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     Sérgio Conceição já deixou o comando técnico do Nantes, clube pelo qual assinou no passado mês de dezembro e acabou por fazer o impensável: deixar um clube que se encontrava na zona de despromoção, sem grandes esperanças de garantir a permanência no campeonato francês - e quanto mais de fazer um campeonato tranquilo -, no 7º lugar da competição. Caso houvessem 7 vagas europeias na Ligue1, ao contrário das 6 existentes, seria o Nantes de Conceição a rumar à Liga Europa. E em tal recuperação não existem características a fazer: com a sua personalidade naturalmente agressiva, mais ou menos controlada, o técnico português tornou-se num dos grandes focos de atenção numa altura em que se vai fazendo a revista da época no futebol francês.

     Conceição, próximo treinador do FC Porto, terminou a sua estadia de 7 meses em território gaulês com incríveis créditos, fruto do seu rácio de vitórias de 50%. Melhor só em 13/14, quando terminou a época em Braga com 23 vitórias em 44 jogos, terminando no 4º lugar do campeonato. Já a sua temporada, embora bem sucedida, ficaria manchada pela derrota no Jamor, face a um Sporting que, a jogar com 10 durante 75 minutos e em desvantagem no resultado (e por margem de 2 golos) até aos minutos finais, onde a dupla de Slimani e Montero obrigou com que a questão se resolvesse nas grandes penalidades, favoráveis aos lisboetas. 

     Isto para dizer, no fundo, que Sérgio Conceição é um técnico que já revelou bons registos na sua ainda relativamente curta carreira como treinador. O problema é que, entre Braga e Nantes, foi protagonista de uma das piores épocas do Vitória SC desde a virada do milénio.

     É importante relembrar que o Porto não vence um título oficial de 2013, na altura a Supertaça Cândido de Oliveira com Paulo Fonseca ao leme. Desde esse momento, 3 treinadores foram apresentados - com Luís Castro e Rui Barros a sentarem-se no Dragão como interinos - por Jorge Nuno Pinto da Costa como os homens que iriam devolver a formação azul e branca aos títulos, algo que tem marcado a história recente da equipa nortenha: 29 só no novo milénio. E todos eles conquistados, claro está, até 2013. Tendo isto em conta, é óbvio que o Porto vive numa seca de troféus que não é natural, muito mais quando tem um sido um autêntico 'papa troféus', especialmente na primeira década deste século, onde se incluem 2 troféus europeus, ambos com José Mourinho.

     É compreensível que, dado este período menos bom na história do clube, o Porto queira tomar uma opção mais segura no que toca ao homem do leme, até porque o último técnico estrangeiro não correspondeu. Esse foi o critério para a escolha de Nuno Espírito Santo, uma desilusão para os portistas em diversos níveis. E, tal como seu antecessor, Sérgio Conceição ainda não mostrou credenciais suficientes no futebol português ou fora dele - uma época fantástica em França não exclui a possibilidade de ser um one hit wonder. A Crónica Futebolística enumera algumas razões pelas quais Sérgio Conceição não é a escolha mais indicada para voltar a levar o Futebol Clube ao Porto à rota dos títulos.

     ➤ OS ÓBVIOS PROBLEMAS TEMPERAMENTAIS: É um problema recorrente no futebol hoje em dia. É sempre uma característica bem-vinda que um treinador sinta o clube que está a liderar, ainda para mais quando é um homem formado ou que tenha sido bem sucedido como jogador na casa para a qual está a voltar. O confronto faz-se, aqui, quando quem quer que seja tenta desculpar atitudes claramente agressivas ou descabidas como simplesmente uma demonstração de 'raça'. E, já como jogador e agora como treinador, Sérgio Conceição não pode ser uma imagem exemplar a passar aos seus jogadores. Já enquanto atleta, o próximo treinador do FC Porto demonstrava uma postura excessivamente agressiva, o que sempre abonava a seu favor no campo da disciplina. Enquanto treinador, o seu historial é ainda mais extenso. Desde acusações de insultos e ameaças perante António Salvador, José Eduardo Simões e outros dirigentes a ameaçar e a 'marcar presença' contra árbitros, até na sua extremamente positiva época no Nantes. Por mais que um treinador se necessite dedicado, esforçado para com a causa da instituição que representa, os problemas temperamentais e crises de fúria de Conceição não são exemplo a seguir e não é aquilo que necessita os jogadores do Porto.

     ➤ NECESSÁRIA MAIOR EXPERIÊNCIA: Está um pouco demais instaurada no futebol atual a ideia de que um jogador mediano dará um treinador mediano ou que um grande jogador dará um grande treinador. Não. Claro que passar pelos relvados dará a um futuro treinador uma melhor ideia de como fazer o seu trabalho, mas isso não é de todo determinante para se ter sucesso no banco. E Sérgio Conceição pertence a uma nova vaga de treinadores portugueses que optaram por seguir o ramo de treinador, uns com mais sucesso e outros com menos. A verdade é que Sérgio Conceição, exclusivamente como treinador, não tem a experiência suficiente para tirar um clube como o FC Porto da situação em que se encontra atualmente. Apesar de boas temporadas no Nantes e no Braga, assim como na Académica a certo nível, o português de 42 anos ainda não mostrou, de todo, a consistência necessária para se mostrar capaz de liderar um barco como o do Porto, que vive um momento extremamente sensível. Juntando essa falta de consistência - que até pode estar lá, mas que ainda não a mostrou - à sua própria inconsistência emocional, é bem válida a hipótese de que estejam reunidas as condições para mais uma época de dissabor para os azuis e brancos.

     ➤ NECESSIDADE DE MUDAR O CRITÉRIO DE SELEÇÃO: Nuno Espírito Santo apresenta vários paralelos com Sérgio Conceição: apesar de uma época extremamente interessante no Rio Ave, onde chegou à final das taças, e de um excelente início no Valência, o agora treinador do Wolverhampton não apresentava nem de perto, nem de longe condições favoráveis nem conhecimento no seu currículo para que lhe fosse oferecido o cargo de treinador do FC Porto que, à entrada da época passada, também já vivia um momento sensível. Conceição, por sua vez, também não apresenta um currículo de todo cimentado. A conclusão possível de tirar é que o critério de seleção para as escolhas de Espírito Santo e Conceição são semelhantes. Se a história recente se mantiver, é algo que não abona a favor dos dragões. Porque além de serem escolhas claramente precipitadas, mostram ser técnicos que não têm fulgor suficiente - ainda - para segurar uma equipa com as ambições domésticas do FC Porto.

     ➤ ESCOLHAS MAIS FIDEDIGNAS NO PRÓPRIO CAMPEONATO: Nas 7 épocas em que já treinou na Primeira Liga, Pedro Martins já levou o Marítimo, Rio Ave e agora Vitória SC às competições europeias. Com um currículo cimentado aos poucos, subindo um degrau de cada vez e mostrando uma fenomenal consistência em todos os clubes que tem treinador, o antigo médio natural de Santa Maria da Feira necessitava de um novo desafio na carreira, como foi o Vitória, mas mostra-se plenamente preparado para se encarregar de liderar um grande do futebol português, com o FC Porto a ser o clube que, aparentemente, melhor se conectaria com as suas ideias: além de ter uma extrema cultura tática, é um homem que percebe que o futebol não acaba nas linhas laterais e de fundo, interessando-se de forma acentuada pelos adeptos e comunidade envolvente ao clube. Com uma escolha tão evidente mesmo à frente dos olhos, a opção por Sérgio Conceição acaba por levantar alguns 'porquês'. E, embora numa época menos boa, Pedro Martins foi adjunto de José Couceiro no FC Porto em 2005, sendo também um homem que conhece os cantos à casa.

     Numa altura em que só falta a oficialização do FC Porto e pouco mais, Sérgio Conceição tem uma missão espinhosa como novo técnico dos azuis e brancos. Terá a missão não de ressuscitar, mas de ajudar a reerguer um gigante do futebol português cujo orgulho tem sido repetidamente ferido nos últimos anos. Na opinião da Crónica Futebolística, Sérgio Conceição não é a opção mais indicada para o comando técnico do FC Porto.

O que acha da escolha de Sérgio Conceição como novo técnico do FC Porto?
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  Após o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, edição 2014/2015, as notas dominantes para os clubes são duas: o equilíbrio e a imensidão de regressos de elite a terras portuguesas. Nomes como José Mourinho e André Villas-Boas irão cruzar-se com Sporting e Benfica respetivamente, os dois grandes lisboetas. E por muito mais emocionante que pudesse ser ver qualquer um destes treinadores a enfrentar o seu antigo clube, FC Porto (o Benfica seria também válido para Mourinho, tendo em conta a curta passagem do técnico de Setúbal nos encarnados), a verdade é que tão sonantes regressos não podem passar ao lado do verdadeiro adepto de futebol, assim como a imprensa que dá uma acentuada - e justa - importância a estes acontecimentos.

