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"Porque é que a seleção inglesa não tem a mentalidade vista na Premier League?"

  Esta pergunta/afirmação foi colocada ontem nos comentários do Inglaterra - Ucrânia pelo narrador Paulo Pedrosa na SPORT.TV, jogo qual acabou empatado a uma bola. Os ingleses sofreram e só mesmo de grande penalidade conseguiram arrecadar um ponto no seu país naquele que foi um reencontro das duas nações depois da vitória dos britânicos no EURO (iriam acabar por ser eliminados na fase seguintes aos pés da Itália comandada por Prandelli e, dentro das linhas, Pirlo). Uma exibição pouco inspirada, previsível e monótona caracterizou os 90 minutos da formação de Hodgson, já criticado pela exibição e pelo trabalho, em geral, elaborado na seleção. Coloca-se em questão, neste momento, as diferenças das mentalidades implementadas nas equipas da Premier League e na própria seleção inglesa. A culpa é dos jogadores, do (pouco) carisma de Hodgson ou dos acontecimentos inglórios que já marcaram a seleção dos três leões?

  A Premier League é para muitos a melhor liga do mundo. Nessa observação não tenho objeções, já que neste caso eu próprio concordo com isso. Pode não ter a qualidade tática italiana ou espanhola, mas o futebol ganha muito pela emoção. O futebol é o desporto rei, movido por paixão e sentimentos. Um deles é a raça, onde lá todos a transpiram até ao árbitro apitar pela última vez num jogo. Duelos aguerridos, raçudos e disputados até ao último instante caracterizam o campeonato onde jogam todos os 23 convocados nesta última dupla jornada de seleções. 

  Outro registo impressionante é esse mesmo: todos os jogadores habitualmente convocados jogam dentro de portas. Isto é algo que no futebol português (puxando a brasa à minha sardinha, claro está) não acontece e, mais, é completamente impensável. Normalmente um número maior do que a metade dos 23 - arredondado para 12 aqui - joga no estrangeiro, sendo a Espanha o destino mais requisitado, contando com 8 da totalidade dos convocados por Paulo Bento. 

  Ora, o facto de haver uma totalidade de jogadores a jogar no mesmo país como na Inglaterra deveria gerar uma explosão de raça, carisma e outras virtudes impulsivas que, na teoria, iriam dar agressividade nos processos ingleses, sobretudo na transição defesa-ataque, onde houve jogadores como Lampard e Gerrard para exercerem as funções de carregar a bola pelo miolo com mais subtileza, havendo desequilibradores como Oxlade-Chamberlain na esquerda e Glen Johnson na direita (que como habitual foi o defesa mais interventivo no ataque). Resumindo e repetindo... esperava-se a Inglaterra que os adeptos tanto expectavam. Rápida, aguerrida, agressiva, clara e objetiva. Mas claro que a Ucrânia não nenhum saco de boxe Aliás, e um dado curioso, se houve uma formação determinada e que aparentava querer vencer foi a da Ucrânia. Guiada em campo por uma autêntica pulga os homens de leste foram ossos duros de roer.

  Os papéis inverteram-se. Apesar da Inglaterra ser claramente favorita para este encontro mostrou, em Wembley, mostrou ser uma equipa desfalcada de um fator "especial", teve pouca clarividência no ataque e estava muito fragilizada em todos os processos e momentos do jogo. Bem, quase. A verdade é que (mais uma vez) Hodgson não soube montar uma equipa "à inglesa". A exibição fraca e aborrecida falou por si. 

  Se há alguma individualidade que convém destacar, é claramente o menino de cima. Yevhen Konoplyanka, atleta do Dnipro, encantou num dos maiores estádios do mundo. Marcou, encantou e fez o que quis com Glen Johnson. Sim, apesar de já ter elogiado a rapidez do lateral direito do Liverpool esta mesma teve pouco efeito frente ao 19 ucraniano que parecia ter foguetes nos pés. É rápido, objetivo, inteligente na maneira como vê as movimentações dos colegas (como exemplo há um excelente lance na 2ª parte que dá quase auto-golo de Leighton Baines) e é claramente alguém para observar devidamente. Vejam lá... até já compararam os seus dribles com o de outra pulga. Imaginem quem...

  Mudando de assunto e terminando com este tópico pode-se concluir que são notórias as diferenças de mentalidades e realidades competitivas assimiladas pelos atletas dos clubes para a seleção. Existem variadas razões para o explicar, desde a má interpretação dos momentos de jogo por Hodgson até às marcas deixadas pelo incidente de Terry/Bridge e pelas queixas de racismo de Anton Ferdinand (irmão de Rio) face a John Terry. Tudo isto dá uma impressão negativa do grupo de trabalho e deixa um ambiente duvidoso no ar.
  
  Em Outubro é tempo de tomar conclusões mais fundamentadas, depois dos compromissos internacionais da Inglaterra. Ou vai ou racha para Hodgson, diria. Num momento oportuno o jornalista Paulo Pedrosa pegou nesta questão das diferentes mentalidades sentidas em duas realidades distintas. É, sem dúvida, um tópico para analisar e esmiuçar, tentando dissecar a questão e encontrar vários pontos de situação. Os três leões ingleses podem-se ter esquecido do que é triunfar e, mais importante, ter a mentalidade apropriada para tal?

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