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  Às palavras de Luís Freitas Lobo "Pirlo gelou meia Itália. Meia porque a outra fechou os olhos." Ora, tamanha classe e sangue frio não podem, de forma alguma, passar despercebidos. Existem bens que podem vir por mal, ou algo assim. Penso duma forma alternativa. Digo que não seria possível testemunhar a tamanha obra de arte do médio da Juventus se não fossem os 30 longos minutos de prolongamento que de resto tiveram um óbvio decréscimo na qualidade de jogo. Algo previsível, visando as possíveis palestras de Hodgson e Prandelli no relvado do Olímpico de Kiev, não estivesse uma meia-final europeia a 4 dias. Para mais é injusto e desonrado haver uma equipa com mais 2 dias de descanso do que a outra num jogo com tanto em jogo. Além disso, uma jogou com a fortíssima Inglaterra de transições rápidas e a outra jogou contra a ofensivamente paupérrima Grécia. O que se fez hoje em Kiev, perguntam. Justiça essencialmente. Além disso viu-se um registo quase sobrenatural do regista Andrea Pirlo. Somou-se um total de 117 passes do médio que já passou pelos 3 grandes dos terrenos transalpinos, tendo um também notável aproveitamento de 80% deles. Recorre-se à calculadora e confirma-se que foram 94 passes com sucesso. Em circunstâncias normais seriam mais do que 1 por minuto, mas como o jogo precisou de ser resolvido noutros meios diz-se que foram 0,78. E não é por acaso que se diz que o 21 tem influência no jogo da Squadra Azzurri. Pode-se dizer dum ídolo a todos os que gostam de futebol. Porquê? Sabe conciliar técnica, disciplina e criativadade tática e inteligência. Esse último parâmetro sobretudo. Tem um GPS na bota e sabe utilizá-lo da melhora maneira. Teleguiando os passes para Balotelli ou Cassano.

  Se houver encontro entre portugueses e italianos na final desta competição será difícil prever o desfecho do encontro. A Itália joga de forma diferenciada. Prandelli sabe e consegue planear jogos. Contra a Espanha e Croácia optou por um sistema tático muito utilizado no país (destacando-se a Juventus na segunda metade da época  e o Parma do antigo mister italiano, Roberto Donadoni e da formiga atómica, Giovinco), o que fez com que a estratégia passasse não tanto por assumir o jogo (especialmente no primeiro jogo em Gdansk face à Roja de Del Bosque), mas sim por tentar resguardar-se e aproveitar o adiantamento das linhas, aproveitando o seu meio-campo guiado e liderado pelo mesmo Pirlo.

  Hoje houveram algumas mudanças no sistema tático de Prandelli e, quando menos se esperava, a Itália assumiu e dominou o jogo. Trocou o 3-5-2 utilizado nas duas primeiras jornadas da fase de grupos por um 4-4-2 losango, ou algo semelhante. Pirlo mais recuado a construir constantemente o jogo, Marchisio e De Rossi numa linha intermédia e Montolivo a 10, o trequardista do futebol italiano, apesar de ter características eminentemente diferentes de Dino Baggio, Totti e Del Piero. Outra das alterações entre sistemas foi a substituição de laterais. De duas formas. Existe, nesta Itália, uma diferença entre defesas e laterais. No primeiro sistema utilizado os eleitos foram Maggio e Giaccherini, jogadores de características mais ofensivas (inclusive Maggio jogou toda a época no característica 3-4-3 de Mazzarri) enquanto neste último os dois primeiros foram substituídos por Balzaretti na esquerda e Ignazio Abate na direita. Dão maior segurança defensiva, apesar de também serem bastante ofensivas nos momentos para tal. Com o raçudo Cassano e o imprevisível Balotelli no eixo de ataque não há quem se salve. Além disso o "mad" Mario tem pecado em muitos aspetos, sobretudo na lentidão das decisões. E quando o faz, regra geral, faz mal. Apenas uma última observação: cuidado Merkel.

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