  Ainda na onda dos regressos, falar dos muitos regressos a Portugal de internacionais portugueses ou jogadores que já foram felizes em Portugal. Além dos mais sonantes como os de Moutinho, Witsel, Hulk ou Falcao é importante não esquecer que Zlatko Zahovič está de volta, agora como diretor desportivo do Maribor. Novamente, não é estádio que mais certamente gostaria de visitar, tendo em conta as suas passagens por Benfica e Porto, mas um regresso a Portugal será sempre bem visto. O seu filho Luka é a principal referência do Maribor, adversário esloveno do Sporting, e já leva 3 golos na liga. Tem apenas 18 anos e formou-se no Benfica até 2007.  Duma vista geral a quantidade de regressos - e que regressos - proporcionados a jogadores ou treinadores que já passaram no país é algo verdadeiramente incrível e uma das principais atrações para as equipas lusas nesta edição da liga milionária.

  Incrível é também o equilíbrio nos grupos, sem exceções, no que toca às equipas portuguesas. Apesar da maior inexperiência dos leões tendo em conta a ausência da competição durante alguns anos é preciso ter em conta que a permanência na Europa é o cenário mais possível e o apuramento aos oitavos-de-final não é uma possibilidade de todo ignorada; segurar William Carvalho será importante para Bruno de Carvalho no campo desportivo, porém a sua transferência poderá ser aliciante no campo financeiro. O alargamento para o final do mercado a 1 de setembro é mais uma motivação para os pretendentes, uma preocupação para a equipa da capital portuguesa. O mesmo se passa com o Benfica, equipa que tenta segurar as suas joias mais brilhantes até ao fecho do defeso. Mais tranquilo, o FC Porto do aniversariante Julen Lopetegui passou de forma tranquila e coerente o playoff de acesso à fase de grupos e, apesar das terríveis deslocações à Ucrânia e Bielorrússia, é favorito a triunfar nesta fase. Resta saber que Athletic irá encontrar, o principal rival pela liderança do grupo.

  Enfim, muito há para dizer e são inúmeros os critérios utilizados para todas as especulações. A Crónica Futebolística dar-lhe-à as informações fulcrais sobre os adversários das equipas portuguesas na Liga dos Campeões durante as próximas semanas.

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  Começou a Primeira Liga edição 2014/2015. Muita especulação sobre o que poderia eventualmente (ou não) acontecer na ronda inaugural da principal competição do futebol português depois dos habituais problemas financeiros e burocráticos que assombram os órgãos mais poderosos do futebol português. Não tendo isso em conta, porque a novela acaba por ditar sempre o mesmo destino, pode-se dizer que arrancou o campeonato com algumas surpresas e destaques, quer pela positiva quer pela negativa. Muita expectativa para ver a estreia de Lopetegui, o regresso do Boavista, o desempenho do Benfica e a afirmação imediata do Sporting como candidato ao título, mas não sem antes passar a revista aos típicos candidatos à Europa. Com um recorde quebrado e 22 golos marcados, esta é a 1ª edição do "melhor e pior" da Primeira Liga que a Crónica Futebolística lhe apresenta. Começamos, portanto, com os destaques positivos.

+ O MELHOR

 

+ RÚBEN NEVES E A EXPEDITA CONSTRUÇÃO DE JOGO DE LOPETEGUI: Mais uma dúzia de novos reforços, um novo técnico e lotação esgotada no Dragão para assistir ao regresso dos azuis e brancos aos jogos oficiais. A maior surpresa no onze escalado pelo técnico espanhol acabou por não ser nem Oliver nem Brahimi, mas sim o jovem Rúben Neves. Fez uma pré-época espantosa e depois de terminar a sua 2ª e última época como juvenil - a Crónica Futebolística teve oportunidade de observar o jogador, capitão de equipa, num encontro a contar para o campeonato nacional de juvenis - deu o salto para o plantel principal, onde irá certamente permanecer, sem passar por qualquer outro escalão de formação. Escusado dizer que é um dos poucos jogadores no passado recente do futebol português capaz de realizar tal proeza. Com a dura tarefa de substituir Fernando, jogador que deixa saudades no Dragão, o jovem Rúben de apenas 17 anos conduz o jogo de forma primorosa e superioriza-se ao polvo no contexto da rápida construção e variação de flanco - uma arma de Lopetegui - com passes longos. Tornando-se o mais novo de sempre a marcar pelos dragões no campeonato, o jovem médio português consolida uma rápida habituação dos processos que Julen Lopetegui vai implementando na equipa capitaneada por Ricardo Quaresma. Vale a pena referir: Neves joga no FC Porto desde os 6 anos de idade.

+ JESUS FEZ O QUE NINGUÉM FAZIA DESDE TRAPATTONI EM 2004: Vencer na 1ª jornada é sempre complicado, até para um clube grande cujo favoritismo pode parecer evidente. O sucesso do Benfica na temporada passada contrastou com a má pré-época e algumas contratações ditas como furadas para o plantel encarnado, o que gerou enorme expectativa sobre o possível desfecho e desempenho da formação de Jorge Jesus na jornada inaugural da Primeira Liga 14/15. Após uma Supertaça onde faltou eficácia e discernimento na hora de finalizar, Jorge Jesus enfrentava Paulo Fonseca num duelo entre águias e castores a iniciar as hostilidades no campeonato. Apesar da igualdade no número de remates, um mero dado estatístico, foram os campeões nacionais que se superiorizaram em quase todos os instantes do jogo, tal como aconteceu no Dragão, em modo de comparação. O Benfica venceu, ofereceu uma imagem mais tranquila aos adeptos e venceu na 1ª jornada, algo que não fazia desde a época 2004/2005 quando bateu o Beira-Mar.

+ A LUTA PELA EUROPA FARÁ FAÍSCA NO MINHO: Sporting de Braga revitalizado e rejuvenescido com Sérgio Conceição, um Vitória SC novamente renovado por Rui Vitória, o milagreiro de Guimarães. As duas formações nunca esconderam a imensa rivalidade e na presente temporada existem grandes expectativas para ambos os clubes, apesar da equipa da cidade berço poder sofrer mais a longo prazo com as saídas de jogadores fulcrais como Paulo Oliveira, Leonel Olímpio ou Marco Matias que já se estreou pelos insulares do Nacional. E a verdade é que ambas as formações minhotas impressionaram na sua estreia, apesar dos bracarenses terem tido uma estreia mais facilitada contra o pouco agressivo, pouco criativo e ainda inexperiente Boavista. + PEDRO TIBA: Marcou aquele que será um dos golos mais rápidos da Liga nos últimos anos. Em posição privilegiada o antigo futebolista do Vitória de Setúbal assinou o 1º frente ao Boavista, estavam decorridos 56 segundos de jogo. + BERNARD: Deu nas vistas na pré-época depois de um golaço do meio-campo e voltou a encantar em Barcelos; um grande golo e robustez no miolo deram ao jogador ganês confiança acrescida por parte do técnico Rui Vitória. + RÚBEN MICAEL: Grande golo, grande exibição. Um médio a ter sempre em conta.

+ A DEFINITIVA AFIRMAÇÃO DE CARRILLO: Depois duma pré-época consistente e com um ritmo aceitável, Marco Silva pode ser o 1º treinador do Sporting a confiar plenamente no extremo peruano que nunca fez mais do que 1500 minutos no campeonato, alvo equivalente a cerca de 16 jogos. Acaba assim Carrillo por nunca se ter afirmado definitivamente como titular no Sporting, algo que pode mudar nesta temporada com a sua maior regularidade exibicional - algo que faltava - e com a questionável cedência de Wilson Eduardo ao Dínamo de Zagreb.  

+ RUI PEDRO: Pouco se ouvir falar no português após o fantástico hat-trick ao Braga na Liga dos Campeões, na altura atuando pelo Cluj. Acontece que 2 anos após esse enorme feito o médio de características ofensivas, que também pode jogar a extremo, volta ao futebol português para representar a Briosa. Formado no Porto, o jogador nascido em VN de Gaia acabou por ser um dos melhore sem campo no duelo entre Sporting e Académica, mantendo uma exibição brilhante ao longo da partida. A gestão adequada do esforço do jogador, assim como o seu posicionamento em campo, serão armas que Paulo Sérgio pode utilizar de forma determinante para vingar na presente temporada.  
+ GUARDA-REDES: Não só nesta partida, mas em todas, os guarda-redes puderam estar pelo menos por uma ocasião em plano de evidência. Não houve erros crassos e os guardiões que alinharam na 1ª jornada podem dormir em paz. Artur com uma grande penalidade defensiva e Patrício com uma defesa quase estratosférica destacam-se, mas no plano coletivo foi uma jornada tranquila, no que toca a erros, para aqueles entre os postes.

+ SURPRESA NO FUNCHAL: Manuel Machado não começou da melhor forma a sua temporada ao serviço do Nacional. Os insulares perderam na Choupana com o recém-promovido Moreirense, equipa de Miguel Leal que alcançou a vitória com um golo de Rámon "Tacuarita" Cardozo, jogador que na temporada passada esteve em Setúbal. Um dos principais destaques do jogo acaba por ser a ausência de Suk da titularidade, coreano que acabou por entrar na 2ª parte, mas sem sucesso.  

+ RIO AVE E PEDRO MARTINS CONFIRMAM GRANDE ÉPOCA: A primeira vitória europeia da história do clube, a boa imagem na Supertaça e uma vitória a abrir o campeonato. Pedro Martins lidera um grande plantel, mas é também ele um grande treinador. O ex-Marítimo derrotou o Setúbal por 2-0 num embate com 3 expulsões. As estreias de Domingos Paciência e Lukas Raeder, antigo guarda-redes do Bayern, foram os destaques no lado sadino. As más notícias para os vilacondenses são mesmo as anunciadas partidas de Marcelo e Filipe Augusto.  

