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  Foi com o nome do título que Luís Freitas Lobo chamou o Parc des Princes, estádio que acolheu um grande jogo entre Paris Saint-Germain e Barcelona. E, realmente, alguns dos reis do futebol europeu estiveram lá presentes. Entre eles destacava-se em particular o duelo entre Zlatan Ibrahimovic e Lionel Messi, que ficou por metade da sua duração devido a uma lesão do argentino que o fez sair ao intervalo. Digno de Liga dos Campeões, este jogo ficou marcado por um grande espetáculo, duas lesões de jogadores do Barcelona, um golo irregular e ainda pelo desaire de Valdés.

  À partida para a terça-feira de Liga dos Campeões o jogo mais apelativo era, teoricamente, o de Munique onde os líderes dos campeonatos de Alemanha e Itália se iriam enfrentar. Eu também pensei dessa forma, mas um golo madrugador de Alaba fez com que a equipa de Conte desanimasse e, consequentemente, ficasse desorientada. Na capital de Paris reinava a incerteza: o PSG iria motivado para um dos jogos mais importantes da sua existência, enquanto que o Barcelona, apesar de eficaz, continua a não mostrar o brilhantismo doutras épocas. A equipa espanhola manteve o seu jogo de posse de bola, sem qualquer surpresa. Messi começou no flanco direito, Alexis variou para a esquerda e Villa voltou ao seu habitat natural, a frente de ataque. O PSG surpreendeu, no que toca à estratégia desenhada para este embate milionário.

  De resto, também é apropriado dizer que a dimensão das equipas nas competições europeias é totalmente diferente. O Barcelona venceu 3 das últimas 7 edições da Liga dos Campeões (excluindo esta presente edição) e os franceses, excluindo esta edição, não jogavam na Liga dos Campeões desde o dia 7 de dezembro de 2004. Praticamente 8 anos depois a equipa voltou aos grandes palcos e, diga-se, proporcionou um regalo aos olhos de quem seguiu a partida.

  Não escondo o facto de não ser grande apreciador das políticas de compra de clubes como o PSG, Manchester City e até o Málaga em 2011/2012, quando se reforçou muito bem... gastando muitos milhões. São projetos arriscados (talvez até demais) e podem seriamente tornar-se um problema para a equipa, com batalhas e choques de egos como já se viu anteriormente. Porém, neste jogo em particular, os milhões acabaram por compensar num espetáculo de grande categoria. Quando se tem segurança na defesa, força e visão no miolo, grande velocidade e discernimento nos flancos e, por fim, sangue frio na frente de ataque torna-se tudo mais fácil.

  A posse de bola do Barcelona pode ser uma comichão e tanto para as equipas adversários, mas isso já todos sabemos. A equipa que nesta edição da liga milionária bateu o recorde de posse de bola (89% do Barcelona em Glasgow, num jogo onde curiosamente foi derrotado pelo Celtic) acabou por ter 63% neste duro teste em Paris, um valor que acaba por ser curto tendo em conta números mais avantajados que já teve na presente época. A solução acabou por estar na solidariedade e rigor defensivo do PSG, que tapou os espaços e linha de passe ao portador da bola, especialmente quando se tratavam dos homens mais perigosos com Xavi ou Iniesta, os motores do clube culé. Pode-se dizer que neste jogo opuseram-se dois estilos de futebol completamente diferentes, sendo que o PSG apostou na velocidade e na força dos seus elementos chave, como Matuidi e Lucas Moura.

  Era previsível que o Barcelona assumisse o jogo, como sempre o faz. A equipa francesa frequentemente colocava 9/10 homens atrás da linha da bola, pressionando desde uma zona recuada do terreno de jogo. Homens como Matuidi, Lucas e Pastore usavam a sua velocidade para efetuar transições rápidas e tentar chegar ao golo, que iria acabar por surgir (1-1) de forma irregular. Um erro gravíssimo da equipa de arbitragem que acabou por legalizar um golo "sujo" a Zlatan Ibrahimovic, que festehou efusivamente contra o seu antigo clube.

  Uma das grandes armas do Barcelona neste jogo foram os defesas laterais. Aliás, o brasileiro Daniel Aves foi mesmo eleito como o melhor em campo pela UEFA. O único defeito da equipa do PSG foi, na minha opinião, deixar exatamente os laterais do Barcelona com tanta liberdade. Lucas e Pastore desciam para pressionar quer Alexis e Messi, quer os homens no miolo. Isto significava que os laterais não tinha marcação direta e podiam progredir no campo sem grandes preocupações. A sua velocidade e espaço disponível foram fundamentais para a estratégia ofensiva do clube espanhol. Sobretudo o brasileiro Maxwell passou por muitas dificuldades na partida, tentando travar as investidas de Daniel Alves no lado direito: Pastore era praticamente o 3º homem no meio-campo parisiense quando a equipa não tinha a bola, pressionando no meio e deixando Alves com maior liberdade para exercer funções de ataque. Já o espanhol Jordi Alba teve dificuldades em progredir constantemente pela esquerda, já que o "Messi brasileiro" não vacilava, quer em funções defensivas quer em ofensivas. Falo, obviamente, em Lucas. O melhor em campo do PSG, junto com o tanque em Matuidi.

  Ancelotti montou uma equipa forte, coesa e (muito) solidária. Haja pulmão em Camp Nou para a equipa francesa repetir a gigante exibição que fez no Parc des Princes. O Barcelona foi previsível com a sua filosofia de posse de bola e paciência na construção de jogo. Como não sou grande adepto do futebol francês, as minhas observações vão quase todas para o espetacular Paris Saint-Germain que mostrou ao mundo que, mais do que um conjunto de grandes jogadores, é uma grande equipa. Daqui a uma semana o mundo parará para ver a conclusão desta eliminatória.

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