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  Perfil de um típico treinador dos novos tempos. Mais um no conjunto de subtis treinadores a causar boa impressão em terreno outrora dividido em dois estados, as antigas repúblicas alemãs, que perduraram até à quebra do muro de Berlim. Muro esse que pode simbolizar a época do Estugarda. Dividida, claro. Em duas fases bastante distintas. 

  Consideremos (não comparando, apenas para completar a minha tese) a República Federal Alemã a primeira ronda da Bundesliga. Uma junção de resultados inaceitáveis foi colocando o lugar de Labbadia numa situação precária, o que poderia deixar o Estugarda numa posição desconfortável e ainda mais insegura na Bundesliga. Mas há, no entanto, uma possível justificação para o antigo avançado do Bayern de Munique. Poderá ser ela a média de idade da equipa. 25,32 é o número. Em relação com outras equipas do principal escalão alemão até pode ser um número considerável e extremamente equilibrado. Mas calculo que seja difícil entrosar os processos de uma equipa com jogadores jovens, por diversos fatores. Como a inadaptação a um certo sistema tática ou mesmo carência de cultura a um certo nível. Entrosamento esse que, caso o 'processo Labbadia' se mantenha, pode virar caso sério. A longo prazo, ainda assim. Nesta época o objetivo é assegurar o apuramento direto para a Liga Europa, calculo. O apuramento para os play-off de acesso à Liga dos Campeões é uma ambição irreal. Não fosse o Mönchengladbach uma das equipas que está a surpreender mais pelos seus resultados, dando aos adeptos um certo sentimento nostálgico. Uma chama que se pode acender, depois da chamada década de ouro, onde o Borussia local foi umas das potências europeias na década de 70, vencendo 3 edições consecutivas da Bundesliga, tal como duas vitórias na já extinta Taça UEFA. Onde na sua última edição uma equipa alemã foi derrotada, para fazer curiosidade.

  Fez-se luz. Atualmente os Die Roten não perdem um jogo à 9 jornadas da Bundesliga. Tive o privilégio de acompanhar o último jogo caseiro da equipa de Labbadia. Uma exibição de gala. Organização tática que permitiu uma confiança sobrenatural na manobra ofensiva. Uma das melhores equipas no campeonato. O principal catalisador tem sido o ex-Hoffenheim, o bósnio Ibisevic. 8 golos em 12 jogos. Praticamente metade dos golos de Harnik, o melhor marcador até ao momento. 

  Nada acontece por acaso. A motivação é um fator determinante para qualquer equipa. E é aí que Labbadia pode ser engenhoso. É, como outros treinadores da nova geração, um antigo jogador de futebol. Avançado que, entre clubes de menos relevo, representou o Bayern. Sabe o que os jogadores gostam de ouvir. Já trabalhou com muitos outros treinadores. Processos que podem demorar a entrosar, mas num clube como o Estugarda (que não tem uma obrigação a não ser a luta pelas competições europeias, o normal) os adeptos estão dispostos a esperar. Um dos melhores registos nas ligas europeias com maior relevância, vendo a última dezena de jogos. Furor. É o que Bruno promete fazer. O milagre de Estugarda pode apenas ter começado.

1 comentários

Adolfo Ezequiel disse... @ 18 de abril de 2012 13:18

Gostei Luís. Está bem ''trabalhada'' e elaborada.
Continua com este grande projeto!

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