+ 22 GOLOS, E QUE GOLOS: Pintassilgo fez um belo golo no último da jornada, no empate do Arouca frente ao Estoril, dando a entender que esta pode ser uma época com mais e melhores golos na Primeira Liga. Uma média de 2,4 g/pj é um indicador deveras positivo que reflete a competitividade - ou o crescimento da mesma - na liga. No campo dos golos as formações que se destacam, tendo em conta o seu poderio ofensivo nesta jornada, são as do Belenenses - que surpreendeu com uma vitória importante em Penafiel -, Vitória SC e SC Braga, todas com 3 golos. Apenas 5 equipas das 18 não marcaram golos nesta ronda inaugural.

Está feita a análise da Crónica Futebolística ao melhor da 1ª jornada da Primeira Liga.

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  Foi novamente um Porto bilateral que se apresentou em Londres para defrontar o Nápoles, vice-campeão italiano da época transata. A partida de hoje trouxe, porém, uma particularidade para os azuis e brancos: tiveram sucesso. Pela primeira vez no Emirates, é preciso referir. Quebrou-se o aparente enguiço que persistia em assombrar a equipa portuguesa nas suas visitas a Londres. Pela primeira vez em 8 anos os campeões nacionais venceram no imponente estádio do Arsenal, uma marca a assinalar e a recordar por uma questão de orgulho e prestígio.

  O adversário era também ele imponente. Oriundo duma região litoral e socialmente bastante discreta, conhecida pelas suas praias e pelo seu obedecer aos costumes tradicionais do comércio (não tivessem eles um dos maiores mercados de toda a Itália), conclui-se que o clube contradiz-se à cidade. A identidade do clube é presente e contínua: criativa e irreverente. Ferida pela perda do seu elemento mais sonante, Cavani, a equipa italiana reforçou-se com outros elementos criativos e efectivos na linha atacante: Mertens, Callejón e Higuaín que será agora a principal referência dos azzurri.

  Ora, se ontem o Porto entrou melhor frente ao Galatasaray, hoje decidiu entrar em campo o cenário oposto. Se a entrada no jogo de ontem foi boa, agressiva e expressiva, hoje faltou clarividência no último terço - algo que de resto acontecia muito com Vítor Pereira. Uma boa posse de bola e circulação da mesma foram alguns dos aspetos positivos, mas não suficientes. O Nápoles aproveitou essa falta de discernimento, causada por fatores como a fadiga, e foi gradualmente crescendo na 1ª parte. Não que tivesse o controlo do jogo (porque nunca o teve de forma efetiva e clara), mas era a equipa mais eficiente em termos ofensivos. Chegou ao golo de grande penalidade, sendo que ambos os golos sofridos pelo FC Porto nesta competição foram da marca dos 11 metros. Algumas dúvidas na existência ou não do mesmo, mas no final Pandev converteu sem qualquer problema ou consciência pesada. Sangue frio como se pede a um profissional.

  Na etapa complementar os papéis inverteram-se completamente. Um Porto mais pressionante e sufocante. O Nápoles quebrou por uma razão muito simples: tirou Radosevic do jogo, o médio que melhor equilibrou as tarefas defensivas/ofensivas da equipa italiana. Entrou Hamsik e Benítez fez um favor involuntário ao Porto: quebrou o jogo a favor da equipa portuguesa. Esta viu-se mais à vontade para realizar transições rápidas e pôr a defesa napolitana em sentido. Varela voltou a estar em bom plano hoje, mas no flanco direito. Josué, o "menino" de Paulo Fonseca, atuou na esquerda. Teve saudades da sua posição de 10 ao longo do jogo, fletindo muitas vezes para o interior. Devido à falta de profundidade pode-se dizer que isso não resultou na perfeição...

  Nota bastante positiva para a equipa de Paulo Fonseca, generalizando. A falta de pressão no miolo e profundidade nas laterais veio-se revelar apenas uma miragem com a 2ª parte de luxo da equipa portuguesa, quebrando então o enguiço de Londres. Pela 1ª vez o Porto vence no Emirates com uma 2ª parte coesa, capaz e espetacular. A falta de rotinas numa formação tática alternativa pode também ter saído caro ao Nápoles, sendo que Benítez não aposta no 352. Uma pena, diga-se. O Porto volta agora para Portugal com Aveiro e o 1º troféu da época na mira. Ilações positivas duma pré-época com mais sinais positivos do que qualquer outra coisa.
 
  1. VIRA O DISCO, TOCA O MESMO. Verdade se diga, o Porto esteve fenomenal na 2ª parte do encontro. Cometeu poucos erros e foi objetivo e eficiente, merecendo a vitória de forma indiscutível. Mas, sobretudo na 1ª parte, houve aspetos a melhorar. Aliado a uma boa posse de bola é necessária a subida dos laterais, garantindo profundidade aos flancos e ao setor atacante. Pode-se dizer que a garantia neste encontro, novamente, não foi total. Fucile mais interventivo que Alex Sandro, brasileiro que hoje até esteve superior a ontem. Fucile não mostra a consistência pedida. Ricardo, denominado agora como 4º lateral desta equipa, é rápido e é capaz de ser o lateral que mais metros sobe quando está em campo. Infelizmente para o Porto, isso não garante segurança defensiva.

  2. SOLIDARIEDADE. Callejón é um jogador verdadeiramente fascinante. É um extremo com uma boa qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio, mas destaco a sua capacidade de ser solidário com os laterais da sua equipa. Aliás, pode ter sido essa a razão da aparente falta de profundidade nos flancos do Porto. Dá que pensar. O espanhol adquirido ao Real Madrid poderá pegar de estaca na equipa de Benítez, tendo em conta a importância que se dá a extremos que saibam defender na Serie A.

  3. VENI, VIDI... VICI? Quintero mostrou que tem capacidades para ser titular na equipa portista. O médio criativo veio, viu e tem todas as capacidades para vencer e triunfar em Portugal. Além de mostrar uma capacidade técnica e posicional acima da média abrilhantou ainda mais a sua estreia como titular com uma assistência para Ghilas. James era um 10 de origem que raramente teve oportunidade de ocupar essa posição no Porto, sendo que Quintero deverá agora procurar essas chances com Paulo Fonseca.

  4. SAUDADE, SAUDADE... Cesária Évora e o seu tema mais conhecido devem ter entoado inúmeras vezes na cabeça de Josué durante a sua estadia em campo frente ao Nápoles. O jogador que tomou destaque no Paços de Ferreira com Paulo Fonseca atuou hoje no flanco esquerdo, posição na qual o médio não se sentiu completamente estranho. Porém, a verdade é que talvez algum tipo de forma magnética empurrava o jovem português para o centro do terreno. Talvez até a sua intuição. Josué colocava-se constantemente no centro, a sua posição de origem. Por alguma razão eram raros os ataque que surgiam pela esquerda do ataque azul e branco.

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  Foi um FC Porto de duas faces que se apresentou em Londres, na contenda frente aos turcos do Galatasaray. Disputava-se o 1º jogo da edição 2013 da Emirates Cup onde a equipa de Paulo Fonseca queria deixar boa impressão. Falava-se num "desafio à Champions" contra uma equipa turca extremamente bem orientada por Fatih Terim. Teste de pré-época mais exigente para os azuis e brancos até ao momento, grande foco sobre esta partida num campo onde o Porto definitivamente não se dá bem.

  A equipa portuguesa que alinhou com o equipamento alternativo neste encontro promoveu algumas mudanças no seu 11 inicial, tendo em conta a última parte contra o Celta de Vigo. Nomes como Quintero e Herrera foram deixados de fora da convocatória, supostamente para poupá-los e deixá-los frescos para o encontro face ao Nápoles. Por outro lado, o Galatasaray não poupou jogadores. Os nomes mais sonantes como Didier Drogba, Wesley Sneijder e até Emmanuel Eboué (que recebeu uma enorme ovação do Emirates, pois já representou o Arsenal com algum sucesso) foram utilizados de início por Terim e revelaram-se uma valente dor de cabeça para a defesa portista, sobretudo na etapa completamente onde os ares de Londres tiveram um efeito negativo sobre a equipa de Fonseca.

  Início agressivo da equipa portuguesa que teve em Defour uma grande importância na sua manobra ofensiva. O médio belga - que fora dos relvados continua a surpreender com o seu já fluente português, como se viu na entrevista pós-jogo - fez os papéis outrora levados a cabo por João Moutinho e foi o médio mais interventivo que servia de forma mais regular Jackson e os extremos, fletindo para o centro. O belga foi então o principal e melhor jogador do FC Porto na 1ª parte. Na cabeça de Jackson reinou a inconformidade graças à grande penalidade desperdiçada.

  Numa segunda parte completamente transfigura foi o Galatasaray que tomou conta do jogo e assustou por algumas vezes a baliza de Fabiano Freitas. De forma irónica o golo turco surgiu de grande penalidade, antes de Lucho González desperdiçar mais uma a favor do FC Porto. Repetiu-se a maldição das grandes penalidades que ganhou forma no final da época passada, um problema para Paulo Fonseca refletir e tentar prontamente resolver. 

