas funções pesa. Mas a solução é elementar, ao nível de qualquer um. Fazer avançar o jogador em circunstâncias normais, com a sua criatividade e genica (raça, atitude competitiva própria da idade do jogador de 21 anos). 350 minutos com um jogador com aspirações de futura titularidade. É francamente pouco. Outra das razões que justificam a falta de minutos de André Santos é justamente Daniel Carriço, que não arreda pé no 11 do Sporting.

  De um lado temos um 3 que virou 6, e noutro um 6 ou quer ser um 8, mas que por agora tem de se contentar com as poucas brechas que tem para mostrar o que vale. Mas isso de pouco serve se a sua posição é explícita: 6! A este ritmo é imprescindível fazer mudanças que possam prejudicar o rendimento da equipa, mesmo que para o futuro os resultados dessas mudanças venham a justificar-se. Para tal servem as pré-épocas, alturas em que as rotinas de jogo são assimiladas. Isto porque - e apesar do desapontamento no campeonato - o Sporting ainda tem duas frentes possíveis. A final da Taça de Portugal e um confronto impróprio para cardíacos em Manchester. Para mudanças já bastou ao Sporting o atual treinador do Hearts, Paulo Sérgio. O tal treinador que não tinha um base e/ou tática base. Em pouco tempo no comando do Sporting, Ricardo Sá Pinto já conseguiu dar algo de novo à equipa. Além da equipa ser sobretudo mais sólida (isto dado ao que vou referir a seguir), a alma aumentou. O lema do Sporting está a ser levado para outro nível na Europa.  

Esforço, dedicação, devoção e glória. Esta é uma das frases que descrevem o Sporting, sempre que é referido o clube lisboeta. E o facto de ser um ex-jogador que um sentimento guerreiro enorme a treinar o clube é determinante. A diferença mais relevante é essa. A garra é visível por aquilo que a equipa tenta produzir, mesmo que nem tudo saia na maior das perfeições. Um homem determinante no balanceamento de processos e um novo alento para o clube leonino, numa frente interna e europeia.