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  Jogo decisivo entre Schalke e Bayern de Munique nesta jornada. Um golpe em falso pode mudar completamente as aspirações de ambas as formações na presente temporada, onde a Bundesliga está ao rubro. Depois das chicotadas psicológicas que o Bayern tem dado a rivais em diferentes competições, isto é, contratar Shaqiri ao adversário da Liga dos Campeões e o central Dante ao Borussia Monchengladbach a equipa pode agora deslizar um pouco pela Bundesliga, tendo nos últimos dois resultados um empate em Friburgo e uma derrota inesperada, pelo menos, na Suíça, no St. Jacob. É o tudo ou nada para bávaros nesta altura, joga-se o título durante todas as jornadas, tendo em conta a proximidade entre os quatro primeiros classificados. Estou de braços abertos para este jogo, digo-vos. 

O S04 é uma equipa pela qual tenho enorme respeito, quer individualmente (Raul, Jurado, Huntelaar) quer coletivamente. Têm uma equipa que na época passada fez história na Liga dos Campeões enquanto vivia dias menos bons na Budesliga, tal factor histórico serviu-lhes de raiz motivacional para eles, conseguindo ainda a Liga Europa (devido à taça). Não esquecendo que este Schalke ainda é candidato ao título, estando com 44 pontos. Neste momento a competitividade na Budesliga é maior do que em qualquer campeonato europeu, com quatro equipas (uma delas a sensação) a lutarem pelo título. Jogo que poderá e irá (em caso de alguma equipa vencer) retirar alguém da corrida pelo título, dadas as circunstâncias. Sendo o jogo na Allianz Arena o favoritismo deve pesar um pouco no Bayern, mas deverá ser um jogo imprevisível. Como simples apologista de bom futebol, espero ter um grande jogo que marque ainda mais esta efusiva corrida pelo título.

  Neste artigo irei falar mais sobre a equipa do Schalke, e aquilo que têm vindo a desenvolver nesta época. Com Huub Stevens o seu jogo tem melhorado significativamente nas competições internas, fazendo esquecer a época passada que foi salva internamente por uma qualificação à Liga Europa devido à vitória na DFB-Pokal. Claro que com homens como Raul e Klaas-Jan Huntelaar tudo fica mais fácil, para a equipa que hoje passou à próxima fase da Liga Europa, eliminando os checos do Plzen, repescados da Liga dos Campeões na sua primeira presença na competição, marcada pelos jogos com Barcelona e Milan. Voltando ao Schalke, têm o melhor ataque da competição, com 50 golos. Há que ter em conta a dupla de ataque que já referi, porque têm mais de 50% dos golos marcados pela sua equipa, 29 para ser mais exato (11 para Raul e os outros 18 para o holandês). 


  Apesar de poder variar à medida que jogo vai decorrendo, a equipa normalmente alinha com um 4x2x3x1, com Raul a ter funções distintas das que podia ter o Real Madrid e mesmo na primeira época na Alemanha. Está, e muito bem, a cumprir as funções de 10, criativo no ataque e como sempre exímio a finalizar. Ignorando o facto de ter 34 anos, idade que já exige uma certa gestão de esforço específica, é o segundo jogador com mais minutos deste Schalke, na Bundesliga. À frente só mesmo Christian Fuchs, defesa austríaco que tem adoptado uma posição diferente da sua de raiz, que é de defesa-esquerdo. Apesar de na constituição dos jogos essa posição ser sua, um movimento curioso tem aparecido nos jogos, na minha visão tática. As trocas com Matip (este indiscutivelmente um trinco, jogador com características defensivas) têm sido frequentes, devido à necessidade de maior balanceamento nessa área importantíssima do terreno. Como médio centro a equipa tem ainda por vezes Matip como trinco e um super Howedes a fechar na direita, com a necessidade de apoio defensivo do mesmo Matip, em caso de ataque contrário. Basicamente esta é uma das armas mais valiosas do Schalke em qualquer dos setores que atue, devido à sua boa capacidade de passe. 
 
  Já o ataque é constituído por (tendo a ideia no onze base) Raul como médio ofensivo (em transições rápidas vindas das alas ou mesmo médios mais recuados é o ponta de lança perfeito), Huntelaar como ponta de lança fixo, e dois homens nas alas. Nestas posições o Schalke dispõe de Draxler (muita atenção a este jovem alemão de 18 anos, mais uma promessa do futebol do país), Farfán (este dispensa apresentações) e o nigeriano Obasi. Fico-me por aqui porque existem mais opções, mas estas são as mais utilizadas pelo treinador holandês. Uma formação com média de idades de 24,73 tem um excelente equilíbrio entre jovens promessas (como Draxler que referi à pouco) e jogadores com experiência em clubes de topo, como Raul e o defesa central Metzelder, ambos com passagens no Real Madrid.

  Estranho seria não serem candidatos ao título alemão. Modelo de jogo sem grandes complicações que está a render excelentes resultados à equipa que na última jornada do campeonato goleou o Wolfsburgo (que está a fazer uma boa prestação nesta época, depois de evitar a descida nas últimas jornadas da temporada passada). Grande trabalho de Huub para esta temporada, levando o clube a um patamar superior ao da época passada, no campeonato. Apesar da eliminação na taça aos pés do surpreendente Monchengladbach, a equipa de Gelsenkirchen ainda tem 2 frentes com possibilidade de conquistar. Para continuarem válidos numa dessas frentes precisam de um resultado satisfatória na deslocação a Munique, neste fim de semana.

4 comentários

Adolfo Ezequiel disse... @ 26 de fevereiro de 2012 14:08

Estou curioso por ver como ficará o Schalke posicionado esta época, depois da qualidade demonstrada na Liga dos Campeões do ano passado penso que provaram a muitos que a Bundesliga da época passada foi apenas um ''acidente'', ainda podem ser campeões, é difícil, mas podem.
Para isso tem primeiro que lançar o Bayern de Munique para quarto lugar, veremos o que acontece.

Continua Luís.

Luís Barreira disse... @ 26 de fevereiro de 2012 15:20

O jogo acabou neste preciso momento, Adolfo. Terminou 2-0, vitória expressiva do Bayern com golos de Ribéry. Vitória justíssima, o Schalke surpreendeu pela negativa.

Adolfo Ezequiel disse... @ 26 de fevereiro de 2012 18:17

É pena pois podiam ter surpreendido.

Luís Barreira disse... @ 26 de fevereiro de 2012 19:57

Não da maneira que jogaram.

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