  1. ENTÃO, NÃO SOBES? Como referi, um início agressivo do Porto. Linhas subidas, circulação de bola segura e um ritmo adequado na 1ª parte. Mas faltou algo bastante importante... profundidade. Nesta altura de pré-época os índices físicos ainda não são perfeitos, sim, há que compreender. Danilo e sobretudo Alex Sandro estiveram abaixo do expectável a aceitável. Depois dos 3 golos na Colômbia espera-se muito de Danilo, isso é certo. Alex Sandro esteve ainda mais discreto. Deverá ser, ainda assim, uma questão de tempo até à forma física dos jogadores em questão voltar à normalidade. Ou pelo menos a um patamar aceitável e consistente.

  2. BIPOLARIDADE. Inverteram-se completamente os papéis na etapa complementar deste encontro. Enquanto o Porto acusou algum desgaste da pré-época e dos altos índices de trabalhos, o Galatasaray voltou rejuvenescido dos balneários aproveitando também o pressionar do travão dos dragões. Viu-se um Porto mais recuado e mais cansado, um Galatasaray mais criativo e pressionante. Vá, tendo em conta que estamos apenas na pré-época. 

  3. UM AVISO, UMA PREPARAÇÃO. O Porto não é equipa que nos jogos se encontre a perder muitas vezes. Hoje esteve a perder a partir dos 70 minutos contra uma equipa de nível de Liga dos Campeões. Apesar duma derrota nunca ser positiva esta acaba por ser uma boa preparação para os azuis e brancos: é sempre positivo saber como atuar e reagir aquando do golo sofrido.

  4. OS ARES DE LONDRES. Não é necessário ter um doutoramento para saber que a equipa portuguesa não se dá bem no Emirates Stadium. Para se te der uma ideia: nos últimos 8 anos o Porto jogou 4 vezes no Emirates, todas elas contra o Arsenal. Nunca venceu, perdeu em todas as ocasiões. Sofreu 13 golos, marcou apenas 1. Jogar em Londres torna-se automaticamente num mau presságio para a equipa portuguesa. Terá, ainda assim, hipótese de redenção perante o Nápoles no dia de amanhã.

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  É sabido que o FC Porto não tem sido muito feliz quando vai jogar a Alvalade. A estatística de pouco serve - e de resto não é esta que vai para dentro do campo daqui a menos de uma hora. Em Lisboa encontram-se duas equipas com objetivos completamente distintos, sendo que uma delas olha para o topo e outra tem que, atipicamente, olhar para o fundo. O mau momento do Sporting tem-se prolongado por já um número considerável de épocas, enquanto o Porto solidificou o seu estatuto de melhor clube português no século até à presente data. São dois grandes portugueses com duas ambições e realidades completamente inversas; joga-se um clássico de duas faces na capital do país.

  O "graúdo" Jesualdo reencontra a equipa pela qual foi feliz, vencendo 3 campeonato em apenas 4 anos. O ano em que não levantou a taça da liga portuguesa deveu-se a um Benfica endiabrado e, diga-se, a um Braga que surpreendeu muita gente. Agora no outro lado da barricada e com uns 66 anos marcados por uma experiência incrível como treinador, Jesualdo tem a função de tentar contribuir para a fuga do Sporting do (quase) fundo do poço em que se encontra. Já o "miúdo", Vítor Pereira, tem a ambição de se tornar novamente campeão pelo Porto, o segundo do técnico e o terceiro consecutivo numa onda vitoriosa iniciada por Villas-Boas numa das melhores épocas da história do clube azul e branco. Desta feita, com 44 anos, a missão para o antigo treinador do Santa Clara e Sp. Espinho é complicadíssima: ganhar em Alvalade sempre foi um problema para os portistas, num jogo que irá ser marcado por reencontros: Miguel Lopes, Varela, Izmailov, Liedson e o próprio Jesualdo Ferreira. Moutinho deverá ver o jogo na bancada devido a lesão.

  Extremamente complicado para o Porto pontuar no estádio de Alvalade em jogos a contar para o campeonato. Se formos virar a enciclopédia do princípio ao fim registam-se 78 jogos, ao todo, entre estas equipas no estádio de Alvalade. Dado o momento atual da equipa da casa neste jogo é surpreendente dizer que tem mais do que o dobro das vitórias do Porto, mas a verdade é que a equipa verde e branca tem desde sempre feito a vida negra aos dragões. 42 vitórias para o Sporting, 17 empates e apenas 19 vitórias para o Porto é o registo geral de encontros entre estes 2 colossos do futebol português em portas dos leões. Para sorte dos dragões a estatística não passa apenas disso.

  Tem sido de facto duro ser adepto do Sporting nesta época, imagino. Desilusão atrás de desilusão tem manchado mais uma época da equipa leonina que, como habitual, prometia. Mas tal como a estatística... não passa apenas disso. Um arranque duvidoso e muitas confusões marcaram o 2012 do leão e como era esperado a crise passou para o novo ano. O facto da equipa já ter tido 4 treinadores nesta época explica muita coisa. O Porto, por sua vez, apresenta uma realidade completamente diretiva. O projeto desenvolvido passa pela continuidade e, consequentemente, pela tranquilidade. Tendo ficado 4 anos no FC Porto, Jesualdo Ferreira tornou-se num treinador muito bem sucedido pelos lados do Norte. Claro que nesses dois pares de anos o agora treinador do Sporting também teve momentos maus, mas é certo que não foi despedido aquando dos seus desaires. Já Vercauteren...

  Outro aspeto que tenho de referir são as constantes mudanças no futebol do Sporting. Com 4 treinadores diferentes só nesta época (contando também com Oceano que curiosamente defrontou o Porto na 1ª volta) a forma de jogar nesta equipa está a ser constantemente desregulada e modificada: desde a pouca disciplina tática de Ricardo Sá Pinto aos métodos cuidadosos e inteligentes de Jesualdo que tenta agora imprimir irreverência na equipa com a inclusão dos elementos mais carismáticos e dotados da equipa B.

  Tem sido regra para o FC Porto mudar pouco de época para época ao contrário do que acontece com o adversário desta noite dos azuis e brancos. A época começou com apenas uma novidade no 11 base do técnico Vítor Pereira: Jackson Martínez. Uma aposta ganha que, não fazendo esquecer Falcao na sua totalidade, está a dar uma réplica deveras impressionante. Se 22 golos em 20 jogos no campeonato não é impressionante, então poucos registos o são. O colombiano veio, viu e venceu.

  Duas realidades diferentes, uma equipa no topo do futebol nacional e outra, de forma não muito surpreendente tendo em conta épocas anteriores, a lutar para não se afogar no fundo.

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ITURBE PODE SER EMPRESTADO AO RIVER PLATE, DE ACORDO COM O OLÉ.

  Nesta quarta-feira o diário argentino Olé perguntou aos visitantes do seu website o que acham de Juan Iturbe, jogador do FC Porto que tem tido uma escassa utilização quer na equipa A quer na equipa B. Talvez menos do que o próprio esperava. Essa escassa utilização da grande promessa argentina já levou a muitos rumores e todos eles indicam que o "Messi do FC Porto" não esteja muito feliz no país de Camões.

  Aproveitando a presença de dirigentes no Porto em Buenos Aires (alegadamente para negociar a transferência de Centúrion com o Racing) os dirigentes dos milionários e recém-promovidos ao principal escalão do futebol argentino abordaram os campeões nacionais numa tentativa de ter Iturbe na equipa vermelha e branca.

  Há um sentimento de que o jovem pode confirmar o seu potencial na equipa do River que na próxima época será orientada por Ramon Diaz.

  «Por respeito ao meu atual clube não posso falar muito e muito menos dar a minha opinião. Obrigado aos adeptos do River pelas suas mensagens», escreveu Iturbe na famosa rede social do Twitter.

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  O maravilhoso gesto técnico de Jackson abriu o caminho para a vitória do Porto frente a um Sporting que muitos chamariam de fragilizado ou mole. A verdade é que, sem obter uma exibição brilhante, os lisboetas deram uma boa resposta no estádio dos bicampeões nacionais. Dentro dos possíveis e sem exageros, claro. Em poucas sessões de treino era impensável que Oceano conseguisse montar uma equipa completamente diferente daquela que era a imagem de Ricardo Sá Pinto. A vitória portista vem deixar a equipa azul e branca com 8 pontos de vantagem sobre os leões, distanciando-se do Sporting de Braga e colando-se novamente ao Benfica na liderança isolada do campeonato.

  Pela entrada no jogo pareceram nulas as chances do Sporting obter um resultado positivo no jogo. Não atacava (quando conseguiram o seu primeiro ataque, sem perigo qualquer de resto, já a equipa da casa disponha de uma mão cheia deles), tinha dificuldades em transpor o meio-campo o adversária e tentava persistentemente partir para transições rápidas com passes em profundidade. Mas mal, claramente. A defesa alta do Porto foi parte da estratégia montada por Vítor Pereira e, de resto, não foi a primeira vez que isso mesmo aconteceu. Frente ao Vitória, no mesmo estádio, os azuis e brancos já tinham montado essa estratégia, quebrando quais tentativas de transições do adversário. Mais complicada ficou a tarefa quando Jackson fez o que a imagem de cima mostra. Luís Freitas Lobo chamou o golo de poema, uma obra de arte futebolística. Permitam-me concordar. A partir daí houve quem adormecesse.

  O Porto marcou um excelente golo, como se sabe. Danilo assistiu Jackson para o golo inaugural. Às palavras de Vítor Pereira, é um gesto habitual para o colombiano nos treinos, tentando colocar essa habilidade como seu apanágio. Porém, a equipa em vantagem adormeceu. Marcou e abrandou, recuou. Mal, diga-se. Não é coisa que se faça... sendo o adversário bom ou mau. O Sporting começou a expor-se, mas sem arriscar em demasia. 

  De resto o seu onze já foi montado com um certo cuidado, privilegiando e adornando uma atitude mais cautelosa. Não defensiva, cautelosa. Pranjic rendeu Capel por isso mesmo. É um jogador muito polivalente, algo que o Sporting certamente anotou aquando da sua aquisição. Joga a defesa, a médio e a média-ala. O cuidado foi travar Danilo, esse perigo à solta. Nem Pranjic nem Insúa deram muito nas vistas no ataque. Mau era, com James e Danilo no mesmo flanco. O mesmo fez um passe de luxo para aquela obra de Martínez. A verdade é que com essas cautelas o Sporting começou a descair o seu jogo para a direita e para o centro. Izmailov e Carrillo eram os mais chamados, Wolfswinkel roçou o ridículo.

  O melhor período do Sporting aconteceu na segunda metade da primeira parte. Começou a ficar por cima na partida e empurrou os seus blocos, de forma a forçar um atrito que baixasse a defesa do Porto. Resultou e começaram a surgir lances de relativo perigo, mas faltou clarividência e alguém que pudesse manter o mesmo nível de objetividade dos restantes (que não foi extraordinária). Por outras palavras, faltou um Jackson no Sporting. Alguém que pudesse ter olhos firmes para a baliza e igualmente ajudar na construção de jogo ofensivo. Ricky van Wolfswinkel mostrou porque é que está a ser criticado fortemente pelos adeptos do Sporting. Marca pouco, enrola demasiado os lances e tem decisões estapafúrdicas na conclusão dos mesmos. Ao intervalo o Porto vencia. As reações eram divididas, o Sporting ia para o túnel com expectativas altas para a etapa complementar. 

  Essa mesma foi mais equilibrada, com o Porto a ganhar nova vida com Atsu, esse craque. Num par de lances fez mais do que em Varela em quase 70 minutos. Cada vez mais sobe na escalada para a titularidade. É um jogador que tem olhos para a baliza, tem bons pés e, mais importante, não complica como o seu concorrente no lugar. Ganha-lhe por isso, convém referir.

  Há também que também nas grandes penalidades, esses lances tão controversos. Não sou árbitro, não tenciono tirar qualquer tipo de curso para tal. Mas há que dizer que no 1º lance a bola toca na mão/no braço de Cedric. Intencional? Provavelmente não. Se é motivo para grande penalidade? Deixo ao cargo de Jorge Sousa que certamente sabe mais do que eu. São casos que deixam dúvidas a todos, sendo interpretados de forma diferente. Para isso nem há discussão possível, pontos de vista continuarão a sê-los independentemente das forças gravíticas que os tentam negar. O segundo lance foi, igualmente ele, controverso. À vista desarmada a grande penalidade é indiscutível, mas vendo a câmara dos pássaros, às palavras de Freitas Lobo, deixou muitas dúvidas. Jackson corre várias etapas mentais em frações de segundo:

- Apercebe-se que está a ser diretamente marcado;
- Aproveita o ligeiro contacto que existe, lançando-se ao chão. O árbitro reconheceu o contacto.

  Não há que condenar Jackson, foi inteligente. E o central do Sporting sabe certamente que contactos na grande área são sempre motivos de conversa e dúvidas. Foi imprudente, pagou caro. James não falhou, Rui Patrício não deixou. Boulahrouz deverá ter sido a cara do desalento, num jogo em que ainda havia esperança para os visitantes. Esperançosos e emocionais estavam eles, jogavam pouco com a cabeça. 

  Há que ver alguns aspetos de bloco de notas (táticos) muito rapidamente. James a 10, Moutinho mais recuado, a liberdade que James teve para inventar lances, Fernando mais atrevido que o normal e Otamendi que quis valer por ele e Maicon. Isto no lado azul e branco, claro. O facto do colombiano estar a jogar numa posição mais interior permitiu que (imagine-se) Martínez adoptasse outra posição. Uma mais descaída para a direita, parecia trocar ele com o seu compatriota. De resto esse flanco foi muito mais usado, com Atsu também em evidência. Teve um lance digno de aplausos no lado direito, progredindo em direção à área. Noutras notas, há que destacar o bom jogo de Carrillo. Criativo, esforçado... mas imaturo, porém. 

  Não sendo um jogo brilhante, foi consistente para o lado azul e branco. Já para os verdes foi um jogo onde pouco se esperava. Nada que surpreendesse, dados os resultados mais recentes. As marcas ainda devem estar visíveis, nada que não se compreenda.  Novamente o Sporting mostrou ser uma formação muito impulsiva, de resto à imagem de Oceano, se querem pôr as coisas nestes pontos de vista. Jogaram mais uma vez de cabeça quente, faltando espaço para esvaziar as ideias em vários períodos do jogo. Nos lances mais valioso, houve Hélton. Patrão, esse.

  Vitória fundamental para os lados portistas. Defesa consistente e sem erros, meio-campo muito trabalhador e ataque, regra geral, criativo e objetivo. Jackson mostrou ter habilidade para concretizar lances difíceis. Já o Sporting, não demonstrou uma qualidade avassaladora. Previsível. Há agora dois líderes no campeonato. O Sporting, mais em baixo na tabela, olha para a lista de possíveis substitutos para ocupar um lugar no banco de suplentes. Fala-se em estrangeiros. O Porto segue a sua atividade amanhã, apenas com a situação Maicon para se preocupar.

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  Sabe-se que a meio da semana os dois adversários de hoje tiveram momentos completamente distintos no que toca a compromissos europeus. Começando pelas viagens. O Porto ficou-se pelo Dragão, enquanto que o Sporting viajou até à Hungria para defrontar o Videoton de Paulo Sousa. Os desfechos dos jogos em questão também foram diferentes, não fosse o Sporting despedir Sá Pinto se este tivesse vencido em terrenos forasteiros. Já os dragões conseguiram vencer o Paris Saint-Germain com uma exibição de gala, rara nos tempos de Vítor Pereira. Agressividade, discernimento, objetividade e criatividade caracterizaram os 90 minutos portista em relvado português. As duas equipas em momentos distintos encontram-se hoje. É a guerra do curado (depois de falhar a vitória frente ao Rio Ave) e do ferido. Na teoria já se sabe como seria o desfecho, porém existe quem diz que os clássicos são jogos à parte, que ignoram completamente a corrente de jogos recentes. Noutra palavra, imprevisíveis.

  A saída de Ricardo Sá Pinto vinha sendo anunciada, tanto que "previsível" e "natural" foram palavras ditas aquando da sua saída, após a derrota pesada face ao Videoton. Impossível não prever este abandono da cadeira de sonho, a não ser que se pensasse mais à frente. As repercussões de despedir um treinador poucos dias antes dum jogo frente a um dos maiores rivais. O treinador interino, Oceano Cruz, teve poucas sessões de treino para organizar a equipa à sua mentalidade. Será suficiente para colocar a semente de cultura tática que terá que se desenvolver antes do apito inicial de Jorge Sousa?

  O principal problema de Sá Pinto era a (falta de) experiência que ele trazia. Esta foi a sua primeira aventura como treinador principal e terminou desta forma amarga, vendo o que ele mesmo conseguiu na época passada, na Liga Europa (mesmo assim sem nunca dar nas vistas por uma qualidade de jogo soberba). Faltava fio de jogo, conhecimento tático e... fazer com que as qualidades de cada jogador fossem bem espremidas. Oceano tem feito um excelente trabalho na equipa B, mas convém referir que é uma equipa a atuar num escalão inferior. Há (muitas) menos exigências táticas.

  Vítor Pereira, na antevisão para este clássico do futebol português, revelou que quando a sua equipa "é agressiva e imprime um ritmo forte" os seus adversários têm bastantes dificuldades em recompor-se. Nada de novo aqui, mas é importante para a sua equipa que o líder tenha noção disto. Frente a uma equipa do Sporting sem rotinas com este interino uma entrada de rompante com transições rápidas e mudanças de ritmo com Atsu/Varela ou James serão preponderantes para começar bem e, quem sabe, assustar os leões. Caso a equipa da casa consiga imprimir a teoria do treinador será complicadíssimo para o Sporting sair a jogar com clarividência. Daí a necessidade de Capel e Carrillo, desequilibradores nos flancos. Outra arma portista é a defesa alta, um método arriscado, mas eficiente para parar contra-ataques como mostrou o embate frente ao Vitória SC. O miolo com Fernando, Lucho e Moutinho será fundamental para ganhar bolas e lançar ataques mortíferos, pois claro. Moutinho também é centro das atenções... vá-se lá saber porquê.

  Na primeira vez em que estes treinadores se encontram a expectativa é muita. Dum lado o já experiente Vítor Pereira que cumpre a sua segunda época como técnico principal do FC Porto, esta preparada devidamente, depois de ser o treinador de recurso depois da saída do prodígio André Villas-Boas. Oceano também entrou em condições caóticas para o Sporting, mas muito mais mesmo. Uma coisa é entrar no final da pré-época, outra é entrar numa altura corrente da época depois duma sequência de maus resultados. Tarefa dura, mesmo à medida do antigo internacional português. Talvez árdua demais. Estarão os jogadores motivados, dada a vontade de dar um pontapé na crise, de impressionar?

  Os factos estão expostos. O Porto está numa melhor forma, tem jogadores mais motivados, joga em sua casa e tem certamente uma grande vantagem à partida para esta partida. Mas não subestimem o poder dum clássico português. Imprevisível como tudo, lá está. Neste dia de clássicos, Portugal vai parar para ver qual será a reação leonina, com os benfiquistas sentados no sofá com o dever de missão cumprida. Joga-se a liderança dum lado, a cura para o orgulho ferido noutro.

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  Na passada terça-feira o Porto derrotou o Dínamo de Zagreb, hepta campeão croata. O osso mais duro de roer para as equipas restantes equipas do país de leste, porém um adversário razoavelmente acessível para a elite europeia como clubes como Porto e Benfica que possuem este estandarte (apetecendo-me debruçar para esta segunda equipa, será um tema debatido noutra altura... deixar a coisa correr primeiro). 

  Penso que é óbvio que nunca é fácil fazer deslocações a países mais estranhos, e não digo estranhos de cultura ou qualquer aspeto nacional, mas sim pela falta de conhecimento das nossas equipas (neste caso o Porto) em relação à Croácia, mais propriamente estes eternos campeões. Pois bem, numa deslocação dita como difícil e matreira o Porto venceu uma muito frágil equipa da casa (na maior parte do jogo, salvando-se um período de aperto para os campeões portugueses na etapa complementar) com Lucho a marcar um golo que o levou a um estado emocional diferente de todos os outros presentes no relvado. Uma homenagem enorme àquele que certamente fora um dos seus mentores e... seu pai. 

  Lucho González marcou, de luto, o golo inaugural da equipa de Vítor Pereira no Maksimir, aquele que certamente será o mais difícil estádio croata para se jogar. No seu esquema tático habitual (e sem uma peça importante em Fernando, diga-se) de 4x3x3 Vítor Pereira lançou Defour como esperado, tendo em conta a ausência do "polvo". Para a construção de jogo da equipa era, no plano teórico, uma baixa bastante importante. Felizmente para os forasteiros não se notou tal coisa. Antes do golo viu-se como se deve saber um sinal mais a emergir para os lados portugueses, com o Porto a dominar a bola a seu belo prazer. Contra os croatas que pouca chama mostravam (e quando o tentavam fazer era imediatamente apagada por uma defesa sólida e, como habitual, um meio-campo muito trabalhador) o golo acabou por surgir com alguma tranquilidade e previsibilidade. Lucho marcou horas depois de ser lhe anunciada a morte do pai. Emocionante vê-lo a festejar o golo neste caso, presumo.

  O ponto negativo da exibição foi mesmo a pouca clarividência no último terço. Apesar das oportunidades surgirem em grande número (veja-se por exemplo que no total foram 22 remates dos dragões) faltou algo... velocidade, talvez. Força também ajudaria no caso, sendo Atsu a opção para clarificar o sector ofensivo, isto numa altura em que os croatas estavam mais atrevidos e por pouco não marcaram numa ocasião em que Hélton valeu aos azuis e brancos.

  Como esperado, Hulk fez falta na tal clarividência que falei anteriormente. Formou-se então um jogo de paciência, fundamental para esta vitória portuguesa na liga milionária. Sem a presença do jogador mais forte, possante e rápido da equipa a opção recaiu por um estilo de jogo semelhante, mas sem tanta capacidade de alterar o ritmo com uma rapidez tão grande. Um teste de fogo superado... 1 de 6 portanto. No registo estatístico verifica-se um claro domínio do Porto de Vítor Pereira, assim como uma vitória tranquila numa margem que até pode-se classificar com escassa. Notas individuais há algumas, desde o falhanço inacreditável de Jackson à exibição cheia de glamour de Alex Sandro. Numa segunda parte menos descansada o segundo golo acabaria por selar definitivamente as contas no ambiente infernal que os azuis de Portugal tiveram que suportar. 

  Muito resumidamente, 4x3x3 sem Fernando que deu igualmente resultados na prática. A falta de Hulk fez-se sentir pela falta de criatividade no sector mais ofensivo, num jogo em que os croatas apenas deram de si no seu melhor período que iria surgir no meio da segunda parte, onde poderiam inclusive ter marcado. Venceu a melhor equipa, a que se superiorizou taticamente, sobretudo. Não houve argumentos da equipa que jogava no seu país, que deverá lutar pelo 3º lugar deste grupo.

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  Pela primeira vez no período de alguns meses, o blog está de volta com o espaço destinado às entrevista. Desta feita com um portista desde pequenino! Eis a sexta edição de "adeptos da bola", com Eduardo Caldeira. Um grande agradecimento ao mesmo por responder a estas perguntas abaixo. Passo ao que interessa:



Nome, idade e clube.

  Eduardo Caldeira, 19 anos, Futebol Clube do Porto.


Qual foi o principal factor que contribuiu para seres adepto do FC Porto?

  Sem dúvida o meu pai. Mal nasci fez me logo sócio do FCP e começou bem cedo a incutir-me os valores de um verdadeiro Dragão. Aliás, toda a minha família mais próxima é 100% portista. Eu, o meu pai e o meu irmão temos todos lugar anual já desde os tempos do velhinho Estádio das Antas.


Lembras-te do primeiro jogo que foste ver ao antigo Estádio das Antas?

  De ver o jogo em si ao vivo não me lembro, apenas pelo que o meu pai me disse foi frente ao Chaves, na época de 1996/1997. Ganhámos por 2-0 com golos do Edmilson e do Zahovic. Já tive a oportunidade de rever a partida na televisão, o Estádio não estava cheio mas tinha um ambiente único, característico das Antas. Foi inclusivé a época de estreia do Jardel de Dragão ao peito, que no seu primeiro ano fez 30 golos! Apesar de não ter sido perguntado, no Estádio do Dragão fui um dos que esteve presente na inauguração frente ao Barcelona, a estreia de Messi!



Qual foi a deslocação mais marcante que já fizeste pelo teu clube, falando do jogo em si?

  É bastante difícil escolher a deslocação mais marcante que fiz pelo FC Porto, mas uma das que mais me marcou foi sem dúvida a final da Taça Uefa, frente ao Celtic Glasgow. Jogo impróprio para cardíacos, ambiente fantástico em Sevilha, com os adeptos escoceses em clara maioria. Apesar de tudo, os Dragões não ficaram nada atrás no apoio à sua equipa, cantando, gritando, saltando durante os 120minutos de jogo! Uma final que continuo a ver vezes e vezes sem conta, equipa fantástica, treinada pelo melhor treinador do mundo. Mais recentemente, tive a oportunidade de ter assistido ao jogo que deu ao FC Porto o título na Luz, uma partida que ficará para sempre na minha e na memória de todos os portistas. Eu posso dizer: estive lá!


Cidade mais interessante que visitaste numa deslocação pelo Porto.

  Normalmente nas deslocações que faço não dá para ver sequer a cidade, é só mesmo ir para o estádio e voltar para casa. Valência foi a cidade que mais me prazer deu visitar, então no Verão é qualquer coisa de fantástico. Uma cidade bastante bonita, clima fenomenal, pessoas bastante hospitaleiras e com vários pontos de interesse que merecem ser visitados. Aconselho o Oceanário de lá, que nada tem a ver com o que estamos habituados no nosso país. É uma verdadeira cidade dentro da própria cidade, vale bem a pena.


Numa palavra, o que sentes quando estás a apoiar o teu clube no estádio?

  Não consigo exprimir por palavras o que sinto ao apoiar o meu clube no estádio, é algo que não se explica, sente-se. No fundo, apoiar a minha equipa no Dragão, ou noutro estádio qualquer, é como se tivesse cumprido a minha missão. Vivo Porto durante 24h por dia.


Estás satisfeito, no geral, com as decisões da SAD do Porto nestes últimos anos?

  Quando um clube como o FC Porto obtém praticamente todos os anos grandes resultados desportivos, até parece mal dizer que não estou satisfeito com as decisões da SAD azul e branca. Somos sem sombra de dúvidas o clube português com mais sucesso, o clube que tem o maior palmarés do futebol nacional. Contudo, há também aspectos negativos na SAD do FC Porto. As comissões são o maior problema, mas isso é um mal de todos os clubes de futebol.


Qual achas ser a melhor característica do campeonato português?

  A melhor característica do Campeonato Português são os seus principais clubes conseguirem comprar por meia dúzia de euros e posteriormente vender por muitos milhões. Todos os anos há vendas milionárias, principalmente do FC Porto e do rival SL Benfica. São poucas as equipas que todos os anos conseguem fazer sempre grandes vendas.


Lá fora, tens alguma preferência?

  Em termos de clubes tenho simpatia pela Lazio, muito por culpa da sua amizade com os SuperDragões, uma das claques do FC Porto. Já tive o privilégio de ter ido ao Estádio Olímpico por duas vezes, um ambiente espectacular proporcionado pela curva laziale. Ainda tenho o sonho de no futuro poder ir ver o “Derby Della Capitale”. Quanto ao meu Campeonato de eleição é sem dúvida o inglês.


Taticamente falando, gostas do 4-3-3 que se vê no Porto ou achas que a equipa podia render mais noutro sistema?

  Sim, é na minha opinião o sistema que melhor se ajusta às características do plantel. Concordo que deva haver um sistema alternativo para eventuais contratempos, mas mudar agora a táctica era como colocar um ponto final a muitos anos de trabalho. Mesmo com a saída do Hulk não se deve alterar nada, até porque há vários jogadores que podem fazer a posição.


Por fim, umas palavras de opinião sobre o blog, caso queiras.

  Um blog com uma estética simples mas bastante atractiva, óptima escrita e com artigos de bastante interesse. Aqui vive-se futebol. Apenas tenho um conselho, uma atualização mais regular poderia colocar este espaço num outro patamar. Um abraço e continuação de um bom trabalho.

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  Cada vez mais se tira o rótulo de colosso a certos clubes, tentando aplicar-se a outros clubes pelo poderio que mostra no mercado. Cada vez mais é uma realidade que se aplica, diga-se. Há alguns anos (e mesmo nos dias que correm) era impensável o Zenit ou outro clube russo ser o obreiro daquela que se pensa ser a 5ª maior transferência da história de futebol. Isto porque neste momento fala-se em 60 milhões, uma transferência maior do que a de Figo para o Real Madrid, por exemplo. A verdade é que, como referi doutra forma, os tempos mudam. No mesmo dia Benfica e Porto acumularam 100 milhões de euros nos seus cofres, sendo 60-40 (em percentagem) para os lados da Invicta. Diga-se que até ao temido dia 31 de Agosto os três grandes do nosso futebol não encaixaram isso... nem perto. O futebol dá voltas e voltas, sendo que em poucas horas houveram algumas etapas: a especulação, a ansiedade por parte dos adeptos, a negação e por fim a aceitação aquando do comunicado oficial. Foi assim esta tarde no mundo do futebol português.

  Pôde-se verificar que até ao fechado de transferências do mercado inglês (o que tinha mais potenciais compradores de jogadores de Benfica e Porto, falando nos mais cotados como Hulk e Witsel) dragões e águias conseguiram segurar as suas jóias mais valiosas com a excepção de uma. Supostamente os clubes interessados não quiseram cometer loucuras, o que se compreende nos dias de hoje. Não só pela crise que se faz sentir não só no nosso pequeno país, mas especialmente pelo facto de ser mesmo.... uma loucura. Quando as exigências do vendedor são demasiadas desiste-se do objectivo, partindo-se assim para outro alvo, obsessão ou artigo a comprar em leilão. Até dia 31 alguns percalços, dúvidas... mas tudo acabou favorável aos clubes portugueses com as excepções das vendas de Lima, Matías e Javi García, exemplificando. O Porto não vendeu qualquer jogador titular que tivesse uma influência significativa. Vendeu um dos mais queridos para os adeptos, mas isso são pontos completamente diferentes e imparáveis se o jogador não contribui ativamente para a qualidade exibicional do seu clube.

  Passou-se o temido deadline day, portanto. Quando tudo se aparentava tranquilo os russos invadiram um dos países outrora mais importantes do mundo em várias formas. Levaram Witsel e Hulk, talvez os dois jogadores mais sondados em alturas de pré-época. No último dia possível para inscrever jogadores nas competições europeias, ora este abalo que fez as placas tectónicas parecerem pequenas. Depois de marcar uma era na cidade do Porto o brasileiro oriundo do Japão deixou uma vaga no ataque portista. Marcou uma era e certamente não será esquecido, assim como Witsel deixou um grande buraco (agora ainda maior) no meio-campo benfiquista. Culpem os russos? Não necessariamente. No futebol cada um faz o que pode para sobreviver aos seus termos. 

  Cada vez mais se tira o rótulo de colossos a quem tem história, a quem tem um palmarés recheado e a quem fez muito no passado. Hoje em dia manda no futebol quem tem, pode e faz. Dinheiro é a palavra chave, claro está. Cada vez se perdem mais valores, também se tem de dizer. Os tempos mudam e é impossível agora olhar para trás sem ter um sentimento de nostalgia.

  Sobre a venda de Witsel, já é outra história com repercussões diferentes para aprofundar posteriormente. Pode-se falar em má gestão, claramente.

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  A expressão de Jackson Martínez diz tudo. Desalento, desespero e frustração foram as emoções sentidas pelos portistas após o empate frente ao Gil Vicente em Barcelos naquele que foi um começo em falso dos campeões em título. Noutro plano vemos o registo impressionante dos barcelenses frente ao Porto: os galos não perdem frente ao Porto no seu estádio desde 2005. Na altura a vitória dos azuis e brancos foi conseguida através dum golo no primeiro minuto de... Lucho González. Hoje o argentino tinha um antigo colega de equipa do lado adversário, César Peixoto. Uma peça importante também no sector intermediário da equipa da casa. Os tempos são outros e de notar que, na sua esmagadora maioria, os protagonistas também. Tomara que não...

  Em Lisboa houve confronto de titãs. Jorge Jesus versus José Peseiro, com o treinador dos minhotos a conseguir estrear-se com um grande resultado no campeonato. Diga-se que, olhando bem para os resultados dos candidatos ao título, o Braga foi aquele que se pode dar ao luxo de sair satisfeito da jornada. Empatou frente ao vice-campeão continuando assim com os resultados menos bons do Benfica frente ao clube fundado por Celestino Lobo. De resto - e apenas num dado curioso e irrelevante - o Braga atuou com a sua cor original no equipamento, verde. Neste jogo uma nota de destaque para Artur Soares Dias que cometeu um erro imperdoável, fazendo lembrar William Collum no Metalist-Sporting na passada edição da Liga Europa (se bem se lembrar o árbitro assinou grande penalidade de Insúa sobre um jogador dos ucranianos, sendo Xandão quem levou o cartão amarelo nesse lance). Artur Soares Dias expulsou Douglão por acumulação de amarelos, enquanto o jogador que realmente cometeu a infração (mão na bola dentro da grande área) foi Custódio. Conclui-se que o árbitro enganou-se no jogador a amarelar. Caricato, não?

 O Sporting escorregou em Guimarães sendo consumada a tradição deste fim-de-semana. Apesar do resultado quem viu o jogo deve partilhar a mesma opinião: infelicidade lisboeta. A equipa de Sá Pinto foi agressiva, dominando o jogo e tentando encostar o Vitória às linhas. Faltou o que o treinador leonino referiu (e bem) nas entrevistas rápidas. E dado o empate sem golos conclui-se que apenas pode ter sido uma coisa: falta de eficácia na finalização. Enquanto há um sentimento agridoce na massa associativa do Sporting os vimaranenses podem-se considerar satisfeitos pelo resultado obtido.

  Confirma-se o que se diz: a 1ª jornada é sempre diferente - e difícil para todas as equipas, diga-se -. Até ao momento registaram-se 5 empates em 7 jogos, com Beira-Mar e Académica de Pedro Emanuel a medir forças nesta segunda-feira. Vendo estes registos existem algumas questões naturais que vêm à tona, sendo a mais discutida o porquê dos empates predominantes na jornada inaugural. Maldição, enguiço, nervos, pressão... é o quê? A meu ver é uma mescla das últimas duas opções. É inegável que há sempre um nervoso miúdo antes do início duma época oficial (com a excepção de Marítimo, Porto e Académica), para mais no campeonato. A pressão é também essa inegável e motivo de ansiedade para jogadores, dirigentes e adeptos. Juntando isso aos factores particulares de cada jogo o primeiro jogo do campeonato tem sempre aquela expectativa e pressão extra no ver dos protagonistas. Se bem que, numa jornada onde as equipas estivessem mais ambientadas, os adversários - e isto focando-me nos candidatos ao título - foram de nível bastante exigente.
  
  Então, quem foi o grande vencedor da jornada? Pode-se concluir como sendo o Marítimo de Pedro Martins. Venceu nos Arcos o Rio Ave de Nuno Espírito Santo com um golo tardio. Tem já assim uma imediata margem de manobra para os adversários à Europa que à partida são o rival da Madeira e o Vitória SC. O campeonato e as classificações vão ganhar mais solidez na próxima jornada com o ponto alto a ser o Porto voltar ao Dragão para o campeonato...4 meses depois. Estará lá presente a equipa de Barcelos ou uma totalmente personalizada? Os grandes procuram no próximo fim-de-semana o primeiro triunfo.

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  Por mais surpreendente que pareça em tempos de férias não tem sido fácil arranjar um tempinho para mandar aqui qualquer coisa. Seja como for, há aqui um tópico onde há muito que escrever: expectativas, decepções, vitórias indiferentes e, a verdadeira ironia, derrotas calamitosas. Depende muito do ponto de vista e todos os anos as opiniões divergem de pessoa para pessoa. Mas isso já entra no campo da normalidade por muitas razões. Confusões nos amigáveis, compras que deixam dúvidas ou o cenário completamente oposto. Faz-se muito regularmente uma pergunta de índice filosófico (talvez nem tanto):

  É preferível vencer jogando mal (e sendo altamente eficaz, algo que pode dar uma cambalhota num estalar de dedos dependendo de alguns fatores muito específicos) ou perder nos amigáveis, tendo já um núcleo e um sistema tático bem definido que pode dar os seus frutos ao começar da época?

  Imaginemo-nos num jogo do x ou y ou no Quem Quer Ser Milionário com a ajuda do conhecido 50/50. Em 4 respostas possíveis restam-nos 2. Qual seria a escolha e, mais importante que isso talvez, quais seriam os critérios desse mesmo apontar o dedo? Resume-se em curto ou médio/longo prazo. Quanto mais bem elaborado for o sistema ou a filosofia melhor. E obviamente que um treinador com um sistema bem definido terá que criar alternativas e não improvisá-las à última da hora. Tem que estar preparado para adversidades nomeadamente já dentro do jogo. E não falo tanto em alternativas como jogador a, b ou c, mas sim uma alternativa tática que encaixe nas peças restantes como um puzzle ou uma figura construída em Legos. É certo: chegou aquela altura do ano. Onde a verdadeira ironia está presente em (quase) todas as discussões em que envolvem os diferentes desfechos da pré-época. Onde vencer não significa nada, mas perder é uma calamidade e algo tem que ser solucionado. Isto falando quando são pessoas de clubes diferentes, porque quando se fala do clube em si observa-se o cenário oposto. Para mim a pré-época não passa dum período de adaptação para novos jogadores se o treinador de mantiver. E se esse último tiver tido sucesso, um tanto melhor. Sinónimo de menos alterações na formação tática mais regular da equipa. O cúmulo para um treinador, excluindo chegar a meio da época (o que raramente resolve as coisas), é chegar na pré-época, fazer uma revolução no plantel e ter que aliar um projeto tático apropriada nesse espaço de tempo. É pressionante, cansativo e - acredito que - complicado. Eis a história de Domingos Paciência no Sporting.

Tão criticado como elogiado (uns dando mérito ao seu trabalho no Braga, outros atribuindo esse mesmo a Jorge Jesus, antecessor de Paciência) Domingos atingiu dois momentos de adrenalina incomum num clube como o Sporting de Braga. Ora lutou pelo título do campeonato até ao último minuto em 2010 como viu o Porto erguer a Liga Europa em Dublin, datava-se 18 de Maio de 2011. Lutar pelo campeonato em Lima? Dito agora parecia impossível (assemelha-se a perguntar a um grupo de adolescentes como viviam sem internet e telemóveis à 15/20 anos). Mas há dois anos essa é que foi essa.

  Domingos chegou ao Sporting na época 2011/2012 com a missão de fazer esquecer a época transata onde o Sporting tinha terminado o campeonato a uns pouquíssimos (ironia, perceba-se) 36 pontos do invicto Porto de Villas-Boas. Diz-se que a melhor altura para um treinador chegar a um clube é no início dos treinos. Isso pode ser um facto, mas não por isso deixa de ser uma tarefa de trabalho árduo. Ainda para mais quando o onze inicial é praticamente todo renovado. Agora desempregado, o futuro ainda é uma incógnita para este antigo avançado que era idolatrado por Villas-Boas. Já foi associado ao Porto, ao Olympiakos...

  Quando chegou ao Porto tinha uma função mais leve que aquela que tem agora. Estava livre de críticas, expectativas e de tudo o mais. Era treinador adjunto e partilhou a alegria de vencer 4 títulos numa só época com o então cabeça de cartaz do Porto, o jovem Villas-Boas. Criticado na passada época pelas exibições deprimentes e falta de autoridade o seu lugar foi muitas vezes posto em causa. Terá isto sido uma questão de fasquia demasiado elevada? Porque o tetra-campeonato de Jesualdo não foi propriamente conseguido por exibições brilhantes. A sua evolução como treinador no decorrer da época fez com que houvessem vitórias de Vítor Pereira contra si próprio.

  Isto para dizer que a pré-época pode parecer uma altura de descanso, dando alguns exemplos mais recentes do nosso futebol, porém pode ser a altura mais desgastante do ano desportivo, já que durante a época há tudo definido. Nesta altura há que ultimar planos, contar com o encaixe dos reforços, rever matérias menos conseguidas ou outros aspetos desejados. Os três grandes portuguesas estão a planear a pré-época a diferentes ritmos: o Benfica já terminou o seu estágio na França, o Porto defronta o Santa Clara nos Açores dia 25 de Julho (onde deverei estar presente) e o Sporting está mais contido, ainda não fez qualquer jogo. Surpresas ainda não, haverão realmente mudanças assinaláveis nesta transição de época? 

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  A ambição possuiu o pensamento racional de André Villas-Boas na penúltima semana de Junho do passado ano de 2011, aquando da sua transferência para o Chelsea ser consumada. Tratou-se apenas (expressão irónica) da transferência mais cara de sempre de um treinador de futebol, rondando o valor de 15 milhões de euros. Alguns falaram de um salto na carreira, outros de um traidor à procura de libras. Não colocando nenhuma das opções de parte, a verdade é que André saiu cedo demais de Portugal, mais propriamente do FC Porto, onde protagonizou a melhor época da história do clube para a atual geração de portistas. É difícil julgar alguém numa situação em que nos dificilmente iremos encontrar, mas os pensamentos foram de carga negativa para um treinador que começou a marcar uma nova geração de treinadores no ano passado.

  Dadas as circunstâncias era difícil prever a não continuidade de André Villas-Boas no clube onde quebrou recordes, e como disse, protagonizou uma das melhores épocas de sempre do clube da cidade invicta. O ímpeto era imenso e uma campanha positiva na Liga dos Campeões era uma certeza caso o momento do clube se mantivesse. A verdade é que, inclusive para mim, a sua saída foi irracional e precipitada. Estando na sua tão famosa dita 'cadeira de sonho', algo que não a sua permanência e talvez renovação de contrato seria imprevisível. Mas não tão imprevisível como a equipa que começou a treinar, porém sem sucesso. O Chelsea, de Roman Abrahamovich. Esse mesmo, o bilionário que gasta meia centena de milhares de libras num jantar. O que se podia esperar? Um Chelsea com o maior orçamento da sua história, com Villas-Boas a treinar uma equipa renovada com um balanceamento perfeito entre jogadores experientes e (não) exemplares e noutro lado jogadores jovens com ambições a um nível elevado, talvez.

  As expectativas eram, apesar de algum receio em relação a um treinador inexperiente no futebol inglês, exigentes. E tinham que ser, para um clube que neste século tem sido alimentado com títulos e prestígio internacional. Um dos responsáveis por essa enorme evolução do Chelsea foi José Mourinho, atual treinador do Real Madrid e insistentemente comparado com o ex-treinador do Chelsea, André Villas-Boas. Colocam-se agora as analogias em duas figuras com as suas parecenças no mundo do futebol. Ambos se lançaram internacional no Porto, onde ganharam troféus de nível europeu (Liga Europa no caso de Villas-Boas, a extinta Taça UEFA e a Liga dos Campeões no caso do denominado Special One). Também se pode comparar o pós-Porto. Essa é talvez a semelhança que vem mais ao de cima. Quer um quer outro rumaram ao Chelsea, tendo, ao que parece, um gosto especial por azuis.

  As adversidades começaram a surgir o fosso foi-se alargando, deixando André Villas-Boas com uma minúscula margem de manobra. Para além de que o orçamento para o treinador não foi o suficiente (as compras de Romeu e Lukaku pareceram não ser as únicas desejadas pelo português). Esperava-se, realmente, um maior investimento pela parte do bilionário russo que manda nos blues de Londres. E a única que contribuiu realmente para alguma coisa foi Oriol Romeu. Um jogador bastante seguro no meio-campo, diga-se. Sendo jovem, a sua margem de evolução está sob uma perspetiva relevante, podendo ser um dos melhores da sua posição, médio defensivo ou trinco, como preferirem.

  Sentido cada vez mais a pressão, a corda acabou por ceder. Resultados negativos e a Liga dos Campeões em sério risco, dado o crescendo de forma do Arsenal, foram as razões que levaram ao despedimento do jovem treinador português, ao que se especula. Mesmo tendo a opinião pessoal que não seria o português a ter as culpas nesta situação (acredito que a má influência de jogadores como Drogba e Lampard estivessem a marcar mais o rendimento da equipa), mas sim alguns jogadores e os próprios adeptos que iam criando uma aversão ao treinador. Triste desfecho para aquela que podia ser uma história de sucesso para os londrinos, tendo eu uma perspetiva a razoavelmente longo-prazo.

  A pergunta que todos fazem para si próprios é a mesma. O rumo de André Villas-Boas ainda é incerto, com bastantes expectativas sobre ele. A comunicação social liga Villas-Boas ao Barcelona (devido a uma especulada saída de Guardiola dos catalães), e o Inter também pode ser uma possibilidade. Depois de uma época brilhante no Porto, o sucesso e idolatração criados em torno do portuense não serão esquecidas nem tão cedo. O próximo clube do assumido portista espera o mesmo da sua prestação. Mas ainda existem aqueles que sonham com o regresso à sua cadeira de sonho...